Rick Owens e a beleza sem padrões

As semanas de moda internacionais acabaram e o São Paulo Fashion Week também. Amém. Dá-lhe ver desfile, se apaixonar por tema de coleção, pirar na exposição “The Little Black Jacket” que agora tá no Brasil, acompanhar dança de cadeira de estilista e ainda dar uma zapeada pelas notícias únicas que sempre têm em cada edição. E claro, junto com tudo isso, ainda ter fôlego pra acompanhar Fashion Rio que tá só começando.

Uma imagem linda das semanas de moda internacionais, direto do backstage da Givenchy | ©Reprodução

Uma imagem linda das semanas de moda internacionais, direto do backstage da Givenchy | ©Reprodução

E outra imagem bem representativa, só que dessa vez do SPFW, com os jornalistas assistindo a transmissão ao vivo de um dos desfiles da temporada. | via FFW ©Raisa Carlos de Andrade

E outra imagem bem representativa, só que dessa vez do SPFW, com os jornalistas assistindo a transmissão ao vivo de um dos desfiles da temporada. | via FFW ©Raisa Carlos de Andrade

Eu sei que alguns acontecimentos dessas semanas de moda já foram incansavelmente falados, – e em tempos de internet o conceito de notícia velha tá mais pra dias do que meses ou anos – mas ainda assim eu me pergunto qual o propósito de ter um blog, portal, revista ou qualquer outro meio que gere debate e informação se a gente se priva de falar de tudo aquilo que já foi noticiado ou que teoricamente já esfriou. Não existe cartilha pra opinião e, penso eu, algumas coisas precisam mesmo serem vistas e revistas pra gente poder enxergar outros dos seus ângulos e influências a curto e longo prazo.

Então, eu quero sim falar sobre o desfile do Rick Owens.

Pra quem não viu o desfile ou não leu nenhuma das notícias que pipocaram sobre o assunto, no seu desfile de verão 2014 Rick Owens fez uma performance onde as modelos deram lugar a 40 mulheres de quatro grupos de danças dos EUA, o The Zetas, o Washington Divas, o Soul Steppers e o Momentums. Todos grupos de step, que pelo que eu pesquisei é um estilo de dança onde as pessoas utilizam o corpo todo como uma forma de expressão, usando passos de dança, palavras e gritos de força e palmas pra criar a coreografia. Ou seja, substitui-se o carão de modelo pelo carão de força das dançarinas, que gritaram, dançaram, pularam, bateram palmas e passaram um energia meio alucinante até pra quem assistia pela internet, como eu.

Negras, brancas, magras, gordas, whatever, a passarela se transformou no palco delas e em uma mensagem muito clara de respeito à individualidade e respeito às diferenças. Vale ler esse texto aqui do FFW pra entender com mais detalhes o que rolou no desfile.

“Nós rejeitamos a beleza convencional e criamos nossa própria beleza”
Rick Owens, após sua apresentação.

O Trend Coffee, que eu tenho lido cada vez com mais brilho no olho pelos textos bem embasados e incri que vem publicando, já disse algo muito importante sobre o assunto: “Rick Owens não inventou a roda”. E é verdade. Tanto não inventou que o conceito de desfile espetáculo é mais do que normal na moda e em toda temporada a gente vê não só um, mas vários desfiles que usam da ideia de criar um “show” para ajudar a contar a história daquela coleção.

Acontece, no entanto, que a grande maioria desses desfiles trabalha com apresentações que servem apenas de suporte pra mostrar aquilo que em teoria é o cerne da questão, ou seja, a própria coleção. A apresentação serve pra dar aquele gostinho a mais de inspiração, pra criar uma atmosfera que mostre ao público o que aquelas peças querem dizer e no que aquela coleção foi inspirada. Ela é suporte e não motivo.

Por isso que muito me espantou e deixou feliz ver esse desfile do Rick Owens. Que ele sabe ser criativo nas suas apresentações eu já tava sabendo, mas o que eu não sabia – e que me faz entender esse desfile como algo muito maior do que um cenário, uma atmosfera ou um suporte para uma coleção – é que ele sabe enxergar o espaço que ele tem dentro da moda muito além do que um espaço de autopromoção. Citando a Babi Carneiro que soltou essa frase foda enquanto conversávamos sobre o assunto “(…) Se você não subverte o modelo num momento em que todos os holofotes estão contigo, não subverte nunca ”

E é bem isso.

©Reprodução

©ImaxTREE

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É difícil falar de beleza, de aceitação, seja do corpo, do biótipo, do estilo, do tipo de cabelo, whatever, quando a gente vive não só em uma época cheia de imperativos no assunto, mas principalmente em uma área onde ao longo dos anos criou-se uma ideia de beleza ideal. E se você quer ser diferente daquele tipo de beleza, tudo bem, ‘eles entendem’, mas tu precisa vir com uma etiquetinha que expresse bem isso: se é modelo pluz-size precisa estar em um editorial ou em um desfile disso; se é tida como andrógina, maravilha, o mundo da moda te acolhe, mas essa sua característica é aquilo que te define e que te coloca em determinados tipos de casting. Ou você realmente espera pegar todo tipo de desfile que uma modelo “comum” pegaria?

Há uma falsa ideia que ronda nosso mundo e nossas ações de que a despeito de tanto ideal de beleza aí impingido pelo mundo, nós pensamos diferente. Acreditamos que a beleza de cada um é a beleza de cada um, e que essa história de beleza ideal é pura besteira. Veja bem, nós acreditamos nisso, e eu não duvido mesmo disso em momento algum, mas apesar de defendermos essa ideia, a gente só aceita a modelo plus-size quando ela tá inserida em um contexto específico pra isso. E se alguém resolver colocar uma mulher normal em meio a um desfile de modelos magérrimas, a certeza de que a mídia vai falar sobre isso é 99 em 100. Por que? Porque a gente ainda acha isso diferente, porque apesar de acreditarmos que beleza ideal não existe, a gente aceita a diversidade em contextos específicos.

Em resumo, aquilo que a gente acredita e aquilo que a gente faz ainda são coisas muito distintas.

©The Sartorialist

©The Sartorialist

©The Sartorialist

Por isso que pra mim falar sobre beleza da maneira como o Rick Owens falou é tão importante. Ele não criou a roda, eu sei, mas ao meu ver, diferente do que a maioria faz, o que ele usou como suporte do desfile foi a roupa e não a apresentação. Aqui a apresentação foi fim e não meio. E mais importante de tudo: ele encontrou um jeito forte, poderoso e baita reflexivo de fazer a gente pensar sobre a beleza que domina a passarela, sobre a beleza que a gente acredita, e sobre a ideia de beleza que a gente de fato pratica.

E, veja bem, isso é um bocado para se pensar.

Social Bauru Fashion Show

Na semana passada fui convidada para conferir de pertinho os desfiles do Social Bauru Fashion Show, evento de moda realizado pelo portal Social Bauru.

Esse é meu quinto ano morando em Bauru e, posso afirmar sem titubear, que desde que me mudei pra cá, vi um crescimento enorme da cidade da área de moda.

Pra quem não conhece, Bauru é uma cidade localizada bem no meio do estado de São Paulo e que apesar de não ter o porte, tamanho, ou imensidade de opções que São Paulo oferece, é uma “grande cidade do interior”, tanto em termos populacionais quanto em crescimento profissional. Com certeza um dos fatores que mais contribuem pra isso é que Bauru, arriscaria eu dizer, deve ser uma das cidades mais acadêmicas do Brasil: o tanto de universidades particulares e públicas que tem por aqui dão trabalho para serem contadas. Eu mesma me mudei pra cá por causa do curso de Jornalismo na Unesp, e apesar de muita gente realmente ir pra outras cidades depois que se forma em alguma das faculdades daqui, há uma grande quantidade de estudantes que permanecem e geram nova mão de obra e novas oportunidades pro lugar.

E né, com a área de moda, não é diferente.

Além dos cursos específicos de moda que tem por aqui, Bauru fica do lado de Jaú, um dos maiores centros calçadistas do país (pra quem não conhece a cidade e é fissurado em sapato, vale a pena uma visita. Eles tem, literalmente, um shopping só de calçados!) e o varejo aqui também é bem forte. Só que faz um tempinho que tenho notado que a área de comunicação (o que muito me interessa haha) também tem começado a despertar por aqui e até uma escola específica de moda e comunicação, com cursos incríveis e um espaço de babar de inspirações, abriu na cidade.

Anyway, esse desfile que fui semana passada é só uma pontinha do iceberg das coisas que tem acontecido por aqui. E que, diga-se de passagem, tem me deixado muito animada.

O desfile realizado no Roccaporena contou com a participação de marcas e lojas incríveis como a Hope, marca especializada em lingeries, Carmen Steffens, grife de acessórios e calçados femininos, Carmelina, multimarca da cidade que vende Antix e Farm (que eu amo!), Chica Brasil, marca de moda praia e resort, Sla Fashion, loja linda daqui de Bauru e Universo Fitness, loja voltada para – obviamente haha! – o universo fitness.

Além dos desfiles de cada marca mostrando um pouquinho das suas novas coleções, o evento tinha ainda um universo de referências bem bacanas de beleza e arte. A Gold Silver cuidou de toda a produção de acessórios das modelos e a marca de cosméticos Annethum, tinha um espaço só pra eles, onde dava pra conhecer muito mais dos produtos da marca. E como cereja no topo do bolo, logo na entrada do evento, havia a exposição linda de quadros da artista Viviane Mendes, daqui mesmo de Bauru.

Queria agradecer muito ao Social Bauru pelo convite (em especial a Amanda Araújo, que é uma querida) e dizer que a noite foi linda! A cidade agradece 😉

Bisous, bisous

Paris Fashion Week verão 2014 #2

Pra quem perdeu a primeira parte dos desfiles queridinhos de Paris, é só clicar.

E vem comigo que agora é hora da parte 2!

Chanel

Chanel verão 2014Chanel com certeza sempre é um dos desfiles mais aguardados da temporada. Claro que o motivo número um são as roupas, que sempre fazem a gente suspirar, mas já faz tempo que Lagerfeld mostra beleza não só nas peças desfiladas, mas na própria cenografia da apresentação, que sempre tem um toque de interessância. Dessa vez não foi diferente e no Grand Palais, local do desfile, o que os convidados viram assim que chegaram foram identidades muito fortes da marca em tamanhos gigas e revisitadas. Por exemplo? O logo da maison, o famoso perfume Chanel nº5 (trabalhado todo em uma versão meio robótica) e até uma de suas clássicas bolsas, todos enormes e em versões modernas e artísticas. Arte, aliás, foi o assunto que mais permeou o desfile aqui, já que a ideia de transformar o clássico em lúdico e artístico não ficou só na cenografia, mas foi também pra peças. O destaque pra mim com certeza são para os tailleurs da marca, um dos maiores símbolos da Chanel e que, aqui nesse desfile, ganharam as mais variadas versões. Parece até que Karl Lagerfeld brinca de provar pra gente que peças assim, com um DNA e uma história tão forte, são possíveis de serem adaptadas para os mais diferentes estilos e formas. Ou seja, que roupa atemporal é atemporal exatamente por isso, porque se adapta, porque permite experimentações, porque funciona de diferentes maneiras.

Alexander McQueen

Alexander McQueen verão 2014Nunca mais irá existir alguém igual a Alexander McQueen. Tô até com vontade de resgatar um post antigo meu em que falei sobre o estilista e trazer aqui pro blog, porque com certeza ele é um dos meus maiores ícones, um dos caras mais originais, gênios, louváveis e inteligentes que souberam trabalhar a moda como expressão cultural e artística.

Quando uma nova pessoa teve que assumir a direção criativa da marca, depois da trágica morte do estilista, deu um aperto no peito e um medo do que ia acontecer. A Sarah tinha a maior das competências, é claro, mas o trabalho do McQueen parecia tão intocável que havia um certo temor, sabe? Uma coisa difícil de explicar, mas que se justificava pelo trabalho tão visceral que o estilista fazia em cada uma de suas apresentações. Mas aí veio a Sarah, que já tinha trabalhado anos a fio ao lado de Alexander, e que mostrou que por mais que nunca a gente vá ter um novo McQueen, ainda é possível manter sua marca extremamente forte e extremamente artística, fazendo jus a memória de seu dono. A Sarah captou muitas das nuances do McQueen e às vezes são vislumbres tão grandes – como nessa coleção – que a gente sente que, de alguma forma, McQueen deixou um legado não só naquilo que fez, mas nos seguidores que deixou por aqui.

Deu uma nostalgia, sabe…

Louis Vuitton

Louis Vuitton verão 2014Coisa mais incri esse desfile. Incrível porque ele presta uma homenagem linda à carreira de Marc Jacobs, afinal nesse verão 2014 o estilista deu adeus a Louis Vuitton, a marca onde foi diretor criativo nos últimos 14 anos e a marca também que fez ressurgir das cinzas e voltar a ser badalada, a ser comercial, sensual e ousada.

No desfile tudo era uma homenagem ao que Marc já fez em suas apresentações pela maison e também as inspirações que grandes mulheres sempre levaram para as coleções que desenhou. Tanto que o estilista disse que dedicava o desfile a “todas as mulheres que o inspiraram e à “showgirl” em cada uma delas” e citou ainda  alguns nomes como Coco Chanel, Cher, Sofia Coppola, Catherine Deneuve, Diana Vreeland e Vivienne Westwood. Mulheres que inspiram poder e beleza por inúmeros motivos. Já na retrospectiva de sua carreira, o revival começou pela cenografia – que misturou várias das ambientações que Marc Jacobs já fez em desfiles da Louis Vuitton, como carrossel, escada rolante, corredores de hotel, etc, – com a sua própria história na marca contada através das roupas.

De cara, abrindo o desfile, um look que não poderia ser mais a cara de Marc Jacobs: cheio de transparência, sensualidade e os já famosos grafites de Stephen Sprouse que já apareceram incansavelmente em várias das peças e acessórios da Louis Vuitton. Além disso, o preto foi a cor que dominou o desfile do início ao fim (detalhe para algumas calças jeans que quebraram o total black e trouxeram aquela mistura de estilos que o estilista sempre faz tão bem), exatamente o mesmo que havia acontecido em sua estreia na marca.

Só dá ara desejar que essa nova fase com Nicolas Ghesquière seja tão inspiradora e chocante (acho que esse é o melhor termo pra se falar do que foi Marc Jacobs na Louis Vuitton) quanto foi até aqui.

Miu Miu

Miu Miu verão 2014Eu sou uma pessoa bem chata pra estampas. Bem chata mesmo. No entanto, – entre outras milhares de inspirações, é claro – a Miu Miu tá nesse pequeno reduto de marcas que conseguem me deixar com essa sensação de “aff, sai de baixo que vou querer ter essa estampa pra sempre na minha vida”. Pode parecer bobo, mas é assim mesmo que eu me sinto desde aquele desfile de verão 2010, quando surgiram essas estampas aqui e eu fiquei ainda mais hipnotizada pela marca.

Agora, no verão 2014, as estampas voltaram. De uma maneira bem diferente sim, mas tão lindas quanto as da outra coleção e agora inspirada em papeis de parede! Junto com elas, toda uma referência aos anos 60 que vem refletida no formato das peças, nas meias 5/8, no ar retrô e até nos sapatinhos estilo Mary Jane. Os casacões de tamanho giga são sempre meu preferidos e nessa coleção tão especialmente lady like e elegantes.

Um beijo, Miu Miu, que cê é muito linda mesmo!

Ps: como já tinha falado no primeiro post de Paris, não é que eu esqueci do desfile do Rick Owens não! Acontece que ele é tão importante pra esse momento que estamos atravessando, não apenas na moda, mas também na área de beleza, onde parece que cava vez mais esse lance de estereótipos e “padrões” tá sendo jogado (e aceito!) pela mídia, pelas pessoas, pela sociedade em geral, que vale muito a pena fazer um post só pra ele, pra gente poder refletir juntos sobre seu significado. Ok? Até o final da semana tento postá-lo por aqui…

E ah, espero que vocês tenham gostado desses meus pitacos sobre as semanas de moda internacionais! Pra quem não viu, seguem abaixo os links de todos os posts.

Nova York Fashion Week verão 2014

Mais da NYFW verão 2014

London Fashion Week verão 2014

Milão Fashion Week verão 2014

Paris Fashion Week verão 2014 #1

Deixem suas impressões sobre os desfiles nos comentários!

Bisous, bisous

Paris Fashion Week verão 2014 #1

Eu realmente queria subir todos os queridinhos de Paris em um só post, assim como fiz com os de Milão. Acontece, no entanto, que afora esses daqui de baixo tem mais cinco desfiles ainda que eu quero falar, OU SEJA, o post ia ficar do tamanho do Maracanã. E como eu acho que o desfile do Rick Owens foi a grande apresentação dessa temporada (e quando falar dele aqui quero explicar muito bem porquê eu penso assim) acho super válido que ele mereça um espaço especial. Então, como prefiro fazer as coisas mais demoradas, porém mais caprichadas haha, hoje sobe essa parte 1 de Paris e até o final da semana subo a parte 2, deixando Rick Owens pra ser falado na semana que vem. Assim também eu não entupo o blog de posts sobre desfiles e dá pra eu dar meus pitacos sobre outras várias coisas que ando com vontade de postar.

Mas chega de falação e bora começar a rever o que de mais legal rolou em Paris!

Balenciaga

Balenciaga - verão 2014Nesse verão 2014 da Balenciaga, diferente do que tinha acontecido na temporada passada, Alexander Wang não fez seu desfile de portas fechadas, e acho que principalmente por causa disso havia um clima de estreia no ar. Durante toda a apresentação, aliás, dava pra ver uma mistura bem bonita entre a imagem de mulher elegante da Balenciaga com a influência jovem e toda streetwear trazida por Alexander.

O que eu mais amo nessa coleção são os recortes nada tradicionais que são usados nos vestidos, como o desse terceiro look, onde a peça toda é estruturada e dá a impressão de um origami. Eu sou apaixonada por esses traços orientais em roupas e acho que o Alexander Wang é um mestre na arte de usar esses traços, mas ao mesmo tempo deixar a roupa bem esportiva.

Dior

Dior - verão 2014A coleção apresentada pela Dior já começou fazendo sucesso pelo local onde foi feito o desfile: o Museu Rodin, em Paris. Só que se já não bastasse um lugar tão lindo e imponente pra essa apresentação, Raf Simons resolveu ainda contar a história de sua coleção em todos os detalhes do local, criando uma das cenografias mais inspiradoras dessa temporada. Em um jardim suspenso na passarela, a infinidade de cores, flores e plantas era surreal. Nesse vídeo aqui dá pra ver o making of da construção da cenografia e no post da Consuelo Blocker dá pra ver tudo ainda em mais detalhes. Uma coisa assim, de fazer a gente suspirar mesmo.

Mas a beleza da Dior não tava só na cenografia não. A coleção apresentada em Paris brincou o tempo inteiro com o conceito de dualidade de uma maneira linda. “Aqui, o real e o artificial são postos em perspectiva, o alegre e o sinistro, o natural e o que foi fabricado pela mão do homem.” (conceito da inspiração que tá no próprio site da Dior) Esse jogo de opostos começou pela própria ambientação, com as flores naturais e as flores sintéticas, passou pelos materiais e efeitos empregados nas roupas, que foram do tricô até o plissado, e chegou nas cores das peças, com o colorido do começo do desfile e o preto do encerramento. Nem as silhuetas ficaram de fora: em alguns momentos o aspecto mais sequinho dominava, com peças bem longilíneas, enquanto em outros uma silhueta estilo ampulheta dava volume ao quadril das modelos.

Lindo, lindo.

Yohji Yamamoto

Yohji Yamamoto verão 2014Sou absurdamente apaixonada por história da moda. Absurdamente. E talvez uma das suas fases que mais me encante é a do início dos anos 80, quando o japonismo criou uma revolução na moda ocidental e trouxe um “novo pensar em se fazer moda” as passarelas, através de nomes como Yohji Yamamoto, Rei Kawakubo e Issey Miyake. Yohji é até hoje altamente carregado dessas influências, tanto que seu verão 2014 veio repleto de características do movimento: camadas, desconstruções, silhuetas brincando com diferentes formas geométricas, recortes e toda aquela arquitetura que só o japonismo consegue empregar nas peças. E, de quebra, ainda tem esses tons fluo tão incomuns na passarela e tão visualmente ricos. <3

Givenchy

Givenchy verão 2014O encontro que a Givenchy resolveu proporcionar na passarela não poderia ser mais ousado e mais incrível: influências africanas e japonesas em uma só coleção. E claro que não é uma coleção fácil e tem aquele pé ali no conceitual, mas, ao mesmo tempo é altamente chique e usa e abusa de brilhos pra criar uma imagem forte. Aliás, tá pra acontecer um desfile em que Riccardo Tisci não crie alguma imagem que choque, que deixe todo mundo comentando depois sobre o que aconteceu ali em cima da passarela.

Nesse seu verão aqui, a Givenchy explorou ao máximo o uso de drapeados e havia um pouco de desconstrução em todas as peças. Além disso, uma das coisas mais incríveis de se notar dessa coleção é que a impressão que essas mulheres queriam causar era a de força, de pertencimento a um clã, mas, como em todo desfile da Givenchy, ainda que a imagem de cara seja uma, a sensualidade sempre aparece também, ainda que de forma mais mascarada.

Afora tudo isso, o que principalmente me fez escolher esse desfile pra postar aqui entre os queridinhos de Paris foi a beleza dessa coleção. Eu sei que a maioria das pessoas não é muito ligada em belezas assim, totalmente de passarela, que não dão pra botar em prática no dia a dia. Mas, olha, eu amo as duas. Amo quando algo realmente me inspira no dia a dia e me faz tentar algo novo, mas amo também quando tem essas belezas loucas, total drama, que me lembram que no fundo tudo ali conta uma história.

Essa beleza de verão 2014 foi criada pela musa da beleza Pat McGrath e formava uma máscara de cristais ao longo de todo o rosto da modelo. Clica e vê mais de pertinho que escândalo de incrível que tava isso.

Créditos das fotos: FFW/ImaxTREE

Ps: Se clicar nas imagens, elas abrem maiores em uma janelinha aqui dentro do blog mesmo!

Bisous, bisous

Milão Fashion Week verão 2014

Dsquared2

Dsquared2 - verão 2014Pra mim a semana de moda de Milão só começou de fato com esse desfile da Dsquared2. Porque assim, me diz como, COMO alguém pode não se apaixonar por uma coleção tão colorida, que vai buscar inspiração lá no cinema das décadas de 50 e 60 e suas musas bombshells (alô Marilyn Monroe!) pra construir um guarda-roupa inteiro de peças, que vão da moda praia, passam pelo look do dia a dia e desembocam em vestidos dignos de tapete vermelho? O desfile começa com uma série de estampas em roupas micro, que vem todas em formato de body revelando decotes, pernocas e muita sensualidade. Daí a gente chega nas roupas de passeio, que mesmo quando são em cores mais clarinhas, ganham toques coloridos com os chapéus, os óculos (eu quero!), os colares e pulseiras. Sempre prezando pelo visual lady like, com cinturinha marcada e partes de baixo mais volumosas. E pra encerrar com elegância e ar de diva, os irmãos Dean e Dan ainda fazem a gente suspirar por vestidos abaixo do joelho e um último longo total white. De uma feminilidade e ar travesso deliciosos.

Gucci

Gucci - verão 2014Esse desfile da Gucci foi interessante sob muitos aspectos. Pra começar que as roupas eram tão fluidas que pareciam deslizar na passarela e ganhar vida própria, o que é muito benéfico, já que a melhor maneira de mostrar uma peça de roupa é quando ela é a estrela da apresentação. De outro lado, no entanto, ficava uma pergunta no ar… Como essa roupa vai se comportar no corpo da mulher, que né, quer ter uma roupa diva, mas não quer ser ofuscada?

Pra resolver esse problema a Gucci sambou na cara da sociedade seguiu uma máxima muito conhecida no mundo da moda: a mulher é quem deve vestir a roupa, e não a roupa quem deve vestir a mulher. Ou seja, mesmo com roupas cheias de presença, a mulher Gucci não foi ofuscada pela peça porque se impôs na passarela, mostrando que a roupa só ajudou a realçar um brilho e poder que ela já tinha.

Essas peças que funcionavam como estrelas e ao mesmo tempo como suportes para mostrar o poder da mulher, vieram cheias de fendas, transparências, decotes em V mega profundos e um trabalho de estampas lindo que crescia ao longo da apresentação, criando um último bloco de vestidos super impactante. Em uma mistura da cinturinha baixa da década de 20 com o brilho e as silhuetas soltas da década de 70, o que se viu na passarela foi um pouco do reflexo da própria Frida Giannini, diretora criativa da marca: uma mulher contemporânea, que ama esse estilo esporte-chique e que acima de tudo é dona de si.

Prada

Prada - verão 2014 Como não amar a Prada? Como não amar uma marca que pega o tema “mais batido” dessa temporada, o esporte, e fala dele de uma maneira nada convencional? Afinal a moda das ruas não é só aquela vestida no corpo de homens e mulheres, mas também aquela dos muros, dos pensamentos, da violência, do dia a dia corrido. Miuccia pega todos esses elementos e fala sobre dois grandes assuntos, o feminismo e o o nosso tempo presente (das notícias nos telejornais aos grafites de rua) de uma maneira artsy, jogando tudo isso nesse universo esportivo, cheio de cores e mistura de materiais (tricô, paetês, cristais, peles, plástico…).

Toda essa inspiração tava literalmente estampada no cenário do desfile, onde apareciam as imagens de seis artistas – El Mac, Mesa, Gabriel Specter, Stinkfish (grafiteiros), Jeanne Detallante e Pierre Mornet (ilustradores) – baseada no tema “feminilidade, representatividade, poder e diversidade”. Um desfile moderno, político à sua maneira, e com um universo de referências tão grande por trás de si que fica difícil não achar a moda de Miuccia sempre muito mais pensante do que tátil ou visual.

Emporio Armani

Emporio Armani - verão 2014No caminho oposto das cores da Prada, a Emporio Armani veio toda apagadinha, tendo como grande mote da coleção o floral bem etéreo, bem iridescente (o nosso famoso furta-cor, sabem?). Tudo vinha nesse clima de claridade e leveza, tanto que as peças, quer fossem os vestidos, quer fossem as calças de cintura alta, davam sempre movimento a caminhada da modelo.  Os casacos seguiam a mesma ideia (a maioria, inclusive no tamanho, que chegava bem abaixo da cintura), e usando e abusando de cetim, meias-calças e sapatos que prendiam no tornozelo das modelos e por vezes lembravam sapatilhas de bailarina, a Emporio Armani veio assim, explorando um tema com mais graça e beleza do que o habitual.

Toque de interessância: alguns dos vestidos do começo do desfile, onde os recortes do busto lembravam pétalas, além da quantidade impressionante de peças (94 looks desfilados!) que mostraram uma pesquisa extensa e com muita versatilidade em cima do tema.

Dolce & Gabbana

Dolce & GabbanaEu gosto que Domenico Dolce e Stefano Gabbana fizeram dessa sua coleção feminina de verão 2014 meio que uma extensão da sua coleção masculina passada. A opulência barroca das peças aparece da primeira até a última modelo que cruza a passarela, e tudo, absolutamente tudo parece transpirar beleza e riqueza.

O mote da coleção de verão 2014 da Dolce & Gabbana mistura as influências gregas com as romanas, e em todos os detalhes das roupas a gente vai encontrando pequenas características do tempo e da cultura desses povos na antiguidade. As colunas estão lá estampadas nas camisas, o ouro vem traduzido em peças como essa segunda da imagem, onde o dourado toma conta de tudo, ou ainda de forma mais literal quando maximoedas vem adornando o cinto da modelo. Tem até algumas peças com apliques de amendoeiras (um tipo de flor muito comum na Sicília), que também aparecem incansavelmente no cabelo das modelos, criando um dos penteados mais lindos e inspiradores dessa temporada.

Giorgio Armani

Giorgio Armani - verão 2014

Acho que já deu pra perceber, pelo tanto de desfiles nessa linha que eu falei por aqui, que adoro quando as coleções vem embaladas por esse clima etéreo, uma coisa meio conto-de-fadas. O desfile do Giorgio Armani verão 2014 foi bem por esse caminho e mesmo tendo apresentado algumas peças mais sequinhas (achei os blazers do começo do desfile tão graciosos!), a maior parte das roupas brinca com essas proporções mais soltas, que deslizam e ganham movimento conforme é a caminhada da modelo.

A brincadeira de “Luzes e Sombras” que essa coleção se propôs a fazer vem expressa principalmente nos tons mais claros que permeiam toda a coleção, transitando por uma paleta que vai do lavanda, passa pelo rosa claro e desemboca no azul celeste. O que vai criando efeitos de luz lindos na passarela, principalmente nas peças mais esvoaçantes.

Cereja no topo do bolo: os delicados florais pintados à mão em algumas peças do desfile.

Créditos das fotos: FFW/ImaxTREE

Ps: Se clicar nas imagens, elas abrem maiores em uma janelinha aqui dentro do blog mesmo!

Bisous, bisous