Esse post é uma continuação do Primeira parada: Roma, que você pode ler clicando aqui. Tô escrevendo sem pressa sobre o lugares que conheci na minha última viagem, e ainda tem Milão e Como para aparecerem por aqui.

———————————————————————-

Segunda parada: Amsterdã

Chegamos em Amsterdã no dia 25 de março, no final de uma tarde bastante gelada. E, verdade seja dita, as primeiras horas por lá não foram como a gente havia imaginado.

Em algum momento durante o voo de ida de Roma para Amsterdã, Diego começou a sentir um incômodo no ouvido. E o que no começo parecia ser apenas uma “dorzinha passageira”, se mostrou não apenas uma dor muito forte e insistente, como ainda evoluiu para um quadro  de “- O que você tá falando, não tô ouvindo nada!”.

A preocupação que a gente vinha sentindo no voo só aumentou depois que chegamos na cidade, fomos para o hotel, jantamos e a dor não dava sinais de melhora. Pelo que pesquisamos na internet, era até algo relativamente comum algumas pessoas sentirem um desconforto no ouvido por causa da pressão do voo, mas como a surdez de um dos ouvidos do Diego persistia e gente tava morrendo de medo de algo mais sério ter acontecido (como um tímpano ter estourado, por exemplo), pela primeira vez na vida decidimos acionar o seguro viagem. E, ainda bem, foi bem mais rápido e fácil do que imaginávamos. Tanto que não apenas fomos atendidos algumas poucas horas depois, como o médico foi até nosso quarto de hotel, as duas da manhã, enfrentando um frio de sete graus que fazia lá fora!

Então foi só depois de uma boa noite de sono e de tomar os remédios que o médico passou, que, no dia seguinte, Diego e eu começamos a explorar a capital da Holanda, e a entender um pouco melhor a dinâmica dessa cidade que é tão, mas tão diferente do que estamos acostumados aqui no Brasil. Primeiro pelos seus tão famosos canais que parecem dar até um novo significado para o que entendemos como ruas e avenidas de uma cidade. E segundo pela forma como a esmagadora maioria dos moradores se desloca usando bicicletas e ocupando os espaços públicos, o que dá uma energia diferente para o lugar. Quase como se aquilo não fosse de fato uma cidade (ou pelo menos não uma cidade como estamos acostumados a entendê-la), mas um universo muito bonito criado para algum filme de fantasia.

Segunda parada: Amsterdã

Os lugares visitados em Amsterdã são um capítulo à parte e assim como eu fiz em Roma, achei mais fácil listá-los um a um para não correr o risco de deixar nada para trás. Eles com certeza merecem esse cuidado. Então aqui embaixo vai um pouquinho de tudo que vivemos na capital holandesa.

Segunda parada: Amsterdã

Segunda parada: Amsterdã

Ainda que os lugares listados nesse post não estejam na ordem em que foram visitados, o Van Goh Museum foi de fato o primeiro lugar para onde fomos na manhã seguinte da nossa chegada.

Com os ingressos já comprados com alguma antecedência, fomos sem pressa nenhuma desbravando todas as áreas do museu, que se dividem de acordo com as diferentes fases da carreira de Van Gogh. O que por si só já é algo bastante curioso de se ver, já que o pintor exerceu sua profissão por apenas oito anos, mas, devido a sua entrega artística tão grande, transitou por vários gêneros e produziu mais de 800 pinturas – tendo a maioria delas expostas aqui.

“Os girassois”, “Autorretrato com chapéu de palha” e “Quarto em Arles” (que na verdade são três pinturas) são apenas algumas das obras que estão nesse lugar. Vê-las pessoalmente e conhecer as diferentes incursões que Vincent fez dentro da pintura é algo um tanto quanto emocionante, especialmente quando, pouco a pouco, vamos conhecendo também sobre a história da sua vida. Algo, aliás, que ajuda bastante nessa compreensão é a área dedicada às cartas que ele enviava para seu irmão Theo. Elas ganham um lugar de destaque no museu e falam não apenas sobre a produção de suas obras, mas também sobre as crises emocionais e as reflexões sobre a vida que o pintor fazia.

Um lugar incrível, pra aprender muito e se admirar ainda mais, que eu indico fortemente pra todos que forem pra Amsterdã.

Segunda parada: Amsterdã

Segunda parada: Amsterdã

Bem próximo ao Van Gogh Museum, está o Rijksmuseum, um dos museus mais importantes de Amsterdã e um daqueles lugares impossíveis de não serem notados. Sua entrada, como a foto daqui de cima mostra, é muito chamativa e imponente, e seus corredores abrigam um acervo GIGANTESCO de pinturas, mobílias, pratarias, porcelanas e vários outros itens importantes para a história dos Países Baixos.

Ainda que a gente não tenha conseguido ver o museu de cabo a rabo (porque realmente eram muitas áreas), várias coisas do seu acervo me marcaram. Entre elas estava o quadro “A Ronda Noturna” do Rembrandt, toda a sua área impressionante de cultura oriental, uma sala que tinha uma biblioteca gigantesca (e da onde eu não queria mais sair) e os vitrais deslumbrantes da sua entrada. O tipo de passeio que nos ajuda a entender melhor a história e as influências artísticas do país. E, de quebra, um pouco da sua história política, econômica e social.

Segunda parada: Amsterdã

Segunda parada: Amsterdã

O Vondelpark, o maior parque de Amsterdã (e que fica pertinho desses museus que falei aqui em cima) é pra mim uma das regiões mais gostosas da cidade. Com uma área verde enorme, lugares para andar de bicicleta, descansar, fazer um piquenique com os amigos e passear sem pressa, ele é considerado por muita gente como a versão holandesa do Central Park.

Quando chegamos na cidade em março, o frio estava um pouquinho mais ameno, e por isso, infelizmente, não conseguimos ver as águas do Voldepark congeladas. Mas tudo bem também, já que esse parque não é menos belo ou menos convidativo por causa desse fato. Ao contrário: ele foi provavelmente o lugar em que mais vi locais e viajantes se misturando – o que em cidades turísticas assim, é um ponto mais do que positivo.

Segunda parada: Amsterdã

Segunda parada: Amsterdã

Se eu que nem bebo cerveja curti pra caramba a visita a Heineken Experience, as chances de você também gostar são muito altas! Mais até do que entender a história da empresa, que é sim interessante e existe desde o século XIX, o que me fez pirar mesmo na visita foi conhecer o processo de produção da bebida, poder mexer nos caldeirões, sentir os cheiros, provar a cerveja durante as suas fases de produção e todas essas coisas que eu acho muito doidas e legais de se ver.

Além de tudo isso, rola essa proposta da visita à fábrica ser o mais dinâmica e divertida possível, então ocorrem vários vídeos, brincadeiras, fotos e interações com as instalações do lugar durante todo o tempo que você fica lá dentro. E, no final do percurso, cada pessoa ganha duas Heinekens pra beber, e ainda pode participar de uma competição pra descobrir quem serve o chopp com o melhor colarinho. Por incrível que pareça, eu ganhei da galera na rodada em que participei e ri muito da situação porque a verdade é que eu não tinha a menor ideia do que tava fazendo.

Segunda parada: Amsterdã

Segunda parada: Amsterdã

Localizado ali também na região do Vondelpark, perto dos outros museus de que eu já falei aqui no post, o Moco Museum pode até parecer menos atrativo por causa do seu tamanho, mas é o mais ~diferentão~ de todos os museus que visitei em Amsterdã e o único focado em arte moderna. Ainda que pequenininha, a casa onde ele fica mantém um acervo de obras do Bansky – o artista de rua que ninguém sabe ao certo a identidade e que transformou seus grafites em grandes críticas sociais e políticas  – e do Roy Lichtenstein, um dos artistas mais influentes da pop art.

Os cômodos da “casa” se dividem entre as suas principais obras (nunca que eu achei que fosse ver essas imagens de perto) e no final da exposição você ainda confere uma instalação do Lichtenstein que mostra o interior em 3D de um quarto inspirado no “Quarto em Arles” (uma famosa obra do Van Gogh), mas feito com as características do artista. A foto daqui de cima mostra um pedacinho dessa maravilhosidade.

Segunda parada: Amsterdã

Segunda parada: Amsterdã

Eu não esperava por isso, mas visitar a casa do Rembrandt foi talvez uma das experiências mais emocionantes dessa viagem. Diferente de todos os outros museu que já fui, ver as obras criadas por um artista no lugar em que ele as fez, andando pelos cômodos em que ele viveu e tentando entender um pouco do tipo de vida que levava e da pessoa que era, é uma experiência única. De verdade.

Foi muito especial ver o seu ateliê, onde ele dava aula pra tantos outros artista da época. Mas, de longe, o mais incrível dessa visita foi poder assistir a uma aula que é dada no lugar e que mostra como era o processo de produção das tintas que os artistas usavam no período. Feita em uma grande pedra (na foto aqui de cima dá pra ver direitinho), um pintor mostrou a produção de cada uma das cores ali na nossa frente, reproduzindo a mistura de materiais, falando sobre o preço de cada um deles (e como isso influenciava também no preço das obras) e dando vida a tons que a gente encontra nas obras de Rembrandt. Mágico de um tanto que eu nem sei dizer.

Ps: caso você vá visitar o lugar e tenha ficado com vontade de assistir a essa aula, tem que conferir direitinho no site oficial deles os dias e horários em que ela é feita. Mas aviso desde já: vale muito a pena!

——————————————————–

Fora todos esses lugares incríveis, Amsterdã é ainda uma cidade onde andar e ~ficar de bobeira~ são coisas que tem um charme muito maior do que o normal. Entrar em um café aleatório e pedir uma apple pie, passear pelos canais, ir até a frente da casa da Anne Frank (infelizmente não conseguimos comprar os ingressos a tempo, mas andar pela região e ver algumas homenagens feitas para ela já foi muito emocionante) e ficar sentada em um banquinho, apenas olhando o mar de bicicletas nas ruas, foram coisas para se fazer quase tão importantes ou legais quanto os museus e lugares daqui de cima. Eu amei demais e quem sabe um dia, ainda volte.

Até lá, continuo economizando e planejando outras viagens, e escrevendo um pouco sobre elas por aqui porque pra mim ainda é o melhor jeito de reviver todos esses momentos :)

Beijos procês e até mais!