Desfiles SPFW verão/2014 – dia 1

Que fique claro que os textos abaixo não são críticas de moda. Se eu fosse fazer isso teria que reservar no mínimo um texto pra cada desfile, teria que ter uma pesquisa muito, mas muito profunda mesmo sobre a coleção apresentada e até de tudo aquilo que a marca já fez até hoje. E né, cada degrau de uma vez. Pra fazer crítica de moda, o buraco é muito mais embaixo. Pra ler grandes textos desse tipo, eu recomendo Suzy Menkes ou, em um exemplo mais próximo de nós, a Vivian Whiteman.

Mas voltando ao post: os textos abaixo são algumas pequenas observações sobre cada desfile, sobre aquilo que mais me saltou aos olhos. É legal olhar o tema da coleção e perceber como ele foi trabalhado, tentar enxergar o que deu certo, o que não deu. Perceber como foi o efeito final dos tipos de materiais usados e até o que a gente acha que vai fácil, fácil pras ruas depois. Ou, pelo menos, aquilo que eu usaria fácil, fácil haha.
Enfim, esses textos são totalmente despretensiosos, e é claro também que eu ia amar se mais gente palpitasse aqui o que achou de cada desfile.

Animale

A Animale teve como ponto de partida para a sua coleção a ilha de Bali, na Indonésia. Foi ela que serviu de inspiração para as estampas usadas ao longo de todo o desfile: folhagens e flores, principalmente, mas também xadrezes e listras, que nas muitas vezes em que apareceram em azul, me fizeram associá-los ao movimento do mar. Vi muita gente reclamando do tanto de dessimetria que a marca trouxa para a passarela. Eu, no entanto, gosto bastante dessa dessimetria da Animale, porque mesmo bem pontuada, bem forte, ela vinha acompanhada de tecidos leves, fluidos – cetim, seda e jérsei apareceram muito na coleção – e acabava que o efeito final não me soava preso, nem confuso. A modelo Karlie Kloss – nº2 do mundo no ranking da Models.com – desfilou pra marca, assim como as queridinhas Ana Beatriz Barros, Laís Ribeiro e minha musa master Carol Trentini.

Cori

Pra quem viu o desfile da Cori na sequência do da Animale deve ter sido meio que um choque porque tudo aquilo de dessimetria que a primeira marca propunha, vinha agora invertida na Cori. Eu só consegui ficar um pouco mais relaxada na metade pra frente do desfile, porque até então a exatidão das peças, aquele branco sem fim, os cortes tão retos, tudo tão certinho tava me dando uma sensação de aprisionamento. Aos poucos, veio entrando mais fluidez na passarela, mais simetria sim, mas nada que me deixasse com aquela sensação de sufoco. Eu fiquei bem impressionada, em especial, com os materiais usados pela marca. Porque poxa, é verão, você espera tudo muito leve, daí vem a Cori e trabalha só com materiais pesados, difíceis de serem adaptados para a estação. E, mais uma vez, do meio em diante do desfile, foram várias as peças que mostraram uma alfaiataria que resolveu muito bem esse problema, que era pesada sim, mas que você conseguia enxergá-la completamente no verão.

Tufi Duek

Eduardo Pombal foi buscar inspiração na obra do artista Pablo Picasso pra contar a história que mostrou na passarela da Tufi Duek. Muita alfaiataria, muito minimalismo, muita exatidão. Não, essa não me aprisiona, mas também não me faz sonhar… Eduardo Pombal, no entanto, é tão bom naquilo que faz que mesmo uma coleção tão exata vai mostrando uma evolução gostosa na passarela, tanto no uso de cores – amei a variação entre preto e branco, rosa e azul – como nos recortes das peças. E o desfile ainda ganha assimetria e volume com saias que tem apenas um lado plissado – que depois eu fui descobrir ser um kilt amarrado na cintura.

Cavalera

Ai, que difícil que é falar da Cavalera! A marca apresentou não apenas um desfile, mas uma apresentação de dançarinos – todo alunos do coreógrafo Nelson Triunfo – que ao som de clássicos do soul music dos anos 70, cantados por Toni Tornado ali, ao vivo mesmo na boca de cena, fizeram todo mundo que assistia ao desfile nem pensar na possibilidade de ficar parado. Tentando não me influenciar pela apresentação, pela dança, pelo ritmo tão gostoso que foi esse desfile, vou tentar focar só na roupa haha. A marca fez jus ao seu tema e logo na primeira peça deixou muito claro que essa coleção ia ser um mar de cores. Aliás, essa coleção é um ar de muitas coisas. Cores, estampas, grafismos, recortes… Mesmo pra quem, como eu, não tá acostumado com essa mistura tão grande de estamparia, fica difícil não olhar com muito agrado pra esse trabalho lindo do Marcelo Sommer. Comercial até o dedinho do pé e sem medo nenhum de assumir isso, a Cavalera traz vida pra suas peças sem medo de ser feliz.

Créditos: FFW | ©Ag. Fotosite

100 anos de Chanel

Falar do desfile da Chanel me soa muito condizente com aquela expressão “chover no molhado”. Isso porque, até aqui, quase todos os sites e blogs de moda já devem ter subido suas opiniões e/ou análises sobre esse que é um dos desfiles mais aguardados da semana de moda de Paris. Só que por mais que todo mundo já tenha falado repetidas vezes sobre isso, eu fico me perguntando como não me juntar ao coro…

Beleza Chanel inverno 2013/2014

Beleza Chanel inverno 2013/2014

Mas por enquanto, vamos deixar de lado qualquer análise sobre a coleção em si. Chanel, só pra variar, foi deslumbrante. Só que nessa coleção, no ano em que a maison comemora os 100 anos de legado de mademoiselle Chanel, muita coisa – e não só a roupa – vem à tona e merece ser falada.

São 100 anos. Não 100 dias, nem 100 meses. 100 anos de história de uma das maiores marcas – pra muita gente a maior mesmo – do planeta. 100 anos de roupas que não são apenas roupas, mas que em muitas vezes alcançaram o status de arte e, em todas as vezes, o de inspiração.

No Grand Palais, local em que foi o desfile dessa coleção de inverno 2013/2014, Chanel parece mostrar que a seriedade, bom gosto e peso que tem desde seu lançamento continuam imutáveis mesmo depois de todo esse tempo. E afinal, tem como não se espantar com uma marca que tem o famoso toque de Midas? Que tudo aquilo que faz – absolutamente tudo – vira febre do dia pra noite, aparece copiada over and over again e faz uma legião de pessoas usarem ou resgatarem uma peça, acessório, maquiagem que jamais pensariam usar? Isso pra mim soa mais do que um poder de convencimento, isso pra mim tem a ver com um lugar na escalada do sucesso e, principalmente, do respeito ao seu consumidor ou só apreciador, – já que no caso da marca os da segunda categoria são muitos – em que eles confiam de olhos fechados naquilo que a grife faz. Em qualquer outra situação eu acharia isso ruim. Esse ‘vou fechar os olhos e deixar que ela me leve’. Em se tratando de Chanel eu acho entendível, acho até certo.

Eu só não consigo não me embevecer em ver uma marca com tantos anos se reinventar a cada coleção. Ser original sem precisar esquecer seu passado, suas raízes. Ser rentável sem precisar fugir da beleza, da arte. Eu me espanto todas as vezes.

E me encanto cada vez um pouco mais.

Chanel inverno 2013/2014

Chanel inverno 2013/2014

Chanel inverno 2013/2014

Chanel inverno 2013/2014

cChanel inverno 2013/2014

Chanel inverno 2013/2014

NYFW: poder e era disco

Jason Wu

Assim como contei hoje mais cedo lá no facebook, a semana de Moda de Nova York começou terça-feira e desde ontem tão rolando os desfiles mais incríveis do evento. Daí que eu – fã confessa de Jason Wu – já tava me preparando para um desfile sensacional do estilista e thank god, não me decepcionei. Primeiro porque ele faz jus ao trabalho que já realizou até aqui e continua investindo em silhuetas que vão do rígido/utilitário até o fluido sem em nenhum momento perder a sensualidade. É incrível como independente do shape que a peça tenha, Jason Wu consegue imprimir tanta beleza feminina. E segundo porque, nessa coleção em especial, ele construiu a imagem de uma mulher bem poderosa. Desconfio eu que por causa da Miss Wu, que pedia tanto que ele deixasse esse lado mais ‘menina’ falar alto, ele propositalmente fez o oposto na sua marca principal. Das duas formas, ele acerta em cheio.

Desfile Jason Wu

Kate Spade

Mas além dele, a Kate Spade – que sempre tem um perfume girlie delicioso – apresentou uma coleção inspirada na década de 70 em New York. É incrível como toda coleção da Kate Spade me dá vontade de levantar e começar a sei lá…dançar! Ela é engraçada, é alto-astral. E essa pega um monte de referências da era disco e joga nas peças, só que com um ar muito mais moderninho. E aí tem também os acessórios da marca, que são sempre a cereja no topo do bolo. Melhor dizendo, são muitas cerejas no topo desse bolo, porque tanto os acessórios quanto a beleza do desfile são tão ou mais importantes do que as próprias roupas.

Nesse desfile aí eu fiquei com um tiquinho de medo dessas unhas gigantescas, mas to tentando desfocar disso e olhar pras outras coisas belas da coleção hahaha.

Desfile Kate Spade

Ps1: As imagens assim ficam legais? To tentando me arriscar no photoshop e deixar as fotos mais divertidas pra colocar aqui =)

Ps2: Se clicar nas imagens, elas abrem maiores em uma janelinha!

Ps3: As fotos do desfile do Jason Wu são do FFW e as da Kate Spade do próprio tumblr da marca.