Leituras 2013 #2

Essa é a segunda parte das minhas leituras de 2013 – ou pelo menos o que foi lido até agora, dia 16 de outubro. Pra quem não viu a primeira parte, é só clicar aqui, onde teve resenha dos livros “As Vantagens de ser Invisível”, do Stephen Chbosky, “V de Vingança”, do Alan Moore e do David Lloyd, “A História sem Fim”, do Michael Ende, e “Como Ver um Filme” da Ana Maria Bahiana.

E lembrando:

Já teve post aqui no blog sobre o livro “História da Moda no Brasil – das influências às autorreferências”, “Quinta Avenida, 5 da manhã” e “Dormindo com o Inimigo’. Ufa!

  •  Serena – Ian McEwan

Ian McEwan era uma grande incógnita pra mim. Nunca havia lido nada do autor, mas eu já tinha escutado críticas tão boas sobre os seus romances que era super curiosa pra saber como era seu tipo de narrativa e seu estilo de texto. Pra aumentar ainda mais essa curiosidade, ainda no ano passado, uns dias depois que terminou a Flip, eu vi em algum lugar uma listinha com os livros mais vendidos daquela edição. E tchan tchan tchan, adivinhem quem tava em quarto lugar? Sim, meus caros, ele mesmo, senhor Ian McEwan e seu romance “Serena”. Pra mim foi o que faltava. Comprei o livro e assim que tive uma brecha entre algumas leituras que tavam antes na fila haha, me entreguei totalmente pra essa história.

O livro conta a história da personagem Serena, uma jovem matemática que é contratada pelo Serviço Secreto Britânico em um cargo não lá de muita relevância, mas que acaba ganhando cada vez mais atenção dos colegas e envolvendo a garota em toda uma rede de espionagem. E sim, já podemos esperar que em algum momento, tudo isso vai entrar em conflito com sua vida particular.

Essa foi basicamente a sinopse que li antes de comprar o livro. Só que o que eles não contam aí, é que antes da gente chegar nessa história toda há um longo caminho percorrido – aka pedaço de livro – pra gente entender como era a vida da Serena antes do serviço secreto. O que torna o começo do livro um pouco arrastado, digamos assim. Quando as coisas finalmente começam a acontecer, ou seja quando a história realmente engrena, parece que tudo lá do começo que soava chato vai fazendo cada vez mais sentido. Então, quando alguém me pede uma recomendação desse livro, sou bem enfática: se preciso, dê um tempo, leia outras coisas no meio, vá tomar um ar haha, mas não o abandone. O final é um dos melhores que já li e faz valer a pena suas 380 páginas de leitura, ainda que a história não te fisgue de primeira.

  •  A Revolução dos Bichos – George Orwell

“Mas, sem dúvida, antigamente era muito pior. Gostavam de achar isso. Além do mais, naqueles dias eram escravos, ao passo que agora eram livres; e tudo isso, afinal, fazia diferença.”

Esse é um daquelas clássicos que em algum momento da vida a gente deve ler. Ou em vários, porque tenho cá pra mim que a cada nova leitura dele a gente deve enxergar e aprender coisas diferentes.

Pra quem não conhece, Revolução dos Bichos é uma fábula, ou seja, uma história onde os personagens são animais, porém, animais com características humanas, que falam, pensam e sentem como se fossem pessoas de verdade. A história se passa na Granja do Solar, uma fazenda onde todos os animais trabalham dia e noite, incansavelmente, pra manterem os serviços em dia para os seus donos. Esse tipo de trabalho, no entanto, começa a deixar os bichos descontentes, já que eles se dão conta do regime de escravidão a que estão sendo submetidos. Um dia, então, resolvem se rebelar e tomar posse da fazenda, instituindo um sistema igualitário no lugar. Só que aí não demora muito pra alguns bichos acharem que não são assim tão iguais ao outros, sacomé esse pensamento humano que a gente vê aos milhares por aí, e decidem que é preciso ter algumas regalias e poderes.

Uma das coisas mais belas de A Revolução dos Bichos é que em qualquer idade esse livro faz sentido. Mesmo que você seja criança e não apure toda sua profundidade, ele é uma bela história infantil. Se você já não é mais tão criança assim e consegue entender toda a sátira envolvida por trás dessa história, bom, aí mesmo é que você vai adorá-lo. Primeiro porque ele foi escrito e exemplifica – ainda que através dos bichos, do cotidiano da fazenda e das mudanças de política que vão se desenrolando na história – a ditadura stalinista durante o período da Segunda Guerra Mundial. Isso foi, inclusive, um dos fatos que fez esse livro demorar tanto tempo pra ser publicado e ter causado o maior fuzuê na época do seu lançamento. Orwell tava mexendo em um tema muito delicado, em uma época onde Stálin e Trotski eram vistos como aliados contra os nazistas.

O mais sarcástico desse livro, no entanto, talvez esteja até fora das suas páginas: anos depois, durante a Guerra Fria, aquele mesmo discurso que em teoria seria uma crítica ao livro se transformou em uma das maiores bandeiras do Ocidente contra a União Soviética (!)

O outro ponto que eu acho legal desse livro é que mesmo que a gente não faça uma ligação tão direta assim com o stalinismo, ele ainda continua ensinando e mostrando muita coisa pra gente. Esse tipo de comportamento que a gente vê em alguns bichos do livro pode ser notado em situações de menor escala de relações humanas. Não é preciso procurar muito pra achar alguns exemplos…

  • A Guerra dos Tronos – As Crônicas de Gelo e Fogo – George R. R. Martin

Taí o motivo por eu ainda não ter lido muitos livros esse ano! haha. Ou pelo menos o começo do motivo, já que nesse momento terminei os três primeiros livros dessa coleção.

A Guerra dos Tronos, primeiro livro da série As Crônicas de Gelo e Fogo, tá muito conhecido agora por causa da série da HBO (que, inclusive, leva o nome desse primeiro livro e não da série), mas pra quem se aventurou por essa história além do mundo da TV, eu tenho absoluta certeza que não se arrependeu! George R. R. Martin tem um dos estilos de escrever mais incríveis que você pode imaginar. Pra começar que a narrativa dele tem muitos pontos de linearidade, mas quando chega perto de algum ápice, diferente da maioria dos escritores, não vai te preparando e aumenta o grau de tensão até chegar lá. O autor gosta mais mesmo é de nos surpreender, então às vezes você tá lendo uma página em que teoricamente nada de muito uow tá acontecendo e quando vira pra próxima o mundo começa a desabar.

O que mais me deixa encantada nessa coleção é que por mais que a gente torça por alguns personagens específicos, todos têm suas fraquezas. Tanto que eu mordi a língua por achar um dos personagens horrorosos nos dois primeiros livros pra só no terceiro entender quem de fato ele era…

Esse primeiro livro, aliás, serve bastante pra gente ser introduzido aos personagens da história. Cada capítulo leva o nome de um personagem e conta a história do ponto de vista dele naquele momento, o que torna o livro extremamente rico, porque a gente sempre tem diferentes visões de um mesmo assunto e consegue acompanhar a história em diferentes lugares ao mesmo tempo. Todos os personagens são extremamente complexos e, como já disse ali em cima, a gente vai percebendo que esse lance de bem e mal não é uma coisa que funciona “direito” no livro: todas são seres humanos e, portanto, passíveis de inúmeros sentimentos.

Pra quem não conhece a sinopse do livro deixo esse link aqui (seria impossível resumir essa sinopse em poucas linhas), mas já adianto que ele é mesmo incrível! Os detalhes que George R. R. Martin dá aos capítulos, a história de cada personagem, as mudanças que a própria história vai sofrendo ao longo do livro (e que mudanças!) e as partes de magia (agora que me toquei que não disse que esse é um livro de fantasia haha) são das melhores coisas que já li na minha vida.

  • O pequeno príncipe – Antoine de Saint-Exupéry

– Os homens esqueceram essa verdade – disse ainda a raposa, – Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela tua rosa…”

O último livro do post já deve ter sido lido por 99,9% das pessoas que estão lendo isso nesse momento. Nesse outros 1% era onde eu me encaixava até pouquinho tempo atrás, já que sim, aos 23 anos de idade foi a primeira vez que eu li O Pequeno Príncipe.

A histórica criada por Antoine de Saint Exupéry deve ter o maior número de frases marcantes da história, tanto que mesmo lendo o livro pela primeira vez, eu conhecia várias das suas passagens Ainda assim, foi gracioso demais ler a história desse pequeno princepezinho.

Eu li a edição da Editora Agir (essa da foto) e as ilustrações que têm dentro do livro, que são as aquarelas do próprio autor, são lindas e dão um toque ainda mais bonito pra história.

Assim como A Revolução dos Bichos, O Pequeno Príncipe é um livro que dá pra ser lido por todas as idades. Para os pequenos ele pode ser uma bela historinha contada antes de dormir. Para os adultos, ele é uma bela história cheia de passagens cativantes, que vão ensinando de forma singelas grandes lições de vida. Dizendo assim, o livro pode soar até um pouco pedante, (por sinal, uma jornalista que conheci vivia me dizendo que achava uma perda de tempo esse livro), mas ainda assim acho que ele tem seus méritos…

Continua!

Crédito da imagem de fundo da abertura.

Bisous, bisous

Leituras de 2013 #1

Se alguém tiver a curiosidade de clicar na categoria “Estante de livros” daqui do blog vai ver que desde o começo do ano, quando o Little surgiu, eu fiz algumas resenhas de livros por lá. Tudo que eu lia e tinha a ver com moda (mesmo que de forma não tão direta assim), acabava ganhando um post pra si, com minhas impressões sobre o assunto.

{Ps rapidinho aqui: aproveitando que tô tocando nesse assunto, queria esclarecer também que apesar de usar o termo resenha nos posts, o que eu faço nessa categoria é uma “resenha muito mais pessoal” do que técnica (licença poética mandou um beijo haha). Longe de mim achar que tenho gabarito pra avaliar profundamente esses livros e com todos os rigores que uma resenha de verdade pede. O que eu faço aqui é compartilhar minha opinião e procurar dar algumas dicas que facilitem a escolha e a própria leitura do livro. Ok?}

Bom, explicado isso,  vamos ao que interessa. Eu tava ficando meio que brava comigo mesma por achar que só livros de moda ou de assuntos correlatos deviam ganhar espaço nessa categoria. Porque poxa, eu leio livros dos mais diferentes assuntos e eles me inspiram – seja na moda, no dia a dia, na vida – tanto quanto os outros que eu já tinha falado aqui. Então, tomei uma decisão. Daqui pra frente eu quero resenhar no blog todos os livros que ler, sejam eles de moda, de suspense, de fantasia, biografia, whatever. Literatura nunca é demais e todo livro merece seu espaço! haha

Como ontem eu terminei um livro e já comecei outro – “A Tormenta de Espadas” do George R. R. Martin e “Morte Súbita” da J.K Rowling, respectivamente – resolvi fazer três posts resumões-giga de tudo que já li nesse ano, pra a partir de Morte Súbita voltar a falar de cada um individualmente. Achei que assim ficava mais fácil. Por isso, aqui embaixo vai a primeira parte da lista (tentei resumir bem cada livro pra esse texto não ficar gigantesco) dos 15 livros que li até aqui, o que não é muita coisa, mas levando-se em conta que eu li os três primeiros livros das Crônicas de Gelo e Fogo nesse período, é até que aceitável :p E fiquem a vontade para falarem nos comentários sobre os livros da lista que vocês já leram. Quero a opinião de todo mundo!

*Lembrando que pra ler as resenhas de “História da Moda no Brasil”, “Quinta Avenida, 5 da Manhã” e “Dormindo com o inimigo – A Guerra Secreta de Coco Chanel” que li esse ano, é só clicar.

  • As vantagens de Ser Invisível – Stephen Chbosky

É provável que muita gente conheça a história de Charlie por causa do filme de mesmo nome que estreou ano passado nos cinemas. O longa é inspirado nessa obra aqui – foi o autor inclusive quem dirigiu o filme – e pra quem amou a história nas telonas (existe alguém que não?!), deveria mesmo ler esse livro.

Charlie escreve cartas para um anônimo que vão se transformando uma a uma nos capítulos do livro, e que nos fazem acompanhar o período na vida do protagonista onde ele começa a frequentar o ensino médio e a descobrir novos amigos e um mundo além daquele universo particular onde vivia. Não ache porém que essa sinopse quer dizer que você tá prestes a ler um YA bobo, que trata de temas batidos do ensino médio dos EUA com seus bad boys e patricinhas. “The perks of being a wallflower” (seu verdadeiro nome em inglês) é um livro feito de detalhes. E coisas singelas. Charlie não é um garoto comum, não pensa nem age como um garoto comum e descobre que seus amigos também não são comuns, cada um a seu modo. Afinal o que é ser comum?

Esse livro pra mim fala sobre essas particularidades que todo ser humanos tem e como a nossa história – e milhares de fatores que encaramos todos os dias na nossa vida – vão nos moldando.

” Então, eu acho que nós somos o que somos por um monte de razões. E talvez nunca saberemos a maioria delas. Mas mesmo se não temos o poder de escolher de onde viemos, ainda podemos escolher onde vamos daqui. Nós ainda podemos fazer as coisas. E podemos tentar nos sentir bem sobre isso.”

*Tenho uma área no listography dedicada só para essa história (sou fã assumida mesmo!), com coisas relacionadas ao filme e ao livro. Tá aqui o link pra quem quiser ver. E preciso comentar que apesar de odiar quando o livro ganha a capa do filme, essa capa é uma das que eu mais amo na minha estante <3

 

  • V de Vingança – Alan Moore e David Lloyd

V de Vingança é uma graphic novel lançada em 1988 que meio que virou uma das HQ mais cults dos últimos anos. O que é um status bem compreensível, diga-se de passagem. A história se passa em um cenário criado pelo autor onde um governo totalitário sobe ao poder e controla os cidadãos em um regime de vigilância e submissão chocantes. Nesse meio tempo surge V, codinome de um justiceiro que se rebela contra o poder e tenta destruí-lo de acordo com suas próprias leis e regras.

Apesar de parecer um tema pesado – e de fato é – V de Vingança te prende de um jeito louco em suas páginas. Questões políticas – e, principalmente, sociais – são levantadas em muitas das ações que V, o governo e os cidadãos vão enfrentando e causando ao longo do livro. É bem aquilo de você ler uma frase e ela ter mil referências e ideias por trás dela, sabe? Além disso, o livro tem partes belíssimas, principalmente quando acompanhamos a personagem Evey.

“Ideias são à prova de balas.”

*Essa HQ ganhou uma adaptação incrível para o cinema em 2005.

  • A História Sem Fim – Michael Ende

Eu tenho um fraco gigantesco por histórias de fantasia, vide Senhor dos Anéis, As Crônicas de Gelo e Fogo e Harry Potter, e “História sem Fim” do Michael Ende é tipo o ápice dessas histórias fantasiosas, onde existem cães gigantes que voam, princesas, outros mundos e todo tipo de feitiço e magias que vocês possam imaginar. Quem nasceu na década de 80 ou começo dos anos 90 deve lembrar que o filme adaptado dessa obra aqui passava na sessão da tarde zilhares de vezes ao ano, e eu mesma, que assisti incansavelmente o longa, só descobri que existia um livro sobre ele muito tempo depois.

A obra conta a história de Bastian Baltasar Bux que rouba um livro e, refugiado no sótão de seu colégio, começa a leitura de páginas que o teletransportarão para outro mundo. Literalmente. Acompanhar o desenrolar de História sem Fim é gostoso porque tudo é possível de acontecer. No universo de Fantasia, país onde se passa a história do livro de Bastian, tem todas as loucuras e delícias que nossa mente de criança – e de adulto também, por favor! – sonham.

O tipo de livro que eu gostaria de ter lido na infância e muitas outras vezes depois dela.

“Fantasia é a história sem fim escrita num livro de capa cor-de-cobre que estava no sótão de um colégio. Agora, ele está na sua mão.”

  • Como Ver um Filme – Ana Maria Bahiana

Se você gosta de cinema e ainda não leu esse filme, corre, porque você tá perdendo um verdadeiro tesouro! Primeiro que pra quem não conhece o trabalho da Ana Maria Bahiana, vale dar uma olhadinha no blog sobre cinema que ela tem na UOL pra entender como ela tem gabarito e excelência pra falar sobre esse assunto. No campo literário esse não é o único livro dela, e claro que depois de lê-lo eu já tô louca pra devorar todos os outros haha. Só que aí, além de toda essa desenvoltura e sabedoria sobre cinema da autora, o que eu mais amo nesse livro é que nem de longe ele tem uma linguagem técnica. Mesmo os assuntos mais didáticos em relação a sétima arte são tratadas de uma forma solta, então você lê o livro sem a impressão que tá tendo uma aula, mas na realidade tendo uma. Deu pra entender?

Ao longo das páginas a autora vai falando sobre vários acontecimentos e particularidades do cinema tanto do lado de quem assiste quanto do lado de quem faz, e a gente vai abrindo nossos olhos pra muitas coisas que como simples espectadores às vezes nos passam despercebidas. Muitos filmes marcantes do cinema tem sua história revelada e eu tive gratas surpresas com muitas das coisas que li nesse livro.

E ah! De brinde, lá no final do livro ela ainda faz um apanhado de listas com vários tipos de indicações pra quem quer saber mais sobre o assunto, com uma filmografia e bibliografia incríveis.

Continua…

Crédito da imagem de fundo da abertura.

Concurso Bonequinha de Luxo!

O primeiro dia de outubro diz olá para a gente,  já deixando aquela sensação de que agora de fato começa a contagem regressiva para o final do ano, essa época tão deliciosa, que me faz sorrir de orelha a orelha. Como eu queria começar esse mês com o pé direito (na vida e no blog), achei que tava mais do que na hora de estrear uma categoria de concursos por aqui, o que era um desejo já de algum tempo. E assim nasceu o Concurso Bonequinha de Luxo, que é inspirado na obra, a literária e a cinematográfica, dessa história tão incrível, que teve um significado muito grande para o feminismo dos anos 60 e para a consagração de uma atriz que virou lenda, que virou musa e inspiração. Pra mim e pra milhares de meninas ao redor do mundo. Audrey Hepburn!

Concurso Bonequinha de Luxo

O concurso vai presentear seu(sua) ganhador(a) com o livro “Bonequinha de Luxo” do Truman Capote e mais o DVD do filme, dirigido por Blake Edwards. Pra participar é simples:

Complete o formulário aqui embaixo e capriche bem na resposta da pergunta “Como a Audrey Hepburn te inspira?” Só vale responder o formulário uma vez e a resposta mais criativa leva o livro + DVD pra casa. Falei que era simples, não falei?

Não é obrigatório curtir a página do blog, mas o resultado sairá lá no facebook em primeira mão, então é bom ficar de olho pra não perder a frase escolhida, né? O facebook do blog é

https://www.facebook.com/littleblogfashion

O concurso é restrito ao território brasileiro e eu já to super esperançosa e ansiosa de que cheguem respostas de diversos cantos do país! Ele encerra as participações no dia 29 de outubro as 18h e no dia 31 de outubro o resultado sai lá no facebook!

Então, é isso! Boa sorte e vamos todos participar ;}

 

Bisous, bisous

Andei lendo: “Dormindo com o inimigo”

Uma das minhas última leituras foi o livro “Dormindo com o Inimigo”, do Hal Vaughan, aquele mesmo que quando foi lançado em 2011 causou o maior burburinho entre o povo das modas. O assunto, aliás, é muto delicado: o livro aborda a participação que Coco Chanel teve no período da Segunda Guerra Mundial, servindo como colaboradora do partido nazista no território francês.

Eu lembro que quando esse livro foi lançado eu tava louca pra lê-lo, mas, no final das contas, ter esperado um tempinho pra poder comprar o meu exemplar e me jogar de cabeça nessa leitura valeu muito a pena. Primeiro porque eu consegui sair daquela atmosfera de escândalo que cercava o livro na época e não me influenciar tanto pelo que tava sendo comentado. Aliás, eu fugi muito de resenhas do livro, pra que quando eu pudesse finalmente lê-lo, conseguisse enxergar tudo do zero, sem nenhuma imagem já montada. E em segundo porque ler esse livro agora só me deu ainda mais vontade de devorar o “A Era Chanel”, que eu comprei no final do ano passado e tá aqui na estante do apartamento.

Anyway, “Dormindo com o inimigo – A guerra secreta de Coco Chanel” tem seus pontos altos e baixos. O livro trata principalmente do período que Chanel morou no hotel Ritz, em Paris, durante a Segunda Grande Guerra. Mantendo sua mesma rotina dos anos anteriores, Chanel vivia no extremo oposto do povo francês, que tinha que ou morrer de fome nas ruas do país ou fugir de lá com medo das tropas nazistas que haviam tomado o lugar. Por causa disso, e do relacionamento que Chanel tinha – e que nunca escondeu de ninguém – com Hans Günther von Dincklage, agente da Gestapo, algumas ligações dela com as tropas alemãs começaram a ser especuladas.

Ao longo dos anos foram vários os rumores que surgiram de que a permanência de Chanel no Ritz tinha uma única e clara razão: mademoiselle era colaboradora das tropas nazistas.

Entre os pontos altos do livro eu destacaria o fato dele trazer um mini-biografia da Chanel. Pra minha surpresa, ele fala de Coco não apenas nesse período obscuro da guerra, mas também de toda sua carreira. Pra mim que esperava apenas uma rápida passagem nessas partes e um livro quase que todo de “Chanel e nazismo”, foi uma surpresa descobrir que o livro faz um belo apanhado de toda a sua vida e carreira. Claro que a Segunda Guerra Mundial ganha destaque, tendo praticamente metade do livro dedicado a ela, mas conhecer todo o antes e depois desse período facilita muito na hora de acompanhar os passos de Chanel em Paris durante a guerra.

Entre os pontos baixos eu destacaria uma certa confusão que se instaura no livro quando chegamos nas partes que falam sobre os documentos e pessoas que comprovam que Chanel esteve realmente envolvida com toda essa história. E, gente, não to falando isso pra tentar “inocentá-la” de nada, até porque por mais confuso que o livro possa ser em alguns momentos, dá pra sacar que mesmo que Chanel não tenha sido uma espiã ou uma diaba (como a sinopse do livro deu levemente a entender), ela não era nenhuma santa. Na real, eu não acho que o livro resolva a fundo essa questão do quanto ela ajudou ou não os nazistas, simplesmente porque o sensacionalismo envolvido em algumas passagens é tão grande que a gente fica na dúvida até que ponto pode acreditar ou não no autor. O que me irritou profundamente também foi essa quantidade de nomes, datas, lugares e negociações que aparece no livro e que às vezes mais do que esclarecer, confundem, dando uma impressão de que o autor precisa se justificar de mil e uma maneiras pra transformar a imagem da Chanel em algo “do mal”.

Sensacionalismos à parte, uma coisa bem legal no livro é mostrar os muitos amores que Chanel teve ao longo de sua vida. Conforme a gente vai conhecendo mais e mais dela, fica muito claro que Chanel apenas queria amar e ser amada em troca.

Foram muitos os seus amantes, amores, casos, escapadelas (haha), enfim, como vocês queiram chamar. Mas cada um deles teve seu significado e importância na sua vida. Pode soar o cúmulo da contradição dizer isso de uma mulher tão poderosa como ela demonstrava ser, mas nesse tocante de relacionamentos, Chanel era totalmente carente. Ela só tava completa, só era inteira e forte com um amor ao seu lado.

“Dormindo com o inimigo – A guerra secreta de Coco Chanel” é da Companhia das Letras e tem 361 páginas. Ele pode ser encontrado na Livraria Cultura por R$43,00. Pra quem se interessa pela vida e carreira de Coco (esqueci de falar, mas o livro fala super sobre o Chanel nº5!) ou sobre Segunda Guerra Mundial, vale muito a pena ler!

Bisous, bisous

Andei lendo: “Quinta avenida, 5 da manhã”

Terminei de ler “Quinta Avenida, 5 da manhã” no comecinho da semana e posso dizer que o livro foi muito mais surpreendente do que eu poderia imaginar. Isso porque quando eu comecei a lê-lo tinha pra mim que o livro falava apenas sobre os bastidores da produção do filme Bonequinha de Luxo e de como o papel de Holly Golightly foi tão importante para a carreira de Audrey Hepburn. Ah, mas que engano! E que engano BOM!

“Quinta avenida, 5 da manhã – Audrey Hepburn, Bonequinha de Luxo e o surgimento da mulher moderna” vai muito além disso. Aliás, ele vai muito além do próprio filme Breakfast at Tiffany’s (nome original do longa), já que ele se debruça também sobre a história que gerou o filme, ou seja, a novela escrita por Truman Capote em 1958.

Uma das coisas que eu mais gostei do livro é que ele não deixa nem um nó solto e conta a história desde lá do seu comecinho até a noite do Oscar em que Bonequinha de Luxo concorreu em cinco categorias – e levou a estatueta de melhor canção com Moon River.

Então primeiro a gente fica conhecendo um pouco mais sobre o próprio Truman Capote, sobre sua infância sofrida, seu interesse pela literatura e, finalmente, como surgiu a ideia do livro na sua cabeça. E, o mais legal de tudo: como foi o processo de criação da Holly, quais mulheres que o inspiraram a montar essa personagem tão única e como Truman passou tudo isso pro papel.

E quem já leu o livro ou viu o filme sabe que Holly tá longe de ser uma personagem fácil. Ela é doce, mas é forte ao mesmo tempo; ela é misteriosa, mas vive a vida como se fosse uma festa 24 horas; ela é uma mulher moderna e independente, mas ainda assim é uma garota de Tulip, interior do Texas, ingênua e cheia de sonhos. Esse tanto de contradição da personagem talvez seja o que a tornou tão querida e tão importante pra história do cinema – e pra 99% das garotas, afinal quem não admira Holly que atire a primeira pedra.

O livro ainda narra como foi a passagem da história do livro para o filme e quais as modificações que a obra precisou sofrer quando foi pras telonas de Hollywood, porque né, manter a história original seria o mesmo que assinar um atestado de fracasso nas bilheterias numa década em que a mulher ainda era tão submissa. E, toda essa construção do filme, inclusive a escolha de todo o elenco e produção, vai sendo destrinchada aos pouquinhos no livro e a cada página a gente mergulha mais e mais nessa história.

Uma coisa que eu achei super interessante foi a maneira linear, porém não divisória, com que Sam Wasson escreveu o livro. Na real isso quer dizer que o livro conta tanto a história de Truman, quanto da Audrey, quanto do livro e do filme, mas sem dividir cada um deles em um capítulo. Ou seja, você vai acompanhando essas quatro ramificações da história desde 1951 (quando Audrey ainda fazia parte da montagem teatral de Gigi) até a repercussão que o filme gerou depois de seu lançamento sem, no entanto, perder nenhuma delas de vista. É uma sequência cronológica onde aos pouquinhos você vai acompanhando a evolução de todas essas ramificações.

E olha, gente, posso dizer sem exageros: pra quem gosta de Audrey Hepburn, esse livro é um prato cheio. Dá pra conhecer muito mais sobre a vida e carreira da Audrey e – pelo menos pra mim isso foi uma surpresa – conhecer muito mais da sua vida íntima, do seu amor incondicional por sua família e que, sem sombra de dúvida, tava acima de qualquer coisa na sua vida. Inclusive da carreira. E também outros detalhes não tão legais assim, como a relação dela com o seu primeiro marido, Mel Ferrer, que… Bom, não vou contar porque tem que ler o livro! Haha

Mais do que um livro sobre os bastidores de Bonequinha de Luxo, “Quinta avenida, 5 da manhã” fala sobre a importância da história de Holly para as mulheres dos anos 50. Afinal, essa foi a primeira vez que uma personagem feminina vivia sozinha, era moderna, comandava a própria vida – e pasmem, era uma garota de programa! – e ainda assim conseguia ser uma menina, que cativava e encantava homens e mulheres do mundo todo. A liberdade sexual e social que Holly trouxe para o cinema ficou refletida em toda a década de 60, quando alguns paradigmas da vida da mulher finalmente começaram a ser questionados.

Para os admiradores da Audrey e, claro, de Bonequinha de Luxo, vale muito ler cada página, mas acho que todo mundo, sem restrições, deveria ler esse livro pra entender um pouco melhor esse cenário submisso e machista que era tão forte até meados dos anos 60. E tanta gente aí achando que feminismo é uma besteira. Mal sabem eles…

“Quinta avenida, 5 da manhã” foi publicado pela editora Zahar aqui no Brasil, tem 256 páginas e um espaçamento de texto nem muito pequeno, nem muito grande, mas bem ali na medida. Nele você ainda encontra algumas imagens em p&b bem incríveis – as desse post foram tiradas do livro – e até a imagem do convite para a estreia de Bonequinha de Luxo nos cinemas.

O meu exemplar eu ganhei do namorado, mas pesquisei e achei o livro por R$44,90 tanto na Livraria Cultura quanto na Livraria Saraiva. Se alguém achar mais barato em outro lugar, divulga aqui nos comentários, por favor 😉

Ah! Como esse livro é um amontoado de frases marcantes, eu achei que valia super a pena separar as mais mais – baita tarefa difícil – pra colocar aqui embaixo. Espero que vocês gostem. Bisous.

Frases marcantes

“Como um daqueles acidentes que não são realmente acidentes, a escolha da “boazinha” Audrey para o papel da “não tão boazinha” garota de programa Holly Golightly mudou o rumo das mulheres do cinema, dando voz ao que até então era uma mudança não expressa no gênero dos anos 50. Sempre houve sexo em Hollywood, mas, antes de Bonequinha de Luxo, só as garotas más é que faziam sexo.”

“Era uma espécia de pioneiro na moda [Hubert de Givenchy] e tirava o glamour do distante e do inatingível e o tornava prático. Depois de Bonequinha, qualquer um, independentemente de sua situação financeira, podia ser chique todo dia, em toda parte.” – palavras do estilista Jeffrey Banks.

“O bebê, Audrey disse, “será a coisa mais importante da minha vida, mais ainda que meu sucesso. Toda mulher sabe o que significa um bebê.” Por fim, essa era a felicidade que Audrey desejara. Não o tipo de felicidade que ia embora, mas o tipo eterno, que nunca parava de se renovar toda manhã e toda noite.”

“Não que Holly fosse uma polemista; ela nunca subiria num caixote para defender nada que não fosse se divertir. Mas em seu leviano amor pela individualidade, quer saiba, quer não, Holly ressoa com o fervor da nova geração.”