Semana de moda de Nova York verão 2015

Sei que tô fazendo esse post bem depois que as semanas de moda já terminaram, mas penso eu que antes tarde do que nunca (risada sem graça). Além disso, acho que eu prefiro fazer esse apanhadão das semanas de moda gringas todas juntas depois, porque não dou conta de ver tudo de uma vez e gosto mesmo de analisar os desfiles aos poucos, com calma e reparando em detalhes.

Por isso, nessa semana e na próxima, vou postar aqui no blog alguns highlights das semanas de moda de Nova York, Londres, Milão e Paris, cada um de uma vez. É um apanhadão bem resumido das coisas que mais gostei e do que de mais legal apareceu em cada desfile. Prontos pra maratona? Então bora lá!

Eu já falei algumas vezes (muitas, na verdade) sobre o quanto eu sou apaixonada pelas criações do Jason Wu. Os desfiles dele sempre trazem peças lindas, mega usáveis, que a gente consegue imaginar em mulheres da vida real, mas que nem por isso deixam de ter aquela pitada de sonho e ousadia que eu acho indispensáveis na moda. Acho tão difícil acertar essa balança, que me admira gente como ele que faz esse tipo de coisa tão bem.

No seu verão 2015, além de repetir essa fórmula mágica de “peça com informação de moda que vai pras ruas”, ele fecha uma cartela de cores bem pequena e trabalha mais em cima das modelagens, brincando com uma gradativa descontração das peças. Os looks mais formais vão ganhando mais fendas e decotes conforme o desfile vai se desenrolando e a gente fica com aquela sensação de que a mulher que veste Jason Wu pode pegar essa coleção e ter uma peça de roupa pra cada tipo de horário ou evento que ela tenha no seu dia.

Os tênis de corrida e o esporte em geral foram conceitos tão fortes por trás da coleção do Alexander Wang que em praticamente todas as peças, das bolsas aos calçados, dos vestidos as saias, a gente conseguia captar alguma referência ou lembrança do assunto.  O mais legal dessa coleção é que em todos os looks, dos mais fechados aos mais abertos, a silhueta é sempre a mesma e os tecidos e telas vão brincando com os recortes e texturas por cima disso. As partes de cima vem sempre estruturadas, quase rígidas (elas me lembram muito os maiôs usados por nadadores) e a parte de baixo vem sempre mais leve, algumas até com plissado. É uma brincadeira de contrapontos que fica bonita de ver.

Lá vem a Opening Ceremony mostrando que gosta dessa pegada mais jovem e leve não só nas roupas que faz, mas que aposta também nessa ideia para as apresentações da sua coleção. Tanto que, para esse verão 2015, além do seu desfile, eles reservaram uma surpresa para os admiradores da marca: uma peça de teatro de 45 minutos (!) de duração, coescrita pelo diretor Spike Jonze e com nomes de peso no elenco como Elle Fanning e Karlie Kloss. A peça, que se chamava “100% Lost Cotton” tinha o mundo da moda como pano de fundo da sua história e apesar de terem sido proibidas fotos ou gravações dela, tô na esperança que a marca libere isso mais tarde na internet. Fiquei bem curiosa pra assistir!

Uma das coisas que mais gostei na coleção da OC dessa temporada foram os tons usados (branco, rosa bebê, laranja e cinza) e esse recorte, que às vezes aparecia também em formato de estampa, imitando uma sequência de traços. Isso me remeteu muito a costura, a ideia da linha na agulha, ao movimento da máquina sobre o tecido. Pode ser viagem minha, mas achei uma coisa meio metafórica pro ato da construção mesmo da peça.

Outra coisa que deu o que falar nesse desfile foi o tal do bracelete inteligente que muitas das modelos estavam usando. O Intel MICA (My Intelligent Communication Accessory) foi desenvolvido em uma parceria da Intel com a Opening, e é um smartwatche que une um design suuuuper luxuoso com uma tecnologia de notificações de SMS, lembretes de aniversário e por aí vai.

Achei bem bonito que o Michael Herz assumiu a direção criativa da Diane Von Furstenberg e mostrou que sabe valorizar o que há de melhor e mais tradicional na marca e também trazer uma pitada de autenticidade e contribuição que só ele poderia dar. Como? Apostando em uma nova forma de apresentar o vestido-envelope (o maior clássico da grife) ao público. Ele veio total desconstruído (até em top croppeds!) e aparecia aqui e acolá sempre de um jeito “disfarçado”, mostrando as raízes da DVF, mas em uma nova proposta.

E por falar em nova proposta, quer tema mais lindo do que esse que foi mostrado?! A Riviera Francesa dos anos 50 é um dos cenários mais inspiracionais pra quem curte um visual lady like, e colocar Brigittee Bardot como referência master dessa coleção é apostar em muita fluidez, sensualidade, estampas mil e prints de vichy na passarela. Tudo que eu amo <3.

Que gostoso que é ver uma marca levando uma mensagem para o seu público de um jeito tão descomplicado e bonito como foi esse daqui! É como se eles dissessem para os jovens que as roupas também contam uma história, também podem te inspirar a seguir em frente, também podem te motivar a ser quem você quer ser, vestir o que você quiser vestir. São muitas referências aos anos 90 e ao universo clubber, que se sente principalmente no uso de materiais, que vai do vinil até o plástico, e a gente vê um universo tão grande de estilos cruzar a passarela, que a mensagem de “liberte-se”, de vá encontrar o seu estilo, instantaneamente faz a gente soltar um sorriso de canto de boca.

Sigo aqui amando marcas que nunca se esquecem de conversar com seu público. Parabéns mesmo para as designers Katie Hillier e Luella Bartley.

Aff, como eu amo a Rodarte! Só mesmo as irmãs Mulleavy pra pensar em um tema tão singelo, tão inspiracional quanto esse daqui. A ideia central é sim o universo das águas, um tema já bem batido e explorado em diversos desfiles, mas a coleção aqui trata isso de um jeito diferente, focando mais nas lembranças que as duas irmãs têm da infância que elas tiveram na praia.  É algo muito mais pessoal, que ganha toques de nostalgia. Me dá a sensação de que essa coleção é um álbum de fotografias com bons momentos, com boas referências, com pequenas imagens que elas guardaram dessa época. Daí isso vem tudo misturado nos tecidos, com seus tules, rendas e pedrarias, nas partes de baixo que lembram redes de pescar, nos vestidos que parecem ter escamas de peixe, nos tons de azul que ora me lembram do mar, ora me lembram daquelas pequenas conchinhas que surgem na areia.

São muito materiais e muita informação que não se perde e que também não foge completamente do comercial. É as irmãs Mulleavy fazendo o que de mais lindo e puro elas sabem fazer.

Quando a gente vê essa coleção do Oscar de La Renta a gente fica na dúvida se é mesmo um desfile que a gente tá assistindo ou se fomos teletransportados para uma festa de alta-costura. É lindo e sofisticado ao cubo essa crescente que as peças da coleção vão ganhando, não só em termos de estampas e de modelagem, mas em bordados, aplicações, transparências e estruturas. Tudo que vai dando toques de exuberância e de uma festa de gala.

As cores vem suaves desde o começo da apresentação, mas quando as últimas modelos cruzam a passarela, tons de verde, laranja e amarelo bem iluminados também aparecem, mostrando que toda festa que se preze precisa de um bom colorido, daquele vestido incrível que todo mundo vai ficar comentando no dia seguinte.

Só sei que eu queria três de cada modelo dessa coleção.

Imagens: FFW

Rick Owens e a beleza sem padrões

As semanas de moda internacionais acabaram e o São Paulo Fashion Week também. Amém. Dá-lhe ver desfile, se apaixonar por tema de coleção, pirar na exposição “The Little Black Jacket” que agora tá no Brasil, acompanhar dança de cadeira de estilista e ainda dar uma zapeada pelas notícias únicas que sempre têm em cada edição. E claro, junto com tudo isso, ainda ter fôlego pra acompanhar Fashion Rio que tá só começando.

Uma imagem linda das semanas de moda internacionais, direto do backstage da Givenchy | ©Reprodução

Uma imagem linda das semanas de moda internacionais, direto do backstage da Givenchy | ©Reprodução

E outra imagem bem representativa, só que dessa vez do SPFW, com os jornalistas assistindo a transmissão ao vivo de um dos desfiles da temporada. | via FFW ©Raisa Carlos de Andrade

E outra imagem bem representativa, só que dessa vez do SPFW, com os jornalistas assistindo a transmissão ao vivo de um dos desfiles da temporada. | via FFW ©Raisa Carlos de Andrade

Eu sei que alguns acontecimentos dessas semanas de moda já foram incansavelmente falados, – e em tempos de internet o conceito de notícia velha tá mais pra dias do que meses ou anos – mas ainda assim eu me pergunto qual o propósito de ter um blog, portal, revista ou qualquer outro meio que gere debate e informação se a gente se priva de falar de tudo aquilo que já foi noticiado ou que teoricamente já esfriou. Não existe cartilha pra opinião e, penso eu, algumas coisas precisam mesmo serem vistas e revistas pra gente poder enxergar outros dos seus ângulos e influências a curto e longo prazo.

Então, eu quero sim falar sobre o desfile do Rick Owens.

Pra quem não viu o desfile ou não leu nenhuma das notícias que pipocaram sobre o assunto, no seu desfile de verão 2014 Rick Owens fez uma performance onde as modelos deram lugar a 40 mulheres de quatro grupos de danças dos EUA, o The Zetas, o Washington Divas, o Soul Steppers e o Momentums. Todos grupos de step, que pelo que eu pesquisei é um estilo de dança onde as pessoas utilizam o corpo todo como uma forma de expressão, usando passos de dança, palavras e gritos de força e palmas pra criar a coreografia. Ou seja, substitui-se o carão de modelo pelo carão de força das dançarinas, que gritaram, dançaram, pularam, bateram palmas e passaram um energia meio alucinante até pra quem assistia pela internet, como eu.

Negras, brancas, magras, gordas, whatever, a passarela se transformou no palco delas e em uma mensagem muito clara de respeito à individualidade e respeito às diferenças. Vale ler esse texto aqui do FFW pra entender com mais detalhes o que rolou no desfile.

“Nós rejeitamos a beleza convencional e criamos nossa própria beleza”
Rick Owens, após sua apresentação.

O Trend Coffee, que eu tenho lido cada vez com mais brilho no olho pelos textos bem embasados e incri que vem publicando, já disse algo muito importante sobre o assunto: “Rick Owens não inventou a roda”. E é verdade. Tanto não inventou que o conceito de desfile espetáculo é mais do que normal na moda e em toda temporada a gente vê não só um, mas vários desfiles que usam da ideia de criar um “show” para ajudar a contar a história daquela coleção.

Acontece, no entanto, que a grande maioria desses desfiles trabalha com apresentações que servem apenas de suporte pra mostrar aquilo que em teoria é o cerne da questão, ou seja, a própria coleção. A apresentação serve pra dar aquele gostinho a mais de inspiração, pra criar uma atmosfera que mostre ao público o que aquelas peças querem dizer e no que aquela coleção foi inspirada. Ela é suporte e não motivo.

Por isso que muito me espantou e deixou feliz ver esse desfile do Rick Owens. Que ele sabe ser criativo nas suas apresentações eu já tava sabendo, mas o que eu não sabia – e que me faz entender esse desfile como algo muito maior do que um cenário, uma atmosfera ou um suporte para uma coleção – é que ele sabe enxergar o espaço que ele tem dentro da moda muito além do que um espaço de autopromoção. Citando a Babi Carneiro que soltou essa frase foda enquanto conversávamos sobre o assunto “(…) Se você não subverte o modelo num momento em que todos os holofotes estão contigo, não subverte nunca ”

E é bem isso.

©Reprodução

©ImaxTREE

©Reprodução

É difícil falar de beleza, de aceitação, seja do corpo, do biótipo, do estilo, do tipo de cabelo, whatever, quando a gente vive não só em uma época cheia de imperativos no assunto, mas principalmente em uma área onde ao longo dos anos criou-se uma ideia de beleza ideal. E se você quer ser diferente daquele tipo de beleza, tudo bem, ‘eles entendem’, mas tu precisa vir com uma etiquetinha que expresse bem isso: se é modelo pluz-size precisa estar em um editorial ou em um desfile disso; se é tida como andrógina, maravilha, o mundo da moda te acolhe, mas essa sua característica é aquilo que te define e que te coloca em determinados tipos de casting. Ou você realmente espera pegar todo tipo de desfile que uma modelo “comum” pegaria?

Há uma falsa ideia que ronda nosso mundo e nossas ações de que a despeito de tanto ideal de beleza aí impingido pelo mundo, nós pensamos diferente. Acreditamos que a beleza de cada um é a beleza de cada um, e que essa história de beleza ideal é pura besteira. Veja bem, nós acreditamos nisso, e eu não duvido mesmo disso em momento algum, mas apesar de defendermos essa ideia, a gente só aceita a modelo plus-size quando ela tá inserida em um contexto específico pra isso. E se alguém resolver colocar uma mulher normal em meio a um desfile de modelos magérrimas, a certeza de que a mídia vai falar sobre isso é 99 em 100. Por que? Porque a gente ainda acha isso diferente, porque apesar de acreditarmos que beleza ideal não existe, a gente aceita a diversidade em contextos específicos.

Em resumo, aquilo que a gente acredita e aquilo que a gente faz ainda são coisas muito distintas.

©The Sartorialist

©The Sartorialist

©The Sartorialist

Por isso que pra mim falar sobre beleza da maneira como o Rick Owens falou é tão importante. Ele não criou a roda, eu sei, mas ao meu ver, diferente do que a maioria faz, o que ele usou como suporte do desfile foi a roupa e não a apresentação. Aqui a apresentação foi fim e não meio. E mais importante de tudo: ele encontrou um jeito forte, poderoso e baita reflexivo de fazer a gente pensar sobre a beleza que domina a passarela, sobre a beleza que a gente acredita, e sobre a ideia de beleza que a gente de fato pratica.

E, veja bem, isso é um bocado para se pensar.

Social Bauru Fashion Show

Na semana passada fui convidada para conferir de pertinho os desfiles do Social Bauru Fashion Show, evento de moda realizado pelo portal Social Bauru.

Esse é meu quinto ano morando em Bauru e, posso afirmar sem titubear, que desde que me mudei pra cá, vi um crescimento enorme da cidade da área de moda.

Pra quem não conhece, Bauru é uma cidade localizada bem no meio do estado de São Paulo e que apesar de não ter o porte, tamanho, ou imensidade de opções que São Paulo oferece, é uma “grande cidade do interior”, tanto em termos populacionais quanto em crescimento profissional. Com certeza um dos fatores que mais contribuem pra isso é que Bauru, arriscaria eu dizer, deve ser uma das cidades mais acadêmicas do Brasil: o tanto de universidades particulares e públicas que tem por aqui dão trabalho para serem contadas. Eu mesma me mudei pra cá por causa do curso de Jornalismo na Unesp, e apesar de muita gente realmente ir pra outras cidades depois que se forma em alguma das faculdades daqui, há uma grande quantidade de estudantes que permanecem e geram nova mão de obra e novas oportunidades pro lugar.

E né, com a área de moda, não é diferente.

Além dos cursos específicos de moda que tem por aqui, Bauru fica do lado de Jaú, um dos maiores centros calçadistas do país (pra quem não conhece a cidade e é fissurado em sapato, vale a pena uma visita. Eles tem, literalmente, um shopping só de calçados!) e o varejo aqui também é bem forte. Só que faz um tempinho que tenho notado que a área de comunicação (o que muito me interessa haha) também tem começado a despertar por aqui e até uma escola específica de moda e comunicação, com cursos incríveis e um espaço de babar de inspirações, abriu na cidade.

Anyway, esse desfile que fui semana passada é só uma pontinha do iceberg das coisas que tem acontecido por aqui. E que, diga-se de passagem, tem me deixado muito animada.

O desfile realizado no Roccaporena contou com a participação de marcas e lojas incríveis como a Hope, marca especializada em lingeries, Carmen Steffens, grife de acessórios e calçados femininos, Carmelina, multimarca da cidade que vende Antix e Farm (que eu amo!), Chica Brasil, marca de moda praia e resort, Sla Fashion, loja linda daqui de Bauru e Universo Fitness, loja voltada para – obviamente haha! – o universo fitness.

Além dos desfiles de cada marca mostrando um pouquinho das suas novas coleções, o evento tinha ainda um universo de referências bem bacanas de beleza e arte. A Gold Silver cuidou de toda a produção de acessórios das modelos e a marca de cosméticos Annethum, tinha um espaço só pra eles, onde dava pra conhecer muito mais dos produtos da marca. E como cereja no topo do bolo, logo na entrada do evento, havia a exposição linda de quadros da artista Viviane Mendes, daqui mesmo de Bauru.

Queria agradecer muito ao Social Bauru pelo convite (em especial a Amanda Araújo, que é uma querida) e dizer que a noite foi linda! A cidade agradece 😉

Bisous, bisous

Paris Fashion Week verão 2014 #2

Pra quem perdeu a primeira parte dos desfiles queridinhos de Paris, é só clicar.

E vem comigo que agora é hora da parte 2!

Chanel

Chanel verão 2014Chanel com certeza sempre é um dos desfiles mais aguardados da temporada. Claro que o motivo número um são as roupas, que sempre fazem a gente suspirar, mas já faz tempo que Lagerfeld mostra beleza não só nas peças desfiladas, mas na própria cenografia da apresentação, que sempre tem um toque de interessância. Dessa vez não foi diferente e no Grand Palais, local do desfile, o que os convidados viram assim que chegaram foram identidades muito fortes da marca em tamanhos gigas e revisitadas. Por exemplo? O logo da maison, o famoso perfume Chanel nº5 (trabalhado todo em uma versão meio robótica) e até uma de suas clássicas bolsas, todos enormes e em versões modernas e artísticas. Arte, aliás, foi o assunto que mais permeou o desfile aqui, já que a ideia de transformar o clássico em lúdico e artístico não ficou só na cenografia, mas foi também pra peças. O destaque pra mim com certeza são para os tailleurs da marca, um dos maiores símbolos da Chanel e que, aqui nesse desfile, ganharam as mais variadas versões. Parece até que Karl Lagerfeld brinca de provar pra gente que peças assim, com um DNA e uma história tão forte, são possíveis de serem adaptadas para os mais diferentes estilos e formas. Ou seja, que roupa atemporal é atemporal exatamente por isso, porque se adapta, porque permite experimentações, porque funciona de diferentes maneiras.

Alexander McQueen

Alexander McQueen verão 2014Nunca mais irá existir alguém igual a Alexander McQueen. Tô até com vontade de resgatar um post antigo meu em que falei sobre o estilista e trazer aqui pro blog, porque com certeza ele é um dos meus maiores ícones, um dos caras mais originais, gênios, louváveis e inteligentes que souberam trabalhar a moda como expressão cultural e artística.

Quando uma nova pessoa teve que assumir a direção criativa da marca, depois da trágica morte do estilista, deu um aperto no peito e um medo do que ia acontecer. A Sarah tinha a maior das competências, é claro, mas o trabalho do McQueen parecia tão intocável que havia um certo temor, sabe? Uma coisa difícil de explicar, mas que se justificava pelo trabalho tão visceral que o estilista fazia em cada uma de suas apresentações. Mas aí veio a Sarah, que já tinha trabalhado anos a fio ao lado de Alexander, e que mostrou que por mais que nunca a gente vá ter um novo McQueen, ainda é possível manter sua marca extremamente forte e extremamente artística, fazendo jus a memória de seu dono. A Sarah captou muitas das nuances do McQueen e às vezes são vislumbres tão grandes – como nessa coleção – que a gente sente que, de alguma forma, McQueen deixou um legado não só naquilo que fez, mas nos seguidores que deixou por aqui.

Deu uma nostalgia, sabe…

Louis Vuitton

Louis Vuitton verão 2014Coisa mais incri esse desfile. Incrível porque ele presta uma homenagem linda à carreira de Marc Jacobs, afinal nesse verão 2014 o estilista deu adeus a Louis Vuitton, a marca onde foi diretor criativo nos últimos 14 anos e a marca também que fez ressurgir das cinzas e voltar a ser badalada, a ser comercial, sensual e ousada.

No desfile tudo era uma homenagem ao que Marc já fez em suas apresentações pela maison e também as inspirações que grandes mulheres sempre levaram para as coleções que desenhou. Tanto que o estilista disse que dedicava o desfile a “todas as mulheres que o inspiraram e à “showgirl” em cada uma delas” e citou ainda  alguns nomes como Coco Chanel, Cher, Sofia Coppola, Catherine Deneuve, Diana Vreeland e Vivienne Westwood. Mulheres que inspiram poder e beleza por inúmeros motivos. Já na retrospectiva de sua carreira, o revival começou pela cenografia – que misturou várias das ambientações que Marc Jacobs já fez em desfiles da Louis Vuitton, como carrossel, escada rolante, corredores de hotel, etc, – com a sua própria história na marca contada através das roupas.

De cara, abrindo o desfile, um look que não poderia ser mais a cara de Marc Jacobs: cheio de transparência, sensualidade e os já famosos grafites de Stephen Sprouse que já apareceram incansavelmente em várias das peças e acessórios da Louis Vuitton. Além disso, o preto foi a cor que dominou o desfile do início ao fim (detalhe para algumas calças jeans que quebraram o total black e trouxeram aquela mistura de estilos que o estilista sempre faz tão bem), exatamente o mesmo que havia acontecido em sua estreia na marca.

Só dá ara desejar que essa nova fase com Nicolas Ghesquière seja tão inspiradora e chocante (acho que esse é o melhor termo pra se falar do que foi Marc Jacobs na Louis Vuitton) quanto foi até aqui.

Miu Miu

Miu Miu verão 2014Eu sou uma pessoa bem chata pra estampas. Bem chata mesmo. No entanto, – entre outras milhares de inspirações, é claro – a Miu Miu tá nesse pequeno reduto de marcas que conseguem me deixar com essa sensação de “aff, sai de baixo que vou querer ter essa estampa pra sempre na minha vida”. Pode parecer bobo, mas é assim mesmo que eu me sinto desde aquele desfile de verão 2010, quando surgiram essas estampas aqui e eu fiquei ainda mais hipnotizada pela marca.

Agora, no verão 2014, as estampas voltaram. De uma maneira bem diferente sim, mas tão lindas quanto as da outra coleção e agora inspirada em papeis de parede! Junto com elas, toda uma referência aos anos 60 que vem refletida no formato das peças, nas meias 5/8, no ar retrô e até nos sapatinhos estilo Mary Jane. Os casacões de tamanho giga são sempre meu preferidos e nessa coleção tão especialmente lady like e elegantes.

Um beijo, Miu Miu, que cê é muito linda mesmo!

Ps: como já tinha falado no primeiro post de Paris, não é que eu esqueci do desfile do Rick Owens não! Acontece que ele é tão importante pra esse momento que estamos atravessando, não apenas na moda, mas também na área de beleza, onde parece que cava vez mais esse lance de estereótipos e “padrões” tá sendo jogado (e aceito!) pela mídia, pelas pessoas, pela sociedade em geral, que vale muito a pena fazer um post só pra ele, pra gente poder refletir juntos sobre seu significado. Ok? Até o final da semana tento postá-lo por aqui…

E ah, espero que vocês tenham gostado desses meus pitacos sobre as semanas de moda internacionais! Pra quem não viu, seguem abaixo os links de todos os posts.

Nova York Fashion Week verão 2014

Mais da NYFW verão 2014

London Fashion Week verão 2014

Milão Fashion Week verão 2014

Paris Fashion Week verão 2014 #1

Deixem suas impressões sobre os desfiles nos comentários!

Bisous, bisous

Paris Fashion Week verão 2014 #1

Eu realmente queria subir todos os queridinhos de Paris em um só post, assim como fiz com os de Milão. Acontece, no entanto, que afora esses daqui de baixo tem mais cinco desfiles ainda que eu quero falar, OU SEJA, o post ia ficar do tamanho do Maracanã. E como eu acho que o desfile do Rick Owens foi a grande apresentação dessa temporada (e quando falar dele aqui quero explicar muito bem porquê eu penso assim) acho super válido que ele mereça um espaço especial. Então, como prefiro fazer as coisas mais demoradas, porém mais caprichadas haha, hoje sobe essa parte 1 de Paris e até o final da semana subo a parte 2, deixando Rick Owens pra ser falado na semana que vem. Assim também eu não entupo o blog de posts sobre desfiles e dá pra eu dar meus pitacos sobre outras várias coisas que ando com vontade de postar.

Mas chega de falação e bora começar a rever o que de mais legal rolou em Paris!

Balenciaga

Balenciaga - verão 2014Nesse verão 2014 da Balenciaga, diferente do que tinha acontecido na temporada passada, Alexander Wang não fez seu desfile de portas fechadas, e acho que principalmente por causa disso havia um clima de estreia no ar. Durante toda a apresentação, aliás, dava pra ver uma mistura bem bonita entre a imagem de mulher elegante da Balenciaga com a influência jovem e toda streetwear trazida por Alexander.

O que eu mais amo nessa coleção são os recortes nada tradicionais que são usados nos vestidos, como o desse terceiro look, onde a peça toda é estruturada e dá a impressão de um origami. Eu sou apaixonada por esses traços orientais em roupas e acho que o Alexander Wang é um mestre na arte de usar esses traços, mas ao mesmo tempo deixar a roupa bem esportiva.

Dior

Dior - verão 2014A coleção apresentada pela Dior já começou fazendo sucesso pelo local onde foi feito o desfile: o Museu Rodin, em Paris. Só que se já não bastasse um lugar tão lindo e imponente pra essa apresentação, Raf Simons resolveu ainda contar a história de sua coleção em todos os detalhes do local, criando uma das cenografias mais inspiradoras dessa temporada. Em um jardim suspenso na passarela, a infinidade de cores, flores e plantas era surreal. Nesse vídeo aqui dá pra ver o making of da construção da cenografia e no post da Consuelo Blocker dá pra ver tudo ainda em mais detalhes. Uma coisa assim, de fazer a gente suspirar mesmo.

Mas a beleza da Dior não tava só na cenografia não. A coleção apresentada em Paris brincou o tempo inteiro com o conceito de dualidade de uma maneira linda. “Aqui, o real e o artificial são postos em perspectiva, o alegre e o sinistro, o natural e o que foi fabricado pela mão do homem.” (conceito da inspiração que tá no próprio site da Dior) Esse jogo de opostos começou pela própria ambientação, com as flores naturais e as flores sintéticas, passou pelos materiais e efeitos empregados nas roupas, que foram do tricô até o plissado, e chegou nas cores das peças, com o colorido do começo do desfile e o preto do encerramento. Nem as silhuetas ficaram de fora: em alguns momentos o aspecto mais sequinho dominava, com peças bem longilíneas, enquanto em outros uma silhueta estilo ampulheta dava volume ao quadril das modelos.

Lindo, lindo.

Yohji Yamamoto

Yohji Yamamoto verão 2014Sou absurdamente apaixonada por história da moda. Absurdamente. E talvez uma das suas fases que mais me encante é a do início dos anos 80, quando o japonismo criou uma revolução na moda ocidental e trouxe um “novo pensar em se fazer moda” as passarelas, através de nomes como Yohji Yamamoto, Rei Kawakubo e Issey Miyake. Yohji é até hoje altamente carregado dessas influências, tanto que seu verão 2014 veio repleto de características do movimento: camadas, desconstruções, silhuetas brincando com diferentes formas geométricas, recortes e toda aquela arquitetura que só o japonismo consegue empregar nas peças. E, de quebra, ainda tem esses tons fluo tão incomuns na passarela e tão visualmente ricos. <3

Givenchy

Givenchy verão 2014O encontro que a Givenchy resolveu proporcionar na passarela não poderia ser mais ousado e mais incrível: influências africanas e japonesas em uma só coleção. E claro que não é uma coleção fácil e tem aquele pé ali no conceitual, mas, ao mesmo tempo é altamente chique e usa e abusa de brilhos pra criar uma imagem forte. Aliás, tá pra acontecer um desfile em que Riccardo Tisci não crie alguma imagem que choque, que deixe todo mundo comentando depois sobre o que aconteceu ali em cima da passarela.

Nesse seu verão aqui, a Givenchy explorou ao máximo o uso de drapeados e havia um pouco de desconstrução em todas as peças. Além disso, uma das coisas mais incríveis de se notar dessa coleção é que a impressão que essas mulheres queriam causar era a de força, de pertencimento a um clã, mas, como em todo desfile da Givenchy, ainda que a imagem de cara seja uma, a sensualidade sempre aparece também, ainda que de forma mais mascarada.

Afora tudo isso, o que principalmente me fez escolher esse desfile pra postar aqui entre os queridinhos de Paris foi a beleza dessa coleção. Eu sei que a maioria das pessoas não é muito ligada em belezas assim, totalmente de passarela, que não dão pra botar em prática no dia a dia. Mas, olha, eu amo as duas. Amo quando algo realmente me inspira no dia a dia e me faz tentar algo novo, mas amo também quando tem essas belezas loucas, total drama, que me lembram que no fundo tudo ali conta uma história.

Essa beleza de verão 2014 foi criada pela musa da beleza Pat McGrath e formava uma máscara de cristais ao longo de todo o rosto da modelo. Clica e vê mais de pertinho que escândalo de incrível que tava isso.

Créditos das fotos: FFW/ImaxTREE

Ps: Se clicar nas imagens, elas abrem maiores em uma janelinha aqui dentro do blog mesmo!

Bisous, bisous