Meus instagrams preferidos e seus olhares sobre a vida, o universo e tudo mais

Demorei, mas voltei, e agora em fevereiro quero recuperar o tempo perdido e atualizar muito mais o blog. Aponta pra fé e rema que eu chego lá 😉

Então, pra reinaugurar as coisas por aqui, fiz uma listinha (desde que abri essa categoria aqui no blog tô meio descontrolada com isso haha) de instagrams em que eu ando vidrada. Eles são muito diferentes entre si, mas todos, de alguma forma, me enlouquecem por terem fotos lindas, poéticas, surreais ou até tão reais que fazem a gente chorar. Não são apenas arrobas a ver com moda ou de pessoas relacionadas a indústria, são arrobas que falam (ou, no caso, fotografam) um pouco de tudo. Um olhar sobre a vida, o universo e tudo mais.

E ah, tô fazendo esse post agora (fevereiro de 2014) com oito instagrams que no momento são os que mais tem mexido comigo, mas como sempre tem contas novas e lindas aparecendo, mais para frente é possível que esse post aqui ganhe a parte 2, 3, 4 e… vocês entenderam, né? 😛

A moça por trás do @thestyley é a Kate  Seward, uma fotógrafa e escritora que combina esses seus dois talentos muito bem e joga toda essa beleza no instagram pra gente ver. As fotos dela podem ser definidas por uma frase que tem no seu blog (e que eu adoro) que diz assim: “A picture may be worth a thousand words, but if you add 1,000 words to that picture, you have 2,000 words with which to express yourself”, que seria algo como “Uma imagem pode valer mais que mil palavras, mas se você adicionar 1.000 palavras para essa imagem, você tem 2.000 palavras para se expressar.” Isso porque a Kate, que é especialista em retratos, posta fotos que não são apenas belas, mas que também trazem uma frase que ilustre aquela situação ou momento. Uma coisa bem poética.

Stefany Alves tem 22 anos, é portuguesa, mora em Londres e me lembra muito a Tavi Gevinson. Descobri o instagram dela por indicação da amiga-fotógrafa-gênia Babi Carneiro, e desde que botei meu olhos pela primeira vez nas suas fotos, foi paixão à primeira vista.
As fotos da @stefannyallves retratam um clima londrino muito belo, seja através das paisagens, das roupas ou do outono tão intenso da cidade. Apesar de tudo isso, ela não nega suas raízes e vire e mexe algumas coisas muito próximas da gente – como seu álbum do Chico Buarque – acaba aparecendo em suas fotos. Tenho um carinho ainda mais especial pelas fotos que ela posta dos seus cafés, sempre simples, de dar água na boca e acompanhados por uma flor, folha ou um bom livro.
Ah, além do instagram, ela tem um blog, um tumblr e um flickr que são das coisas mais lindas que eu já vi. Só fotos belíssimas!

Lucas Landau é fotógrafo e como bom carioca que é, faz retratos maravilhosos do Rio de Janeiro. Mas é claro também que seu instagram vai muito além disso, até porque ele tá sempre viajando e trabalhando em vários cantos do mundo – e fotografando tudo de um jeito surreal. Eu tenho impressão que as fotos do Landau traduzem muito fielmente aquela ideia de “aprisionar um momento em uma imagem”. Você olha pra foto e parece que você não tá vendo só aquilo ali, mas todo o contexto, todo o sentimento, toda a beleza que tá por trás daquilo.

O Landau trabalha também com fotojornalismo de moda – ele é figurinha carimbada sem semanas de moda como Fashion Rio e SPFW – e pra conhecer mais sobre o seu trabalho, vale ler essa matéria aqui do FFW.

Carrie Herwood é provavelmente um nome conhecido pra muita gente, afinal essa moça que tem 23 anos e mora em Londres, tem um dos blogs gringos de meninices mais bonitos e inspiradores que existem. O Wish Wish Wish é das antigas e tem um público fiel que acompanha as viagens, looks, comidas (tudo gordo e delicioso haha), ideias de beleza e muito mais da Carrie. Seu instagram, o @wishwishwish, é também um reflexo de tudo isso e tem umas fotos muito belas pra gente apreciar. Entre as coisas que mais me chamam atenção nas fotos da Carrie estão os lugares maravilhosos que ela fotografa, desde os mais simples aos mais majestosos, e esse olhar lindo que ela tem sobre pequenos detalhes do dia a dia. Tipo fotografar uma bicicleta parada em um canto da rua, ou as mesinhas da frente de um restaurante milimetricamente arrumadas esperando os clientes chegarem. E ela sempre usa uns filtros vintages na suas fotos que deixam tudo com cara de antiguinho e ainda mais bonito.

Ivania Carpo tem 25 anos é holandesa e fez uma coisa meio impossível de se pensar (pelo menos não com a elegância e beleza com que ela faz): adotou o branco, tão minimalista – mas que né, é a grande mistura de todas as cores – como única cor das suas roupas. Tá, tudo bem, ela até deixa um preto ou um cinza aparecem também, mas o branco é a cor que ela adotou em 90% dos casos para usar. Eu conheci ela por causa dessa matéria aqui da L’officiel, que falava sobre o quanto o blog dela pode ser um respiro de ar puro em meio a tanta blogueira que só segue tendência e acaba montando um exército de meninas que se vestem iguaizinhas. Depois disso comecei a segui-la também no instagram e como por lá fica mais fácil de acompanhar suas fotos, o @love_aesthetics entrou definitivamente para o meu hall de arrobas inspiradoras.

Eu já falei da Betty Magazine aqui no blog, mas o seu instagram tem conseguido chamar tanto minha atenção quanto a revista. As fotos são leves, engraçadas e coloridas. O foco não é só na revista, – apesar de muita coisa dela aparecer por lá também –  mas o que mais a gente encontra na @bettymagazine são imagens “inspiradoras”, com muitas fotos de lugares, detalhes e cenas arrebatadoras.

Daniel Santiago é, como ele mesmo se descreve, um cara que gosta de “design, bicicletas, fotografia, cinema e cultura sueca.” Mas não é só isso. Daniel é também daqueles caras que tem um olho clínico pra tudo que é belo. E o belo não precisa ser necessariamente bonito ou arrebatador, mas também um belo trágico, um belo simples, um belo quase apagado. Ele mora em São Paulo, mas atualmente tá com um pezinho também na Suécia, e nessa mistura bonita de fotos de Estocolmo e do Ibirapuera a gente vai amando cada nova imagem feita por ele.

Pra conhecer mais sobre seu trabalho de fotógrafo, vale  a pena o clique.

Comecei a seguir a @idafrosk faz pouco tempo, mas as suas fotos de comidas são tão divertidas e cheias de imaginação que fica difícil a gente não criar simpatia logo de cara pela moça.

Ida Skivenes mora em Oslo na Noruega e tem também um blog onde mostra seu trabalho como “artista de comidas”. “Eu acredito que a comida deve ser divertida, saborosa e, em sua maior parte, saudável”, ela diz no seu blog – e as fotos do seu instagram provam completamente isso. Tudo forma historinhas, imagens fofas, temáticas e cheias de criatividade. Dá até vontade de comer comidas que a gente não gosta só porque fica bonito no prato hahaha.

Bisous, bisous

Quem me inspira e o que eles fizeram aos 24 anos de idade

Hoje completo 24 anos (ou 24 primaveras, como diria minha avó) e ganho mais um numerozinho nesse período tão maluco e tão cheio de vida que são os vinte e poucos anos. O engraçado é que ao invés de me sentir mais velha, me sinto renovada, como se esses 24 anos reservassem os melhores dias da minha vida. Afinal, os planos dentro de mim são muitos, as vontades maiores ainda e os sonhos, ah, esses são incalculáveis.

Se tem algo que me dá forças e me inspira a acreditar que tem muita coisa boa para acontecer comigo daqui em diante (e que com certeza eu vou correr atrás pra acontecer de fato) são pessoas – reais ou fictícias – que nessa mesma idade que eu fizeram coisas grandiosas. Essas pessoas me inspiram sempre, por vários motivos, mas especialmente por terem aos 24 anos de idade feito algo maravilhoso na vida delas e de outros.

Portanto, nada mais justo do que no dia de hoje, quando ganho esse um ano a mais de vida, fazer um post dedicado a elas, como uma homenagem ao quanto elas me inspiram e o quanto espero eu, nessa mesma idade, realizar nem que seja uma pequena parte das coisas incríveis que elas realizaram.

Em 1953, aos 24 anos de idade, Audrey Hepburn estrelou Roman Holiday (A Princesa e o Plebeu), filme que a alçaria ao posto de menina brilho-no-olho de Hollywood. O filme foi só o primeiro de uma das carreiras mais bem sucedidas que o cinema já viu e que teria seu ápice em Breakfast at Tiffany’s (Bonequinha de Luxo), de 1961, quando Audrey não só conquistou o coração dos homens e mulheres de todo o mundo, como ainda se tornou um dos maiores símbolos feministas do cinema.

No entanto, em 1954, ainda aos 24 anos de idade, depois de estourar ao lado de Gregory Peck nas telonas com sua adorável princesa Ann, Audrey foi indicada ao Oscar de melhor atriz e levou a estatueta para casa. A importância que essa premiação representava pra ela ficou clara no seu discurso – e que me emociona toda vez que assisto.

Jessie J tem apenas 25 anos de idade, mas isso já foi tempo suficiente pra ela se estabelecer como um nome de peso da indústria fonográfica, não apenas como cantora, mas também como compositora – e em plena ascensão. Eu já falei sobre a história da Jessie e o quanto eu a admiro nesse post aqui, mas nada me deixa mais inspirada do que saber que essa mulher é tão bela por dentro quanto por fora: ano passado, com 24 aninhos de vida, Jessie participou de uma campanha da Comic Relief, entidade que luta contra a fome em países africanos. A campanha arrecadou U$S 115 milhões em doações e, como agradecimento, Jessie raspou seu cabelo. Acho um incentivo lindo da parte dela em vários aspectos e fiquei marcada pela frase que ela disse quando perguntaram sobre o que ela estava sentindo naquele momento: “É um sentimento estranho e muito libertador. Mas isto não é sobre isso (apontando para a cabeça), é sobre doação.” Aqui tem o vídeo dela raspando os cabelos ao vivo no palco do programa da instituição.

Cazuza era um menino-luz que tinha um talento giga pra escrever poesias e composições belíssimas. Essa inspiração toda vinha desse jeito maluco e desbundado dele de se jogar sem medo no desconhecido. Sabe gente que se entrega, que vive tudo com 100% de emoção? Então, Cazuza era assim, e aos 24 anos de idade soube de uma banda que precisava de um novo vocalista e foi lá, na cara e na coragem se apresentar e tentar a sorte. Entrou para o Barão Vermelho e ao lado de Frejat, Dé, Maurício e Guto Goffi formou uma das maiores bandas do país, que se apresentou em eventos como o primeiro Rock in Rio, em 1985, levando “Maior abandonado” ao topo de todas as paradas de sucesso da época. Anos depois em carreira solo ele continuou a fazer bonito, mas o Barão Vermelho e aqueles primeiros anos de estrada nunca saíram de suas lembranças.

Clarice Lispector foi uma das escritoras brasileiras mais importantes que já existiram e de tudo aquilo que já tive contato com sua obra – e sua própria história – há uma beleza nada fácil nas coisas que ela fazia que me atrai profundamente. É uma beleza triste e profunda, que ela depositava com loucura e total ímpeto em todos os textos que escrevia.

Aos 24 anos de idade, Clarice publicou seu primeiro romance chamado “Perto do Coração Selvagem” – ela o havia escrito quando tinha ainda vinte anos. Esse livro foi muito aclamado pela crítica e, em 1944, ganhou o prêmio de melhor romance de estreia pela Fundação Graça Aranha.

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Alexander McQueen foi uma das mentes mais geniais que a moda teve nos últimos anos e, assim como tantos outros gênios que revelam ao mundo sua capacidade ainda muito jovens, foi embora cedo dessa vida. Entre tantos desfiles maravilhosos que ele já fez, – daqueles quem fazem o olho brilhar e o coração disparar – tenho alguns preferidos como o jogo de xadrez humano, os robôs pintores, o holograma de Kate Moss e o seu desfile de verão 2010.

Foi, no entanto, em 1993, aos 24 anos de idade que McQueen fez o seu primeiro grande desfile. A coleção chamava “Taxi Driver” e era uma clara referência ao filme de mesmo nome de 1976 dirigido por Martin Scorsese.

Ali começava a carreira de um dos estilista que mais admiro e que, pra mim, é um dos caras de maior conceito e visão nesse mundo das modas.

Balenciaga é um dos nomes mais importantes e que mais contribuíram para a história da moda. Aos 24 anos de idade ele realizou o sonho de abrir uma loja própria em San Sebastian, na Espanha, e depois disso não se aquietou mais, criando um verdadeiro império com uma maison que é até hoje uma das mais mais importantes e tradicionais do cenário.

Ele expandiu seus negócios para outros países, criou um estilo próprio e passou a ser conhecido como “o arquiteto da moda”, criando os famosos vestidos-sacos e casacos largos de mangas morcego.

Tim Burton é um dos “cineastas de terror” mais famosos da história do cinema e entre os filmes escritos e dirigidos por eles estão alguns dos meus preferidos, como Edward Mãos de Tesoura.

Esse jeito sombrio e que sempre mistura uma história de terror com algo encantador dos seus filmes tem muito a ver com a própria forma como Tim encara a vida. Desde pequeno ele sempre foi um menino muito introspectivo, solitário e tímido que encontrava no “horror” a melhor forma de se libertar. Aos 24 anos de idade ele lançou Vincent, o seu primeiro curta-metragem e considerado até hoje uma de suas mais brilhantes produções. Há rumores de que o curta seria biográfico e conhecendo mais da história de Vincent Malloy, não fica muito difícil de acreditar nisso.

Quando Harry Potter termina, a gente sabe o que aconteceu com os personagens da série anos depois, mas não sabe exatamente em que época ocorreu todos aqueles acontecimentos. “Ué, Paula, então como você pode afirmar que essa coisa incrível aconteceu com a Hermione aos 24 anos?” Bom, de fato eu não posso, mas como estou revendo todos os filmes de Harry Potter – e me sentindo ainda mais inspirada por essa menina maravilhosa que é a Hermione – eu comecei a fazer umas contas e me toquei que se no epílogo do livro já se passaram 19 anos (ou seja, os personagens teriam 36 anos nessa época, pois terminaram a escola aos 17), e Hermione está levando sua filha de 11 anos para Hogwarts, ela teve a pequena Rosa aos 25 anos!

Conhecendo bem como conheço Hermione (haha), ela teria se preocupado em se firmar profissionalmente antes do nascimento da primeira filha, e com a inteligência e perspicácia que ela tem de sobra, aos 24 anos com certeza já estaria trabalhando no Ministério da Magia, onde se tornou uma das maiores defensoras dos elfos domésticos, sendo promovida depois para o Departamento de Execução das Leis da Magia.

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Bisous, bisous e bom final de semana.

As divas e as transformações do RuPaul’s Drag Race

RuPaul’s Drag Race, – ou minha descoberta televisiva de 2013 – é um programa que começou lá em 2009 e já caminha para sua sexta temporada. O formato dele é bem conhecido de todo mundo, aliás, se você já assistiu The America’s Next Top Model, vai achar que as semelhanças aqui são grandes. E até certo ponto elas são mesmo: o reality show funciona como uma competição onde, programa a programa, a competidora que for pior no desafio do dia sai eliminada. No final, apenas uma é a grande vencedora, levando para casa as premiações oferecidas e a grande nomeação da competição.

Até aí, nada de surpreendente.

O que muda tudo em RuPaul’s Drag Race é que no lugar das modelos longilíneas e que buscam seu lugar ao sol nas passarelas e editorias mundo a fora, entram drags fabulosas e divertidíssimas, que na sua maioria tem histórias de vidas sofridas por terem se assumido gays ainda muito cedo e enfrentado um mundo repleto de preconceito.

Eu quis falar sobre RuPaul’s Drag Race aqui por diversos motivos. Primeiro que assistindo o programa, que é hilário e por si só já valeria muito a pena acompanhar, você acaba aprendendo muito sobre algumas diferenças gigantescas sobre transgeneridade. O mundo das drags, em particular, apesar de ser levado com leveza e diversão durante o programa, é muito discutido e especulado.

Enquanto a gente acompanha o programa, a gente vai catando que drag é uma profissão, um personagem de fato. É até engraçado o quanto as competidoras deixam claro a todo momento que ninguém ali quer ser uma mulher. Como drag, na verdade, elas prestam uma homenagem às mulheres, a concepção de feminilidade e a grandes divas que elas admiram. Muitas fazem ou fizeram teatro, tem uma pegada cômica super aparente e encarnam mesmo uma nova pessoa quando maquiadas, em cima de um salto e com roupas femininas. Quando chegam em casa e se desmontam, voltam a ser o mesmo garoto de sempre.

Algumas competidoras chegaram a comentar diversas vezes durante o programa que quando se assumiram como gays o mundo ao seu redor pareceu desabar. As famílias não as aceitavam, na escola riam delas, o mundo parecia apontar um dedo na cara de cada uma. Como drags elas descobriram um lugar onde tudo era mais colorido e glamouroso. Foi tipo o que fez elas se encontrarem no mundo.

No dia a dia elas (e uso do feminino aqui é porque no programa elas assumem somente seu nome de drag, então a gente fica no hábito de tratar todo mundo como “ela”) são garotos tão normais como the boy next door. Como Nina Flowers, – que deve ser a competidora mais amada até hoje de todas as temporadas e é minhas musa eterna – que é um cara todo tatuado, que adora preto e que assume até uma pose meio bad boy, mas que quando vira drag se torna a personagem mais “loca” (quem acompanha o programa vai me entender) e mais incrível de todas as temporadas. Aqui vai uma fotinho com o antes da make e o depois dela pra vocês entenderem do que eu tô falando.

O próprio RuPaul, apresentador do programa, tem uma história muito incrível. Vou confessar que eu não o conhecia antes de assistir o reality, mas é notório – e senhor Google tá aí pra comprovar – que o RuPaul é um cara de muita história e muito sucesso nos EUA. Ele “apareceu” para o mundo na década de 90 e desde então conseguiu fazer uma carreira de sucesso como drag, cantora, atriz e modelo. Ela foi, inclusive, a primeira garota propaganda da linha Viva Glam da MAC!

E por falar em maquiagem, chegamos em outro ponto do RuPaul’s Drag Race que eu queria falar.

Se você tem qualquer dúvida que uma maquiagem pode transformar uma pessoa, então, por favor, assiste esse programa pra gente mudar logo essa sua opinião haha. É claro que como drags as participantes são muito mais do que maquiagem: existe um trabalho enorme de figurino, de interpretação, apresentação e até de “incrementos” (algumas usam enchimentos para poderem formar curvas nos vestidos, mas tem aquelas que nem precisam desses truquezinhos). Mas que a maquiagem é um dos principais “acessórios” de uma drag isso não há como negar. A transformação é assombrosa. E é bacana perceber que drag não precisa ser necessariamente sinônimo de maquiagem ultra mega forte. A Nina Flowers, por exemplo tem esse estilão pesado de tudo, mas a Tyra Sanchez, competidora da segunda temporada, e mesmo o RuPaul, vire e mexe aparecem com uma maquiagem mais discreta. A gente sabe que tem quilos de pó ali, mas é um visual menos forte, mais delicado.

O que eu mais adoro no programa é ver essas transformações das participantes bem ali diante dos nossos olhos. Desde as roupas que, em várias das provas, são elas mesmas que costuram, até a maquiagem, a imagem muito bem bolada, a voz e os trejeitos que mudam. E ainda que o programa tenha essa pegada meio kitsch, tudo é feito com uma leveza que surpreende. Não existem estereótipos, não existe essa ideia geral tão limitante entre gêneros.

Pra quem ficou curioso e com vontade de assistir o programa, tem até a 5ª temporada completa no Netflix, e lá nos EUA ele é transmitido pelo canal Logo. E ah, se alguém aqui já assistiu, conta nos comentários o que acha da competição :)

Ps: esse links espalhados pelo texto abrem uma janelinha com a foto sobre o assunto aqui no post mesmo. Pra fechar é só clicar fora da janela. Fácil, prático e sem aquela coisa chata de ser redirecionado pra outra página só pra ver uma imagem \o/

Bisosu, bisous

O universo mágico de vídeos da Kate Spade

Eu não posso falar em nome de todas as garotas do planeta (apesar de desconfiar que nesse caso até rolaria abrir uma exceção), mas posso falar que pra mim a Kate Spade é a típica marca suspiro. Suspiro pelas roupas, suspiro pelos acessórios, suspiro pelos sapatos, suspiro pela estética, suspiro por essa garota Kate Spade que conforme a gente vai conhecendo mais e mais da marca, vai catando que é uma menina toda sonhadora, que ama ler, se veste de um jeito todo lady like, – mas que também sabe ser básica com detalhes de interessância – que ama tons pastel, poás, macarrons, pequenos prazeres do dia a dia e músicas com cara de antiguinhas – mas que tem todo um gingado moderninho.

Pode parecer exagero, mas pra mim a Kate Spade é uma das marcas que mais tem definida o público consumidor a que se destina. E, no meio do caminho, mesmo as meninas que não são totalmente essa garota Kate Spade acabam se identificando com muito do universo da marca e amando também. Tipo histeria coletiva, sabe? haha.

Mas essa garota Kate Spade mesmo, essa que reúne todas as características da marca, tem uma imagem muito viva na nossa cabeça. E se tem algo que reproduz perfeitamente essa imagem para o nosso “mundo real”, com certeza são os vídeos produzidos por eles, que de um monte de maneiras diferentes traduzem essa garota-musa muito bem.

Reuni então 10 vídeos da Kate Spade (sim, 10, porque aqui é amor mesmo haha) que na humilde opinião desta que vos escreve são os dez vídeos mais fofos, girlies e representativos dessa imagem de menina inspiradora da marca. Eu amo todos de maneiras diferentes e acho que eles têm umas sacadas muito legais de como transmitir um mesmo espírito de alegria e feminilidade usando histórias, lugares e brincadeiras diferentes, porém extremamente belos.

Já aviso que eu não segui a ordem deles de lançamento e muito menos de preferência (isso seria impossível!), mas achei que a seleção final ficou bem legal. E o bom é que esse post já serviu também pra inaugurar a categoria de listas aqui do blog, que eu tava querendo fazer há um tempão.

E agora, chega de mais delongas.  Dá o play e vem se divertir junto comigo!

A Kate Spade fez uma parceria com a grife de bicicletas Adeline Adeline e sob a batuta da designer Julie Hirschfeld foi criada a própria bike da marca. Toda vintage, com cestinha e selim de couro. Morrendo de amores em 3,2,1…

Amo que o vídeo resume todos os benefícios da bicicleta sem ficar merchan demais, tipo mostrando que você pode usar a cestinha dela pra passear com o cachorro ou levar flores para casa, que o modelo dela é confortável a ponto de você passear de vestido e salto e que ela é uma alternativa inteligente e sustentável em meio ao trânsito das grandes cidades. Fora que as paisagens e as cores que aparecem no vídeo são uma delícia à parte.

Só a Kate mesmo (intimidades) pra transformar o vídeo da sua campanha de primavera 2012 literalmente em uma dança das cadeiras. Enquanto as meninas vão brincando para ver quem consegue sentar em todas as rodadas – tudo isso ao som de musiquinhas divertidíssimas – a câmera vai focando nos detalhes da nova coleção, toda com ilustrações da artista australiana Florence Broadhurst.

“This is the story of a charming girl
she laughs out loud, sings off key and believes in taking chances
she is quick and curious and playful and strong
she lets her imagination run away with her
she has never been one to stick to convention
she is fond of daydreams that take her places
she can order a cocktail in six different languages
she feels that understated is overrate

E essa é a história da garota criada pela Kate Spade (de quem eu quero ser BFF), nesse vídeo fofo gravado em uma casa em Covent Garden, Londres, onde a marca fez uma loja pop-up de um mês. Ah,  a música fofa de fundo se chama “I will never love you more” e é da francesa Soko.

Essa campanha da Kate Spade é a mais recente da marca e tem um nome que traduz muito bem seu espírito, afinal, o vídeo todo é cheio de brilhos, luzes, glamour e celebração, bem a cara do Natal e das festas de final de ano.  Mas o mais legal mesmo dessa campanha é que nela a Kate apostou em uma maneira diferente de vender seus produtos. No vídeo original, que dá pra ver aqui nesse link, conforme as cenas da historinha vão se desenrolando, os produtos mostrados – roupas, bolsas, acessórios, etc – aparecem numa barra de rolagem no canto inferior. Por ali, é só você clicar no que gostou que você compra o produto na hora.

Diz se não é sensacional?!

A campanha de outono 2013 da KS leva a gente para passear pelas ruas de Nova York, – tema chave dessa coleção que se inspirou nas cores, arquitetura e sons da cidade – acompanhando uma garota em busca de pistas secretas. No final do vídeo (spilers! haha) a gente descobre que essa caça ao tesouro tinha como prêmio final a 2 Park Avenue Beau, bolsa bapho da marca.

Não só acho o vídeo uma gracinha (adorei que uma das pistas tava no livro), como também acho essa coleção super clássica e elegante.

Na campanha de verão 2012 da KS, para celebrar a empreitada da marca também na moda praia, com roupas e acessórios girlies para o mundo aquático foi gravado esse vídeo que em tradução livre seria algo como “mergulho de cisne ou bala de canhão?” Tem toda a bossa de sempre da brand levada para um dia de muito sol na beira da piscina. Uma delícia!

Essa é uma das ideias de vídeos mais legais que a KS já fez e, – olha que legal! – ele não foi gravado especificamente para divulgar nenhuma coleção! Roupas e acessórios, aliás, só aparecem no look da menina de bicicleta. A ideia da marca, na verdade, é simples e fofa: dizer boas-vindas para a primavera de um jeito ‘fresco, otimista e colorido’. E, para isso, a Kate Spade usou dezenas de cataventos, que todos juntos e pendurados na grade, formam uma imagem tão gostosa de ver que a gente até sente como se essa brisa também estivesse batendo aqui.

Mas gente, e esse inverno 2012 da Kate cheio de cores e bolonas e patins e dancinhas e uma musiquinha animada?! Ah <3 E detalhe que essa pista de patinação foi improvisada dentro da galeria Robert Miller, em Manhattan (chique!). Nesse clima de diversão fica impossível a gente não arriscar uns passinhos junto com as meninas.

Essa animação é meio que o resume daquilo que a Kate Spade bate na tecla em todos os seus vídeos: vamos viver uma vida altamente colorida e bem-humorada! Além disso, ele foi produzido pela Lacey, que tem no seu portfólio a produção de vídeos incri para marcas de peso como Louis Vuitton e Coca-Cola.

Vamos viajar?

No verão 2013 da marca, a gente aprende que fazer mala não precisa ser assim uma coisa chata. Dá pra se divertir sim arrumando as roupas, acessórios e makes que a gente vai usar nas nossas férias de verão. Seguindo a regra número um, é claro, de que tudo deve ser sempre bem colorido 😉

Para mais vídeos da Kate Spade (sim, são muitos!) é só clicar.

E me contem se vocês gostam de posts assim, estilo “listinha”.

Bisosu, bisous

A elegância e a miséria dos sapeurs do Congo

Há um tempinho escrevi um texto para o À Moda da Casa sobre a carreira da Solange Knowles e a sua passagem pelo Brasil. Tem aqui pra quem quiser ler. E o caso é que em meio as minhas pesquisas para escrever o tal post, descobri a existência dos sapeurs, – já que a Solange tem um clipe inteirinho dedicado a eles – e fiquei fascinada com a história desses homens.

Vou confessar que, no começo, eu tive muita dificuldade para entender o estilo de vida deles, principalmente quando analisamos o todo da situação: a República do Congo sofre agressivamente com problemas de miséria, exploração infantil e guerrilha, e em um país com uma situação tão precária é difícil imaginar como um grupo como esse surgiu e se mantém a tanto tempo. E mais curiosa de tudo: o que move esses homens a serem como são.

Quando a gente começa a pesquisar sobre a vida dos sapeurs do Congo – apesar do movimento do Congo ser muito forte, eles também podem ser encontrados em outros lugares do mundo como Paris, Londres e Brasil – a gente precisa analisar as coisas aos pouquinhos.

Os sapeurs são, assim, em linhas gerais, um grupo de homens que amam a moda de uma maneira desmesurada, e acreditam que o seu poder é transformador. Eles se vestem com roupas mega colorida, na grande maioria das vezes com peças de estilistas e marcas de peso e com um apreço especial pela alfaiataria. Ou seja, quando todos eles se juntam, primeiro me dá essa impressão de que tô assistindo um filme antigo ou de que aquilo faz parte de algo meio teatral – o que realmente ocorre na forma como esses homens se comunicam com o mundo. Só que aí um detalhe bem importante me desperta pra realidade: isso tudo acontece no Congo, em um cenário de pura miséria.

Essa controvérsia é chocante, mas intriga.

Os sapeurs estão todos reunidos sobre a SAPE (Sociedade de Ambientadores e de Pessoas Elegantes) e tudo funciona como uma herança cultural natural entre eles. O avô passa esse amor e costume para o pai, que o passa para o filho e assim sucessivamente, com as gerações mantendo essa tradição ativa.

E não é apenas uma questão de roupas (que vão de chapéus a cachimbos e de suspensórios a kilts), mas uma questão mesmo de elegância, de saber se portar, de assumir gestos teatrais, de manter uma educação polida uns com os outros. Não é um estilo de vida, é uma essência, e eles deixam claro a todo momento – do brilho que tem nos seus olhos quando falam até a forma como sorriem e passeiam – que pra eles não existe uma vida separada da elegância. Se nasce assim e não se torna.

Os sapeurs nasceram durante a década de 60, logo após a independência do Congo e faz muito sentido, se a gente parar pra analisar, porque isso criou raízes tão fortes no país. Teve uma frase de um sapeur que eu li em uma matéria (e eu vasculhei essa internet pra achar a bendita e não consegui), que dizia algo mais ou menos como “eu não posso comprar uma alimentação adequada em um país onde há pouca comida, nem comprar ensino em um país onde não se liga pra educação, ou ainda uma vida digna em um país em que a saúde é precária. No entanto, se eu trabalhar e tiver dinheiro, posso comprar roupas e viver a vida que eu quero dentro delas.” (se eu achar a frase original eu trago pra cá com os créditos).

E isso pra mim resume essa ideia, que parece muito discrepante, mas que na real serve meio que como um refúgio para esses homens. Eles não escolheram o modo nem o lugar como nasceram, mas escolheram quem eles querem ser.

Bisous, bisous