LFW verão 2014

Mulberry

Mulberry - verão 2014“Essa casa que construímos juntos, tijolo por tijolo, pedra por pedra, essa casa que chamamos de lar.”

O começo do desfile da Mulberry foi assim, com a declamação de uma frase que deve significar muito do que a Emma Hill, sua diretora criativa, sente em relação a marca. E esse tanto de amor escancarado tinha um motivo bem triste por trás de si: depois de 6 anos de sucesso (quem não se apaixonou por alguma de suas bolsas-desejo que atire a primeira pedra), Emma disse adeus a Mulberry.

Apesar de muita gente ter reclamado da falta de um desfile mais elaborado pra marcar essa despedida, eu acho que faz total sentido eles terem optado por esse “mais do mesmo” (ainda que eu ache que a Mulberry nunca faz um mais do mesmo) pra sua coleção. Foi uma despedida de gente que ama o que faz, de gente que quer sair de cena levando a melhor e mais nítida lembrança da essência da marca.

Por isso mesmo, nesse verão 2014 da Mulberry o que não faltou foram peças bem femininas, que mesmo com o DNA tão esportivo que tá em tudo quanto é desfile internacional dessa temporada, continuaram com aquele ar de pretty woman que eles fazem tão bem. E se em umas horas do desfile nós somos bombardeados com estampas que vão das listras aos florais, – uns liberty, uns mais disfarçadinhos que você só via quando chegava perto, e uns escancarados e gigas – em outras a gente morre de amores pelos blocos de cores, que apostaram com tudo no total white, preto e tangerina.

Ps: e esse cãezinhos, gente?! Não consigo lembrar o nome dessa raça, mas essa carinha amassada dá vontade de apertar haha.

Christopher Kane

Sempre fico de olho bem aberto nos desfiles do Christopher Kane porque acho que o sucesso que ele faz em Londres não é a à toa, e também porque sempre espero ver uma nova febre na sua passarela como aconteceu com as camisetas de estampa de gorila que apareceram na sua coleção de 2008.

Dessa vez o conceito da coleção do estilista é um pouco mais difícil, não tão a cara das ruas como já foram algumas de suas apresentações. Daí você me pergunta: ué, mas ele não apostou no floral? Quer tema mais “comum” do que esse? Sim, meu caro Watson, ele apostou no floral, mas um floral que vem de forma lúdica, que às vezes parece até trazer a didática de uma aula de biologia (você lembra do estilete, pétala, estigma e todas as outras partes da flor?). Tinha até uns recortes mutos loucos tipo esse da primeira foto que às vezes apareciam em toda a roupa, revelando umas partes da pele não tão comuns assim de ficarem ao ar livre haha.

E Christopher Kane não tem medo de brincar com seu tema não. Mistura cores, flores “normais” com vazados que no todo formam um grande buquê, escritos garrafais nos vestidos e moletons e até uma técnica super diferenciada que eu não conhecia, fui pesquisar e descobri que é tipo uma fusão de vários tecidos em um só, depois de passarem por uma prensa bem quente.

Um pequeno chacoalhão em meio aos desfiles dessa temporada.

Burberry Prorsum

Burberry Prorsum - verão 2014Lembra daquela época em que os candy colors dominaram tudo quanto era desfile e começaram a aparecer que nem epidemia nas ruas? Então, pode até ter passado um tempinho desde aquilo, mas a Burberry parece não se importar muito e mostra que novo hit ou não da temporada de verão 2014, o candy color da suas peças é sim para ficar de vez (e a gente amar!). Quando não são eles que aparecem, são as listras e os poás, e aí eu fico querendo tudo, absolutamente tudo pro meu guarda-roupa.

Essa coleção é inspirada em uma menina muito romântica. Muito. Mas esqueça aquela menina romântica que ficava trancada dentro de casa esperando pelo príncipe encantado. Essa daqui da Burberry é a menina romântica que desfila pelas ruas da cidade com um sorriso de orelha a orelha, que gosta de mostrar um pouco de transparência, mas que em meio a essas cores tão clarinhas nem fica muito sexy. Essa menina aqui come macaron rapidinho no café, mas daí quando precisa se arrumar pro trabalho deixa de lado as cores claras e investe numa boa mistura de estampas, com direito a uma altura de saia chiquérrima e um óculos bapho. Ela ama brilho, mas ao invés de usar tudo bem discretinho como a romântica do passado fazia, ela vai lá e usa umas pedras gigas, pra não passar despercebida.

Gente que inspira e cria identificação logo de cara, sabe como é, né? <3

Tom Ford

Que desfile mais sexy, mon dieu! Enquanto todo mundo tava apostando em cores claras, florais e uma pegada esporte, Tom Ford decide ser o dono da festa que ficou faltando. Os vestidos encurtaram e ajustaram (e como ajustaram!), os brilhos vêm sem medo, as transparências deixam as pernas todas à mostra e até o couro e a estampa de cobra entram na dança. Tem até umas opções com casaco de pele pra hora que você sair da festa não passar frio, o que deixa a gente com a certeza de que nesse verão Tom Ford fez de cabo a rabo uma coleção extremamente forte, poderosa, com um sex appeal que aparece até nos looks discretos, se é mesmo que eles existem.

Encerrando o quarto dia de London Fashion Week com a moda gostosa e ousada que é a cara do estilista.

Créditos das fotos: FFW/ImaxTREE

Ps: Se clicar nas imagens, elas abrem maiores em uma janelinha aqui dentro do blog mesmo!

Bisous, bisous

Mais da NYFW verão 2014

Opening Ceremony

Opening CeremonyEstreia da Opening Ceremony na NYFW e olha, só posso dizer que a marca tá de parabéns! Pra começar que eu achei super legal o fato deles terem pensado em outra forma, além do próprio desfile, de fazer o público interagir e conhecer mais do trabalho que eles realizam. Como? Montando uma feira de moda e gastronomia no Pier 57, que se estendeu por todos os dias da NYFW. Tudo parte do planejamento do Humberto Leon e da Carol Lim, os fundadores da marca, pra conectar os consumidores e possíveis consumidores com a Opening (#intimidades haha).

Nesse verão 2014 a OC mostra que quer ser aquele tipo de marca que faz roupa jovem, usável, colorida, mas que nem por isso deixa de lado a impecabilidade. Pra conseguir esse efeito eles apostam em uma série de estampas – algumas por exemplo formavam desenhos abstratos de longe, mas quando a gente olhava mais de pertinho via que eram mini florais – que deixaram a coleção viva e bem street. Só que ao mesmo tempo eles se arriscam em técnicas não tão fáceis assim e trouxeram uma modelagem bem oriental, muito elegante. Um amor de mistura.

Rodarte

Rodarte - verão 2014

Me permiti viajar (e muito) nessa nova coleção da Rodarte. Pra começar que pra quem tá acostumado com aquela Rodarte quase etérea, que é a cara de uma menina sonhadora, super ligada em moda (pra quem não conhece muito da marca, vale assistir esse fashion film deles de 2011, o “The Curve of Forgotten Things”, pra entender do que eu to falando), essa nova coleção é um susto.

Onde foi parar aquela garota?

A inspiração principal da marca veio de Los Angeles e ela usou de todos os elementos urbanos possíveis – que tão dominando essa temporada como ninguém – para essa coleção. Vai além até, e traz muito couro, franjas, animal print, hip hop na veia e as barrigas de fora (sim, de novo).

Isso, pelo menos, é o que tá na superfície.  Mas pra mim, o buraco é bem mais embaixo.

Quando me deparo com uma coleção dessas só consigo imaginar essa menina Rodarte que eu tenho aqui na minha cabeça passando por uma daquelas fases da vida em que ela quer provar de tudo um pouco. Porque não é só na adolescência que a gente descobre um estilo, uma banda, um amor novo que se incorpora também nas nossas roupas. Aliás, não é só na adolescência que a gente passa por uma fase de experimentar ser alguém novo, experimentar ser alguém fora daquele nosso mundinho de sempre. Pra mim, mais do que a Califórnia ou a ‘garota Rihanna’ (vejo tanto a Rihanna nessa coleção haha), essa menina Rodarte é alguém que tá passando por uma fase muito específica da sua vida, querendo descobrir coisas novas sim, mas principalmente querendo se descobrir.

Proenza Schouler

Proenza Schouler - verão 2014Desfile limpo e muito belo da Proenza Schouler. Lógico, não é uma roupa sempre fácil de usar, já que às vezes ela cria formas bem ovais no corpo das modelos. Mas ao longo da apresentação a marca vai equilibrando esse lado mais conceitual com peças que pela mor do santo antonio dos looks bonitos, são um arraso! Fiquei em transe com esse casaco longo da primeira foto e adorei a fluidez que o uso de plissado nas saias (que também são de uma altura difícil de usar, mas que quando usadas por quem segura o look, aff, são chiques demais) transportaram para a passarela.

Marc Jacobs

Marc Jacobs - verão 2014

Marc Jacobs tem uma qualidade muito rara hoje em dia: sabe rir de si mesmo e não ligar muito para o teoricamente certinho. Tanto é que nessa coleção ele simplesmente transgride tudo aquilo que se poderia esperar de um desfile de verão e traz uma coleção pesada, com cores ultra fortes. E arremata com o comentário: “Não importa. O que importa é se você quer ou não quer. Dispara no seu coração como a moda deveria fazer?” <3

É tanta estampa, tanta cor, tanta coisa nesse desfile! As proporções do começo da apresentação são um jogo de opostos: em cima uma peça toda estruturada, que às vezes lembra um toureiro, às vezes lembra um uniforme militar, e embaixo peças bem retinhas, que enxugam o visual e criam uma silhueta toda diferentona para as modelos. Pra mim, o mais belo mesmo é quando começam a aparecer os florais e arabescos do final do desfile. Tanto nos looks formados por duas peças quanto nos vestidos longos, as estampas criam efeito lindos.

Fica aquela certeza: você pode não gostar da coleção, pode não achá-la em nada usável, pode acreditar que tá tudo com cara de inverno e não verão. Não importa. Mesmo com todos os contras que você conseguir achar, certeza mesmo é que você termina essa semana de moda tendo Marc Jacobs como um dos desfiles mais memoráveis da estação.

Créditos das fotos: FFW/ImaxTREE

:)

Gostaram da NYFW? Sei que to bem atrasada (afinal já estamos nos desfiles de Milão e eu ainda nem falei de Londres. POFT!), mas semana que vem o blog vai ser atualizado bem mais rápido para os desfiles aqui não ficarem atrasados!

E ah, se quiserem ver as fotos maiores é só clicarem que elas abrem em uma janelinha aqui do blog mesmo.

Bisous, bisous.

NYFW verão 2014

Kate Spade New York

Kate Spade verão 2014

A Deborah Lloyd, diretora criativa da Kate Spade, é aquele tipo de pessoa que eu morreria de vontade de chamar pra um café pra perder horas e horas conversando. Primeiro porque eu ia querer saber em detalhes as referências que ela usa para os seus desfiles, que sempre trazem temas girlies, fofos e requintados, mas que não soam iguais. E segundo porque eu ia jogar a real pra ver se ela me contava como afinal ela consegue dar um ar tão retrô pra suas roupas e ao mesmo tempo deixá-las com ares moderninhos. Porque se tem algo em que a Kate Spade acerta em cheio, é isso: ela mistura o universo das divas de antigamente, das décadas que a gente vê nas fotos do pinterest e ama, com o lifestyle da garota moderninha, descolada e chique sem esforço.

Nesse verão 2014 foi a vez de se inspirar nos jardins de Giverny – lugar que Monet morou por muitos anos e foi retratado em várias de suas pinturas. E com isso lá vem aquele toque delicioso e retrô da marca: cinturas marcadas, vestidos rodados, chapéus e viseiras para os dias de sol, casaquinhos de tweed, estampas divertidíssimas (“When life give you lemons…”), estampas florais na mais pura tradução dos jardins do lugar e muitas cores vibrantes. Pink, amarelo-limão e até o lindo do tangerine tango deram as caras.

Além disso, a especialidade da Kate Spade, que são os acessórios da marca, muito bem identificáveis por serem originais e ultra femininos, também arrasaram. Eu destacaria com certeza as clutches em formato de livro, que não são propriamente uma novidade, mas que né, são de uma fofura sem fim.

Já na beleza, o branco dominou. Tanto nas unhas que tinham uma francesinha bem moderna quanto nos delineadores de mesma cor.

Jason Wu

Jason Wu verão 2014

“Fluidos e longilíneos.” Taí o combo que define muito bem esse desfile do Jason Wu.

Eu gostei muito desse desfile. Primeiro porque o Jason Wu sempre emprega essa técnica oriental que ele tem no sangue e faz peças muito bem construídas e acabadas. Segundo porque o desfile vem numa crescente, embalada principalmente pelas cores das roupas, sempre em tons metálicos. O metalizado, aliás, também tá na beleza do desfile, que trouxe uma mistura de dourado com marrom bem bela, que deixa a pele viçosa e brilhante. Tudo obra da maquiadora Diane Kendal e seus produtos Lâncome (a marca acabou de lançar uma coleção de maquiagens assinada pelo Jason Wu!)

Em uma coleção onde todas as peças tem movimento e parecem deslizar pela passarela, é lindo ver aquela marca registrada do Jason Wu de imprimir pequenos detalhes sexys em qualquer shape. Tem umas fendas ali, umas transparências aqui e mesmo nos looks mais rígidos, parece que há uma sensualidade inata da própria peça. Uma coisa meio “minha sensualidade tá no meu poder, na minha confiança”, sabe?

Alexander Wang

Lá no comecinho do ano eu fiz um post para o À Moda da Casa falando sobre logomania. Daí eis que agora, no seu verão 2014, Alexander Yang resolve brincar com esse fenômeno dos anos 90 em suas criações.

O logo da sua marca apareceu incansáveis vezes durante a sua apresentação – fica até um jogo de mostra/esconde – nas mais diferentes padronagens. Ainda nessa cara meio de anos 90, o que mais a gente vê nesse desfile é uma roupa bem urbana, bem “das ruas”, toda despojada. Ponto positivo ainda pela combinação de barriguinhas de fora (alô top cropped) com conjuntinhos de mesma estampa.

Diane Von Furstenberg

Diane Von Furstenberg - verão 2014

Diane Von Furstenberg é uma mulher bem provocadora. E não pensem vocês que isso tem a ver com sensualidade, com arrogância ou qualquer coisa do gênero. A provocação a que me refiro aqui é essa esperteza e ousadia dela de sempre ir contra a corrente do que tá acontecendo na moda. Ela é divertida, solta, feliz, um espírito livre que tá dando uma banana pra essa história de ficar dentro do cercadinho tradicional da moda. Dá a impressão de que Diane só quer fazer (e faz) aquilo que ela gosta, e que thank god, é um sopro de ar fresco. Tanto que nessa temporada, mesmo com praticamente todos os desfiles ainda sentindo um reflexo de um período tão recatado, ela vai lá e faz essa coleção toda colorida, alegre, bem a cara dela.

“I didn’t no what I want to do, but I knew the kind of woman that I wanted to be.” – Diane Von Furstenberg

Nesse verão 2014 tinha um time estelar de modelos na passarela da Diane. Modelos como Karen Elson, Karlie Kloss e Naomi Campbell que trouxeram ainda mais vida pra passarela. Nas palavras da própria estilista, ela define essa coleção como “Seja seu próprio oásis… Uma fonte inesperada de renovação, serenidade e beleza.” E isso já vem bem traduzido logo no começo do desfile, quando a gente é bombardeado com os mais diferentes prints das peças, que formam uma mistura louca de pítons, zebras, estampas safáris…  Já a segunda parte do desfile é uma explosão de cores. As estampas brincam de misturar, principalmente, amarelo mostarda com vermelho e azul piscina. Uma caixinha de lápis aquarela linda, linda.

Créditos das fotos: FFW/ImaxTREE

Continua…

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Bisous, bisous

Desfiles SPFW verão/2014 – dia 5

Pra ler sobre o , , e dia de SPFW, é só clicar.

Uma

A artista brasileira Lygia Clark foi a grande estrela da coleção da Uma, que se inspirou em sua história e obra pra fazer um desfile que pra mim pode ser definido em apenas uma palavra: leveza. E bota leveza nisso. As transparências, sobreposições e peças tão longilíneas pareciam dançar em cima da passarela – se um vento muto forte soprasse a gente tinha a impressão que a modelo seria arrastada dali. Séries como “Bichos” tiveram réplicas adornando a cabeça das modelos e “A casa é o corpo”, outra obra de Lygia, teve uma parte de si no cenário do desfile. Tudo muito leve, muito fluido e com poucas cores, já que cartela flertou entre o branco, preto, cinza e apenas uma estampa em amarelo.

Cereja no topo do bolo: a trilha sonora que me deixou em êxtase, com Caetano cantando “Is you hold a stone (Marinheiro Só)” que, inclusive foi escrita para a artista em 1971, e “Não identificado”, umas das canções brasileiras mais lindas e singelas de todos os tempos.

Têca

Eu sou fã confessa da Têca e sempre aguardo ansiosamente seus desfiles (sua coleção de verão 2013, estreia no SPFW, até hoje não me sai da cabeça. Saí da sala de desfiles me sentindo mais leve, mais bonita, mais inspirada). Daí que pra esse verão/2014 eu me surpreendi. Me surpreendi porque a Têca apostou em algo um pouco diferente do que aquela linha mais ‘menininha’ que ela costuma fazer, mas algo tão lindo e tão bem feito como em qualquer um de seus desfiles anteriores. Nessa coleção, as estampas vieram aos montes, às vezes aparecendo só nos barrados ou perto dos decotes dos vestidos e, em alguns momentos tomando a peça toda, como no caso dos casacos. Em uma ou outra situação, elas são ricamente trabalhadas em arabescos e dão uma certa imponência pra delicadeza e fluidez das peças. Um antagonismo gostoso de ver. Pudera! Inspirado na porcelana antiga (ô tema lindo!) fica difícil não gostar de cada milímetro desse desfile. E ainda tem as bolsas que são uma delícia à parte e resgatam esse lado gostoso da marca de fazer dos acessórios peças importantíssimas da coleção.

É, to bem apaixonada.

Rosner

Total drama queen. É sempre assim que as coleções de Rodrigo Ronser gostam de ser, já tomando essa vontade pelo exagero, pelo absurdo como parte de seu DNA. E dessa vez não foi diferente. Os vestidos etéreos e esvoaçantes aparecem ao lado de laços enormes, camadas e mais camadas de tecidos, pedrarias, plumas. Tudo junto e misturado no aqui e agora. Segundo o estilista, a ideia inicial da coleção era a desconstrução do mito do amor romântico, representado pelas modelos que na passarela ganhavam status de princesas. A riqueza e opulência dos vestidos justificam-se aí, mas ainda assim, alguma coisa não me ganhou nessa coleção. Tudo bem que eu já tenho um pezinho ali atrás com esse tanto de exagero nas peças, mas nunca tomei isso como regra, afinal um bom drama é ótimo de vez em quando. Só que dessa vez não rolou…

Lino

O desfile de Lino tá aí pra comprovar que um drama às vezes não é só bom, às vezes é mesmo necessário. Essa coleção, que encerrou os desfile de verão 2014 do SPFW, foi um dos desfiles mais lindos dessa temporada. Pra começar que Lino Villaventura trabalhou (pasmem!) canutilhos de uma forma fora do comum, criando verdadeiros mosaicos nas roupas dos modelos, e tirando aquela imagem meio “carnaval” que às vezes a gente deles. Em preto e prata ou coloridos, eles davam um caimento e efeito lindos na passarela! As transparências vieram trabalhadas em detalhes, como em alguns colos de modelos masculinos, e às vezes na peça inteira, como foi o caso da modelo que abriu o desfile. Apesar de tudo pender pro lado do exagero – tudo mesmo, desde os materiais atá as silhuetas – é tudo muito bem dosado e a coleção de Lino que não teve apenas uma inspiração, mas que “viaja na imaginação” como disse o próprio estilista, cria exatamente esse efeito de sonho, de resgate do passado, mas com um pezinho no presente.

Pra bater mesmo palmas de pé, o que foi feito por quem assistiu o desfile lá na Bienal.

Créditos das fotos: FFW | ©Ag. Fotosite