Andei lendo: Marilyn | Norman Mailer

Um adendo: para quem não sabe, decidi resenhar aqui no blog não só livros de moda, mas todas as leituras que tenho feito ultimamente. Afinal, tem muita coisa boa, bela e que influencia (e é influenciada) pela moda pra passar assim batido. Portanto, os livros aqui resenhados estão na ordem das minhas atuais leituras – a listinha de livros lidos de 2013 está aqui e a listinha de 2014 estreará em breve com “1922 – a semana que não terminou” que estou terminando. E ah, como depois de Marilyn já li também “Holocausto Brasileiro”, podem esperar resenha dele em breve por aqui.

Então, dito tudo isso, vamos ao post de hoje hehe.

Como contei na wishlist de novembro, fazia um tempo que queria saber mais sobre a vida de Marilyn Monroe. Pra mim, essa mulher sempre foi sinônimo de muito mistério.

Sabe gente que parece ser meio instransponível, que consegue aparentar uma aura que vai da frieza ao encanto em segundos, sendo que, por dentro, nenhum desses dois sentimentos é o que está passando pela sua cabeça? Pra mim Marilyn era isso. Uma mulher difícil de entender, cheia de particularidades e, por isso mesmo, tão interessante. Taí, acho que interessante é a palavra exata pra descrever o que eu vejo em Marilyn Monroe. Mais do que beleza, do que dom artístico, do que qualquer outra coisa.

“Sete dias com Marilyn”, filme de 2011 dirigido por Simon Curtis foi meio que o empurrão que faltava pra eu decidir que queria saber mais sobre a atriz. Por isso mesmo quando “Marilyn” do Normal Mailer foi lançado no ano passado eu sabia que a oportunidade tava aí. E começo essa resenha já decepcionando quem, assim como eu, estava muito animado por essa leitura. Não sei se eu que criei muitas expectativas, mas o fato é que não fiquei muito satisfeita quando terminei de ler o livro.

A obra tem, é claro, grandes méritos, mas a bem da verdade achei que faltou mais aprofundamento em várias questões.

Vamos começar explicando isso do começo: “Marilyn” de Norman Mailer é, como o autor mesmo faz questão de enfatizar, uma biografia romanceada e escrita em menos de dois anos – o que envolve um tempo de pesquisa meio pequeno se comparado a de biografias mais aprofundadas. Portanto, fique certo de que o livro não traz uma visão imparcial dos fatos, simplesmente dispondo os acontecimentos da vida de Marilyn para nós. A ideia aqui é que a voz do autor ganha presença forte na narrativa e ele nos conduza não só através da história de Monroe, mas também das ideias, especulações e opiniões que ele tem acerca da vida da atriz. Em alguns momentos isso torna o livro digamos que mais sagaz, porque meio que propõem que a gente pense junto com o autor. Em outra vezes isso torna as ideias um pouco deturpadas e a gente fica meio que ali na corda bamba sem saber até onde aquilo é fato e até onde tem dedinho de Norman na história.

A linha que ele estabelece, no entanto, é interessante porque segue a sequência cronológica dos fatos e vai focando nos momentos chaves da vida da atriz. Nem sempre acho isso legal pra uma obra, mas achei que por se tratar de uma biografia, – ainda que romanceada – e para o propósito do livro de meio que “desvendar” Monroe,  funcionou muito bem. Além disso, o autor conta já no comecinho do volume que a obra dele tem muita influência dos livros  “Marilyn Monroe” de Maurice Zolotow e “Norma Jean” de Fred Lawrence Guiles – correndo  pra anotar esses livros  em 3,2,1. Daí, nesse livro aqui do Norman Mailer, o papel do autor foi mais o de juntar todos esses dados, resumi-los e chamar a gente pra sentar com ele e analisar aquilo tudo.

Na real pra mim o livro serviu como um novo empurrão pra eu pesquisar mais sobre a vida dela do que de fato revelou tudo que eu queria. E torno a dizer que isso é minha opinião, que fique bem claro. Tava conversando com o Diego essa semana sobre o quanto fazer “resenha” (não só de livros, mas de produtos em geral) é complicado quando a gente não segue critério técnicos. A “resenha” que faço aqui não é técnica, nada academicista, e parte única e exclusivamente de coisas que olhei, analisei e gostei ou não pelos motivos que procuro aqui mostrar. Mas é, torno a dizer, gosto. E gosto cada um tem o seu. A intenção, inclusive, é que se você discordou (ou concordou também, claro, hehe) conte aqui porquê pra gente conversar. Sério, pessoal, a minha maior meta com o blog é gerar conversa e troca, porque acho que todo mundo sai ganhando e aprendendo um pouquinho.

Anyway, eu acho “Marilyn” um livro bonito e gostoso de ler, que vai te contar um pouco da vida dessa atriz tão fenomenal que Monroe foi, mas que não vai ser uma biografia profunda, ainda mais pra quem já conhece um pouco da história dela.

O livro é da editora Record, tem 349 páginas e pode ser comprado por R$ 40,00 na Livraria Cultura.

Espero que minhas explicações não tenham ficado muito confusas por aqui hehe e que vocês contem nos comentários o que acharam -ou esperam – do livro.

Bisosu, bisosu e até sexta com o post de aniversário \o/

Eles indicam: livros de fantasia

Trilogia Fronteiras do Universo - Philip Pullman

“Comecei a ler a trilogia esse ano mesmo, um por mês desde outubro; não sabia o que esperar, mas quando terminei o primeiro livro, A Bússola de Ouro, fiquei totalmente sem fôlego, querendo saber o que ia acontecer em seguida. O que me encanta na história de Philip Pullman é a criatividade e sabedoria para criar um mundo totalmente diferente do nosso sem ficar cansativo. É uma obra rica, bem escrita, mas acessível. O único, porém é que você tem que ter cabeça aberta para poder emergir nos mundos criados por ele, já que ele coloca muita coisa de religião e ateísmo juntos, criticando o catolicismo. Mas embora esse motivo deixe algumas pessoas sem vontade de ler, eu recomendo fortemente.

Por ser fantasia, um livro que critica não é algo comum e tem sim algo a ensinar. Podemos ficar horas pensando no porquê de algumas coisas e teorias que Pullman coloca em sua obra. O primeiro livro é excelente, o segundo não perde a mão, contudo acho que é menos elaborado. E o terceiro é um bom encerramento, mesmo que tenha mais páginas do que realmente precisava.

E mesmo que você termine de ler e não goste, acho que vale a leitura para que você possa dizer os motivos por não ter gostado, sem ficar julgando só por sinopses ou resenhas. É uma obra que merece ser lida por todos que apreciam algo inteligente e bem escrito.” – Autora do Mundo de Morfeu.

Mudando de assunto...

Alice no País das Maravilhas - Lewis Carroll

“Não havia nada de muito especial nisso, também Alice não achou muito fora do normal ouvir o Coelho dizer para si mesmo “Oh puxa! Oh puxa! Eu devo estar muito atrasado!” (quando ela pensou nisso depois, ocorreu-lhe que deveria ter achado estranho, mas na hora tudo parecia muito natural); mas, quando o Coelho tirou um relógio do bolso do colete, e olhou para ele, apressando-se a seguir, Alice pôs-se em pé e lhe passou a idéia pela mente como um relâmpago, que ela nunca vira antes um coelho com um bolso no colete e menos ainda com um relógio para tirar dele. Ardendo de curiosidade, ela correu pelo campo atrás dele, a tempo de vê-lo saltar para dentro de uma grande toca de coelho embaixo da cerca. “ […] – Trecho da Alice.

 ………………………..…………………………………………………………………………….

Alice no País das Maravilhas é um dos textos fantásticos mais famosos e importantes da literatura, que rompe as fronteiras do enquadramento e gênero literário, porque todo mundo conhece Alice e na maioria dos casos, nem lhes ocorre que é um texto da literatura fantástica&maravilhosa.

O texto da Alice é onírico, descomplicado sem ser simplório, é capaz de entreter desde a criança que já lê, até o adulto mais exigente sim, basta que a criança ou mesmo o adulto se permitam cair na toca do coelho.

O livro que aparece na imagem é um sonho de consumo que realizei este ano, uma edição com todos os trabalhos do Lewis Caroll, com muitas imagens, e uma capa dura lindalindalinda. Também tenho as edições da L&PM, capinha com os desenhos clássicos da Alice. No meu trabalho como ilustradora fiz uma série inspirada na Alice, Alicices.

Enfim, recomendo Alice, porque Alice é praticamente uma metáfora do que a escrita fantástica é, e uma das estórias da minha vida de amor aos livros e a literatura.” – Autora do La Coloriste e do Solilóquio.

Mudando de assunto...

O Oceano no Fim do Caminho - Neil Gaiman

“Se tem uma coisa que eu gosto, é indicar livros. Quando leio algo que gosto muito, muito, na hora quero repassar e mostrar para todo mundo o que o livro tem de tão bom. Fico ansiosa querendo saber o que a outra pessoa pensou, conversar sobre a trama e discutir personagens. É quase tão bom quanto ler pela primeira vez. Escolher o que indicar para vocês, então, é tarefa fácil: “O Oceano no fim do caminho”, do Neil Gaiman, foi um dos favoritos de 2013 (quiçá de todos os tempos de Mimis).
O complicado mesmo é colocar em palavras o que esse livro fez comigo e porque ele é muito mais do que um simples livro de fantasia. De forma bem resumida, é quase uma fábula: um adulto sem nome volta à casa onde passou sua infância e começa a relembrar suas memórias de infância. Como toda memória, está enevoada e nem mesmo o protagonista sabe até que ponto é verdade ou fruto da imaginação de uma criança… Aos 40 anos e com o olhar de “gente grande”, ele vai se lembrando do que aconteceu quando um inquilino morreu e de como ele conheceu sua amiga Lettie Hempstock, além da mãe e avó da menina.
O livro dá algumas cutucadas bem sutis que, se você tiver sensibilidade, podem ser ponto de partida para questionamentos mais profundos. Sobre quem somos, o que temos de melhor e pior dentro da gente e quem queremos ser. É um livro delicado e comovente, que me deu uma saudade daquelas das minhas aventuras de infância e amigos imaginários. Não é exagero quando digo que ao terminar de ler, passei alguns minutos deitada na cama, sem nem saber como reagir. E depois chorei como uma garotinha, até soluçar. Como todas as obras que já tive contato do Neil Gaiman, “O Oceano no fim do caminho” carrega algo de único em suas páginas.” – Autora do Quase Inédita.

Foto: Editora Intrínseca

Mudando de assunto...

Harry Potter - J. K. Rowling

Harry Potter é uma série de livros escrito pela autora J. K. Rowling e lançados ao longo de dez anos, 1997 a 2007. Eu fiz uma pausa na leitura dos livros durante alguns anos, mas quando voltei para terminar a série, percebi – e acredito que isso é sentido por muitos que tão na casa dos vinte e poucos anos e que literalmente cresceram junto com essa história – o quanto a escrita, a história e os personagens de Harry Potter amadureceram junto com nossa geração.

Para quem não conhece (sei que é difícil, mas vai que, né?), a coleção é composta por sete livros que contam a história do menino Harry Potter, um órfão que mora com os tios e que descobre ser um bruxo no seu aniversário de 11 anos. Mandado para a escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, Harry descobre não apenas todo o universo bruxo do qual foi privado nesses 11 anos de vida, mas também a história de seus pais e o porquê dele ser um bruxo tão importante (isso é só a pontinha do iceberg, tá, gente? Tem MUITA coisa depois disso).

Eu indico essa série porque Harry Potter me marcou em vários sentidos, e me ensinou – sem pieguices – muitas coisas. A complexidade da história e dos seus personagens aumenta tanto no decorrer da série que a gente sente ver uma pessoa crescendo bem ali na nossa frente. E da mesma forma que a gente acompanha uma pessoa de carne e osso numa jornada longa, complexa e de forma íntima, a gente se sente parte daquilo, daquele universo, daqueles personagens. É um sentimento difícil de botar em palavras, mas Harry Potter pra mim tem a ver com isso, identificação. Não apenas pelo Harry ou pela Hermione ou pelo Rony ou por por qualquer outro personagem de hp, mas também com situações, com sentimentos, com muitas coisas da história. E pra quem quer ler um texto lindo, lindo sobre a série, indico esse aqui da Bárbara Carneiro que é de fazer qualquer fã soltar um suspiro de nostalgia.

Beijos e bom final de semana o/

Andei lendo: “Morte Súbita”

Se tem um livro que com certeza me surpreendeu – para o bem! -, nesse ano que já tá chegando ao fim, com certeza esse livro foi Morte Súbita (The Casual Vacancy, em inglês). E há muitos motivos para isso, mas, antes de explicá-los, preciso fazer uma confissão para que vocês entendam um pouco dessa história.

Quando comprei Morte Súbita, diferente de praticamente todos os livros que compro e que me atraem pela sinopse logo de cara, ele era uma incógnita pra mim. Meus amigos não tinham lido e eu mesma não sabia quase nada da história. Porém, uma coisa eu sabia (e ela já era mais do que suficiente pra eu querê-lo na minha estante): esse livro era da J. K. Rowling, a mesma autora que eu passei a minha infância, adolescência e minha atual juventude, lendo.

Harry Potter foi uma marco na minha vida e, consequentemente, J. K. Rowling também.

Daí que era meio que óbvio que o livro que ela lançasse depois da série fosse pra minha wishlist. Porque ela com certeza é uma autora que me cativou, alguém que eu espero sempre acompanhar e saber em que projetos tá envolvida. Isso tudo, independente de Harry Potter. É difícil explicar, mas acho que todo mundo que acompanhou a série por tantos anos também sente isso. Também sente que mesmo só tendo escrito HP, ela mostrava que podia ir muito além daquilo.

Portanto, comprei Morte Súbita no escuro, apenas pelo fato de que esse livro era dela. E, qual não foi minha surpresa quando eu comecei a lê-lo…

Não reparem na colcha amassadinha haha.

Eu sempre achei a J. K Rowling uma ótima escritora, mas como até então o que ela havia lançado se prendia a uma única série voltado para o público infanto-juvenil (apesar que a gente sabe muito bem que nos últimos livros de HP o negócio ali é muito mais sério), vê-la escrever um livro completamente adulto e que mesmo sendo de ficção tem elementos da nossa vida real, é muito diferente.

Acho que antes de qualquer coisa é preciso deixar claro que Morte Súbita é sim um livro totalmente adulto.Ele tem problemáticas pesadas e com uma história em teoria pacata, mas que serve pra gente analisar uma boas verdades da nossa vida. E, acima de tudo, é um livro sobre hipocrisias, sobre retratos de cidades pequenas (e pode acreditar que é mesmo, porque apesar do livro se passar em Pagford, eu poderia citar uma série de coincidências com a minha cidade natal) e sobre realidades que mesmo tão distantes do nosso mundo, tem ali uma ‘lições de moral’ tapa na cara que servem pra gente.

Na história de “Morte Súbita”, o professor de Educação Física, Barry FairBrother, além de ser uma das figuras mais carismáticas e conhecidas da pacata cidadezinha onde vive, ocupa também um dos lugares de maior destaque no conselho municipal. Assim, quando Barry morre de maneira súbita, não apenas uma vaga do conselho fica aberta, como toda cidade de Pagford sofre as consequências – de maneira indireta ou direta – da perda de um seus mais conhecidos e influentes cidadãos.

É interessante como de uma sinopse em teoria tão simples – Barry morre já no capítulo de abertura e o que se sucede são as reações à notícia e as consequências dessa morte – J. K. Rowling constroi uma história tão interessante. Pra quem nunca viveu em uma cidadezinha do interior deve ser um pouco mais difícil imaginar como a vida de uma única pessoa pode causar tanto impacto na de outras, mas mesmo para essas pessoas, não deve demorar muito para se entender como funciona essa teia de relações sociais da pequena cidade de Pagford.

J. K vai mostrando o cotidiano abalado das pessoas e como cada uma reage a notícia, seja bem, mal, esperando tirar proveito da situação, sofrendo com a perda… Como a cidade é pequena, mesmo quem não teve nunca nada a ver com o professor acaba sendo atingido por sua morte. Pra entender como isso funciona, é só pensar naquelas pilhas de dominó, onde assim que a gente derruba a primeira peça, as outras vão caindo também. A ideia aqui é exatamente essa.

O legal também desse livro é que a vontade que a gente tem é de nunca mais parar de ler, e isso só aumenta com o número de páginas haha.  Nele tudo caminha de forma crescente: a sinopse, a sua identificação com os personagens, a sua vontade de mudar o rumo da história e até a imagem que a gente faz de alguns núcleos e que vai mudando de acordo com o desenrolar dos fatos.

Enfim, eu recomendo mesmo esse livro para os fãs ou não da escritora. Acho que quem é fã vai gostar ainda mais do estilo dela de escrever, e quem não conhece ou não gostava muito de Harry Potter (vocês existem?! haha brinks), deveria mesmo dar uma chance.

A minha edição é da Editora Nova Fronteira e achei de uma das melhores gramatura que li ultimamente. As folhas são bem durinhas, o espaçamento é ótimo e apesar de não ser capa dura, tanto frente quanto verso do livro são bem resistentes. Essa edição tem 501 páginas e pode ser encontrado pra comprar no Submarino por R$29.90 (preço consultado no dia 02/12/13, e que eu acho que tá com um belo de um desconto em relação ao valor original. Então corre!).

Vocês já leram esse livro, gente? Contem o que vocês acharam!

Aliás, agora tô mega curiosa pra ler o novo dela, “O Chamado do Cuco”, escrito sob o pseudônimo de Robert Galbraithv. Se alguém já leu esse, conta aqui também se gostou!

Bisous, bisous  e boa semana 😉

Wishlist de novembro

A verdade é que minha fase literária tem perdurado há exatos 23 anos, mas, apesar disso, tenho que admitir que existem alguns momentos em que ela tá um pouco mais descontrolada do que o normal. Esse com certeza é um desses momentos e eu não poderia fazer a minha wishlist de novembro de outra coisa que não fossem livros.

Espero que você gostem e me contem o que já leram/querem ler nos comentários!

  • Coleção Jogos Vorazes – Suzanne Collins

Sexta-feira estreou nos cinemas o segundo filme da série estrelada pela minha BFF dos sonhos, Jennifer Lawrence. Confesso que o primeiro filme me encantou muito pela sua sinopse (apesar de haver alguns pontos que achei meios soltos no desenrolar da trama), mas antes de assistir ao segundo e saber a continuação da história, queria muito ler a coleção. Quando existem obras baseadas em livros, não sei explicar bem porquê, mas acabo sempre preferindo ler o livro primeiro antes de ver o longa. Juro que não sinto que tô perdendo em nada ao ir para o cinema e assistir uma história eu eu “já conheço”. Primeiro porque quase sempre rolam muitas diferenças entre uma e outra, afinal são adaptações, e segundo porque se foi uma leitura de que gostei, só vou querer mergulhar ainda mais naquela história.

Bom, apesar de nem sempre conseguir realmente manter essa ordem de preferência (taí Lolita, que estou lendo só agora depois de ter visto os filmes de 62 e 97, pra comprovar essa tese), com jogos Vorazes queria mesmo poder ler tudo antes de ver o segundo filme. Torçam pra eu conseguir.

 

  • Maus: a história de um sobrevivente – Art Spiegelman

Maus tá na minha wishlist não é de agora, e isso se deve tanto pela sua história quanto pelo fato de ser um dos quadrinhos mais famosos e importantes dos últimos tempos. Pra quem não conhece, o livro é narrado por Vladek Spiegelman, um judeus polonês que ao longo do livro conta ao filho Art como foi sua vida e sua sobrevivência dentro do campo de concentração de Auschwitz.

Afora toda a beleza do livro que a gente pode imaginar com uma sinopse dessas, o fato de se tratar de uma tema tão profundo e penoso como a Segunda Guerra Mundial me cria muita curiosidade. Ao lado da ditadura militar e da Semana de Arte Moderna de 1922, é dos temas históricos que mais impressionam e mexem comigo.

 

  • Músicas e Musas: a verdadeira história por trás de 50 clássicos pop

Desde quando conheci esse livro fiquei louquinha por ele, afinal ele mistura duas coisas que me inspiram muito: musas e música. Uma amiga muito querida, a Isabelly Lima, encontrou uma edição dele na livraria da sua faculdade e acabou comprando pra conhecer. Depois da avaliação que ela fez, contando como ele tem curiosidades daquelas de deixar o queixo caído e que a gente não consegue mais desapegar, me deu ainda mais certeza que preciso ter ele logo na minha estante.

 

  • Marilyn – Norman Mailer

Por falar em musas, Marilyn é com certeza uma das musas que mais me instigam. Depois de ler algumas coisas espalhadas por aqui e por ali dela, ter assistido alguns de seus filmes e visto o “Sete dias com Marilyn”, que conta a história da atriz, fiquei com aquela sensação de que ela com certeza é uma mulher muito além do que passava à primeira vista. Sabe gente que cria uma barreira de proteção contra o mundo e por dentro tá lá, fervilhando de ideias e pensamentos? Marilyn me soa como alguém assim, como uma mulher extremamente interessante que não conseguiu – e nem queria – mostrar tudo que tinha dentro de si para os outros. Esse livro aqui é uma biografia dela lançada no começo do ano. Mal posso esperar pra ler!

 

  • 100 anos de moda – Cally Blackman

Para todo mundo que é apaixonada por moda (oi!), deve ser difícil não desejar esse livro. Além de falar sobre a história da moda do século XX, destacando os principais momentos, designers e revoluções da área, ele também funciona como aqueles livros de centro de mesa que em qualquer página aberta te inspiram, afinal são mais de 400 imagens de moda icônicas espalhadas por suas folhas.

Acho o livro interessante também porque ele não se prende apenas a história da moda pura, mas vai criando paralelos com os movimentos artísticos, com a revolução feminista e outros fenômenos sociais, econômicos e culturais que tiveram profundas influências na moda. E essa capa linda de morrer, fruto daquelas fotos da Audrey batidas por Norman Parkinson em 1955, conquistou ainda mais meu coração.

 

  • Especiais e Extras – Scott Westerfeld

Como eu já contei aqui no blog, eu já li Feios e Perfeitos, os primeiros livros dessa coleção. Ela aliás recebe o nome do seu primeiro livro, “Feios” e é uma trilogia um pouco diferente do normal, já que é feita de quatro livros (?) haha. Isso porque o último livro publicado da série, o Extras, funciona meio que como um “anos depois” dos acontecimentos que acompanhamos nos três primeiros livros. Dessa forma a gente pode ver as consequências e mudanças (ou não) dos personagens depois de todos os conflitos passados na trilogia.

Se Scott Westerfeld quis aproveitar o sucesso dos outros três livros e dar um último suspiro a série apenas por motivos financeiros, nunca saberemos, mas como eu ainda preciso ler o último livro e não resisto a uma continuação de história, quero logo eles pra minha estante.

 

  • Era dos Extremos – Erick Hobsbawm

Esse livro é daqueles que todo mundo devia ter na estante, e eu fico envergonhada mesmo de ainda não ter o meu. Ele não é “apenas” um livro sobre histórias. Ele é um livro sobre as histórias do século XX e todos os seus conflitos, revoluções, artistas, movimentos, disputas, músicas, filmes, influências, enfim, tudo aquilo que foi marcante durante o século que passou. Se estiver errada alguém me corrija, por favor, mas pelo que sei Hobsbawm meio que divide a obra em duas partes/eras (dai o título do livro): a da catástrofe e a de ouro.

Ele não é um livro muito fácil de achar pra comprar (pelo menos não era nas últimas vezes que procurei), mas nem em sonho desisti da ideia de ter um pra chamar de meu.

E é isso. Até a próxima wishlist onde eu espero ser mais concisa e não deixar o texto giga haha.

Bisous, bisous

Leituras 2013 #3

Como disse aqui nesse post, o blog agora vai contar com meu falatório sobre livros não só “de moda”, mas de tudo aquilo que eu ler e gostar e quiser compartilhar com as pessoas pra mais gente ler e ser feliz haha. Tô resgatando então todas as leituras de 2013 (esse é o último post, amém!) e depois volto a dedicar um post pra cada novo livro que ler.

Pra quem quiser ver a parte 2 dos “livros de 2013” é só clicar aqui. E vale lembrar que eu já tinha feito resenha de “A História da Moda no Brasil”, “Quinta Avenida, 5 da Manhã” e “Dormindo com o Inimigo”.

  • A Fúria dos Reis – As Crônicas de Gelo e Fogo – George R. R. Martin

A Fúria dos Reis é o segundo volume da série “As Crônicas de Gelo e Fogo” e nesse livro a gente já tá muito mais familiarizados com os personagens (mas não se engane, caro leitor, porque para cada personagem que o George R. R. Martin mata, aparecem dois novos na história) e também mais ciente de que o autor não é das pessoas mais apegadas a tradicional história de “os bons sempre se dão bem”. Aliás, eu volto a bater na tecla que pra mim define toda essa série: todo mundo nesses livros é passível de fazer coisas boas e ruins, ainda que não propositalmente. Se é assim na vida real porque não seria nos livros, certo?

Nesse segundo volume a gente passa a conhecer mais profundamente alguns personagens e acompanha também algumas mudanças de postura de outros. O maior exemplo disso é a Sansa, que apesar de ainda figurar entre alguns dos personagens que eu menos gosto na série, sou obrigada a admitir que muda muito sua postura em relação ao primeiro livro. Aliás, acho que o clima geral desse segundo livro é muito mais triste do que o primeiro. Depois dos acontecimento finais de “A Guerra dos Tronos”, “A Fúria dos Reis” vem de vez pra selar a guerra que está acontecendo nos sete reinos. É esse livro que dá o start em toda as batalhas – com ou sem armas – que permeiam essa coleção.

  • Feios – Scott Westerfeld

Sair da leitura de George R. R. Martin e embarcar em um livro como Feios, é, no mínimo, chocante. Não que esse livro, o primeiro de uma série que leva exatamente o título desse volume, seja ruim. Não tem nada a ver com isso. Acontece que Feios à uma série YA (Young Adult) e tanto sua linguagem quanto sua construção – ainda que pra mim essa seja muito mais profunda do que se mostra na superfície – são diferentes.

Feios se passa em um futuro onde todas as pessoas, ao atingirem a idade de 16 anos, passam por uma cirurgia que os transforma em seres humanos perfeitos. Essa tal procura pela perfeição é explicada no livro, em linhas gerais, como o remédio encontrado pela população para que fosse possível viver uma vida sem diferenças – uma dos “problemas- mor” da civilização de anos antes.

Daí ao longo do livro a gente vai entendendo que o Scott Westerfeld escreve para jovens, usando temas jovens, mas com grandes sacadas de adultos. É claro que essa premissa do livro é apenas o pano de fundo para contar uma outra história, – no caso a de uma adolescente que decide contestar o sistema e permanecer feia para sempre – mas a gente já vai catando logo de início que tanto o pano de fundo quanto alguma das atitudes e respostas que a protagonista tem no desenrolar da narrativa, tão longe de serem bobinhos.

Ou seja, apesar de uns deslizes nessa série – e já que eu falo mais disso – eu realmente fico feliz quando vejo autores que sabem falar com jovens sem os tratarem como bobos. Tem muita coisa aí em Feios que é pra fazer gente de qualquer idade pensar com cuidado na vida e no tipo de sociedade em que a gente vive.

  • Perfeitos – Scott Westerfeld

O segundo livro da série Feios – ao todo são quatro: Feios, Perfeitos, Especiais e Extras – continua contando a história da Tally, a garota que não queria se tornar perfeita do primeiro livro. Desde aquele começo, a história já se desenrolou bastante e até o cenário do livro, que no começo era a cidade de Nova Perfeição, já mudou. A premissa da narrativa, no entanto, continua a mesma, e ainda que existam alguns percalços no caminho, a base do livro ainda continua a questionar a todo momento o que de fato move o ser humano em busca dessa suposta perfeição – e porque as diferenças são importantes no processo de construção de uma sociedade.

Mas como eu tinha falado ali em cima, tem alguns deslizes nesse livro. Sei lá, nem é deslize vai, mas é que eu sou meio cri cri com aquele tipo de história que tem uma ideia tão bacana por trás de si, mas que precisa necessariamente se valer de um romance (no mais literal dos sentidos) pra poder criar algum atrativo. Veja bem, praticamente todos os livros tem algum tipo de romance em algum momento da narrativa. Ele pode até ser fio condutor pra várias partes da história (vide Harry Potter), mas não é toda história que precisa transformar tudo o que acontece e todas as ideias da narrativa em um “em nome do amor” (vide Harry Potter de novo haha). Resumindo, o que me deixa um pouco de porre desse livro aqui é achar que a história, por si só, não justifica as ações tomadas pelos personagens, e pra remediar isso ter que criar um romance que as expliquem. Fica o aviso pro Scott Westerfeld que jovem ou não a gente não precisa ter esse tanto de amor exacerbado em toda leitura.

  • A Tormenta de Espadas – As Crônicas de Gelo e Fogo – George R. R. Martin

E chegamos no terceiro livro da série de George R. R. Martin e que pra mim é, de longe, o melhor de todos. Nele a gente conhece muito melhor alguns dos personagens, inclusive um que a gente considerava mega abominável (e sim, eles de fato fez algo abominável), mas que, veja só que ironia do autor – e que tapa na cara da gente – fez algumas coisas pra lá de nobres no passado e não precisou espalhar isso aos quatro ventos.

Pra mim esse livro fala, acima de tudo, sobre amor. No seu sentido mais amplo. Amor pelos filhos, amor por si próprio, amor de irmão, amor a uma causa e até o amor que alguém gostaria de ter. E eu acho que é muito disso, da gente se enxergar em algumas dessas várias situações, desses vários tipos de amor, que nos faz criar laços tão íntimos com os personagens.

Esse livro é também um dos mais tristes, penosos e significativos que eu já li. Eu não quero soltar spoiler por aqui, (e nem vou hehe) mas há uma determinada parte dele que depois que a gente lê fica fácil entender porque um livro pode se tornar tão real na nossa vida. Um amigo brincou dizendo que a vontade dele, depois de ler isso, era sentar no chuveiro encolhidinho. E pode parecer besta, mas nem é. Essa passagem específica eu li mais de uma vez e logo na segunda leitura me toquei de uma coisa que a gente absorve na leitura sem perceber: detalhes. Que, clichê ou não, fazem sim diferença. São eles que tornam a história plausível pra gente, mas mais do isso, são eles que nos aproximam de uma história, que nos dão um elo de ligação.

Quem tá na leitura desse livro e já leu esse trecho a que me refiro (e sim, você saberá que trecho é esse), leia novamente. Você vai perceber como toda palavra escrita pelo autor tem um significado enorme nas ações que se seguem. É como se ele deixasse migalhinhas de pão que a gente vê pelo caminho, mas só absorve, e na hora que encontra o pão apenas tem um leve flash daquilo. Reler George R. R. Martin é não só ver e absorver instantaneamente cada uma dessas migalhinhas, mas perceber como cada uma se encaixava no pão.

Bisou, bisous