Para ver o que rolou no primeiro e segundo dia é só clicar nos links.

Reinaldo Lourenço

Reinaldo Lourenço

Sempre fazendo escolhas certeiras nas locações dos seus desfiles, a apresentação de Reinaldo Lourenço que abriu o terceiro dia de SPFW não fugiu à regra. Para ambientar ainda mais o tema da coleção inspirada no cinema e que marcou o retorno do estilista ao evento (fazia duas temporadas que Reinaldo não se apresentava), o designer apostou em um prédio bastante cinematográfico na região da Paulista.

Ali, uma série de looks foram desfilados pegando onda nos filmes “De olhos bem fechados”, de Stanley Kubrick e “Morte em Veneza” de Luchino Visconti, além de um toque de inspiração vindo da estética do cantor Sid Vicious, baixista do Sex Pistols.

Toda essa mistura resultou em uma coleção bastante elogiada pela crítica, que foi de conjuntinhos ora xadrezes ora com babados descontruídos, até vestidos com transparências estratégicas. Esses últimos, aliás, eram extremamente fluidos, e pareciam saídos de um sonho que, ainda que fosse sensual, eram sofisticado na medida para agradar em cheio ao público do designer.

Modem

Modem

Estreante no SPFW N45, a Modem, marca comanda pela dupla André Boffano e Sam Mendes, nasceu há cerca de três anos no mercado fashion, e mesmo com tão pouco tempo de estrada, conseguiu conquistar um público fiel e chamar atenção da crítica especializada. Feito esse bastante admirável, vale dizer, tendo em vista tantas grifes incríveis que levam anos para consolidar seu nome na cena nacional.

Em seu primeiro desfile na semana de moda de São Paulo, a marca manteve as características de alfaiataria e arquitetura que apresenta desde sua primeira apresentação, mantendo como objetivo fazer roupas que não sigam tendências e passem a fazer parte da vida de suas clientes de modo atemporal. Com uma cartela de cores mais ampla do que o normal, a Modem trouxe inspirações (e não um tema, como eles mesmo gostam de frisar) no Memphis Group e no artista austríaco Ettore Sottssas, apostando bastante no couro, cortes retos, terninhos e camisas de seda.

As fendas e franjas das saias de couro, os babados assimétricos dos vestidos e as peças de tricô com bordados manuais deram um toque original a apresentação da marca que, assim esperamos, promete ter uma vida longa e belíssima no SPFW.

Fernanda Yamamoto

Fernanda Yamamoto

Inspirada por um tema extremamente interessante e humano, a designer Fernanda Yamamoto foi buscar referências para sua coleção na comunidade japonesa agrícola Yuba, que fica no interior de São Paulo, nos arredores da cidade de Mirandópolis. Lá, centenas de imigrantes vivem em um sistema extremamente sustentável, que não utiliza moeda e que se baseia na cultura agrícola e no universo artístico. Na prática, isso quer dizer que além de plantarem seus próprios alimentos e construírem suas próprias casas, a comunidade se dedica na mesma medida às artes, seja através da música, do teatro ou da dança.

Esse universo de harmonia entre o manual e o artístico foi levada para as peças da estilista através da escolha dos tecidos (extremamente leves), dos tingimentos (feitos todos manualmente utilizando cúrcuma, semente de avocado, feijão preto e outras matérias-primas), dos plissados e amarrações (que remetiam a cultura japonesa) e da própria escolha do casting, que contou com sete mulheres vindas diretamente da comunidade para desfilarem.

Uma apresentação conceitual sem dúvida alguma leve, inspiradora e na mais perfeita harmonia.

TOP 5

Borana

Borana

Kalline

Kalline

Karine Fouvry

Karine Fouvry

LED

LED

Vankoke

Vankoke

Dando sequência ao line-up do terceiro dia de apresentações, foi a vez do projeto TOP5 mostrar um pouco do seu trabalho para o público do Ibirapuera. Parceria entre o Instituto Nacional de Moda e Design (IN-MOD) e do SEBRAE Nacional, o TOP5 é uma plataforma que visa orientar e dar visibilidade a pequenos negócios da indústria de moda durante um período de 12 meses. Nesse tempo, as marcas escolhidas para compor o projeto são ajudadas por especialistas da área fashion, com conselhos sobre gestão empresarial e consultoria em desenvolvimento de produto. E, no final do período, fazem uma apresentação no SPFW mostrando tudo que aprenderam e levaram para sua nova coleção.

Nessa edição, a plataforma contou com as marcas Borana, do Espírito Santo, Kalline, de Santa Catarina, Karine Fouvry, do Rio de Janeiro, LED, de Minas Gerais e Vankoke, do Rio Grande do Norte. Elas já haviam se apresentado na edição passada do evento, – antes de passarem pela ajuda da plataforma – e agora voltaram para a semana de moda para mostrarem os resultados dessa iniciativa.

A grife Borana, focada em moda praia, veio bastante leve e colorida, com estampas tropicas feitas todas em aquarela e usando materiais bastante brasileiros, como o macramê e a palha. Já a Kalline, que existe há mais de 25 anos no mercado e é expert em peças de couro, abraçou a ideia de se reinventar, aperfeiçoando algumas técnicas no uso desse tecido e apostando em um design diferenciado do que estava habituada. A LED, por sua vez, marca no gender com uma pegada extremamente cool e moderna, focou bastante no conceito, e trouxe para a passarela uma discussão sobre a perseguição contra as minorias tão presente ainda em nossa sociedade.

Para fechar o TOP5 com chave de ouro, a Karine Fouvry reforçou ainda mais sua assinatura de fazer roupas para mulheres fortes e poderosas, apostando em peças fluidas e longilíneas (e se abrindo para parcerias com novos artistas), e a Vankoke fez um trabalho extremamente delicado e manual de pinturas, inspirado na arte da botânica inglesa Margaret Mee.

Fabiana Milazzo

Fabiana Milazzo

A valorização do trabalho handmade, a preocupação ambiental e a tomada de consciência do que estamos comprando foram temas que, ainda que em segundo plano, pautaram a última apresentação da designer Fabiana Milazzo.

Com uma coleção que teve sua principal fonte de inspiração em uma viagem que a estilista fez ao Peru, os looks mostrados na passarela apostaram em tecidos sustentáveis (inclusive em alguns extremamente brilhantes, que lembravam uma textura líquida), nas lantejoulas reversíveis (tão em voga nos últimos tempos) e em um trabalho primoroso de bordado, feito tanto em vestidos longilíneos, quanto em camisas e saias.

Parte desse trabalho lindíssimo foi feito pela “Mulheres de Renda”, ONG fundada pela própria Fabiana em Minas Gerais que visa ensinar a técnica do bordado a mulheres desempregadas da região. Além de disponibilizarem alimentos e atividades para seus filhos, de forma que elas possam se dedicar inteiramente às aulas, o projeto tem como objetivo capacitar as alunas a viverem do bordado, transformando-o de fato em uma profissão para cada uma.

Aquele tipo de iniciativa bonita e rara de se ver no mundo da moda, onde a consciência e responsabilidade social nem sempre são levadas a sério.

Memo

Memo

Além de partir de uma premissa bem pé no chão de que uma coleção de activewear deve mostrar ao público como essas roupas irão se comportar no dia a dia, quando delas se é exigido conforto e flexibilidade, a Memo ainda deu um toque de alegria ao seu desfile, mostrando que sabe bem como se conectar com seus consumidores.

Isso tudo porque a marca decidiu mostrar seu verão 2019, feito em colaboração com a grife Isolda, através de uma batalha de dança, onde bailarinas dançando voguing (estilo bem famoso nos anos 80) mostravam a beleza das peças e da sua diversidade de biotipos. Com corpos, estilos e gingados completamente diferentes, a escolha das dançarinas mostrou a preocupação da marca de se conectar com um público muito diverso e, tão importante quanto, fazer uma coleção real, onde as peças desfiladas realmente fossem vendidas nas lojas depois.

Nas peças os tons neons e as estampas florais prevaleceram, assim como os jaquetões que lembravam quase capas devido ao seu comprimento e davam ainda mais bossa aos conjuntinhos esportivos.

Amir Slama

Amir Slama

Fechando os trabalhos do terceiro dia de desfiles, Almir Slama levou sua moda praia chique mais uma vez para as passarelas do SPFW. Provando que mesmo tendo alguns elementos esportivos incorporados à sua marca (Amir chegou, inclusive, a apresentar uma minicoleção fitness antes da sua apresentação oficial), o estilista mantém seu DNA ao fazer peças que vão da praia até a cidade com a mesma elegância.

Inspirado pelo Palácio Imperial de Petrópolis, o designer levou as cores, estampas e as formas da arquitetura dessa construção para as peças da coleção, que incorporaram ainda muito dos babados transversais que vimos em roupas dessa temporada, e os vestidos fluidos com partes de cima estilo body e partes debaixo esvoaçantes. Vale um destaque ainda para o conjunto de top e calça de tecido envernizado, e as peças bordadas com um quê de lingerie, muito belas e bem impactantes na passarela.

Beijos e até mais

Fotos: Zé Takahashi/Ag. FOTOSITE para o FFW

Fotos TOP5: Marcelo Soubhia/Ag. Fotosite para o FFW