Eles indicam: séries de livros do coração

Não conhece o “Eles indicam” do blog? Calma, eu explico então como funciona!

Essa categoria é assim: um trio de pessoas incríveis vem aqui falar sobre qual é o seu “insira aqui o tema da edição” preferido e pode ser algo a ver com moda, beleza, gastronomia, turismo ou o que der na telha haha. O intuito desse espaço é falar de coisas bem variadas mesmo, pra inspirar todo mundo nas mais diferentes áreas.

Se você quer ver então quem já passou por aqui e o que eles indicaram nas categorias de perfumes, shows inesquecíveis, batons e livros de fantasia, é só clicar nos respectivos links. E no post de hoje, você confere o que a Ana, a Stephanie e a Irena indicaram como séries de livros do coração, ou seja, aquelas séries que elas amam e acham que todo mundo deveria dar uma chance. Bora então começar? 😉

“Depois de aceitar o convite da Paulinha parei pra pensar que não tenho uma série (pra mim precisa ter 5 livros ou mais) do coração, com exceção de Harry Potter,  Percy Jackson e Guia do Mochileiro das Galáxias, as quais vocês estão cansados de ouvir sobre.  Sendo assim vou trapacear um pouco (pode Paulinha?) e indicar duas trilogias que amo demais, vamos lá:

Trilogia Mara Dyer: sim, ela ainda não está completa, mas pra mim o primeiro e o segundo livro já valem como a trilogia completa; mesmo que o 3º livro me decepcione ficarei com os dois como uma lembrança boa.  A trilogia é um misto de drama, suspense, romance, doses de comédia e um pouco de paranormal. Conta-se a história de Mara Dyer, que começa com ela jogando o famoso jogo do copo com mais duas amigas (aliás, a melhor amiga e aquela amiga dela que você odeia), uma delas pergunta como elas irão morrer, o copo “escreve”: MARA… 6 meses depois Mara Dyer acorda no hospital não se lembrando de nada que aconteceu, e é ai que o livro começa MUAUAHAHAHAHA.

Trilogia Belo Desastre: se como eu você ama romances com bad boys e ainda não leu esse livro… Vem cá, vamos ter uma conversa séria. O livro é consideravelmente grande, mas eu consegui lê-lo em uma tarde (cof cof na livraria cof cof) por que a historia te envolve de tal maneira que você não consegue simplesmente fechá-lo e deixar pra ler depois. Se tratando do enredo, pra variar o livro conta a história da menina que vai pra faculdade com a melhor amiga e lá se apaixona pelo bad boy, só que o problema dos dois está exatamente no “ficarem juntos” e você vai ter que ler pra saber porque se não soltarei um belo de um spoiler.

Espero que a minha ideia tenha sido válida porque eu queria muito compartilhar com vocês alguns dos livros que eu amo. Obrigada Paulinha pelo convite, foi realmente uma honra e espero que eu tenha ido de acordo com suas expectativas pois sou uma negação pra por no papel meus sentimentos por livros.

Beeijo grande!”

Ana do Olhos de Ressaca 
(pra saber mais da Ana: link do canal do youtube do Olhos de Ressaca (que eu sou fã de carteirinha))

“Vocês hão de concordar que a série “Crônicas de Gelo e Fogo”, do George R. R. Martin, já é um ícone no gênero de fantasias épicas. Minha história de amor com ela começou depois que assisti a primeira temporada da série televisiva Game of Thrones. Me veio a curiosidade em conhecer os livros, e acreditem ou não, percebi que lê-los foi até melhor que assistir a série – minha humilde opinião, é claro.

Os livros têm tudo: drama, espadas, romance, sexo, traições e intrigas. São muitas as viradas de jogo, e de novo, muito drama. Uma história envolvendo reis, rainhas, lordes e damas, soldados, e assassinos. Há ainda magia, dragões, mortos-vivos, e tudo que a criatividade é capaz de alcançar. O centro do conflito é a busca do Trono de Ferro, o maior nível de poder alcançável durante a trama.

“A Guerra dos Tronos” é o primeiro livro da sequência, seguida de “A Fúria dos Reis”, “A Tormenta de Espadas”, “O Festim dos Corvos”, “A Dança dos Dragões” e “O Cavaleiro  dos Sete Reinos”. Difícil indicar todos os livros já que ainda não li todos eles (são livros longos, puxa vida); Mas vou descrever o que senti ao começar o primeiro da sequência.

Já nas primeiras páginas a impressão que tive é que esperei a vida inteira para ler algo como aquilo. Sem exageros. Confesso que nunca fui uma grande fã de livros fantásticos, e o mais perto que cheguei disso foi me divertir nas páginas da série Harry Potter, e tentar, sem sucesso, ler a saga “Hobbit”. Nunca me interessei por batalhas de exércitos, ou por entender quais estratégias foram usadas para conquistar territórios. Game of Thrones, porém, conseguiu me entreter nesse aspecto.

Como a maioria dos romances, me encontrei pedindo por mais horas no dia para que eu pudesse preenchê-las com a leitura. Eu lia ao acordar, durante o dia, e até cair no sono. Enquanto escovava os dentes, enquanto parava para algum lanche, e  durante os trajetos de ônibus. Paixão é o nome disso.

Sobre os livros, você vai notar que a história é narrada através do ponto de vista de cada personagem a cada capítulo. Os textos são muito bem escritos, o que faz com que aumentemos nosso vocabulário de maneira absurda. Os livros são longos, mas não são entediantes, e a melhor dica que posso deixar aqui é: não tenha um personagem preferido, e pratique o desapego. Você nunca sabe quando ele deixará de ser herói, ou quando algo pior pode acontecer…”

Stephanie do Primeiras Conversas 
(pra saber mais da Stephanie: link do portfólio incri dessa jornalista e blogueira)

Vampire Academy, da autora Richelle Mead, é uma série de livros que vez ou outra causa um burburinho no mundo YA há um tempinho, mas eu nunca tinha tido vontade de ler até ano passado por motivos de:

1. a primeira vez que ouvi falar dessa série foi quando teve aquele BOOM de livros de vampiro graças da Twilight. Na época fiquei tão saturada de Edward e Bella que só de ouvir a palavra vampiro já corria na direção oposta.
2. as capas dessa série são pavorosas. Muito feias mesmo, coisa que a gente não vê nem em romance de banca e como eu julgo livro pela capa…

Mas aí ano passado começaram a ser divulgados trailers do filme de Vampire Academy e foi amor a primeira vista. EU PRECISAVA LER O LIVRO! Nem que fosse só o primeiro livro pra entrar no espírito da história e ir pro cinema empolgada.

Ai li o primeiro livro. E o segundo, e o terceiro… E quando me dei conta tinha sido sugada por um vortex que atende pelo nome de The Vampire Academy. Li todos os seis livros da série em, mais ou menos, um mês e ainda engatei a leitura de um spin-off da série, Bloodlines.

A autora tem um senso humor muito bom e consegue balancear bem todos os elementos da história. A trama high school é ótima, mas a mitologia do universo da série também é desenvolvida. Tem romance, mas o relacionamento da protagonista, Rose, com sua melhor amiga também é super importante no desenvolver da história, assim como tem personagens secundários que a gente se apega muito e também queria poder chamar de amigo.

Ao longo dos livros a Rose ganhou o espaço no meu coração de protagonista YA favorita! Ela é super engraçada, boa de briga e não fica se afogando em falsa modéstia. Ok, que ela é meio biscate, mas ela é a aquela biscate do coração que sempre ajuda os amigos sem se importar com as consequências.

Vampire Academy é uma série super divertida. Não divertida porque é trash, é divertida mesmo. É um livro que eu recomendo pra qualquer pessoa que se interesse em adolescentes sobrenaturais.”

Irena Freitas do Irena Freitas 
(pra saber mais da Irena: link do portfólio-inspiração dessa ilustradora maravilhosa).

Em respeito a Irena que tem pavor da capa desses livros, achei melhor não colocá-los aqui hehe

Em respeito a Irena que tem pavor da capa desses livros, achei melhor não colocá-los aqui hehe

Só pra variar não resisti em dar meus pitacos também e quis falar um pouco sobre a série “Millenium”, escrita pelo jornalista sueco Stieg Larsson. Ao todo são três livros que a compõe: “Os Homens que Não Amavam as Mulheres”, “A Menina que Brincava com Fogo” e “A Rainha do Castelo de Ar”. 

Na Suécia a série foi um verdadeiro sucesso e acabou levando a história de Lisbeth Salander (uma das protagonistas mais incríveis e poderosas que eu já vi) também para os cinemas, com os três livros ganhando adaptações nas telonas.  Em 2012 foi a vez de Hollywood se render a Millenium e lançar o primeiro filme da franquia, provando que a série é mesmo poderosa em qualquer país, língua ou formato.

O enredo da trilogia tem como foco principal a já citada Lisbeth Salander, – uma super hacker – e o jornalista investigativo Mikael Blomkvist. Em “Os Homens que Não Amavam as Mulheres” eles acabam tendo suas histórias cruzadas ao tentarem resolver um caso de desaparecimento que aconteceu quarenta anos antes e, ao longo dos outros livros, a história pessoal de Lisbeth acaba ganhando força.

Millenium tem suspense, ação, romantismo e, acima de tudo, uma heroína maravilhosa que é extremamente inteligente, perspicaz e foge de todos os estereótipos de protagonistas que já conheci.

Já adianto que algumas passagens do livro são meio fortes (então é bom se preparar psicologicamente), mas é uma trilogia que vale muito a pena mesmo e tem uma leitura super gostosa. É o tipo de livro que você não para de ler enquanto não vê as últimas páginas se aproximarem.

E vocês, qual a série de livros que você recomendam pra todo mundo?

Bisous, bisous

Andei lendo: “Jogos Vorazes”

Vamos dizer que minha história com Jogos Vorazes não começou assim tão bem.

Diferente de todo livro/série que ganha uma adaptação para o cinema e que eu sempre prefiro ler o livro antes de ver o filme, com Hunger Games tudo já começou do avesso. Fui assistir o primeiro filme da trilogia sem nunca nem ter botado as mãos nos livros, e mesmo tendo pirado com a sinopse (cada vez mais descubro como amo distopias), fiquei com aquela sensação de que o filme era muito acelerado. Sabe quando a história é incrível, mas você sente que faltou uma melhor explicação dos acontecimentos, um desenrolar mais consistente? Pois foi essa minha sensação com o primeiro filme.

As coisas só começaram de fato a mudar quando ganhei o box de livros do namorado e comecei, finalmente, a ler a trilogia.

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Crédito: http://estantesuja.blogspot.com.br/

O primeiro livro, “Jogos Vorazes”, nome homônimo a série, se passa em um futuro opressor, onde há um governo totalitário (a Capital) que controla todos os outros 12 distritos. Todo ano, 24 tributos (um menino e uma menina de cada distrito) entre as idades de 12 e 18 anos são sorteados para lutarem entre si até só restar um. Todo o “espetáculo” é transmitido pela TV em tempo real, numa espécie de BBB onde o vencedor é quem sobrevive.

De cara então a sinopse já nos lembra algumas coisas: uma delas é a política do “pão e circo”, tão recorrente entre os antigos romanos, e que apesar das diferenças entre a Grécia Antiga e o governo de Panem tem a mesma ideia de oferecer para a capital um espetáculo a la arena de gladiadores, que entretenha e distraia o povo. Além disso, não sei se todo mundo aí já escutou falar de Battle Royale (livro que só agora tem ficado mais conhecido no Brasil, graças a Globo Livros que o lançou esse ano por aqui), mas pra mim a sinopse de uma história e da outra se chocaram logo no começo.

Isso porque Battle Royale é um livro japonês de 1999, muito famoso no país e escrito por Koushun Takami, –  ele já ganhou versão para o cinema e até versão em mangá – que tem como pano de fundo uma história muito próxima a do primeiro livro de Hunger Games. Deem uma olhada no trailer aqui linkado pra vocês entenderem do que eu tô falando.

Apesar das semelhanças entre as duas histórias, acho que a ideia de questionar se JV seria uma “cópia descarada” de Battle Royale já caiu por terra faz tempo. Quem leu os livros ou assistiu os filmes (o último sai só em 2015), já notou que Hunger Games usa mais da ideia da arena como um plot inicial do que propriamente como única trama pra trilogia. Ao longo dos livros a gente vai entendendo que a história aqui vai muito além dos tributos e que tem muito mais a ver com o poderio da capital sobre as pessoas – e sobre como uma fagulha de esperança pode ser o que elas precisavam pra criar coragem e lutar.

Como toda trilogia, Hunger Games nos entrega três livros que têm por alto uma função-sequência já estabelecida: “contextualizar a história > mostrar a ação e consequências dos atos dos personagens principais > chegar ao clímax e desfecho dos problemas” (nessa ordem, mas não necessariamente trazendo o final feliz que a gente deseja).

Katniss, a personagem principal, que vai para a arena representar seu distrito e que acaba se tornando símbolo da revolução contra a Capital, é uma personagem bem mais complexa do que de início a gente espera. A partir do segundo livro, sua personagem vai cedendo espaço para outros – que tiveram um começo mais apagado (alô Peeta!) – mostrarem sua força. É no segundo livro, aliás, que a esperança e a ideia de revolução finalmente começam a tomar forma. A história já dá sinais de que a arena é só uma pontinha do iceberg pra discutir assuntos muito mais complexos sobre soberania – e o “Em Chamas” do título, pra mim, tem a ver exatamente com essa ideia de se rebelar.

Meio que na contramão dos dois anteriores, a Esperança tem um tom mais cabeça, mais sóbrio. Não quero dar spoilers pra quem ainda não leu, mas já adianto que aqui fica impossível a gente não se envolver com a  história. Além disso, fica claro nesse último livro que a autora não teve medo de trazer um tom realista pra essa trilogia. Muita gente não gostou do final (eu mesma demorei um bom tempo pra processar tudo e entender as razões da Suzanne Collins), mas, a bem da verdade, acho que nenhum final seria mais justo  e mais próximo do real do que o que foi escrito.

O box com a trilogia de Jogos Vorazes (Editora Rocco) pode ser encontrada por R$69,90 na Saraiva. Cada um dos livros tem uma média de 400 páginas, com uma leitura gostosa e envolvente. E ai, ainda tem o detalhe-coisa-linda de todas as capas serem em alto-relevo.

Eu recomendo mesmo pra quem for assistir os filmes, ler os livros antes. Acho que principalmente para o primeiro filme, que como eu comentei no começo desse post tem um ritmo muito acelerado, fica mais fácil pra entender e acompanhar alguns detalhes da história.

Espero que o post não tenha ficado confuso  e quero saber o que vocês acharam dos livros e filmes de Hunger Games! Amaram? Odiaram? Contem aí nos comentários!

Ps: a Rocco liberou hoje de manhã o tease trailer de “A Esperança”. Aqui o link do vídeo pra quem quiser assistir e aqui o link do facebook da Rocco  pra quem quiser acompanhar as novidades que eles sempre postam sobre a série.

Bisous, bisous

Little Vlog | Bookshelf Tour #2

A segunda (e última) parte do Bookshelf Tour do blog tá no ar (uhull!)  e dessa vez consegui ser um pouco mais sucinta, já que normalmente eu começo a falar sobre livros, me empolgo e quando vejo já foi meia-hora :p

Espero mesmo que vocês curtam a gravação e contem aqui nos comentários o que já leram ou querem ler dos livros que aparecem no vídeo. E ah, quem aí tiver bookshelf tour gravado, deixa o link aqui também!

Livros citados no vídeo e o link da sua resenha no blog:

MarilynNorman Mailer

Quinta avenida, 5 da manhã – Audrey Hepburn, Bonequinha de Luxo e o surgimento da mulher moderna  – Sam Wasson

Dormindo com o Inimigo – A Guerra Secreta de Coco Chanel – Hal Vaughan

Serena – Ian Mc Ewan

A Guerra dos Tronos – As Crônicas de Gelo e Fogo – George R. R. Martin

A Fúria dos Reis – As Crônicas de Gelo e Fogo – George R. R. Martin

A Tormenta de Espadas – As Crônicas de Gelo e Fogo – George R. R. Martin

Feios – Scott Westerfeld

Perfeitos – Scott Westerfeld

Morte Súbita – J. K. Rowling

Little Vlog | Bookshelf Tour #1

Depois de muito tempo sumida daqui e sem gravar vídeos novos, voltei resolvendo os dois problemas de uma vez, já que trabalhar a proatividade é uma das metas do “não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje” hahaha. Mas deixem eu me explicar. Sumi esses dias daqui do blog porque além de andar a louca dos freelas, os meus últimos dias foram tão legais e corridos que eu quase não consegui parar aqui na frente do computador. Tava ~vivendo um pouco da vida lá fora~, sabem? E olha, isso foi excelente, porque agora não só tô de volta muito mais disposta a manter o blog atualizado, como também estou cheia de ideias de posts pra trazer pra cá.

Pra começar, então, um vídeo que faz muito tempo que queria gravar, e que nada mais é que… O Bookshelf Tour do Little Blog! Tcharãn! E pra não deixá-lo absurdamente comprido (essa primeira parte mesmo eu já queria ter feito em menos tempo, mas não consegui), vou dividi-lo em dois. E como prometo no vídeo, deixei aqui embaixo os links dos livros citados que têm resenhas no blog.

Enfim, espero mesmo que vocês gostem da gravação e, se quiserem, fiquem a vonts pra acompanhar a página do blog que eu atualizo quase que todo dia, meu instagram que mostra essa ~vida lá fora~ que eu andei/ando vivendo, o canal do blog e, claro, o Little aqui, que essa semana, aliás, vai ter post sobre o último dia de SPFW que eu fui conferir in loco.

Livros citados no vídeo e o link da sua resenha no blog

Histórias da Moda no Brasil – das influências às autorreferências – Luís André do Prado e João Braga
http://goo.gl/StPjxq

Revolução dos Bichos – George Orwell
http://goo.gl/42Z1fe

1922 a semana que não terminou – Marcos Augusto Gonçalves
http://goo.gl/KzqxWA

Meu listography
http://goo.gl/cuvJ5X

Então é isso. Bisous, bisous e até breve (breve mesmo).

Ps: Diego, aka melhor namorado do mundo, foi quem editou o vídeo. Apenas <3 por ele sempre me ajudar nessas e em todas as outras coisas da vida.

Andei lendo: Holocausto Brasileiro e 1922 a semana que não terminou

Ando lendo mais do que o normal esse ano e pra conseguir falar de todos os livros por aqui, resolvi dessa vez juntar pelo menos dois pra não ficar muito atrasada nas resenhas. Os assuntos deles são bem distantes, mas coincidentemente os dois tratam sobre acontecimentos que ocorreram no Brasil: um sobre um dos maiores horrores e vergonhas de nosso país, de que todo mundo deveria tomar conhecimento; o outro sobre um dos nossos momentos históricos mais importantes, que ecoa até hoje nas artes brasileiras.

E se vocês já leram algum deles, não deixem de contar nos comentários suas impressões. Eu adoro conversar sobre livros :)

Holocausto Brasileiro - Vida, Genocídio e 60 Mil Mortes No Maior Hospício do Brasil - Daniela Arbex

Holocausto brasileiro é um livro-reportagem muito bem escrito, e que soa tão real quando a gente lê – como de fato deve soar por retratar uma realidade tão absurda – que a gente parece que tá levando um soco na boca do estômago a cada nova página que vira.

A reportagem feita pela Daniela Arbex fala sobre o “Colônia”, o maior hospício do país, localizado em Barbacena, interior de Minas Gerais. Ele está em funcionamento desde o começo do século XX e lá todo tipo de atrocidade já aconteceu, em especial durante os anos 50 e 60 quando o número de pacientes do lugar era 25 vezes maior do que o suportado. O título do livro, aliás, não sofre de nenhum tipo de exagero, pois contabilizam-se de fato mais de 60 mil mortes dentro do hospício ao longo de todos esses anos. Fossem essas mortes por eletrochoque, lobotomia ou puro descaso e degradação da vida humana.

Só pela importância de se conhecer essa, que com certeza é uma das maiores barbaridades da história do nosso país, já valeria a pena ler esse livro. Mas, uma das coisas que mais tem de chocantes na forma como a gente conhece a história do Colônia, não vem através dos números ou como fora dos muros essa verdade repercutiu anos depois. O que de fato faz esse livro ser incrível é que a Daniela não o trata com impessoalidade, e faz com que todos os detalhes sejam tratados de forma humanizada.

É como se ela soubesse que de nada adianta escrever um livro desse tipo tratando-o com o distanciamento de dados. Alguém que fosse contar essa história devia as pessoas que passaram pelo Colônia a chance de, pelo menos uma vez na vida, não serem tratadas como números, e sim como pessoas com histórias de vida únicas. E é exatamente isso que a autora faz, deixando para cada capítulo a história de uma pessoa.

Gente que foi internada à força e que na sua grande maioria não tinha nenhum transtorno psiquiátrico: meninas que engravidaram e eram sinônimo de vergonha pra família, pessoas que não tinham onde morar, mulheres que foram trocadas pela amante, e mais uma lista imensa de pessoas que sofreram mais do que é possível imaginar.

O livro é emocionante e ao mesmo tempo assustador, e eu recomendo mesmo pra todo mundo porque as pessoas precisam saber o que aconteceu naquele lugar.

Ele é da editora Geração Editorial, tem 272 páginas e tem na Livraria Cultura por R$39,90.

1922 - A Semana que Não Terminou - Marcos Augusto Gonçalves

A Semana de Arte Moderna tá entre os três temas históricos que eu sempre fui mais curiosa de estudar (os outros dois são ditadura militar e Segunda Guerra Mundial/nazismo). Por isso mesmo, desde quando “1922 – a semana que não terminou” foi lançado, eu fiquei com essa vontade louca de ter o livro na minha estante pra lê-lo o mais rápido possível.

E se você é que nem eu e curte muito esse tema, vai amar esse volume!

O Marcus Augusto Gonçalves fez uma coisa muito bacana nesse livro que é colocar em destaque muito mais a história dos principais personagens dessa semana (Oswald de Andrade, Anita Malfatti, Mário de Andrade e cia) e todo o cenário do país antes da semana pra mostrar como foi esse quebra-cabeça que resultou no evento. Mais do que focar nas coisas que ocorreram no Teatro Municipal (ele até foca, mas isso fica já quase lá no final do livro, mostrando tudo como uma consequência mesmo desse processo de mudanças), o autor mostra todo o percurso que foi travado até aí.

O processo de pesquisa dele foi super apurado e pra gente que não estudou especificamente nem área de artes nem de História, vai ser ainda mais emocionante saber desses detalhes.

Pra quem ficou interessado então, o livro é da Companhia das Letras, tem 368 páginas e pode ser encontrado na Livraria Cultura por R$52,00.

Bisous, bisous e contem o que vocês andam lendo!