Toda a beleza da premiere de Pantera Negra

Essa é a primeira vez que falo sobre uma première de um filme aqui no blog. E não porque eu não costume dar uma espiadinha em fotos de eventos assim sempre que posso – até porque festas que envolvam cinema quase sempre tem um apelo visual muito forte e inspirador. Mas, simplesmente, porque esse nunca foi um tópico que me despertou vontade de escrever ou que eu achasse que podia gerar de fato muita discussão por aqui. Isso claro até essa semana, quando vi as fotos da première de Pantera Negra e fiquei totalmente embasbacada pelo tema, pelas roupas e pela mensagem poderosa que vem disso tudo.

Toda a beleza da cultura africana na premiere de Pantera Negra

Pra quem não conhece, Pantera Negra é um super-herói das histórias em quadrinhos da Marvel que agora no finalzinho de fevereiro vai estrelar uma adaptação para os cinemas. O longa – que segundo a crítica especializada parece estar bem fiel à HQ -, conta a história de T’Challa, o príncipe de um reino africano chamado Wakanda que se vê tendo que lutar contra facções criminosas que querem conquistar seu trono.

O enredo, no entanto, ainda que seja o start pra toda a ação do filme, é só um dos motivos que tem gerado tanta expectativa sobre a história. Mais do que um “filme de super-herói”, Pantera Negra é um filme de um super-herói negro. O primeiro com poderes, aliás, que foi criado no universo dos quadrinhos.

Além disso, agora em 2018, Pantera Negra se torna o primeiro herói negro, de origem africana, a ganhar um filme totalmente solo. E detalhe: esparramando nas salas de cinema de todo o mundo a beleza da cultura africana de Wakanda, que só pelo trailer do filme já se mostra de vital importância para a construção do personagem.

Toda a beleza da premiere de Pantera Negra

Dito tudo isso, já era meio de se esperar que a première do filme acabasse se tornando uma extensão de toda essa história, e tivesse como inspiração-mor a realeza africana. O que não era de se esperar, no entanto, era ver a beleza que a gente viu, em roupas que brincam com cores, tradições e símbolos de um jeito incrível. A começar do próprio tapete vermelho que não era vermelho e, sim, roxo!

Para mostrar então um pouco de todo o impacto que foi esse evento, separei aqui alguns dos looks que mais me chamaram atenção, emocionaram e mostraram a força da cultura africana e poder da realeza. Tomara que isso seja apenas uma prévia do filme maravilhoso que Pantera Negra promete ser.

Os looks

Toda a beleza da premiere de Pantera Negra

Instagram: @lupitanyongo

Uma das grandes estrelas do evento, – que aconteceu no Teatro Dolby, em Los Angeles, na Califórnia – foi Lupita Nyong’o, a atriz que interpreta Nakia, a vilã do filme. Usando um dos vestidos mais deslumbrantes que já vi na minha vida, todo de chiffon, em um tom de roxo superintenso, Lupita deixou todo mundo sem respirar por alguns segundos com sua aparição. O look, feito sob medida para a atriz pela Atelier Versace, tem uma espécie de armadura na sua frente toda coberta de pedras douradas.

Toda a beleza da premiere de Pantera Negra

Instagram: @danaigurira

Danai Gurira (sim, a Michonne de The Walking Dead!), que faz a personagem Okoye no longa, compareceu com um vestido rosa de um ombro só, cheio de pequeninos cristais incrustados. Ele é da coleção de verão 2018 da Viktor & Rolf.

Toda a beleza da premiere de Pantera Negra

Twitter Marvel Studios

Chadwick  Boseman, o próprio Pantera Negra, saiu um pouco do tradicional terno preto masculino e usou uma jaqueta floral da Emporio Armani. Os sapatos são Christian Louboutin.

Toda a beleza da premiere de Pantera Negra

Instagram: @im.angelabassett

Angela Bassett, a mãe do super-herói T’Challa, parecia uma verdadeira rainha Sol iluminando a todos com esse macacão. Em uma entrevista para a People, a stylist da atriz contou que eles queriam uma referência tribal forte no look, além de algo que trouxesse bastante movimento e fosse sexy. A escolha acabou recaindo sobre esse look da designer Naeem Khan, todo trabalhado em franjas.

Toda a beleza da premiere de Pantera Negra

Instagram: @janellemonae

O vestido da cantora Janelle Monáe parecia pra mim saído de um conto-de-fadas, ainda mais com essa coroa dourada que ela uniu à produção. Ele faz parte da coleção pre-fall do designer Christian  Siriano.

Toda a beleza da premiere de Pantera Negra

Instagram: @hollywoodladyj

A atriz Janeshia Adams-Ginyard foi com um dos vestidos mais coloridos e cheios de vida da noite. Tnato ele quanto o chapéu são assinados por Tamara Cobus.

Toda a beleza da premiere de Pantera Negra

Just Jared

Issa Rae foi com um vestido branco que ganhava um toque ainda mais lindo quando a atriz “abria” o seu drapeado: um degradê brilhante que ia do bordô ao verde e que emanava um toque de realeza da cabeça aos pés. Ele faz parte da coleção resort 2018 da designer Rosie Assoulin.

Toda a beleza da premiere de Pantera Negra

Just Jared

E pra fechar essa lista de looks belíssimos, escolhi colocar a foto do ator Donald Glover, que foi pra mim o grande destaque masculino da noite. Ele fez uma escolha nada óbvia, mas que acertou em cheio: um terno laranja de tom quase fosforescente. Uma pena que eu não tenha consigo descobrir o designer responsável pela produção.

E vocês, viram algum outro look da première que tava belíssimo e não apareceu por aqui? Então deixem nos comentários!

Beijos, beijos e até a próxima!

O que aconteceu em 2017

Vou ser sincera: eu não tenho muito do que reclamar de 2017.

Eu comecei o ano de casa nova, depois de ter saído de um apartamento onde eu e Diego éramos muito felizes, mas onde já não fazia mais sentido estar. Mudamos entre o Natal e o Ano Novo, e passamos a virada do ano aqui, no nosso canto novo, comemorando a chegada de 2017 com um jantar feito pelo Di, sem nem imaginar o tanto de coisa que nos aguardava nos próximos 365 dias.

O que aconteceu em 2017

Foi em 2017 que eu terminei meu curso de inglês. depois de dois anos de aulas incríveis e um professor de que eu sempre vou sentir saudades. E tudo bem que eu ainda não seja fluente no idioma (estamos trabalhando pra isso melhorar), mas é inegável o quanto evoluí. Os jogos em inglês que joguei esse ano não me deixam mentir.

Aliás, por falar em jogos, 2017 foi o ano deles.

Eu descobri um amor por jogos que nem sabia que existia em mim. Nunca fui tão assídua na steam e nunca joguei tanto. Life is Strange, The Legendo of Zelda, Cuphead e Stranger Things são só alguns nomes, assim como CS:GO, jogo que há um ano eu jamais pensaria que ia jogar e muito menos acompanhar os campeonatos.

O que aconteceu em 2017

2017 foi o ano em que eu e Di conhecemos Bueno Aires, uma cidade que tem um charme muito peculiar e pela qual eu me apaixonei. Foi o ano em que minha sobrinha, a Gigi, nasceu e assim acabei voltando muito mais pra Leme. O ano em que comecei a fazer pole dance, trabalhei feito louca e fiz fotos muito legais para o blog.

2017 foi o ano em que renovei amizades, em que trouxe gente que amo e me faz bem ainda mais pra perto, e em que percebi que algumas pessoas entraram mesmo na minha vida pra ficar. Foi o ano em que fui madrinha de casamento de uma das minhas melhores amigas, uma pessoa incrível que tá na minha vida há quase 20 anos.

O que aconteceu em 2017

2017 foi o ano em que eu e o Diego voltamos a ver um show do Paul McCartney juntos, sete anos depois de termos assistido uma apresentação dele pela primeira vez. Foi o ano em que decidimos planos maiores para as nossas vidas, já com data marcada e tudo. O ano em que fomos na exposição do castelo Rá-Tim-Bum em São Paulo, e o ano em que conhecemos ainda mais bares, restaurantes e cafés – um “passatempo” de que eu nunca me canso.

O que aconteceu em 2017

2017 foi o ano em que não li tanto ou vi tantos filmes quanto gostaria, mas foi o ano em que mais fui ao cinema e o ano em que tive poucas, porém incríveis leituras.  Foi o ano em que meu cabelo cresceu, engordei alguns quilinhos, abracei meus gatos um dia sim e no outro também, e maratonei séries como se não houvesse amanhã.

2017 foi o ano em que muita coisa mudou por fora, mas principalmente por dentro. O ano em que eu mais cresci e o ano em que antigos sonhos que pareciam meio adormecidos voltaram a inquietar minha cabeça. Um ano muito bom, desses pra ficar na memória.

Que 2018 seja ainda mais maravilhoso e inesquecível do que ele foi. Pra todos nós.

Feliz ano novo e até janeiro!

Por onde andei escrevendo

Hoje é dia 25 de dezembro, também conhecido como dia de Natal, e eu decidi parar um pouco com a comilança e as comemorações para fazer uma retrospectiva aqui no blog. Só que um pouco diferentes daquelas retrospectivas mais pessoais – que eu também amo fazer e talvez até traga para o blog antes do ano acabar -, essa daqui é apenas focada em uma coisa (que não por coincidência é também uma das coisas que eu mais amo fazer na vida): escrever.

Montei uma lista desavergonhadamente egocêntrica de textos que escrevi esse ano e que não só foram legais demais de fazer, mas que também me deram um orgulho danado do seu resultado. Tudo, é claro, com seu devido link relacionado, e a torcida para que vocês não hesitem em clicar e ler cada uma dessas matérias!

Johnny Tattoo Studio

Esse ano continuei a escrever para o Johnny Tattoo e lá em fevereiro falei sobre os filmes que estavam concorrendo na categoria de melhor figurino do Oscar. “Animais Fantásticos e Onde Habitam” acabou levando a estatueta para casa, mas no texto falo um pouquinho sobre todo os longas, e como os figurinos de cada um foram pensados e produzidos.

Por onde andei escrevendo

Croquis de “Animais Fantásticos e Onde Habitam” – Imagens: Divulgação

Conexão Teen

Fiz uma matéria para o Conexão Teen falando sobre como podemos usar as roupas do namorado misturando elas com as roupas do nosso próprio armário. A ideia do texto era fazer a gente sair da caixinha na hora de pensar nosso looks e trazer algumas referências legais de combinações para peças específicas.

Por onde andei escrevendo

Imagem: Pixabay

aLagarta

Em 2017 estive mais uma vez participando da aLagarta, uma revista digital que tem foco na liberdade criativa e que já está na sua 22ª edição (tô na revista desde a 8ª!). Dessa vez, o desafio foi ainda maior, porque me aventurei pelo campo da ficção de um jeito que nunca tinha feito antes. O resultado foi o texto “Sobre a vida quando já não se há mais vida”, um escrito que reacendeu em mim a vontade de escrever um livro.

Por onde andei escrevendo

Foto: Divulgação

No Episódio Anterior

A maravilhosa newslettter No Episódio Anterior me chamou para participar do especial de convidados que eles fizeram entre setembro e outubro, e eu muito feliz escrevi sobre Confissões de Adolescente, uma série que marcou minha vida. O texto me deu um quentinho bom no coração enquanto eu o estava escrevendo e continua a causar o mesmo efeito sempre que o leio.

Por onde andei escrevendo

Imagem: Divulgação

Site Todateen

Desde abril até o começo de dezembro passei a escrever um texto por dia, de segunda a sexta, pro site da Todateen. Foi uma experiência muito, muito incrível e que me ensinou um zilhão de coisas sobre esse universo.

O “problema” é que com tantos textos que eu amei escrever publicados lá no site, foi muito difícil escolher quais compartilhar aqui. Mas, com muito esforço, cheguei em uma seleção dos que mais me marcaram (por diversos motivos) e que me dão muito orgulho.

Plus: um videozinho entrevistando a Malena, que gravei na cobertura de um evento pra tt.

Revista Todateen

E para encerrar o ano com chave de ouro, escrevi um texto para a edição de dezembro da Todateen sobre viagem de formatura. Essa edição, aliás, foi comemorativa de 22 anos (!) da revista, o que só deixou essa matéria ainda mais especial para mim. <3

Por onde andei escrevendo

Imagem: Divulgação

Espero que vocês tenham curtido ler essas matérias tanto quanto eu amei escrevê-las, e para encerrar esse post, queria agradecer muito a quem acompanhou meus textos esse ano, seja aqui ou em qualquer um desses lugares que citei. Vocês fizeram esse 2017 valer ouro! Um beijo e Feliz Natal :)

Wishlist de final de ano

Wishlist de final de ano

  • Agenda/Bloquinho de anotações 2018 〰

Eu sou uma pessoa que acredita em agendas, bloquinhos de anotação e todas essas coisas. Alguém que acredita que ter aquele caderninho no fundo da bolsa pra quando eu preciso botar as ideias pra fora, é motivacional. E leia-se aqui que esse “pra quando eu preciso” não é necessariamente todo dia, nem toda semana e às vezes nem todo mês.

Agendas pra mim funcionam como um lugar onde eu simplesmente escrevo metas, listas, ideias pra posts, anotações aleatórias e mais uma porrada de coisas que pra qualquer pessoa iam soar como uma bagunça, mas que pra mim funcionam a ser alguém mais organizada. De maneira torta, eu concordo, mas mais organizada e até mais motivada.

E tudo isso só pra vocês entenderem que achar uma agenda nova pra mim é um negócio que eu realmente levo a sério. Especialmente nesse final de 2017, onde, aparentemente, todas as papelarias do mundo agora só vendem planners e bullet journals. Que também são incríveis, claro (inclusive quero fazer post sobre isso!), mas que acho que não são pra mim. Portanto, sigo na busca.

Ps: a agenda da imagem daqui de cima foi a que usei esse ano, e sei nem dizer o quanto queria achar uma da Eleven da nova temporada. Se alguém souber de uma, por favor, deixa o link nos comentários!

  • Jaqueta da Gal Gadot 〰

Desde que assisti Liga da Justiça no cinema, não consigo tirar da cabeça a jaqueta marrom que a Gal Gadot usa em uma das cenas. E tá, eu sei que essa mulher é linda e ia ficar maravilhosa mesmo vestindo um saco de lixo, mas a tal da jaqueta era tão impactante e deixou ela ainda mais poderosa que eu fiquei um tanto quanto obcecada por ela. (E se tem algo que a gente precisa concordar é que pra uma peça de roupa deixar a Mulher-Maravilha ainda mais poderosa, é porque é uma peça de roupa incrível mesmo.)

Curiosa que sou, fui pocurar então na internet sobre a tal da jaqueta, e descobri que mais gente tinha tido a mesma ideia e já achado uma versão bastante parecida com a original. No caso essa da montagem daqui de cima, que eu não vou comprar porque é bem cara e eu não tenho dinheiro pra isso, mas que tá servindo como uma referência na minha wishlist.

  • Funkos da Sookie e da Eleven 〰 

Desde setembro, quando o Di me deu de presente os funkos da Lorelai e da Rory, e eu surtei de felicidade no processo, eu fiquei com essa vontade doida de começar uma coleção desses bonecos. O problema é que funkos não são nem um pouco baratos e como dinheiro é uma coisa que eu venho tentando economizar porque vou viajar no começo do ano que vem, vou com calma nesse desejo. Por ora, o que sei é que os primeiros bonecos dessa coleção dos sonhos já estão definidos: a Sookie de Gilmore Girls (afinal Rory e Lorelai precisam de companhia) e a Eleven de Stranger Thins. Elas são mesmo umas lindezas, não são?

  • Conjunto de cozinha de poás 〰 

A Sarah Andersen diz que ninguém vira adulto de verdade (e eu acredito muito nisso), mas acontece que entre funkos e jaquetas da Gal Gadot, eu também gosto de comprar coisas para casa como pratos decorados. Eu fico que nem doida nas lojas de decoração e na internet caçando pratos com desenhos bonitos e formatos diferentes, e ainda que esses daqui da imagem sejam talvez os mais simples de todos os pratos pelos quais já suspirei, um conjuntinho de poás desses (com canecas ainda!) é um dos meus sonhos de consumo da vida. O da imagem é da Kate Spade (uma garota pode sonhar, né?) e tá servindo como referência na minha busca <3

  • Microfone de lapela 〰

Desde que eu comecei esse blog aqui, lá nos primórdios de 2013 (!), junto com ele veio também a vontade de gravar vídeos pro Youtube. Na verdade, eu já ensaiei fazer isso várias vezes e até cheguei a gravar uma dúzia de vídeos lá no meu canal que não tiveram nenhuma periodicidade, mas que me deixaram até que bastante feliz com o resultado. O “problema” é que eu quero ser assídua com essas gravações (especialmente com o projeto do 1001 filmes) e eu tô animada mesmo pra correr atrás disso em 2018.

Pra isso, tô providenciando algumas coisas, como um cartão de memória novo pra câmera, um microfone de lapela, um spot de luz e o principal de tudo: muita motivação, que acho de nada adianta esse tanto de “aparelhagem” se a gente não tiver o principal, né? 😉

Beijos e fiquem a vontade pra compartilharem suas wishlists por aqui também!

São Paulo Fashion Week N44 / Dia 3

Para conferir o que rolou no primeiro e segundo dia de apresentações, é só clicar nos respectivos links.

São Paulo Fashion Week N44 | Dia 3

No terceiro dia de desfiles do SPFW N44, Giuliana Romanno, estilista bastante conhecida por sua alfaiataria sempre muito bem executada, abriu as apresentações trazendo novamente esse elemento tão presente no seu DNA, mas com uma modelagem quase que desconstruída. A assimetria, por exemplo, aparece em muitas das peças, bem como a leveza dos tecidos e dos shapes, que fogem de uma silhueta totalmente definida.

A coleção, além disso, foi toda pontuada por peças brancas e de tons claros (inclusive o rosa millennial, cor considerada mais pop do momento), focando na fluidez e na sensação de suavidade. Um outro lado de Giuliana que a imprensa especializada e os convidados do desfile – que ocorreu na galeria Nara Roesler – parecem ter aprovado com felicidade.

São Paulo Fashion Week N44 | Dia 3

Parece mesmo que a cada nova temporada, o status que Vitorino Campos possui de garoto prodígio da moda parece fazer ainda mais sentido. Nessa coleção, por exemplo, – que a meu ver é uma das mais importantes desse verão 2018 – o designer abriu mão de desfilar suas peças para deixá-las expostas (e possíveis de serem compradas!) na loja Pair, localizada nos Jardins, e também para apresentá-las ao público através de um editorial. Um conceito diferente, mas bastante eficaz.

Dessa forma, público e imprensa conseguiram observar ainda com mais proximidade os detalhes da coleção, criada toda em tons de branco, com poucos detalhes em preto, e que teve como inspiração o álbum Araçá Azul, de Caetano Veloso. Em um estilo quase futurista, as peças iam de trench-coats (maravilhosos!), até calças, macacões e camisetas com a palavra Trance escrita.

Uma coleção limpa, moderna e com uma visão de mercado bastante diferenciada, já que Vitorino disponibilizou alguns dos moldes das roupas para serem baixados de graça em seu site.

São Paulo Fashion Week N44 | Dia 3

O terceiro dia de desfiles do SPFW foi mesmo intenso. Depois de Vitorino Campos foi a vez de Lenny Niemeyer fazer uma das apresentações mais inspiradores de sua carreira, não apenas pelo tema da coleção, mas especialmente pela forma como essas aspirações foram traduzidas nas peças.

Tudo começou com as pesquisas que Lenny fez acerca do trabalho de duas artistas suecas chamadas Hilma Af Klint e Emma Kunz, duas mulheres que durante o século XIX incorporavam à sua arte elementos espirituais, misturando processo artístico com rituais místicos. Admirada pelo trabalho que encontrou, Lenny transportou alguns desses conceitos (e das formas encontradas na arte das suecas) para suas peças. O resultado é um verão de formas geométricas, capas esvoaçantes, tons degradês marcantes e maiôs com recortes estratégicos (formando eles mesmo desenhos). Um mosaico de cores e formas que impressiona e impacta. Estonteante do primeiro ao último look.

São Paulo Fashion Week N44 | Dia 3

Ainda que seja grande a divisão entre quem amou e odiou a coleção apresentada por Vanessa Moe no terceiro dia de SPFW, algo que não se pode negar mesmo estando em qualquer um desses extremos, é que a estilista respeitou o tema que se propôs a falar. Diferente de marcas que vire e mexe caem na questão da apropriação cultural, Vanessa se propôs a mostrar uma coleção que de fato valoriza e exalta a cultura aborígene da Austrália, país em que a estilista mora há 15 anos. Para isso, não só os produtos utilizados em suas peças e até mesmo a maquiagem das modelos (que em sua maioria fazem parte de clãs da Oceania) vem de fato de materiais próprios dessas tribos, como ainda houve um cuidado muito grande em homenagear o poder dessas comunidades – dentro, é claro, de uma realidade tão diferente quanto a de uma semana de moda. Uma maneira bonita e respeitosa de mostrar que a moda, em essência, vai muito além da “tendência da próxima estação”.

São Paulo Fashion Week N44 | Dia 3

Esqueça os biquínis e as muitas horas debaixo de sol. O verão 2018 da PatBo fala sim sobre a praia, mas não do jeito que estamos acostumados. É como se as modelos fossem até lá apenas pra passear, pra molhar os pés na areia, mas não de fato entrar no mar. Essa mistura entre uma quase moda praia com uma moda urbana acerta em cheio, e traz uma riqueza de estampas e detalhes pra coleção que fizeram desse um dos melhores desfiles da marca.

Além disso, uma das coisas mais interessantes dessa apresentação é a evolução de looks apresentados, que começam na década de 20 e desembocam nos dias atuais. Impossível ver as primeiras peças desfiladas e não lembrar das mulheres dos livros de história passeando com suas sombrinhas em pleno Rio de Janeiro de décadas atrás. Um pouco de história, muito de moda e um sem fim de inspirações.

São Paulo Fashion Week N44 | Dia 3

Apesar de ser o segundo desfile da Two Denim no SPFW, essa é a primeira vez que a marca se apresenta sobre a direção de Karen Fuke, ex-estilista da Triton e alguém que definitivamente sabe se conectar com a moda jovem. Isso fica bem claro em toda a apresentação da Two Denim, que mistura elementos do universo da dança flamenca com o jeans, grande estrela da marca, em uma coleção descolada e moderna.

O denim, que aparece em calças, jardineiras, vestidos, jaquetas, saias, blusas e até botas, se mistura a outras peças de algodão, sempre de maneira descontruída e assimétrica. Importante destacar o trabalho com os babados, grande referência do figurino da dança flamenca, que invade as barras e mangas das camisetas (sempre em um efeito “cascata”) e aparece também de maneira sobreposta nas saias.

São Paulo Fashion Week N44 | Dia 3

Possivelmente um dos desfiles mais aguardados dessa semana de moda devido a boa repercussão que suas últimas apresentações tiveram, a LAB continua a fazer bonito. Em uma apresentação pra cima, com muita música e muita animação, a marca comandada pelos irmãos Emicida e Evandro Fióti fez de novo a sua mágica: eles falaram da moda das ruas, da moda acessível, da moda que pensa em todos os tipos de corpo, pra um público e um evento que quase nunca se lembram disso. Inspirados por dois grandes temas – a liberdade e o voo dos pássaros – a coleção segue o estilo despojado de suas outras apresentações, mas agora com um pouco mais de cor e estampa em suas peças. Uma marca que, além da boa roupa que faz, tem uma importância e representatividade enorme dentro do SPFW.

Fotos: Zé Takahashi da Agência FOTOSITE para o FFW