As incríveis canções de Alan Menken #aquecimentoOscar

Se existe uma pessoa que teve uma participação marcante no Oscar durante os anos 90 e começo dos anos 2000, essa pessoa foi Alan Menken. Compositor talentosíssimo, com uma vasta carreira no teatro musical e em diversas animações da Disney, Alan ganhou nada menos que 8 estatuetas da premiação, além de ter sido indicado 19 vezes nas categorias de melhor trilha sonora e melhor canção original.

O post do #aquecimentoOscar de hoje é em homenagem a ele, que além de ter feito algumas das minhas músicas preferidas da Disney (alô, “A Bela e a Fera”) tem esse dom que tão poucos têm de fazer uma música casar perfeitamente com uma cena, de fazer uma canção traduzir tão bem pequenos momentos de uma grande história.As canções maravilhosas de Allan Menkel #aquecimentoOscar

As canções maravilhosas de Allan Menkel #aquecimentoOscar

O filme “A Pequena Loja de Horrores” (1986), primeira indicação de Allan Menken para o Oscar, foi inspirado em uma peça de teatro produzida por Allan e Howard Ashman, seu parceiro já de outros musicais, em 1982. A peça, por sua vez, foi inspirada em um filme de terror cult do diretor Roger Corman, e conta a história de um atendente de uma floricultura que “adota” uma misteriosa planta e descobre que ela tem um apetite enorme por sangue.

Dirigido por Frank Oz, o filme foi indicado nas categorias de melhor efeito visual e melhor canção original pela música “Mean Green Mother from Outer Space”. Bastante diferente das outras canções pelas quais Allan foi indicado ao Oscar, a letra dessa música segue o mesmo tom de sátira e humor negro do filme, e infelizmente acabou perdendo a estatueta para “Take My Breath Away” do filme “Top Gun – Ases Indomáveis”.

Mean Green Mother from Outer Space

As canções maravilhosas de Allan Menkel #aquecimentoOscar

As canções maravilhosas de Allan Menkel #aquecimentoOscar

Ainda que a primeira música escrita por Allan Menken para a Disney não tenha sido em “A Pequena Sereia” (1990), – e sim no filme “Polly”, lançado no mesmo ano – essa foi a primeira vez que Menken foi responsável por toda a trilha sonora de um longa. Junto com Howard Ashman, ele compôs as 20 deliciosas faixas da animação e firmou uma parceria com os estúdios Disney que perduraria por muito anos.

Além de ter sido um sucesso comercial (coisa que há anos não acontecia com uma animação da empresa), o filme “A Pequena Sereia” foi indicado ao Oscar de melhor canção original com duas músicas. A primeira foi a linda “Kiss the Girl”, que mais tarde ganhou uma versão gravada pela cantora Ashley Tisdale, e a segunda, que foi quem levou a estatueta para casa, foi a maravilhosa “Under the Sea”. Não bastasse tudo isso, o filme ainda conquistou o prêmio de melhor trilha sonora da noite, coroando de vez a história da sereinha que queria se tornar humana.

Kiss the Girl

Under the Sea

 

As canções maravilhosas de Allan Menkel #aquecimentoOscar

As canções maravilhosas de Allan Menkel #aquecimentoOscar

Depois do sucesso estrondoso de “A Pequena Sereia”, a Disney resolveu apostar em um musical que fosse pela mesma linha dessa animação, e para isso decidiu fazer uma adaptação do conto de fadas de “A Bela e a Fera” (1991), uma história que a empresa já estava de olho há algumas décadas. Allan e Howard Ashman foram chamados novamente para fazerem a trilha sonora do filme, cuidando, respectivamente, da letra e da composição das canções.

Foram mais de 10 músicas criadas para ajudar a contar a história da doce e inteligente Bela, uma garota que se vê aprisionada no castelo de uma Fera e que aos poucos vai se apaixonando pela criatura que está sob o poder de uma maldição. O filme ganhou o Oscar de melhor trilha sonora e melhor canção, com a maravilhosa “Beauty and the Beast”, e ainda teve as músicas “Belle” e “Be Our Guest” indicadas na categoria. Não bastasse tudo isso, “A Bela a e Fera” foi indicado ao Oscar de melhor mixagem de som e se tornou a primeira animação da história a ser indicada a categoria de melhor filme.

Oito meses antes do filme chegar aos cinemas, Ashman, o parceiro de Menken, morreu por complicações do vírus HIV, e “A Bela e Fera” foi dedicada em memória do letrista.

Belle

Be Our Guest

Beauty and the Beast

As canções maravilhosas de Allan Menkel #aquecimentoOscar

As canções maravilhosas de Allan Menkel #aquecimentoOscar

Apesar da morte prematura aos 40 anos, em seus últimos meses de vida, Howard Ashman apresentou uma ideia aos estúdios Disney de uma nova adaptação que poderia ser feita. A animação em questão era “Aladdin”(1992), um conto árabe muito famoso que fazia parte do livro Mil e Uma Noites. A Disney passou a trabalhar em cima do projeto e, mais uma vez, Ashman e Alan foram chamados para fazer a trilha sonora do filme. Com o falecimento do letrista no meio da realização do projeto, Tim Rice foi o escolhido para trabalhar com Menken nas faixas que faltavam.

O longa, que mostra a história de amor da princesa Jasmine e do jovem e generoso Aladdin, ganhou o Oscar de melhor trilha sonora e de melhor canção com a música “Whole new world”, além de ter a faixa “Friend like me” indicada na categoria.

Friend Like Me

Whole New World

As canções maravilhosas de Allan Menkel #aquecimentoOscar

As canções maravilhosas de Allan Menkel #aquecimentoOscar

Ainda na fase de ouro da Disney, que lançava sucesso atrás de sucesso, estreou “Pocahontas” (1995), primeira animação do estúdio a ser inspirada em fatos reais. O filme, que conta a história de uma índia nativo-americana que se apaixona por um colono britânico, teve sua trilha sonora composta por Alan Menken e Stephen Schwartz, letrista com uma carreira bastante consolidada no teatro musical.

Um dos detalhes mais interessantes sobre a soundtrack da animação é que os dois escreveram e compuseram suas faixas ainda no começo da produção do filme, de modo que houve uma influência muito grande das letras e do estilo das canções no desenrolar da sua história.

Vencedor do Oscar de melhor canção por “Colors oh the Wind” (uma das músicas mais maravilhosas da Disney na minha opinião) e também por melhor trilha sonora, a soundtrack de Pocahontas agradou não apenas a academia, mas também ao público, que fez com que ela chegasse ao topo da Billboard 200!

Colors of the Wind

As canções maravilhosas de Allan Menkel #aquecimentoOscar

As canções maravilhosas de Allan Menkel #aquecimentoOscar

O sucesso de “Pocahontas” garantiu que Menken e Schwartz repetissem a dobradinha para o filme “O Corcunda de Notre Dame” (1996), adaptação feita pela Disney para o famoso livro de Victor Hugo. Com um tom mais sombrio do que as animações até então lançadas pelo estúdio, o longa fala sobre a busca por aceitação de um sineiro corcunda e marginalizado pela sociedade.

Indicado a melhor trilha sonora do Oscar, o longa possui 16 faixas produzidas pela dupla, e já foi apontado pelo próprio Menken como uma de suas soundtracks favoritas.

As canções maravilhosas de Allan Menkel #aquecimentoOscar

As canções maravilhosas de Allan Menkel #aquecimentoOscar

O filme “Hercules” (1997) – que mais tarde deu origem a um dos meus desenhos favoritos da infância – foi uma aposta alta da Disney de adaptar uma história da mitologia grega para os cinemas, criando um longa divertido e musical, que não poupou esforços de pesquisa e produção para sua realização.

Ao lado do letrista David Zippel (um dos responsáveis por, no ano seguinte, fazer as músicas de “Mulan”), Menken compôs a trilha sonora da animação, que teve a faixa “Go the Distance” indicada a melhor canção original do Oscar. A música perdeu para – a até hoje exaustivamente tocada – “My heart Will Go On”, do filme Titanic.

Go The Distance

As canções maravilhosas de Allan Menkel #aquecimentoOscar

As canções maravilhosas de Allan Menkel #aquecimentoOscar

Depois de alguns anos trabalhando exclusivamente com o teatro musical, Alan Menken retomou a sua parceria com a Disney no começo dos anos 2000. Ele foi o responsável pela trilha sonora de “Nem que a vaca tussa” (2004) e “Soltando os cachorros” (2006), mas foi graças a “Encantada” (2007) que o compositor recebeu novamente uma indicação ao Oscar. Trabalhando mais uma vez ao lado de Stephen Schwartz, ele foi o responsável pela trilha sonora do live-action, que possui 15 faixas e conta a história de uma princesa que foi expulsa de seu reino encantado e teve que se mudar para a Manhattan dos dias atuais.

Em uma mistura de homenagem e paródia dos clássicos filmes do estúdio, “Encantada” recebeu indicações de melhor canção original pelas músicas “Happy Working Song”, “So Close” e “That’s How You Know”.

Happy Working Song

So Close

That’s How You Know

As canções maravilhosas de Allan Menkel #aquecimentoOscar

As canções maravilhosas de Allan Menkel #aquecimentoOscar

De volta ao universo das animações, em 2010 foi a vez de Alan compor a trilha de “Enrolados” (2010), filme da Disney inspirado no clássico conto-de-fadas de Rapunzel. Considerada a animação mais cara já feita até hoje devido aos recursos visuais utilizados em sua produção (várias cenas do filme foram feitas de maneira que lembrassem uma pintura), “Enrolados” conta a história de uma princesa presa no alto de uma torre que topa ser ajudada por um ladrão para conseguir escapar do lugar.

Com uma trilha sonora de 20 faixas – compostas por Menken e os letristas Glenn Slater e Grace Potter- “Enrolados” teve sua música “I See The Light” indicada a melhor canção original do Oscar.

I See The Light

Obs: ainda que não tenha sido indicado ao Oscar desse ano, vale uma menção honrosa aqui no blog ao trabalho de Alan Menken no live-action de “A Bela e Fera” (2017). O filme teve suas músicas originais reeditas pelo compositor, além de ter ganho três novas canções na sua trilha sonora.

Na noite de hoje, “A Bela e a Fera” concorre nas categorias de melhor figurino e melhor direção de arte.

Beijos, beijos e uma ótima premiação pra vocês!

Os filmes de terror no Oscar #aquecimentoOscar

Ainda que quando o assunto seja cinema eu goste de acompanhar um pouquinho de tudo, longa-metragens de terror são, de longe, o tipo de filme que eu mais assisto. E, talvez por isso mesmo, o fato desses filmes serem bastante desvalorizados dentro da indústria sempre foi algo que me incomodou (e ainda incomoda) muito.

Os filmes de terror no Oscar #aquecimentoOscar

Ninguém precisa ser cinéfilo de carteirinha pra perceber como os filmes de terror são tratados muitas vezes como o patinho feio dos gêneros cinematográficos. É como se eles sempre fossem avaliados já com alguns pontos a menos só por fazerem parte dessa lista, saindo um pouco atrás da largada quando comparados a gêneros como drama e romance.

Além de grande parte das produções não serem levadas a sério, é de incomodar o fato de muitos filmes de horror serem olhados como puro entretenimento de má qualidade, sem uma avaliação crítica e séria do que está sendo mostrado – e talvez até mais importante do que isso, de como está sendo mostrado.

Não me entendam mal, existem inúmeros filmes de terror ruins. O grande problema é que existem filmes ruins em qualquer gênero, mas, aparentemente para a crítica, quando estamos falando de filmes de horror, essa é a regra, e não a exceção.

Os filmes de terror no Oscar #aquecimentoOscarFalando dessa situação especificamente no Oscar (o que pra mim é apenas um espelho de como a crítica em geral trata o gênero), recentemente li um texto bem interessante do cineasta Daniel Bydlowski que fala exatamente sobre esse “preconceito” que os filmes de horror sofreram por muito tempo na premiação.

Uma das coisas mais interessantes dele, no entanto, é mostrar como as coisas vem mudando, e como a academia – que sempre priorizou filmes de drama -, parece finalmente estar abrindo os olhos para outros gêneros. E isso não apenas devido a mudanças políticas e sociais, mas também da própria indústria, que hoje em dia possui um público muito mais fragmentado devido as diversas formas de se consumir cinema.

Aproveitando todo esse gancho e o fato de termos um filme de terror concorrendo a melhor filme do ano no Oscar (falo mais sobre “Corra!” no finalzinho desse post), decidi escrever um pouquinho sobre todos os filmes que já concorreram nessa categoria da premiação – e também sobre o único que até hoje conseguiu levar a estatueta para casa. É uma pequena, mas poderosa lista.

O Exorcista (1974)

 

Os filmes de terror no Oscar #aquecimentoOscar

O Exorcista, de 1973, além de ser um dos filmes mais populares do gênero, é o único filme dessa lista classificado exclusivamente como terror (mais especificamente como terror sobrenatural). Além de suas indicações e vitórias no Oscar, ele também conquistou diversos prêmios no Globo de Ouro, como melhor filme de drama, melhor diretor, melhor atriz coadjuvante e melhor roteiro.

Baseado em um livro escrito por William Peter Blatty, o filme conta a história da pequena Regan, uma garota de 12 anos que é possuída pelo demônio. Sua mãe, desesperada com o comportamento da filha, pede ajuda de um padre, que chama um exorcista profissional para lidar com a garota.

 

Tubarão (1976)

Os filmes de terror no Oscar #aquecimentoOscar

Tubarão, de 1975, conta a história de uma praia turística dos EUA onde os banhistas passam a sofrer ataques mortais de um tubarão-branco, o que faz com que o chefe da polícia da cidade, um biólogo e um caçador de tubarões unam forças para caçá-lo.

O filme, que é dirigido por Steven Spielberg, teve sua trilha sonora criada por John Williams (um dos compositores mais famosos e premiados do Oscar) fazendo com que uma das suas músicas, a que é tocada durante os ataques do tubarão, se tornasse uma referência de “temas de suspense” na história do cinema.

O silêncio dos inocentes (1992)

Os filmes de terror no Oscar #aquecimentoOscar

Baseado em um livro homônimo escrito por Thomas Harris, o filme O Silêncio dos Inocentes, de 1991, é até hoje o único longa-metragem de terror a ganhar como melhor filme do Oscar. Ele conta a história de Clarice Starling, uma investigadora do FBI escalada para descobrir o paradeiro de um serial killer chamado Buffalo Bill. A fim de entender como funciona sua mente, Clarice começa a entrevistar o Dr. Hannibal Lecter (personagem que já havia aparecido no filme “Caçador de Assassinos”), um ex-psiquiatra e assassino condenado à prisão perpétua.

Com uma trama que usa e abusa do terror psicológico para construir sua narrativa, o filme foi extremamente aclamado pelo público e pela crítica, e acabou ganhando uma sequência, “Hannibal”, e dois prelúdios, “Dragão Vermelho” e “Hannibal – A Origem do Mal”.

O sexto sentido (2000)

Os filmes de terror no Oscar #aquecimentoOscarCom um dos finais mais surpreendentes da história do cinema, O Sexto Sentido, de 1999, conta a história do psicólogo infantil Malcolm Crowe, um profissional que tenta ajudar um garotinho solitário que diz ser assombrado por pessoa mortas. Concomitante a isso, o psicólogo também enfrenta problemas pessoais, vivendo em um casamento problemático onde sua mulher se recusa a falar com ele.

O longa, que consagrou de vez a imagem do pequeno Haley Joel Osment no cinema (depois de O Sexto Sentido, o garotinho ainda brilharia em “A Corrente do Bem” e “A.I. – Inteliigência Artificial”), foi indicado também ao Globo de Ouro nas categorias de melhor ator coadjuvante e melhor direção.

Cisne Negro (2011)

Os filmes de terror no Oscar #aquecimentoOscarCisne Negro, de 2010, possui um enredo que explora o suspense e o terror psicológico, e que conta a história de Nina, uma bailarina extremamente dedicada e entregue à profissão. Em busca de conseguir o papel principal de uma produção do balé O Lago dos Cisnes, – onde interpretaria tanto o bondoso Cisne Branco quanto o malvado Cisne Negro -, Nina se vê sob um stress tremendo, especialmente quando uma nova bailarina chega na companhia e passa a disputar o papel com ela. Com seu emocional forçado ao extremo, a dançarina começa a sofrer alucinações e não distinguir mais realidade de fantasia.

Corra! (2018)

Os filmes de terror no Oscar #aquecimentoOscar

Indicado ao Oscar de melhor filme desse ano e aumentando essa lista tão poderosa de filmes de terror, Corra!, de Jordan Peele, é um dos longas do gênero mais inteligentes que me lembro de já ter assistido. Além de fazer uso do terror psicológico e do suspense, ele se vale de elementos sarcásticos para ditar o tom do filme, fazendo uma crítica feroz ao racismo ainda tão presente em nossa sociedade.

Tudo começa quando Chris, um jovem negro americano, viaja durante um final de semana com sua nova namorada para conhecer os pais dela que moram no interior. A família da garota, branca e bastante endinheirada, parece amigável em um primeiro momento, mas acaba inquietando o rapaz, que pecerbe que algo estranho está acontecendo no lugar.

Com um desenrolar brilhante e uma atuação fantástica de Daniel Kaluuya, Corra! é, até agora, meu filme favorito para levar a estatueta para casa (ainda preciso assistir “Três anúncios para um crime” e “Trama Fantasma”), e, espero, um exemplo importante para a academia do enorme potencial que longas de terror possuem.

Beijos e até já, já, com mais #aquecimentoOscar

Toda a beleza da premiere de Pantera Negra

Essa é a primeira vez que falo sobre uma première de um filme aqui no blog. E não porque eu não costume dar uma espiadinha em fotos de eventos assim sempre que posso – até porque festas que envolvam cinema quase sempre tem um apelo visual muito forte e inspirador. Mas, simplesmente, porque esse nunca foi um tópico que me despertou vontade de escrever ou que eu achasse que podia gerar de fato muita discussão por aqui. Isso claro até essa semana, quando vi as fotos da première de Pantera Negra e fiquei totalmente embasbacada pelo tema, pelas roupas e pela mensagem poderosa que vem disso tudo.

Toda a beleza da cultura africana na premiere de Pantera Negra

Pra quem não conhece, Pantera Negra é um super-herói das histórias em quadrinhos da Marvel que agora no finalzinho de fevereiro vai estrelar uma adaptação para os cinemas. O longa – que segundo a crítica especializada parece estar bem fiel à HQ -, conta a história de T’Challa, o príncipe de um reino africano chamado Wakanda que se vê tendo que lutar contra facções criminosas que querem conquistar seu trono.

O enredo, no entanto, ainda que seja o start pra toda a ação do filme, é só um dos motivos que tem gerado tanta expectativa sobre a história. Mais do que um “filme de super-herói”, Pantera Negra é um filme de um super-herói negro. O primeiro com poderes, aliás, que foi criado no universo dos quadrinhos.

Além disso, agora em 2018, Pantera Negra se torna o primeiro herói negro, de origem africana, a ganhar um filme totalmente solo. E detalhe: esparramando nas salas de cinema de todo o mundo a beleza da cultura africana de Wakanda, que só pelo trailer do filme já se mostra de vital importância para a construção do personagem.

Toda a beleza da premiere de Pantera Negra

Dito tudo isso, já era meio de se esperar que a première do filme acabasse se tornando uma extensão de toda essa história, e tivesse como inspiração-mor a realeza africana. O que não era de se esperar, no entanto, era ver a beleza que a gente viu, em roupas que brincam com cores, tradições e símbolos de um jeito incrível. A começar do próprio tapete vermelho que não era vermelho e, sim, roxo!

Para mostrar então um pouco de todo o impacto que foi esse evento, separei aqui alguns dos looks que mais me chamaram atenção, emocionaram e mostraram a força da cultura africana e poder da realeza. Tomara que isso seja apenas uma prévia do filme maravilhoso que Pantera Negra promete ser.

Os looks

Toda a beleza da premiere de Pantera Negra

Instagram: @lupitanyongo

Uma das grandes estrelas do evento, – que aconteceu no Teatro Dolby, em Los Angeles, na Califórnia – foi Lupita Nyong’o, a atriz que interpreta Nakia, a vilã do filme. Usando um dos vestidos mais deslumbrantes que já vi na minha vida, todo de chiffon, em um tom de roxo superintenso, Lupita deixou todo mundo sem respirar por alguns segundos com sua aparição. O look, feito sob medida para a atriz pela Atelier Versace, tem uma espécie de armadura na sua frente toda coberta de pedras douradas.

Toda a beleza da premiere de Pantera Negra

Instagram: @danaigurira

Danai Gurira (sim, a Michonne de The Walking Dead!), que faz a personagem Okoye no longa, compareceu com um vestido rosa de um ombro só, cheio de pequeninos cristais incrustados. Ele é da coleção de verão 2018 da Viktor & Rolf.

Toda a beleza da premiere de Pantera Negra

Twitter Marvel Studios

Chadwick  Boseman, o próprio Pantera Negra, saiu um pouco do tradicional terno preto masculino e usou uma jaqueta floral da Emporio Armani. Os sapatos são Christian Louboutin.

Toda a beleza da premiere de Pantera Negra

Instagram: @im.angelabassett

Angela Bassett, a mãe do super-herói T’Challa, parecia uma verdadeira rainha Sol iluminando a todos com esse macacão. Em uma entrevista para a People, a stylist da atriz contou que eles queriam uma referência tribal forte no look, além de algo que trouxesse bastante movimento e fosse sexy. A escolha acabou recaindo sobre esse look da designer Naeem Khan, todo trabalhado em franjas.

Toda a beleza da premiere de Pantera Negra

Instagram: @janellemonae

O vestido da cantora Janelle Monáe parecia pra mim saído de um conto-de-fadas, ainda mais com essa coroa dourada que ela uniu à produção. Ele faz parte da coleção pre-fall do designer Christian  Siriano.

Toda a beleza da premiere de Pantera Negra

Instagram: @hollywoodladyj

A atriz Janeshia Adams-Ginyard foi com um dos vestidos mais coloridos e cheios de vida da noite. Tnato ele quanto o chapéu são assinados por Tamara Cobus.

Toda a beleza da premiere de Pantera Negra

Just Jared

Issa Rae foi com um vestido branco que ganhava um toque ainda mais lindo quando a atriz “abria” o seu drapeado: um degradê brilhante que ia do bordô ao verde e que emanava um toque de realeza da cabeça aos pés. Ele faz parte da coleção resort 2018 da designer Rosie Assoulin.

Toda a beleza da premiere de Pantera Negra

Just Jared

E pra fechar essa lista de looks belíssimos, escolhi colocar a foto do ator Donald Glover, que foi pra mim o grande destaque masculino da noite. Ele fez uma escolha nada óbvia, mas que acertou em cheio: um terno laranja de tom quase fosforescente. Uma pena que eu não tenha consigo descobrir o designer responsável pela produção.

E vocês, viram algum outro look da première que tava belíssimo e não apareceu por aqui? Então deixem nos comentários!

Beijos, beijos e até a próxima!

Meryl Streep e o Oscar #aquecimentoOscar

São 67 anos de vida e 40 anos desde que Meryl Streep estreou em seu primeiro filme. E pode até soar estranho e frio se prender a números quando estamos falando da carreira de uma atriz que já disse e continua a dizer tanto em suas atuações,  mas a verdade é que são eles quem nos ajudam a ter uma dimensão do que é essa história.

Pra começar que são 20 indicações ao Oscar e 29 ao Globo de Ouro (!), além de uma premiação em Cannes, duas no Emmy, duas no BAFTA e uma no Festival de Berlim. E não é só isso. Meryl recebeu ainda uma Medalha Presidencial da Liberdade – título que é considerado a mais alta condecoração civil dos Estados Unidos!

Meryl Streep

A primeira indicação de Meryl ao Oscar foi em 1979, como atriz coadjuvante pelo filme O franco Atirador. Só que já nessa época ela não era uma completa desconhecida do público. Além de ter atuado muito no teatro, inclusive em grandes produções da Broadway, Meryl havia estrelado a minissérie Holocausto, que havia tido um sucesso enorme de audiência e lhe rendido um Emmy de melhor atriz.

Foi assim que ela passou a se tornar uma figurinha carimbada nas premiações de Hollywood, especialmente porque em uma indústria tão complicada quanto essa, ela já chamava atenção pelo talento fora do comum. E assim sendo, o que não faltaram foram papeis difíceis – e extremamente elogiados pela crítica – que passaram a se suceder em uma velocidade chocante na sua carreira.

Ela foi uma mãe que lutava pela guarda de seu filho em “Kramer vs Kramer”, assim como uma pacata dona de casa vivendo um romance extraconjugal em “As Pontes de Madison”. Foi também uma professora de violino em “Música do Coração” e a temida editora da revista de moda Runway em “O Diabo Veste Prada”. Se transformou em Julia Child – a famosa autora de livros de culinária e apresentadora de TV – no filme “Julie & Julia”, e foi ainda uma socialite que sonhava obstinadamente em ser uma cantora de ópera (sem, no entanto, ter talento para isso) em sua mais recente indicação ao Oscar, em o longa “Florence – Quem é essa mulher?”.

As 20 indicações de Meryl Streep ao Oscar

Sempre colocando sua vida pessoal longe do olhar da imprensa, Meryl depositou toda a atenção dos fãs, de Hollywood e obviamente da crítica especializada nos trabalhos que fazia. E, muitas vezes, utilizou desse espaço que tinha para apoiar ou mesmo levantar questões importantes dentro e fora da indústria cinematográfica.

No último Globo de Ouro, por exemplo, quando recebeu uma homenagem na premiação, fez um discurso emocionante condenando as recentes medidas tomadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que prometeu deportar milhões de imigrantes. Além disso, em 2015, durante o discurso de Patricia Arquette no Oscar pedindo igualdade salarial para homens e mulheres, Meryl foi uma das primeiras a ficar de pé e gritar em apoio a colega de profissão.

Foi ela também uma das atrizes a participar de uma campanha em 2016 contra (novamente) Donald Trump, em oposição a comentários sexistas que o até então candidato à presidência havia falado. E foi a atriz também quem não teve medo de durante uma renomada premiação cinematográfica em 2014, relembrar os perigos de se “endeusar” certas figuras do cinema como Walt Disney, que a despeito de todo o trabalho que realizou, teve sua carreira marcada por episódios racistas e misóginos.

Meryl Streep no Oscar

Meryl recebendo a estatueta por Kramer vs Kramer em 1980

Considerada uma atriz que “começou tarde” na carreira, Meryl se tornou uma lenda viva no cinema. O recorde de indicações ao Oscar na categoria de melhor atriz pertence a ela, que só não tem o maior número de estatuetas da premiação porque fica atrás da igualmente maravilhosa Katherine Hepburn – que ganhou 4 vezes enquanto Meryl “apenas” ganhou três.

Com um dos currículos mais respeitados da área, a atriz estará mais uma vez concorrendo ao Oscar desse ano como melhor atriz. Ela não é apontada como favorita para levar o prêmio pra casa, mas continua a fazer de seu nome uma presença constante no cinema e nas premiações da área, não importa quanto tempo passe ou quantas outras atrizes apareçam e (ainda bem) façam muito sucesso nas telonas.

Tudo porque, acredito eu, certos brilhos e um talento de verdade realmente nunca se apagam.

Beijos e até amanhã com mais #aquecimentoOscar!

Do cinema ao tapete vermelho: um longo post sobre o Festival de Cannes

Um dos mais importantes prêmios da indústria cinematográfica, o Festival de Cannes existe oficialmente desde 1946, logo após o final da Segunda Guerra Mundial, quando foi criado para prestigiar e valorizar o cinema a nível internacional, e competir com o Festival de Veneza. O evento acabou tendo tanta projeção dentro da indústria que se tornou uma referência na área, e especialmente a partir dos anos 50 passou a receber também muita atenção da mídia devido as celebridades que por lá passavam, ganhando assim um certo status de premiação glamourosa.

Pode parecer meio estranho esse tipo de definição, eu sei, mas o fato é que além da premiação de Cannes ser completamente diferente da do Oscar, por exemplo, que é muito mais comercial e atende um padrão de filmes hollywoodianos, ela também conseguiu seu próprio tipo de tapete vermelho, que tem um je ne sais quoi muito particular e elegante. Arrisco dizer que entre os muitos fatos que contribuem para isso está o próprio ritmo e foco que o evento tem, sendo uma competição com espaço para filmes conceituais e de diversas nacionalidades, além, é claro, do próprio local escolhido para o festival: a Riviera Francesa, uma das regiões mais turísticas e ricas do mundo.

Foto: http://blog.clickandboat.com/

O evento nasceu sob o nome de Festival Internacional du Film, e foi só mesmo em 2002 que passou a se chamar Festival de Cannes. Desde sua primeira edição, ele só deixou de acontecer em 1948 e 1950 por problemas financeiros, e já em 1955 institui a Palma de Ouro como prêmio máximo do evento.

Vale dizer, no entanto, que nem todos os filmes que são transmitidos na mostra concorrem à premiação. Antes do festival começar são selecionados apenas alguns poucos longas para concorrerem ao grande prêmio. Eles são transmitidos no festival junto à vários outros filmes importantes para a indústria naquele ano (e que sempre fazem seu début em Cannes), e ao final da mostra, são premiados em categorias como melhor atriz, melhor diretor, melhor ator, e, claro, melhor filme. Esse último, aliás, por uma regra instituída pelo próprio festival, não pode ser premiado em nenhuma outra categoria, levando pra casa “apenas” a tão desejada Palma de Ouro.

Ao longo desses muitos anos de premiação, alguns acontecimentos marcaram a história do festival. Em 1968, por exemplo, a mostra acabou muito antes do esperado e sem entrega de prêmios, já que o local foi tomado por protestos em apoio ao movimento “Maio de 68”.

Pra quem não sabe, maio de 68 foi um dos períodos civis mais turbulentos da recente história da França, já que começou como um protesto dos estudantes em prol de algumas reformas no sistema educacional e terminou em uma greve gigante de trabalhadores. Unidos, estudantes e operariado pararam o país e fizeram com que muitas outras áreas aderissem ao movimento em seu favor.

Profissionais do cinema, – especialmente os amantes da Nouvelle Vague – mostraram apoio ao movimento, e o Festival de Cannes daquele ano viu nomes como Jean-Luc Godard, François Truffaut, Claude Lelouch, Roman Polanski e Alan Resnais boicotarem o evento.

Nesse ano, por motivos bastante diferentes, mas também importantes, a mostra novamente foi palco de algumas manifestações. Uma delas partiu de algumas atrizes – Julia Roberts, Kristen Stewart e Sasha Lane – que desfilaram descalças no tapete vermelho em protesto a um acontecimento do ano passado, quando algumas profissionais tiveram sua entrada proibida no festival por estarem sem salto (aproveitando o assunto “machismos no cinema”, falei sobre grandes diretoras e alguns preconceitos da profissão nesse post aqui)

Além disso, também nesse ano, uma manifestação política muito importante se deu em Cannes. A equipe do filme brasileiro Aquarius (que concorreu a Palma de Ouro) protestou contra o impeachment da presidenta Dilma, denunciando o golpe que vem sendo dado nos últimos dias no país. A notícia foi muito falada na mídia internacional, mas no Brasil acabou ganhando pouco ou quase nenhum destaque.

Uma das características mais marcantes do Festival de Cannes é o pôster que todo ano é lançado para divulgar a premiação. Desde 1946, várias ilustrações e fotos foram escolhidos para isso e aqui embaixo montei uma galeria com todas essas imagens, desde a primeira edição. Todos os pôsteres são maravilhosos, mas confesso que os de 72, 85, 2005, 2008, 2012 e 2013 são meus preferidos.

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Cannes costuma ter critérios muito específicos (e não muito comerciais) para sua premiação, o que quase sempre faz com que o filme ganhador da Palma de Ouro figure fora do circuito Hollywoodiano. Mas, vez em quando, alguns desses filmes mais conhecidos do grande público ganham destaque também na premiação. Foi o caso de Taxi Driver (1976), Apocalypse Now (1979), Pulp Fiction (1994), O Pianista (2002), A Árvore da Vida (2011) e Amour (2012).

Filmes brasileiros já tiveram também boas representações na premiação. “O Pagador de Promessas” (1962) de Anselmo Duarte é até hoje o único filme nacional a ter conquistado a Palma de Ouro, mas “Vidas Secas” (1963) de Nelson Pereira dos Santos já concorreu a premiação e “Eu Sei Que Vou Te Amar” (1986) de Arnaldo Jabor deu a Fernanda Montenegro, na época uma menina de 20 anos, o prêmio de melhor atriz do festival.

Fernanda Montenegro em cena do filme "Eu sei Que Vou Te Amar", pelo qual levou o prêmio de melhor atriz em Cannes

Fernanda Montenegro em cena do filme “Eu sei Que Vou Te Amar”, pelo qual levou o prêmio de melhor atriz em Cannes

Também na lista de filmes brasileiros em Cannes estão “Linha de Passe” (2008), de Walter Salles, vencedor do prêmio de melhor atriz para Sandra Corveloni, e o mais recente da lista, “Aquarius”(2016), de Kleber Mendonça Filho, que concorreu esse ano na disputa do festival.

Ainda que o evento não tenha nascido sob tal pretexto, Cannes ganhou ao longo dos anos um dos tapetes vermelhos mais estrelados e concorridos da história do cinema. Por lá já passaram os atores, músicos e diretores das fotos daqui de baixo, mas também muitos outros profissionais das mais diferentes áreas da indústria cinematográfica. Um festival que, definitivamente, tem muita história pra contar.

Lupita Nyong’o (2015)
 Lupita Nyong’o (2015)
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Fotos das galerias: www.festival-cannes.fr

Bisous, bisous e até a próxima