Eles indicam: perfumes!

A ideia funciona assim: a cada post dessa categoria um trio de pessoas inspiradoras virá aqui dar uma indicação de qual é o seu “insira aqui o tema da edição” preferido. E vai ter de tudo, de beleza a moda, de gastronomia a turismo, dando dicas e inspirando todo mundo nas mais diferentes áreas.

E, pra estrear com chave de ouro, decidimos falar então de perfumes, com a condição de que além de cheiros deliciosos eles tivessem também embalagens pra morrer. Bem naquele estilo pacote completo de beleza.

Aqui embaixo então, estão as indicações das queridas Isabelly Lima, Camila Faria e Marina Espindola. Enjoy!

Parisienne - Yves Saint Laurent

“Certo dia estava na Renner, daí vi o vidrinho mágico e pedi a moça pra sentir o cheiro do “Parisienne” do Yves Saint Laurent. Foi amor. Perguntei o preço, fiz cara de paisagem [chocada com o preço] e não comprei. Fiquei com vontade de ter a fragrância em casa, depois de uns dias pensando muito voltei e garanti um pra chamar de meu. Virou meu perfume favorito, é suave e tem uma ótima fixação. Olhei na internet e descobri que possui toque de cereja e amoras. Já disse amor? Muito!” – Autora do Refletindo Moda.

 


O Parisienne foi laçado em 2009 em versões de 30, 50 e 90ml. Na Sephora, ele consta como “the essence of a woman who is incredibly free—she is not from Paris, but Paris adopts her.” Achei de uma lindeza sem fim! E ah, o vídeo da campanha dele é de uma sensualidade extrema, com Kate Moss como garota propaganda.

 

 

Mudando de assunto...

Valentina - Valentino

“Sou apaixonada pelas criações femininas e delicadas de Valentino e os seus perfumes não poderiam ser diferentes. O Valentina, além da embalagem perfeita, tem uma fragrância ao mesmo tempo exótica e suave que eu adoro! E a campanha também é demais, com a linda Freja Beha fugindo pelas ruas de Roma. Como não amar?” – Autora do Não me Mande Flores.

 

O Valentina foi lançado em 2011 e a campanha lindeza a que a Camila se refere é essa daqui (nesse outro link dá pra ver um vídeo que mostra em detalhes o vidrinho, coisa mais graciosa). E nossa, quando você olha os ingredientes do perfume, é de fazer o coração parar: tem jasmin, bergamota, flor de laranjeira e morango.

 

 

 

212 VIP - Carolina Herrera

“Esse perfume é daqueles que não consigo mais viver sem – sempre que acaba, lá vou eu comprar outro! Acho que ele tem mais cara de noite, porque é um pouco forte. Ah, e a fixação dele é incrível, dura o dia inteiro fácil. Sem contar o frasco, que me lembra o formato de uma pílula (muita viagem?), que é lindo! Daqueles pra se apaixonar à primeira vista.” – Autora do Costanza Who?

 

 

 

Só por ter ingredientes do tipo “laranja amarga” e “maracujá exótico” eu já acharia esse perfume especial, mas ele ainda tem uma campanha totalmente “enjoy the party” que é uma delícia! Ele é inspirados nas pessoas vips de New York e pode ser encontrado em frascos de 80, 50 e 30ml.

 

Chloé eau de parfum - Chloé

E sei que ninguém perguntou a minha indicação haha, mas 1) sou enxerida e 2) como ninguém aqui indicou o que eu falaria, tomei a liberdade de terminar o post contando do meu perfume preferido.

Ele chama Chloé eau de parfum e tem uma fragrância floral mega elegante, que mistura peônia rosa, frésia e lichia e que ainda tem umas nuances de magnólia, lírio do vale e rosa.

E não bastasse tudo isso, a embalagem dele é super linda e romântica <3

 

 

E é isso hehe. Gostaram? Se tiverem sugestões de temas, fiquem mais do que à vontade pra deixar nos comentários.

Ps: durante a minha pesquisa sobre cada um dos perfumes indicados pelas meninas, percebi que rola muita confusão entre os tipos de notas de cada fragrância. Deixo aqui embaixo então uma explicaçãozinha rápida de cada uma.

Notas de saída | Também conhecidas como nota de cabeça, são a primeira impressão que temos da fragrância.
Notas de corpo | Também conhecidas como notas de coração, são a alma do perfume, sua fragrância mais pronunciada.
Notas de fundo | Também conhecidas como notas de base, são o último aroma que sentimos, normalmente por possuírem ingredientes pouco voláteis que evaporam gradualmente.

Bisous, bisous

Na balança: beleza x saúde

Já fazia um bom tempo que eu queria estrear uma categoria de editoriais no blog e achei que essa edição de junho da Vogue Itália –  com capa e recheio estrelado por Gisele Bündchen – trouxe a oportunidade perfeita. Eu já até tinha falado dela bem rapidinho lá na página do facebook, mas tava com muita vontade de trazer as fotos do seu editorial “Luxury” pra cá, já que ele é daqueles que têm imagens “pedras no sapato”, ou seja, imagens que incomodam, que só dão descanso quando a gente consegue entender que aquilo que é mostrado é muito mais profundo do que tá ali na superfície.

Capa da Vogue Itália junho/2013

Capa da Vogue Itália junho/2013

Ok, “Luxury” não é tipo um “Water & Oil” que nos deixa profundamente chocados depois de ver suas imagens, mas nem por isso deixa de ser menos instigante. E antes de falar dele, deixa eu abrir um parênteses bem rapidinho aqui.

Eu tenho essa paixão meio louca por revistas (cês sabem), e desde quando comecei a comprar revistas de moda, lembro que os editoriais me encantavam não só pelas imagens incríveis, pela beleza das paisagens, da modelo e das roupas. Uma das coisas que mais me interessava nos editoriais era quando eles saíam da ideia de “apenas uma pose” e iam pra ideia de “vamos contar uma história”. Porque, no fundo, é bem isso. Acredito nessa ideia de que bons editoriais contam uma história ou levantam uma questão ou ainda jogam um tema espinhoso em cima do nosso colo pra fazer a gente ir além da imagem prontinha ali da foto. Tem que mergulhar e descobrir o que afinal ela está querendo dizer pra gente.

E essa é bem a proposta desse editorial aqui.

Enquanto olhava esse editorial de junho da Vogue Itália muitas coisas passaram pela minha cabeça. Pra começar que ele fala dessa obsessão nada sadia, nada normal pela beleza, que faz a gente se submeter a milhões de tratamentos estéticos, que faz a gente ser a louca das cirurgias, do diminui um pouco ali, aumenta um pouco aqui. Algo bem além da conta mesmo.

E olha, longe de mim condenar cirurgias e tratamentos desse tipo. Afinal, todo esse avanço que a área de beleza alcançou nos últimos anos é incrível e deve ser mesmo aproveitado. Na real, ninguém precisa se encaixar em molde nenhum, – isso é a maior besteira já inventada – mas se sentir bem com a gente mesmo é mega importante. Então acredito que se cuidar, mentalmente e fisicamente, só faz bem e nos torna mais felizes. Mais daí que o problema em questão aqui é outro. Eu sinto que o editorial quer falar sobre quando a beleza se torna a prioridade na vida da pessoa, quando tudo passa a girar em torno daquilo e o que era pra ser uma preocupação e cuidado saudável do nosso corpo, acaba desandando pra algo obsessivo.

É bem aquela frase que a nossa mãe diz e a gente sempre comprova ser verdade: “nada em excesso faz bem, menina”.

No mês passado tinha lido uma entrevista do Philipe Allouche, que é o fundador da marca de dermocosméticos Biologique Recherche – marca de luxo que tem toda uma exclusividade e preocupação de tratar e cuidar da pele da forma mais saudável possível – e fiquei matutando sobre as palavras dele. A entrevista foi dada para o FFW e dá pra ver ela na íntegra aqui.

A todo tempo ele batia na tecla que a gente precisa entender que quando falamos de beleza, ainda mais no tocante aos cuidados da pele, estamos falando de saúde em primeiro lugar. E isso me fez pensar também em como somos bombardeadas a todo instante com milhares de produtos, tratamentos, tutoriais, etc e etc, enquanto a parte mais importante de tudo, que é como tudo isso influencia na nossa saúde, muitas vezes nem é levada em consideração, nem ganha espaço ou passa batido como se um fosse um assunto menos importante.

Numa parte da entrevista o tópico abordado foi o mercado de beleza brasileiro e uma das frases dele me marcou muito. “E no Brasil, as pessoas tendem a recorrer a medidas extremas em primeiro lugar. Este foi o primeiro país no mundo a emprestar dinheiro para cirurgias estéticas. Pessoas com baixa renda se espelham nas revistas e fazem cirurgia no nariz, no peito, lipoaspiração, e trabalham por dois ou mais anos só para pagar isso. É a forma como as pessoas reagem a um problema aqui. “

Fui procurar mais sobre o assunto e descobri que uma pesquisa realizada em 2011 por várias entidades mega sérias da área – como a Isaps (Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética) e a SBPC (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) – revelou que o Brasil é o segundo país no ranking mundial de cirurgias plásticas! A gente só perde para os EUA. E ah, a título de curiosidade, a lipoaspiração é a cirurgia estética mais realizada por aqui.

O que mais me preocupa nisso tudo nem são os números, mas mais os motivos que levam as pessoas a “entrarem na faca”. Eu tenho um pouco de receio de quando uma cirurgia assim vira algo corriqueiro na vida de alguém (e sim, conheço gente pra dedéu que vai pra mesa de cirurgia como se estivesse escolhendo o “look do dia” na arara de roupas) porque poxa, é algo extremamente invasivo e doloroso e tomar uma decisão dessa como escapatória pra tudo é uma baita agressividade pro nosso corpo.

E nem precisa ir tão longe, do tipo ir pra mesa de cirurgia desnecessariamente, pra gente de fato se questionar até que ponto deixamos esse lado da beleza falar tão alto na nossa vida. Porque tem que ser mesmo um exercício diário de botar ali na balança como que a gente tá tratando da nossa beleza pensando na nossa saúde, nas limitações do nosso corpo, sem exageros, sem buscar uma perfeição inexistente.

E esse assunto é longo e gera tópico pra muita conversa ainda, até porque se a gente for mais fundo nesse editorial, o “Luxury” do seu título funciona tanto pro lado da beleza quanto pro lado da moda, dessa mega ostentação e plastificação que precisa vir estampada na pele e nas roupas.

Bom, por enquanto vou deixar vocês com as últimas imagens desse lindo editorial – fotografado, aliás, pelo muso Steven Meisel – e com o seu vídeo de backstage. Comentários sobre ele são mais do que bem-vindos, são necessários pra gente discutir mais e mais sobre o assunto (;

Bisous!

Editorial: “Luxury” – Vogue Itália junho/2013
Fotografia: Stevem Meisel
Edição de moda: Lori Goldstein
Cabelo: Guido
Maquiagem: Pat McGarth

Update: Gisele Bündchen também foi capa e recheio da Vogue Brasil de junho, em uma edição que foi super comentada pela imprensa e leitores por causa de mudanças drásticas na capa. Pra quem ficou curioso, a redação do Acho Fashion me convidou para escrever um texto sobre isso. Espero que vocês gostem!

Uma história sobre óculos e maquiagem

Eu já falei disso lá na página do blog, mas sério, fiquei tão feliz de ver uma revista dedicando um espaço de suas páginas pra esse assunto que eu queria mesmo escrever mais sobre isso.

Mas calma! Vamos começar essa história do começo que ninguém deve estar entendendo nada…

No final de semana passado saí com dois amigos queridos, a Ariane e Pedro, pra comprar presentes pras nossas respectivas mães (isso foi no sábado e domingo era dia das mães) e também pra caçar coisas legais pra gente, que ninguém é de ferro haha. No meio de tudo isso, fizemos uma parada estratégica na banca e eis que, no momento em que meu celular tocava – namorado saindo do futebol e querendo se juntar ao nosso passeio, há! – vi a nova Gloss desse mês num dos cantinhos do lugar. Vou confessar que nunca tinha comprado uma Gloss (sim, shame on me), mas é claro que eu já vi a revista diversas vezes, só nunca tinha calhado de parar na banca e arrematar uma pra mim.

Essa edição de maio tá com uma capa deusa com a Julia Petit e, de quebra, ainda tem uma matéria bem bacana sobre blogueiras (onde, inclusive, aparece a dona Juliana Cunha, uma das garotas que eu mais admiro na blogosfera e no jornalismo) Bom, daí pra comprar a revista foi um pulo, né. Saí de lá com minha edição nas mãos, fui pro apartamento dos amigos e, enquanto eles arrumavam umas coisas, sentei no sofá e comecei a leitura.

Look total gracinha da dona Julia Petit

Look total gracinha da dona Julia Petit

E sim, essa edição de maio tá uma lindeza, mas o ponto onde eu queria chegar – ou mais especificamente o texto onde eu queria chegar – atende pelo nome de “Foco no resultado”.

Esse foi o título dado a matéria que foi a razão-mor do meu surto de felicidade com a revista. E o motivo é muito simples: em anos de compras de revistas – especializadas ou não em beleza – foram poucas as vezes que encontrei uma matéria que falasse sobre makes para meninas com óculos. E né, a matéria da Gloss não é giga (vocês tão perdendo tempo, revistas de beleza!) e foi a resposta de uma dúvida de leitora, mas ainda assim foi um achado e tanto no meio desse problema gigante que é a hora de passar maquiagem pra quem usa óculos.

Que fique claro: se você jogar o assunto no google, você até vai achar bastante coisa, mas o problema é que quase sempre as matérias esquecem das meninas que tem um grau de correção alto (e vamos lembrar que não é todo mundo que pode/quer/tem dinheiro pra fazer cirurgia, certo?). e acabam investindo nas mesmas fórmulas de sempre, trazendo um “passo a passo pra x ocasião”. E não que isso seja ruim, ao contrário, quanto mais gente falando do assunto, melhor ainda! Mas o grande problema de quem usa óculos é que nossas dúvidas são muito mais lá na “raiz da maquiagem”, envolvendo coisas como segurar o pincel (lembre que sem os óculos você não enxerga quase nada!), cores que se sobressaem mais, espelhos específicos pra esse tipo de problema e até armações adaptadas (tipo essa, que eu ainda sonho um dia poder usar).

Eu nunca fui uma perita em beleza, mas no ano passado comecei a escrever sobre o assunto devido ao trabalho e aí botei a mão na massa – e nas makes – e fui aprender pra poder escrever direitinho. Sei ainda bem pouco, beeem pouco e leio aqui e acolá pra todo dia ir aprendendo um pouquinho mais. Só que esse lance de makes para garotas com óculos sempre foi algo difícil pra mim, tanto no quesito aprender para escrever, quanto no quesito aprender pra botar em prática. Como uma garota que usa óculos desde os seis anos (pra quem não sabe tenho 23), e que viu ao longo de todo esse tempo seu grau aumentar e aumentar, lidar com maquiagens nunca foi fácil.

Tenho pra mim que demorei tanto tempo pra descobrir esse lado da beleza exatamente por isso. Eu não sabia muito bem como pegar todos aqueles batons e sobras e lápis e bases e fazer aquilo aparecer mesmo com o óculos na frente. Fui perder o medo só com os 20 anos e, ainda hoje, admito ser meio travada pra colocar todas essas coisas em prática.

Um 3x4 de "sem e com óculos"

Um 3×4 de “sem e com óculos”

Pra quem nunca usou óculos na vida ou pra quem usa só pra ler, deve ser difícil imaginar passar quase que 24 horas do dia grudada neles, mas gente… Eu tenho 12 graus (!) É tipo algo MUITO ALTO e até onde meus exames disseram, não conseguirei fazer uma cirurgia tão cedo. Se não fossem as santas lentes de cristal (essas lindas e fininhas) eu provavelmente usaria aqueles óculos de fundo de garrafa. Daí que crescer assim, sem praticamente enxergar nada, não é fácil. E sim, eu até tenho lentes de contato, mas são daquelas rígidas e daí só arrisco usá-las em ocasiões bem especiais, já que além de cansarem muito os olhos elas não se encontram naquela lista de coisas confortáveis pra se usar.

Logo, eu e meu companheiro fiel óculos sempre enfrentamos essa batalha com o espelho: eu tiro ele pra fazer a maquiagem e tenho que grudar no espelho pra conseguir enxergar alguma coisa. Se não tiro, não consigo fazer lápis, delineador, whatever, funcionar do jeito devido. E não para por aí! Mesmo que alguém me maquie – e né, cadê beauty artist 24 horas pra nos acompanhar? – os óculos encobrem muito do que tá ali. Enfim, uma bagunça.

O que eu aprendi nesses últimos anos foi totalmente na base do testa, testa e testa mais um pouquinho. Diego é a prova viva de quantas vezes eu passei delineador em um mesmo dia até conseguir fazer o risco bonitinho haha. E mesmo uma maquiagem “normal” eu vou adaptando pra aparecer no meu rosto do jeito que deveria. É, gente, não é fácil.

Nesse lance de tentativa e erro aprendo todo dia um pouco mais, e vou descobrindo maquiagens que dão super certo pro dia a dia, pra balada, pra jantar com o mon amour, etc. Ainda que pra isso eu tenha que tentar fazê-la várias e várias vezes. A verdade é que pra quem usa óculos nos 365 dias do ano, as opções são quase sempre mais restritas, então, não tem jeito. Tem que se jogar na frente do espelho e testar até achar o que dá mais certo pra você.

Editorial da Vogue Japão de janeiro/2012 dedicado a óculos + make. Dessas coisas que fazem nosso olhar brilhar, sabe? <3

Entre erros e acertos, certeza mesmo é que eu nunca vou desistir de me maquiar, ainda que pra isso eu tenha que escutar o namorado na maior das delicadezas falando ‘tá borrado só um pouquinho aqui’ e quando eu coloco o óculos to parecendo uma palhaça hahaha. Com o tempo, a gente pega o jeito ;}

E né, obrigada a Gloss, essa linda, que fez eu me sentir tão bem e tão feliz em uma única página de revista. Fez meu dia, de verdade.

E ah, se alguém tiver uma experiência com óculos divertida/legal pra contar, compartilha nos comentários que eu quero muito saber!

O que é beleza para você?

Este texto é de 2011 e já foi postado em um antigo blog de moda que eu tinha e nem tá mais no ar, mas como eu o amo muito resolvi trazê-lo pra cá. Espero que vocês gostem!

Sempre me pego pensando no que beleza realmente significa pra mim. O que realmente enxergo em alguma coisa, pessoa ou situação pra dizer que aquilo é belo. Talvez seja sua essência, talvez suas cores, talvez a forma como me atinja e me faça pensar. Beleza pode ter uma série de significados e sentidos pra mim e, se pra mim, apenas uma entre milhões que habitam esse planeta, beleza não é apenas uma coisa, mas inúmeras coisas que se misturam e se confundem, como a gente pode acreditar que exista um padrão de beleza universal? E não, não to falando apenas de beleza física ou intelectual, porque podemos encontrar beleza nos costumes, nas épocas, no modo de caminhar, nas roupas, nas expressões, nas atitudes….

Se tamanha heterogeneidade me faz desprezar esse tão famoso padrão de beleza universal, me pergunto de onde ele surge, pra onde vai, mas o mais importante de tudo: quando e como quebramos essa chamada “beleza correta” vigente? Porque sim, esse chamado padrão também é cíclico, também é um tanto quanto efêmero e sai de cena quando alguém (ou algo) derruba o que é aceito pela maioria. E são essas pessoas que chacoalham nosso mundinho quadrado que me encantam.
Isso tudo porque, em um dia como outro qualquer, de repente alguém resolveu perguntar: “mas porquê isso também não é belo?”

Podemos começar olhando lá atrás, ainda no Renascimento. O corpo começou a ser muito estudado na época, em áreas que iam da antropologia até a pintura, por ser uma das bases do movimento Renascentista. E aí que, numa época em que a desigualdade social era massacrante (não, gente, eu to falando do passado mesmo), a importância da posição social e do satus era tão forte que a ideia que se fazia de beleza física vinha associada a isso. No caso das mulheres, que ficavam muito mais tempo enfurnadas em seus grandes palácios – muito mais do que os homens – comida em excesso era normal. Ter muita comida, poder comer muito era sinônimo de dinheiro, poder, status mesmo e, assim, bonitas eram as mulheres mais roliças, com braços mais fortes e com um corpo que demonstrasse literalmente os excessos da vida no reino.

Através da pintura a gente consegue entender muito bem esse espírito de beleza da época

Venus of Urbino, Tiziano Vecellio

Vênus de Urbino (1538) de Tiziano Vecellio

Essa é uma das imagens mais fortes de mudança nos padrões de beleza físico que já tivemos. Foi uma mudança drástica, influenciada pelos costumes, pela saúde, pela preocupação com o bem-estar não só da cabeça, mas também do corpo. E se hoje tem muita menina com medo dos ponteiros da balança (uma preocupação normal, ok? Não to entrando em questões médicas como anorexia, bulimia, etc), a gente vê nessas imagens uma quebra de valores enorme, profunda.

Mas não parou por aí. Outras mudanças viriam, thankgod,.

E pra começar, ninguém melhor do que ela, dona madeimoselle Chanel, pra tirar um sarro desse tal ”padrão de beleza” reinante.

Até Chanel chegar – fundou sua primeira casa em 1909 – e deixar as francesas atônitas com suas peças minimalistas e que emprestavam muita inspiração do armário masculino, o espartilho, as jóias e um sem fim de exuberância reinavam na França. Portanto, se antes a tal beleza vigente vinha traduzida no físico com a mulheres renascentistas mais roliças, agora vinha no vestuário, com as mulheres cada vez mais “enfeitadas”, presas e limitadas dentro de suas roupas. Mas aí chegou Coco Chanel mostrando que a liberdade também podia – e devia – ser beleza.

O que é beleza para você?

O que é beleza para você?

O que é beleza para você?

Se a gente der um salto maior ainda, vamos ver lá na década de 80 uma outra quebra de padrão de beleza. Vindo de uma pessoa que, particularmente, eu admiro e acho um estouro de modelo. Kate Moss, quem mais poderia ser?

Na década de 80 as modelos que faziam sucesso, sucesso mesmo, estavam bem longe do tipo físico que a gente vê nas passarelas de agora. Só pra ter uma ideia, os nomes iam de Cindy Crawford até Naomi Campbell, mostrando modelos com um visual mais bombshell, mais curvilíneo mesmo.

Stephanie Seymour, Cindy Crawford, Tatjana Patitz, Christy Turlington and Naomi Campbell taken by Herb Ritts in 1989

Stephanie Seymour, Cindy Crawford, Tatjana Patitz, Christy Turlington and Naomi Campbell taken by Herb Ritts in 1989

Aí Kate Moss apareceu com seus 15 anos num ensaio histórico para a revista britânica The Face. Em fotos p&b em que aparecia semi-nua, o mundo viu uma garota esquálida, com um Q de androginia e uma beleza mega diferente aparecer. O editorial chamado “O terceiro Verão do Amor” rendeu um falatório imenso na época. Afinal, quem era aquela menina?

O que é beleza para você?

O que é beleza para você?

Hoje, numa rápida pesquisa sobre sua vida, a palavra antimodelo aparece aos montes, exatamente porque Kate conseguiu se destacar como o belamente estranho naquele mundinho tão “perfeito” das passarelas. Acho uma revolução linda. Acho que talvez nem ela mesma tivesse noção do que a sua aparência, o seu jeito meio menino, meio punk significasse. E óbvio que Kate Moss mudou muito dos seus 15 anos pra cá. Teve altos e baixos, – se envolveu com as drogas, foi julgada, demitida da Chanel, Burberry, H&M e H. Stern e, praticamente, viu sua vida pessoal e profissional ruir diante de seus olhos – mas continua aí, linda e com uma imagem mega forte.

Kate Moss, London 2006 © Mario Testino.

Kate Moss, London 2006 © Mario Testino.

A mudança que Lara Stone trouxe pode até parecer menor, mas acho que é uma mudança significativa também, em vários pontos. Ela não foi a primeira menina com diastema a ser um estouro no mundo da moda – Brigitte Bardot já dava escola muito antes dela – mas acho que talvez tenha sido a primeira que soube usar como seu ponto forte, um considerado ‘defeito’ de beleza.

Lara Stone

Se a Lara Stone soube aproveitar isso, que já nasceu com ela – e é claro que não foi apenas os dentes da frente separados que a transformaram no que ela é hoje – porque você, cara pálida, também não faz o mesmo contigo? Não to falando apenas de beleza física aqui, mas qualquer tipo de beleza singela e verdadeira que cada um tem de uma maneira diferente.

São essas pequenas belezas diferentes, esses pequenos brilhos que tornam a vida mais rica. De cores, pessoas e atitudes.

Ps: as imagens de mulheres dos anos 1910 e 1920 não são de minha autoria. Eu tinha as imagens salvas aqui nos arquivos do meu antigo blog, mas não consegui achar os créditos :/ Se você for o dono da montagem é só deixar um comentário aqui que eu vou ficar bem feliz de creditá-la pra ti!

Campanhas criativas – Parte 2

Pra quem não tá entendendo nada sobre esse post a primeira parte dele é essa aqui, onde explico direitinho porquê quis falar disso e qual critério foi usado pras escolha das campanhas, ok?

Bora agora pras internacionais?

As internacionais

“Como você julga um livro?”

Esse vídeo é da Dermablend, aquela marca top de maquiagem corretiva que é queridinha da turma da beleza – e de muito médico também porque funciona pra queimaduras, cicatrizes… O modelo da campanha é o canadense Zombie Boy, descoberto em 2010 por Nicola Formichetti. Rick Genest, seu nome verdadeiro, tem praticamente o corpo inteiro tatuado imitando um cadáver e nem tinha como não chamar a atenção da mídia depois que apareceu no clipe de Born this way da Lady Gaga (em 2011 ele esteve no Brasil e desfilou no Fashion Rio pela Auslander).

A ideia de mostrar o poder dos produtos corretivos da Dermabled ‘apagando’ as tatuagens do modelo fica tão chocante no vídeo que a gente chega a desconfiar que não pode ser realmente verdade. Pra quem duvida, tem esse vídeo aqui com as cenas de bastidores e, à título de curiosidade, os produtos usados na campanha foram o Leg and Body Tattoo Primer, o Leg and Body Cover SPF 15 e o Setting Powder.

Como eu falei no outro post também, acho todos os vídeos da campanha “Dove pela Real Beleza” de extremo bom gosto. Eles tocam em temas que mesmo já tendo sido falados a torto e a direito são colocados no vídeo de uma maneira que choquem/emocionem e, principalmente, façam a gente pensar, mas sem serem apelativos ou bobos. É uma dose inteligente.

L’Odyssée de Cartier mais do que uma campanha extremamente inteligente com o intuito de colocar a Cartier em sintonia com os países emergentes é também esteticamente maravilhosa. Não dá pra não ficar extasiada (muito mesmo!) com as imagens incríveis que vão passando ao longo de todo o vídeo. Com direção de Bruno Aveillan – um craque em ganhar premiações publicitárias – a campanha é uma comemoração aos 165 anos da joalheria.

Essa campanha mundial da Seda tem como pano de fundo a ideia de que existem milhares de mulheres dentro de nós com vontades e gostos diferentes (qualquer semelhança com a  realidade né, não é mera coincidência) e traz tudo isso num vídeo super engraçado e gostoso de assistir. E a música gracinha que toda de fundo é original dos The Everly Brotherse e chama Bye Bye Love.

E por fim, mas nem de longe menos importante, esse vídeo da Dior que eu adoro! Ele mistura duas paixões: beleza e games – ainda mais os dos anos 80 que tem um cantinho especial no meu coração. Daí que na campanha da Dior, eles transformam os produtos da marca nos jogos mais populares dessa década como Tetris, Pac-man, Pong, Super Mario Bros…

E assim como pedido no outro post, esse aqui aceita sugestões de outras campanhas criativas, sejam de moda ou de beleza. Aliás, acabei descobrindo tantas campanhas nacionais tão, mas tão criativa que fiz um update lá na primeira parte. Confiram! haha. Bisous.