Social Bauru Fashion Show 2015

Em 2013 e em 2014 eu tive a oportunidade de assistir ao Social Bauru Fashion Show, um evento que reúne marcas e lojas locais e nacionais para desfilarem e mostrarem um pouco do seu trabalho aqui em Bauru.

Por isso mesmo é tão legal que agora em 2015, na sua terceira edição, dê pra gente notar como o evento não apenas cresceu estruturalmente – estão aí os dois dia de desfiles que não me deixam mentir, além de todas as mudanças na apresentação e cenografia do espaço – além de ter aumentado seu número de marcas e lojas participantes.

O primeiro dia de desfiles contou a apresentação da Villa Novia, multimarca especializada em vestidos de noiva, Chica Brasil, marca de moda praia daqui de Bauru que é maravilhosa e participou das duas edições anteriores do evento, e Tânia Boutique, meu desfile preferido da noite, cheio de vestidos de festa deslubrantes.

Além disso, ainda tiveram as novas coleções arrasadoras da Carmen Steffens e Provence Lingerie, que deixaram as 400 pessoas que foram assistir aos desfiles, suspirando em alto e bom som.

A segunda noite também foi bastante agitada, com desfiles da Track  & Field, Hope, Canal e Santa Lolla. Além disso, na quinta foi dia da Vogue Casa de Moda se apresentar com vestidos da coleção Patrícia Bonaldi – que eu confesso, me fizeram querer morar dentro de cada um – assim como a Carmelina, minha loja queridinha, que encerrou a noite numa apresentação cheia de música, balões, piquenique, flores e estilo boho.

Pode até soar repetitivo, mas eu preciso dizer que acho importante mesmo que mais eventos assim aconteçam por aqui. Essa é uma forma de inteirar quem é da cidade a respeito da nossa moda local, mostrando marcas e lojas que às vezes não são conhecidas do público, e, claro, também gerar repercussão na região, fortalecendo nossa economia de moda. Porque né, tá mais do que na hora da gente olhar pra dentro e valorizar o que também é daqui.

E pra finalizar, queria que vocês ficassem com essas fotos maravilhosas do fotógrafo Willian Olivato, que mostrou os bastidores e os melhores momentos dessas duas noites de um jeito muito único e belo.

Bisous, bisous

Uma noite de moda em Bauru

Esse foi o segundo ano em que o Social Bauru, mídia online daqui da minha cidade, promoveu uma noite nada convencional para os bauruenses. Através do Social Bauru Fashion Show, evento que reúne lojas e marcas locais, essa é a segunda vez que a plataforma procura divulgar a moda da nossa cidade para as pessoas da nossa cidade.  E isso não é pouco, gente. Aliás, isso é muita coisa!

Conhecer e valorizar a moda e a arte da nossa região é importante não só pra sair fora dos grandes conglomerados de moda e assim pensar fora da caixa, mas importante também pra fazer crescer nosso produto regional. E, consequentemente, fazer com que nossa cidade e região ganhe cada vez mais importância dentro desse mercado.

Vale lembrar também que isso inclui as marcas que estão por todo o Brasil, mas que sempre reservam um olhar super atento pra nossa região. Sinal de que há uma troca e uma identificação entre os dois lados.

Curiosamente, só de olhar para o evento, já deu pra notar como as coisas mudaram nesse segmento do ano passado pra cá: toda a produção do show cresceu muito e o número de pessoas que comparecerem foi muito maior! (Aliás, pra quem perdeu o SBFS do ano passado, tem post aqui no blog contando sobre tudo que aconteceu.)

Esse ano, entre as marcas e lojas participantes estavam a Hope, marca giga de lingeries; a Chica Brasil, marca de moda praia e moda casual que sempre arrasa nas estampas e em peças mega confortáveis (a Chica tem lojas em Bauru, Ribeirão Preto, Londrina e Uberlândia!); a Universo Fitness, marca voltada para o mundo fitness e beach e que trouxe a blogueira Marina Iris, do By Marina, para a passarela (a marca tem lojas em Bauru e Botucatu); Carmen Steffens, super marca de calçados, roupas e acessórios femininos, com mais de 300 lojas espalhadas em 18 países; a Canal, marca feminina que eu não conhecia (shame on me) e fiquei verdadeiramente apaixonada (eles têm 26 anos de história [como eu não conhecia, gente?!] e 23 lojas espalhadas pelo Brasil); e , finalmente, a Carmelina, loja queridinha de tudo daqui da cidade.

Desfile da Carmen Steffens

Desfile da Carmen Steffens

Desfile da Carmen Steffens

Fila final do desfile da Carmen Steffens

Fila final do desfile da Carmen Steffens

Desfile da Canal

Desfile da Canal

Desfile da Canal

Desfile da Canal

Desfile da Hope

Desfile da Hope

Desfile da Universo Fitness

Desfile da Universo Fitness com Marina Iris, do Blog By Marina, na passarela

Desfile da Carmelina

Desfile da Carmelina

Detalhes da decoração do evento

Detalhes da decoração do evento

Detalhes da decoração do evento

Detalhes da decoração do evento

Como disse o Vinícius na abertura dos desfiles, quem sabe ano que vem a gente já não consegue aumentar o tamanho dessa apresentação e fazer uma semana de moda aqui em Bauru? Dedos cruzados e muito investimento na moda local que a gente chega lá!

Bisous, bisous

Semana de Moda de Milão verão 2015

Para ver os highlights da Semana de Moda de Nova York é só clicar aqui e os da Semana de Moda de Londres, aqui.

Já vi gente lançando a pergunta aí pela internet e reforço aqui o coro: os anos 70 estão mesmo voltando pras ruas? Pelo que a gente viu dessa temporada, deu pra perceber que se depender da moda das passarelas e do que as brands apostam como a nova década pra se repaginar (tchau anos 90), a era disco, o estilo boho e todo o clima de paz e amor – agora bem mais moderninho – vão sim dominar as ruas. A Gucci, por exemplo, traz uma mistura de tudo isso de um jeito bem moderno e chic, apostando em estampas étnicas e chinesas, jeans (muito jeans!) e um toque de militarismo que deixa alguns dos looks um pouco mais formais e utilitários. O vestido chemise ou vestido-camisa, (como vocês preferirem chamar) é minha grande paixão dessa coleção.

Só por esse primeiro look já dá pra gente pegar um pouco desse espírito “Art Déco” que invadiu a passarela da Dsquared2. Os geometrismos e cubismos permeiam toda a coleção e me peguei várias vezes lembrando daqueles vitrais de igrejas todos coloridos e iluminados. O mais legal é que essas ideias de linhas e abstrações não ficam apenas nas estampas e nessas mil cores que se formam na coleção, mas nos próprios designs e shapes que capa peça ganha: tudo vai formando linhas e imagens geométricas, especialmente os top croppeds, as jaquetas trucker e as sandálias gladiadoras.

O verão da Prada (um beijo Miuccia, te acho incrível!) não parece ser assim de temperaturas muito altas. Os looks são todos fechadinhos, pesados, quase austeros e a gente só fica com um pouquinho de pele à mostra nos joelhos, divididos entre as saias, ora lady likes, ora retilíneas, e os pés. Aliás, repararam nas meias ¾? Taí uma peça tão desprezada no nosso dia a dia que eu acho linda.

O mais legal pra mim dessa coleção é que olhando no todo ela não parece ter tanta informação, mas quando você olha cada look separado é como se mil coisas pulassem e acontecessem ao mesmo tempo. Algumas peças lembram costuras de vários retalhos (o tal famoso patchwork) e outras apresentam mil sobreposições que brincam com as silhuetas do look.

É, com certeza, o do it yourself mais incrível de todos os tempos.

Ps: esse é um daqueles desfiles que tem que assistir pra catar um pouco do espírito da coleção – e delirar com o cenário e pirar com a trilha sonora.

Sai o McDonald’s, entra o mundo da Barbie!

Eu fiquei apaixonada por essa coleção do Jeremy Scott! Assim, apaixonada. Amo como esse cara sabe “rir” da moda, sabe brincar com o desejo das pessoas, sabe imprimir tão fortemente a marca dele (tem o nome da Moschino pulando nos cintos, roupas, mochilas, em tudo!) de um jeito muito esperto, que com certeza vai virar hit e vender horrores – não só as roupas, mas principalmente os acessórios.

A Barbie aparece aí, em peso, em todo os detalhes e em todos os looks: tem ela na hora das compras, tem a Barbie fitness, tem a patinadora (quando assisti o vídeo do desfile, achei que a modelo não fosse conseguir frear o patins, tadinha), a fashionista, a “vamos para a praia” e, claro, a Barbie festa de gala.

Uma coisa muito interessante que eu li na Vogue, e que pra mim resume bem essa sacadas geniais que o Jeremy tem, é que algumas multimarcas como Net-a-Porter, Farfetch, Nordstrom e Opening Ceremony compraram a coleção da Moschino sem saber o que seria desfilado em Milão. Ou seja, confiando cegamente na força da marca e no poder de sedução do estilista. Incrível, né?

Enquanto a coleção da Versace pra Riachuelo não desembarca logo nas lojas, o desfile da marca lá em Milão traz um clima bem disco, cheio de brilhos, cores fluos e listras nas mais variadas direções brincando nos looks. E tudo com aquela pitadinha de sexy e provocativo que a Versace tem, ainda que aqui seja em uma escala bem menor do que o normal.

No meio de tudo isso, o mood esportivo somado a essas cores, só me fizeram lembrar de uma coisa: David Bowie. Fui a única?

A mistura de tecidos, estampas e shapes da Giorgio Armani pode até ter suas principais inspirações no mar e na areia, mas pra mim fica impossível não associar esses tecidos fluidos, – e essas combinações de “vestidos + calças” – com as histórias do livro mil e uma noites e daquela ideia romantizada que criamos da odalisca.  O último look desfilado, inclusive, é inteiro feito de tule e brilhos (até na peruca!) e fecha com chave de ouro essa coleção, mostrando uma “imagem divina” de mulher.

É, acho que Emilio Pucci levou a ideia da volta dos anos 70 ainda mais a sério do que a maioria dos estilistas e suas coleções dessa temporada. Tudo aqui respira a alma setentinha, o clima de paz e amor e o espírito hippie. Estampas tie-dye, bordados florais, blusas de crochê, batas, macramé e rendas aparecem aos montes, sempre em cores vibrantes, e os vestidos parecem flutuar pela passarela, criando movimentos lindos. Com certeza, uma das coleções mais literais sobre a década, com um trabalho apuradíssimo de handmade e técnicas artesanais que valorizam ainda mais cada uma das peças.

Os quimonos já se mostram ser o novo grande hit da temporada, e aqui na coleção da Dolce & Gabbana aparecem enormes, combinados a ponchos e franjas mil. O vermelho e o amarelo (que aqui ganha um toque de dourado em pedras e bordados deslumbrantes), cores da Espanha, ditam o tom da coleção, e a imagem do Sagrado Coração aparece em vários dos looks.

Vale muito a pena assistir o vídeo do desfile e ver o final da apresentação, quando 65 modelos, todas usando o mesmo look no estilo clássico de toureiro, adentraram a passarela juntas. Fica aquele gostinho de coleção bela e marcante, extremamente sedutora e com uma riqueza de detalhes não só aparente, mas também nas inspirações e estudos que resultaram na sua apresentação final.

Imagens: FFW

Bisous, bisous

Semana de moda de Londres verão 2015

Para ver os highlights da Semana de Moda de Nova York é só clicar aqui.

O desfile da Orla Kiely de verão 2015, assim como todas as coleções e desfiles que a sua designer se propõe a fazer, traz, além das roupas, uma performance que brinca com a plateia, que faz os admiradores, consumidores e todo mundo que para pra assistir ao seu desfile, embarcar de fato naquele universo.

Nessa apresentação tudo girava em torno da primavera, tanto que ao subirem no palco as modelos levavam flores nas mãos e, simbolicamente, as plantavam, cada uma, em um dos vasinhos do cenário. Além disso, as referências pra essa coleção cheia de charme sessentinha, vestidos trapézios mega confortáveis, listras e prints primaveris ainda tinha mais três grandes focos: os filmes “Le Bonheur” de Agnes Varda e “Daisies” de Vera Chytilova, e o mood 60 de Twiggy. E por falar nela, vale suspirar não só com as roupas em sua homenagem, mas também com a beleza do desfile, que trouxe a marca registrada da modelo: os longos cílios de boneca carregados de delineador na parte de baixo e com efeito propositalmente borrados.

Em resumo: um jardim de fofuras da primeira à última roupa <3

Foram os jardins ingleses Kew e Sissinghurst Castle as grandes referências para os prints de plantas e flores que apareceram no desfile da Mulberry. Eles vão aparecendo aos poucos na coleção, primeiro misturados a shapes mais sérios, com uma pegada militar, e depois junto com os tecidos vazados e o couro. Daí vira festa. São plantas mil que vão surgindo pelos vestidos e que deixam de lado os tradicionais tons de verde para apostar na força do azul.

Ainda nessa leva de referência botânicas, lá vem as plataformas com seus saltos belíssimos de madeira, que casam tão bem com as silhuetas rígidas e sérias da coleção. O casamento entre roupa e sapato é tão bonito que, até aquelas como eu que não são das mais fãs de plataforma, acabam não resistindo a essa combinação.

Eu acho que não existe forma mais inspiradora e mais “educativa” haha, digamos assim, de entender como moda é muito mais sobre ser, sobre se sentir bem, sobre não estar interessada em ser alguém para os outros, mas sim ser alguém para você mesma, do que ver um desfile do Paul Smith.

Aqui saem os brilhos e saem as exuberâncias, mas, em compensação, sobram bons tecidos e cortes impecáveis. Sobram silhuetas incríveis. Sobram peças utilitárias e que botam em dúvida o conceito de que minimalismo e opulência estão em lugares opostos. Pra mim esse desfile aqui traduz tudo aquilo que o designer sabe fazer de melhor: mostrar que a beleza – seja da moda, seja da vida, seja das mulheres que veste – não precisa de muito pra acontecer. É na essência das coisas, em um bom tecido ou em pequenos momentos, que ela se encontra.

Muito tule, muita transparência e muita cor. Apesar de essas serem as primeiras coisas que pulam aos nossos olhos no desfile da Burberry, quando a gente pega pra pesquisar e ler mais sobre as inspirações de Christopher Bailey pra essa temporada, fica claro que tem muito mais coisa por trás desse desfile. Pra começar essa ideia maluca de se inspirar em capas de livros para o design da coleção. Sinceridade? Achei das inspirações mais bonitas que já vi, afinal, tem como mais linda, mais provocadora, mais misteriosa do que uma capa de livro? E pra completar, Bailey ainda aposta em borboletas e abelhas para estamparem os looks – o que explica o nome dado a essa coleção de “The Birds and The Bees”.

Agora, pra mim o ponto alto mesmo da apresentação é a ideia de trazer o grande símbolo da Burberry, o trench-coat, de uma maneira bem peculiar: uma invasão de jaquetas jeans, que ora aparecem fechadas, ora abertas, ora com pelos, ora com franjas, mas que sempre nos fazem lembrar do grande ícone da grife.

E como não podia faltar uma boa dose de tecnologia, a Burberry ainda disponibilizou um serviço pelo Twitter, no in-tweet, que permitia a qualquer um com uma conta na rede social comprar os novos esmaltes mostrados na apresentação assim que a modelo que o usava cruzava a passarela.

Vocês hão de concordar comigo que o conceito de fast-fashion nunca foi tão preciso…

Foi remexendo em gavetas quase esquecidas que Christopher Kane encontrou fotos antigas de sua vida, muito antes do designer ser esse profissional de sucesso de hoje em dia. Nas fotos, lembranças da época em que Kane desenhava para poucos verem, tendo sua irmã Tammy como “modelo” dos vestidos que fazia, e lembranças também de uma de suas grandes inspirações profissionais e pessoais: sua professora Louise Wilson, da Central Saint Martin.

Foi com essas memórias em mente, da época em que Kane não se via preso a vínculos comerciais nem a ditames de mercado, que o estilista soube que tinha em mãos algo muito maior do que simples lembranças: ele tinha em mãos o tema da sua nova coleção. Para colocá-la em prática era preciso então resgatar os sonhos de antigamente, os vestidos que deram origem a tudo (e que saíram finalmente do papel e invadiram a passarela), as pessoas que lhe ajudaram quando tudo ainda era apenas o começo.

Como ponto mais bonito da coleção, destacaria a homenagem que Kane fez a sua professora, e que é igual aquela vontade que a gente tem de mostrar que “chegamos lá” para aquele professor mais marcante da nossa vida, aquele que acreditou na gente desde o primeiro minuto. É, portanto, mais do que uma homenagem. É uma forma de tentar orgulhar aquele que nos inspirou a chegar lá. Coisa que a professora Louise sentiu, onde quer que ela esteja, depois de ver as lindas referências ao universo navy. – nada literais com o uso de cordas – os plissados, as transparências aparecendo em pontos  estratégicos e até mesmo o design nada convencional dos vestidos de Kane.

Sabe uma coleção que parece pegar um tema e gritar ele em cada peça de roupa, em cada detalhe, em cada brilho, em cada transparência? Pra mim essa é a coleção do Tom Ford. Aqui a imagem da mulher meio punk, que usa o preto no verão sem medo e que tem esse estilo que pode parecer decadente e mal calculado, mas que na real é muito bem pensado e extremamente sexy, parece gritar em cada mínimo detalhe.

O estilista consegue juntar todo esse espírito rocker a coisas, em teoria, delicadas, e o resultado é uma mistura de mulheres fotografadas por Helmut Newton com Joan Jett gritando no palco a plenos pulmões. Dá vontade de embarcar nessa volta aos anos 90, de embarcar nesse show de rock disfarçado de desfile e de ter a experiência de viver um pouquinho nesse universo.

Ah, vale destacar ainda a beleza dessa coleção, que trouxe um cabelo maravilhosamente rebelde e que trouxe a maquiagem carregada, exagerada, podrinha, maravilhosa, sexy, ai, a maquiagem que mais amei de Londres.

Bisous, bisous

Semana de moda de Nova York verão 2015

Sei que tô fazendo esse post bem depois que as semanas de moda já terminaram, mas penso eu que antes tarde do que nunca (risada sem graça). Além disso, acho que eu prefiro fazer esse apanhadão das semanas de moda gringas todas juntas depois, porque não dou conta de ver tudo de uma vez e gosto mesmo de analisar os desfiles aos poucos, com calma e reparando em detalhes.

Por isso, nessa semana e na próxima, vou postar aqui no blog alguns highlights das semanas de moda de Nova York, Londres, Milão e Paris, cada um de uma vez. É um apanhadão bem resumido das coisas que mais gostei e do que de mais legal apareceu em cada desfile. Prontos pra maratona? Então bora lá!

Eu já falei algumas vezes (muitas, na verdade) sobre o quanto eu sou apaixonada pelas criações do Jason Wu. Os desfiles dele sempre trazem peças lindas, mega usáveis, que a gente consegue imaginar em mulheres da vida real, mas que nem por isso deixam de ter aquela pitada de sonho e ousadia que eu acho indispensáveis na moda. Acho tão difícil acertar essa balança, que me admira gente como ele que faz esse tipo de coisa tão bem.

No seu verão 2015, além de repetir essa fórmula mágica de “peça com informação de moda que vai pras ruas”, ele fecha uma cartela de cores bem pequena e trabalha mais em cima das modelagens, brincando com uma gradativa descontração das peças. Os looks mais formais vão ganhando mais fendas e decotes conforme o desfile vai se desenrolando e a gente fica com aquela sensação de que a mulher que veste Jason Wu pode pegar essa coleção e ter uma peça de roupa pra cada tipo de horário ou evento que ela tenha no seu dia.

Os tênis de corrida e o esporte em geral foram conceitos tão fortes por trás da coleção do Alexander Wang que em praticamente todas as peças, das bolsas aos calçados, dos vestidos as saias, a gente conseguia captar alguma referência ou lembrança do assunto.  O mais legal dessa coleção é que em todos os looks, dos mais fechados aos mais abertos, a silhueta é sempre a mesma e os tecidos e telas vão brincando com os recortes e texturas por cima disso. As partes de cima vem sempre estruturadas, quase rígidas (elas me lembram muito os maiôs usados por nadadores) e a parte de baixo vem sempre mais leve, algumas até com plissado. É uma brincadeira de contrapontos que fica bonita de ver.

Lá vem a Opening Ceremony mostrando que gosta dessa pegada mais jovem e leve não só nas roupas que faz, mas que aposta também nessa ideia para as apresentações da sua coleção. Tanto que, para esse verão 2015, além do seu desfile, eles reservaram uma surpresa para os admiradores da marca: uma peça de teatro de 45 minutos (!) de duração, coescrita pelo diretor Spike Jonze e com nomes de peso no elenco como Elle Fanning e Karlie Kloss. A peça, que se chamava “100% Lost Cotton” tinha o mundo da moda como pano de fundo da sua história e apesar de terem sido proibidas fotos ou gravações dela, tô na esperança que a marca libere isso mais tarde na internet. Fiquei bem curiosa pra assistir!

Uma das coisas que mais gostei na coleção da OC dessa temporada foram os tons usados (branco, rosa bebê, laranja e cinza) e esse recorte, que às vezes aparecia também em formato de estampa, imitando uma sequência de traços. Isso me remeteu muito a costura, a ideia da linha na agulha, ao movimento da máquina sobre o tecido. Pode ser viagem minha, mas achei uma coisa meio metafórica pro ato da construção mesmo da peça.

Outra coisa que deu o que falar nesse desfile foi o tal do bracelete inteligente que muitas das modelos estavam usando. O Intel MICA (My Intelligent Communication Accessory) foi desenvolvido em uma parceria da Intel com a Opening, e é um smartwatche que une um design suuuuper luxuoso com uma tecnologia de notificações de SMS, lembretes de aniversário e por aí vai.

Achei bem bonito que o Michael Herz assumiu a direção criativa da Diane Von Furstenberg e mostrou que sabe valorizar o que há de melhor e mais tradicional na marca e também trazer uma pitada de autenticidade e contribuição que só ele poderia dar. Como? Apostando em uma nova forma de apresentar o vestido-envelope (o maior clássico da grife) ao público. Ele veio total desconstruído (até em top croppeds!) e aparecia aqui e acolá sempre de um jeito “disfarçado”, mostrando as raízes da DVF, mas em uma nova proposta.

E por falar em nova proposta, quer tema mais lindo do que esse que foi mostrado?! A Riviera Francesa dos anos 50 é um dos cenários mais inspiracionais pra quem curte um visual lady like, e colocar Brigittee Bardot como referência master dessa coleção é apostar em muita fluidez, sensualidade, estampas mil e prints de vichy na passarela. Tudo que eu amo <3.

Que gostoso que é ver uma marca levando uma mensagem para o seu público de um jeito tão descomplicado e bonito como foi esse daqui! É como se eles dissessem para os jovens que as roupas também contam uma história, também podem te inspirar a seguir em frente, também podem te motivar a ser quem você quer ser, vestir o que você quiser vestir. São muitas referências aos anos 90 e ao universo clubber, que se sente principalmente no uso de materiais, que vai do vinil até o plástico, e a gente vê um universo tão grande de estilos cruzar a passarela, que a mensagem de “liberte-se”, de vá encontrar o seu estilo, instantaneamente faz a gente soltar um sorriso de canto de boca.

Sigo aqui amando marcas que nunca se esquecem de conversar com seu público. Parabéns mesmo para as designers Katie Hillier e Luella Bartley.

Aff, como eu amo a Rodarte! Só mesmo as irmãs Mulleavy pra pensar em um tema tão singelo, tão inspiracional quanto esse daqui. A ideia central é sim o universo das águas, um tema já bem batido e explorado em diversos desfiles, mas a coleção aqui trata isso de um jeito diferente, focando mais nas lembranças que as duas irmãs têm da infância que elas tiveram na praia.  É algo muito mais pessoal, que ganha toques de nostalgia. Me dá a sensação de que essa coleção é um álbum de fotografias com bons momentos, com boas referências, com pequenas imagens que elas guardaram dessa época. Daí isso vem tudo misturado nos tecidos, com seus tules, rendas e pedrarias, nas partes de baixo que lembram redes de pescar, nos vestidos que parecem ter escamas de peixe, nos tons de azul que ora me lembram do mar, ora me lembram daquelas pequenas conchinhas que surgem na areia.

São muito materiais e muita informação que não se perde e que também não foge completamente do comercial. É as irmãs Mulleavy fazendo o que de mais lindo e puro elas sabem fazer.

Quando a gente vê essa coleção do Oscar de La Renta a gente fica na dúvida se é mesmo um desfile que a gente tá assistindo ou se fomos teletransportados para uma festa de alta-costura. É lindo e sofisticado ao cubo essa crescente que as peças da coleção vão ganhando, não só em termos de estampas e de modelagem, mas em bordados, aplicações, transparências e estruturas. Tudo que vai dando toques de exuberância e de uma festa de gala.

As cores vem suaves desde o começo da apresentação, mas quando as últimas modelos cruzam a passarela, tons de verde, laranja e amarelo bem iluminados também aparecem, mostrando que toda festa que se preze precisa de um bom colorido, daquele vestido incrível que todo mundo vai ficar comentando no dia seguinte.

Só sei que eu queria três de cada modelo dessa coleção.

Imagens: FFW