Um dia na 40ª edição do SPFW

Assim como fiz em quase todas as últimas edições do SPFW, na semana retrasada dei um pulinho no último dia do evento – que é sempre numa sexta-feira, o que me permite conciliar com mais facilidade a ausência no trabalho e também emendar o fim de semana em São Paulo – e fui rever alguns amigos queridos, conferir o clima dos corredores e, é claro, assistir alguns desfiles da temporada de moda paulistana.

E, sim, nessa edição, tava mais animada do que de costume pra ir ao SPFW. Primeiro porque o evento voltou pra Bienal do Ibirapuera (as últimas edições foram todas no Parque Villa-Lobo), um lugar que eu, particularmente, considero a verdadeira casa do SPFW e que parece acolher muito mais a galera. E em segundo, porque exatamente no dia que eu ia pra Bienal, ia rolar a estreia de uma nova marca no line-up, a Ratier, e a possibilidade de acompanhar esse primeiro momento de uma grife tão jovem (a Ratier foi lançada em 2014!) me deixou muito ansiosa.

Foto de um dos corredores da temporada, onde vários looks e imagens que marcaram esses 20 anos de evento estavam expostos. Repararam na imagem ali em cima do desfile A Costura do Invisível do Jum Nakao? É um dos meus preferidos da vida <3

Há que se dizer logo de início que ainda que o SPFW tenha voltado pra Bienal, muita coisa mudou na edição desse ano em relação a todas as outras edições que aconteceram por lá. Os motivos podem ser muitos, mas eu acredito que, além do fato da semana de moda de São Paulo estar comemorando 20 anos, e consequentemente a edição querer fazer diferente dessa vez, o espaço da Bienal foi pensado de uma maneira muito mais minimalista pra ser “menos gastadeira”. Isso porque os corredores foram muito mais reduzidos do que nas outras edições, o que não apenas concentrou as pessoas quase todas em um mesmo andar, como diminui muito o espaço para ser decorado (a crise chega pra todo mundo, né?).

Assim, enquanto o público em geral ficava pelo segundo andar da Bienal, aproveitando os food trucks, os lounges e as exposições dos 20 anos, o terceiro andar se dividia entre a sala de imprensa e uma grande sala de desfile, que abrigou três apresentações ao longo da semana: Animale, Ellus e Reinaldo Lourenço.

O clima dos corredores tava muito relax, e pelo que conversei com alguns amigos que trabalharam a semana toda por lá, essa edição foi muito mais tranquila do que as últimas. Não teve Gisele (o que já faz uma diferença absurda), não tiveram tantos famosos e, ao que parece, dessa vez a temporada tava mais lotada de profissionais do que público em geral.

Pedacinho do desfile da Ratier, meu preferido do dia.

Essa edição tiveram várias ações super legais acontecendo junto com os desfiles: o lançamento do novo guaraná da Schweppes, que manteve geladeiras abastecidas com o produto totalmente de graça pro pessoal que transitava pelos corredores (obrigada de coração!); o espaço da TNT com tatuadores trabalhando full time – uma amiga me disse que na quarta, todos os horários até a sexta-feira já estavam agendados!; a Magnum distribuindo picolés de graça (outro obrigado de coração!) e vários outras ações que envolviam postagem de fotos no Instagram e que tinham filas gigantescas o dia todo. Assim, o dia todo mesmo.

E um detalhe meio bobinho, mas que achei muito bonito nessa temporada: as salas de desfiles recereberem nomes, como Copan, Casa das Canoas e Espaço Niemeyer.

Wagner Kallieno e seu inverno 2016

Wagner Kallieno e seu inverno 2016

Nas exposições desse ano, além de uma parede incrível de chapéus, casquetes e fascinators projetada pelo designer e stylist Davi Ramos e que a gente já dava de cara logo que chegava na Bienal, foram também exibidos vários looks importantes da história do SPFW (inclusive os que estiveram aqui no FFW Fashion Tour!), além de imagens de vários momentos marcantes do evento e um telão giga onde desfiles memoráveis ficavam passando a todo momento.

Primeiro desfile da Colcci sem Gisele

E, claro, tiveram os desfiles também.

Sexta-feira o line-up do SPFW tava bem extenso, com duas marcas fazendo suas apresentações de manhã em desfiles externos, Giuliana Romanno e Patricia Viera, e mais quatro marcas fazendo suas apresentações à tarde, na Bienal: Wagner Kallieno, Ratier, Colcci e Amapô.

Como eu fui um pouco depois do almoço pra Bienal e assisti todos os desfiles que por lá rolaram, deu pra fazer um balanço bem pessoal das coisas que vi e que mexeram comigo nas apresentações.

Pra começar que foi um prazer abrir o dia com um desfile do Wagner Kallieno. Acho ele um designer que merece demais ser prestigiado, porque além de ser dono de uma moda super autoral, que vai atrás de materiais nacionais que são de uma qualidade gigante e que podem produzir uma moda universal, ele conseguiu mostrar que o que não falta é gente talentosa fora do tão visado eixo Rio-São Paulo-Belo Horizonte.

Depois veio a estreia maravilhosa da Ratier, meu desfile preferido do dia. Eu quero muito fazer um post só sobre a marca, porque fiquei completamente fissurada na proposta deles, mas vale dizer que a Ratier é do Renato Ratier, dono da D-Edge. O trabalho dele é muito focado no urbano e tem uma postura bastante underground (e que inclusive me lembrou Alexandre em começo da carreira) e uma amiga me contou que o conceito por trás da loja, do site e de tudo o que elas fazem e que orbitam em torno da marca, é altamente inspirador <3

O lado trevoso da Amapô

Teve também a Colcci, que fez seu primeiro desfile depois da saída da Gisele (acho que agora é pra valer mesmo haha), mas ainda assim, a apresentação tava completamente lotada, o que faz bastante sentido quando a gente lembra que a marca é uma das mais comerciais do evento.

E pra encerrar essa 40ª edição com um bom drama, veio a Amapô, com um casting e uma coleção super trevosos e performáticos. Tem o vídeo do desfile aqui pra quem quiser ver. Foi mara, foi bem feito, foi corajoso e muito a cara da Pitty e da Carô, designers da marca.

A única coisa chata foi o que aconteceu antes do desfile, quando depois de esperar muito tempo pra entrar na sala, o telão que deveria subir pra dar o start na apresentação, simplesmente travou. Só que é aquilo, né, gente, aparelhos dão problema, falhas acontecem e atrasos são chatos, mas infelizmente existem. Tenho certeza que as estilistas também tavam super chateadas com a situação, então nada justifica as vaias terríveis que rolaram, nada justifica a gritaria das pessoas atrás de mim de que isso era falta de respeito, nada justifica as grosserias que eu vi.  Era pra ter acabado de um jeito lindo, mas faltou educação e bom senso de uma grande parte da galera que foi ver o desfile.

E vocês, acompanharam essa edição? O que acharam? Contem aí nos comentários!

Bisou, bisous

Social Bauru Fashion Show 2015

Em 2013 e em 2014 eu tive a oportunidade de assistir ao Social Bauru Fashion Show, um evento que reúne marcas e lojas locais e nacionais para desfilarem e mostrarem um pouco do seu trabalho aqui em Bauru.

Por isso mesmo é tão legal que agora em 2015, na sua terceira edição, dê pra gente notar como o evento não apenas cresceu estruturalmente – estão aí os dois dia de desfiles que não me deixam mentir, além de todas as mudanças na apresentação e cenografia do espaço – além de ter aumentado seu número de marcas e lojas participantes.

O primeiro dia de desfiles contou a apresentação da Villa Novia, multimarca especializada em vestidos de noiva, Chica Brasil, marca de moda praia daqui de Bauru que é maravilhosa e participou das duas edições anteriores do evento, e Tânia Boutique, meu desfile preferido da noite, cheio de vestidos de festa deslubrantes.

Além disso, ainda tiveram as novas coleções arrasadoras da Carmen Steffens e Provence Lingerie, que deixaram as 400 pessoas que foram assistir aos desfiles, suspirando em alto e bom som.

A segunda noite também foi bastante agitada, com desfiles da Track  & Field, Hope, Canal e Santa Lolla. Além disso, na quinta foi dia da Vogue Casa de Moda se apresentar com vestidos da coleção Patrícia Bonaldi – que eu confesso, me fizeram querer morar dentro de cada um – assim como a Carmelina, minha loja queridinha, que encerrou a noite numa apresentação cheia de música, balões, piquenique, flores e estilo boho.

Pode até soar repetitivo, mas eu preciso dizer que acho importante mesmo que mais eventos assim aconteçam por aqui. Essa é uma forma de inteirar quem é da cidade a respeito da nossa moda local, mostrando marcas e lojas que às vezes não são conhecidas do público, e, claro, também gerar repercussão na região, fortalecendo nossa economia de moda. Porque né, tá mais do que na hora da gente olhar pra dentro e valorizar o que também é daqui.

E pra finalizar, queria que vocês ficassem com essas fotos maravilhosas do fotógrafo Willian Olivato, que mostrou os bastidores e os melhores momentos dessas duas noites de um jeito muito único e belo.

Bisous, bisous

Uma noite de moda em Bauru

Esse foi o segundo ano em que o Social Bauru, mídia online daqui da minha cidade, promoveu uma noite nada convencional para os bauruenses. Através do Social Bauru Fashion Show, evento que reúne lojas e marcas locais, essa é a segunda vez que a plataforma procura divulgar a moda da nossa cidade para as pessoas da nossa cidade.  E isso não é pouco, gente. Aliás, isso é muita coisa!

Conhecer e valorizar a moda e a arte da nossa região é importante não só pra sair fora dos grandes conglomerados de moda e assim pensar fora da caixa, mas importante também pra fazer crescer nosso produto regional. E, consequentemente, fazer com que nossa cidade e região ganhe cada vez mais importância dentro desse mercado.

Vale lembrar também que isso inclui as marcas que estão por todo o Brasil, mas que sempre reservam um olhar super atento pra nossa região. Sinal de que há uma troca e uma identificação entre os dois lados.

Curiosamente, só de olhar para o evento, já deu pra notar como as coisas mudaram nesse segmento do ano passado pra cá: toda a produção do show cresceu muito e o número de pessoas que comparecerem foi muito maior! (Aliás, pra quem perdeu o SBFS do ano passado, tem post aqui no blog contando sobre tudo que aconteceu.)

Esse ano, entre as marcas e lojas participantes estavam a Hope, marca giga de lingeries; a Chica Brasil, marca de moda praia e moda casual que sempre arrasa nas estampas e em peças mega confortáveis (a Chica tem lojas em Bauru, Ribeirão Preto, Londrina e Uberlândia!); a Universo Fitness, marca voltada para o mundo fitness e beach e que trouxe a blogueira Marina Iris, do By Marina, para a passarela (a marca tem lojas em Bauru e Botucatu); Carmen Steffens, super marca de calçados, roupas e acessórios femininos, com mais de 300 lojas espalhadas em 18 países; a Canal, marca feminina que eu não conhecia (shame on me) e fiquei verdadeiramente apaixonada (eles têm 26 anos de história [como eu não conhecia, gente?!] e 23 lojas espalhadas pelo Brasil); e , finalmente, a Carmelina, loja queridinha de tudo daqui da cidade.

Desfile da Carmen Steffens

Desfile da Carmen Steffens

Desfile da Carmen Steffens

Fila final do desfile da Carmen Steffens

Fila final do desfile da Carmen Steffens

Desfile da Canal

Desfile da Canal

Desfile da Canal

Desfile da Canal

Desfile da Hope

Desfile da Hope

Desfile da Universo Fitness

Desfile da Universo Fitness com Marina Iris, do Blog By Marina, na passarela

Desfile da Carmelina

Desfile da Carmelina

Detalhes da decoração do evento

Detalhes da decoração do evento

Detalhes da decoração do evento

Detalhes da decoração do evento

Como disse o Vinícius na abertura dos desfiles, quem sabe ano que vem a gente já não consegue aumentar o tamanho dessa apresentação e fazer uma semana de moda aqui em Bauru? Dedos cruzados e muito investimento na moda local que a gente chega lá!

Bisous, bisous

Semana de Moda de Milão verão 2015

Para ver os highlights da Semana de Moda de Nova York é só clicar aqui e os da Semana de Moda de Londres, aqui.

Já vi gente lançando a pergunta aí pela internet e reforço aqui o coro: os anos 70 estão mesmo voltando pras ruas? Pelo que a gente viu dessa temporada, deu pra perceber que se depender da moda das passarelas e do que as brands apostam como a nova década pra se repaginar (tchau anos 90), a era disco, o estilo boho e todo o clima de paz e amor – agora bem mais moderninho – vão sim dominar as ruas. A Gucci, por exemplo, traz uma mistura de tudo isso de um jeito bem moderno e chic, apostando em estampas étnicas e chinesas, jeans (muito jeans!) e um toque de militarismo que deixa alguns dos looks um pouco mais formais e utilitários. O vestido chemise ou vestido-camisa, (como vocês preferirem chamar) é minha grande paixão dessa coleção.

Só por esse primeiro look já dá pra gente pegar um pouco desse espírito “Art Déco” que invadiu a passarela da Dsquared2. Os geometrismos e cubismos permeiam toda a coleção e me peguei várias vezes lembrando daqueles vitrais de igrejas todos coloridos e iluminados. O mais legal é que essas ideias de linhas e abstrações não ficam apenas nas estampas e nessas mil cores que se formam na coleção, mas nos próprios designs e shapes que capa peça ganha: tudo vai formando linhas e imagens geométricas, especialmente os top croppeds, as jaquetas trucker e as sandálias gladiadoras.

O verão da Prada (um beijo Miuccia, te acho incrível!) não parece ser assim de temperaturas muito altas. Os looks são todos fechadinhos, pesados, quase austeros e a gente só fica com um pouquinho de pele à mostra nos joelhos, divididos entre as saias, ora lady likes, ora retilíneas, e os pés. Aliás, repararam nas meias ¾? Taí uma peça tão desprezada no nosso dia a dia que eu acho linda.

O mais legal pra mim dessa coleção é que olhando no todo ela não parece ter tanta informação, mas quando você olha cada look separado é como se mil coisas pulassem e acontecessem ao mesmo tempo. Algumas peças lembram costuras de vários retalhos (o tal famoso patchwork) e outras apresentam mil sobreposições que brincam com as silhuetas do look.

É, com certeza, o do it yourself mais incrível de todos os tempos.

Ps: esse é um daqueles desfiles que tem que assistir pra catar um pouco do espírito da coleção – e delirar com o cenário e pirar com a trilha sonora.

Sai o McDonald’s, entra o mundo da Barbie!

Eu fiquei apaixonada por essa coleção do Jeremy Scott! Assim, apaixonada. Amo como esse cara sabe “rir” da moda, sabe brincar com o desejo das pessoas, sabe imprimir tão fortemente a marca dele (tem o nome da Moschino pulando nos cintos, roupas, mochilas, em tudo!) de um jeito muito esperto, que com certeza vai virar hit e vender horrores – não só as roupas, mas principalmente os acessórios.

A Barbie aparece aí, em peso, em todo os detalhes e em todos os looks: tem ela na hora das compras, tem a Barbie fitness, tem a patinadora (quando assisti o vídeo do desfile, achei que a modelo não fosse conseguir frear o patins, tadinha), a fashionista, a “vamos para a praia” e, claro, a Barbie festa de gala.

Uma coisa muito interessante que eu li na Vogue, e que pra mim resume bem essa sacadas geniais que o Jeremy tem, é que algumas multimarcas como Net-a-Porter, Farfetch, Nordstrom e Opening Ceremony compraram a coleção da Moschino sem saber o que seria desfilado em Milão. Ou seja, confiando cegamente na força da marca e no poder de sedução do estilista. Incrível, né?

Enquanto a coleção da Versace pra Riachuelo não desembarca logo nas lojas, o desfile da marca lá em Milão traz um clima bem disco, cheio de brilhos, cores fluos e listras nas mais variadas direções brincando nos looks. E tudo com aquela pitadinha de sexy e provocativo que a Versace tem, ainda que aqui seja em uma escala bem menor do que o normal.

No meio de tudo isso, o mood esportivo somado a essas cores, só me fizeram lembrar de uma coisa: David Bowie. Fui a única?

A mistura de tecidos, estampas e shapes da Giorgio Armani pode até ter suas principais inspirações no mar e na areia, mas pra mim fica impossível não associar esses tecidos fluidos, – e essas combinações de “vestidos + calças” – com as histórias do livro mil e uma noites e daquela ideia romantizada que criamos da odalisca.  O último look desfilado, inclusive, é inteiro feito de tule e brilhos (até na peruca!) e fecha com chave de ouro essa coleção, mostrando uma “imagem divina” de mulher.

É, acho que Emilio Pucci levou a ideia da volta dos anos 70 ainda mais a sério do que a maioria dos estilistas e suas coleções dessa temporada. Tudo aqui respira a alma setentinha, o clima de paz e amor e o espírito hippie. Estampas tie-dye, bordados florais, blusas de crochê, batas, macramé e rendas aparecem aos montes, sempre em cores vibrantes, e os vestidos parecem flutuar pela passarela, criando movimentos lindos. Com certeza, uma das coleções mais literais sobre a década, com um trabalho apuradíssimo de handmade e técnicas artesanais que valorizam ainda mais cada uma das peças.

Os quimonos já se mostram ser o novo grande hit da temporada, e aqui na coleção da Dolce & Gabbana aparecem enormes, combinados a ponchos e franjas mil. O vermelho e o amarelo (que aqui ganha um toque de dourado em pedras e bordados deslumbrantes), cores da Espanha, ditam o tom da coleção, e a imagem do Sagrado Coração aparece em vários dos looks.

Vale muito a pena assistir o vídeo do desfile e ver o final da apresentação, quando 65 modelos, todas usando o mesmo look no estilo clássico de toureiro, adentraram a passarela juntas. Fica aquele gostinho de coleção bela e marcante, extremamente sedutora e com uma riqueza de detalhes não só aparente, mas também nas inspirações e estudos que resultaram na sua apresentação final.

Imagens: FFW

Bisous, bisous

Semana de moda de Londres verão 2015

Para ver os highlights da Semana de Moda de Nova York é só clicar aqui.

O desfile da Orla Kiely de verão 2015, assim como todas as coleções e desfiles que a sua designer se propõe a fazer, traz, além das roupas, uma performance que brinca com a plateia, que faz os admiradores, consumidores e todo mundo que para pra assistir ao seu desfile, embarcar de fato naquele universo.

Nessa apresentação tudo girava em torno da primavera, tanto que ao subirem no palco as modelos levavam flores nas mãos e, simbolicamente, as plantavam, cada uma, em um dos vasinhos do cenário. Além disso, as referências pra essa coleção cheia de charme sessentinha, vestidos trapézios mega confortáveis, listras e prints primaveris ainda tinha mais três grandes focos: os filmes “Le Bonheur” de Agnes Varda e “Daisies” de Vera Chytilova, e o mood 60 de Twiggy. E por falar nela, vale suspirar não só com as roupas em sua homenagem, mas também com a beleza do desfile, que trouxe a marca registrada da modelo: os longos cílios de boneca carregados de delineador na parte de baixo e com efeito propositalmente borrados.

Em resumo: um jardim de fofuras da primeira à última roupa <3

Foram os jardins ingleses Kew e Sissinghurst Castle as grandes referências para os prints de plantas e flores que apareceram no desfile da Mulberry. Eles vão aparecendo aos poucos na coleção, primeiro misturados a shapes mais sérios, com uma pegada militar, e depois junto com os tecidos vazados e o couro. Daí vira festa. São plantas mil que vão surgindo pelos vestidos e que deixam de lado os tradicionais tons de verde para apostar na força do azul.

Ainda nessa leva de referência botânicas, lá vem as plataformas com seus saltos belíssimos de madeira, que casam tão bem com as silhuetas rígidas e sérias da coleção. O casamento entre roupa e sapato é tão bonito que, até aquelas como eu que não são das mais fãs de plataforma, acabam não resistindo a essa combinação.

Eu acho que não existe forma mais inspiradora e mais “educativa” haha, digamos assim, de entender como moda é muito mais sobre ser, sobre se sentir bem, sobre não estar interessada em ser alguém para os outros, mas sim ser alguém para você mesma, do que ver um desfile do Paul Smith.

Aqui saem os brilhos e saem as exuberâncias, mas, em compensação, sobram bons tecidos e cortes impecáveis. Sobram silhuetas incríveis. Sobram peças utilitárias e que botam em dúvida o conceito de que minimalismo e opulência estão em lugares opostos. Pra mim esse desfile aqui traduz tudo aquilo que o designer sabe fazer de melhor: mostrar que a beleza – seja da moda, seja da vida, seja das mulheres que veste – não precisa de muito pra acontecer. É na essência das coisas, em um bom tecido ou em pequenos momentos, que ela se encontra.

Muito tule, muita transparência e muita cor. Apesar de essas serem as primeiras coisas que pulam aos nossos olhos no desfile da Burberry, quando a gente pega pra pesquisar e ler mais sobre as inspirações de Christopher Bailey pra essa temporada, fica claro que tem muito mais coisa por trás desse desfile. Pra começar essa ideia maluca de se inspirar em capas de livros para o design da coleção. Sinceridade? Achei das inspirações mais bonitas que já vi, afinal, tem como mais linda, mais provocadora, mais misteriosa do que uma capa de livro? E pra completar, Bailey ainda aposta em borboletas e abelhas para estamparem os looks – o que explica o nome dado a essa coleção de “The Birds and The Bees”.

Agora, pra mim o ponto alto mesmo da apresentação é a ideia de trazer o grande símbolo da Burberry, o trench-coat, de uma maneira bem peculiar: uma invasão de jaquetas jeans, que ora aparecem fechadas, ora abertas, ora com pelos, ora com franjas, mas que sempre nos fazem lembrar do grande ícone da grife.

E como não podia faltar uma boa dose de tecnologia, a Burberry ainda disponibilizou um serviço pelo Twitter, no in-tweet, que permitia a qualquer um com uma conta na rede social comprar os novos esmaltes mostrados na apresentação assim que a modelo que o usava cruzava a passarela.

Vocês hão de concordar comigo que o conceito de fast-fashion nunca foi tão preciso…

Foi remexendo em gavetas quase esquecidas que Christopher Kane encontrou fotos antigas de sua vida, muito antes do designer ser esse profissional de sucesso de hoje em dia. Nas fotos, lembranças da época em que Kane desenhava para poucos verem, tendo sua irmã Tammy como “modelo” dos vestidos que fazia, e lembranças também de uma de suas grandes inspirações profissionais e pessoais: sua professora Louise Wilson, da Central Saint Martin.

Foi com essas memórias em mente, da época em que Kane não se via preso a vínculos comerciais nem a ditames de mercado, que o estilista soube que tinha em mãos algo muito maior do que simples lembranças: ele tinha em mãos o tema da sua nova coleção. Para colocá-la em prática era preciso então resgatar os sonhos de antigamente, os vestidos que deram origem a tudo (e que saíram finalmente do papel e invadiram a passarela), as pessoas que lhe ajudaram quando tudo ainda era apenas o começo.

Como ponto mais bonito da coleção, destacaria a homenagem que Kane fez a sua professora, e que é igual aquela vontade que a gente tem de mostrar que “chegamos lá” para aquele professor mais marcante da nossa vida, aquele que acreditou na gente desde o primeiro minuto. É, portanto, mais do que uma homenagem. É uma forma de tentar orgulhar aquele que nos inspirou a chegar lá. Coisa que a professora Louise sentiu, onde quer que ela esteja, depois de ver as lindas referências ao universo navy. – nada literais com o uso de cordas – os plissados, as transparências aparecendo em pontos  estratégicos e até mesmo o design nada convencional dos vestidos de Kane.

Sabe uma coleção que parece pegar um tema e gritar ele em cada peça de roupa, em cada detalhe, em cada brilho, em cada transparência? Pra mim essa é a coleção do Tom Ford. Aqui a imagem da mulher meio punk, que usa o preto no verão sem medo e que tem esse estilo que pode parecer decadente e mal calculado, mas que na real é muito bem pensado e extremamente sexy, parece gritar em cada mínimo detalhe.

O estilista consegue juntar todo esse espírito rocker a coisas, em teoria, delicadas, e o resultado é uma mistura de mulheres fotografadas por Helmut Newton com Joan Jett gritando no palco a plenos pulmões. Dá vontade de embarcar nessa volta aos anos 90, de embarcar nesse show de rock disfarçado de desfile e de ter a experiência de viver um pouquinho nesse universo.

Ah, vale destacar ainda a beleza dessa coleção, que trouxe um cabelo maravilhosamente rebelde e que trouxe a maquiagem carregada, exagerada, podrinha, maravilhosa, sexy, ai, a maquiagem que mais amei de Londres.

Bisous, bisous