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São Paulo Fashion Week N44 | Dia 2

Apresentando uma coleção onde o preto e branco são as grandes estrelas, – quase sempre em estampas lisas, que fazem as cores se tornarem ainda mais fortes e presentes no desfile – a Uma se inspirou no trabalho do artista americano CyTwombly para criar os poucos grafismos que aparecem nas peças, mas que trazem um ar ainda mais sofisticado aos looks apresentados.

Com um desfile que aconteceu na Japan House, centro cultural dedicado a cultura japônica, inaugurado esse ano em São Paulo, a marca apostou em tecidos bastante delicados e acetinados, que pareciam prestes a esvoaçar pela passarela. Com uma grande quantidade de vestidos longos, robes e macacões, as peças transpiravam conforto e tinham um quê de esportivo chic muito leve e fluido. Uma coleção bonita de se ver e que ainda pontuou alguns looks laranjas estratégicos no meio da apresentação.

São Paulo Fashion Week N44 | Dia 2

Com a proposta de falar sobre o empoderamento feminino, a Paula Raia fez uma apresentação bastante diferente do usual, utilizando um espaço artístico localizado na Vila Madalena para criar uma espécie de performance da coleção. Em quatro ambientes decorados com cristais, as modelos passeavam com calma e delicadeza, de modo que o público pudesse acompanhar seu passeio – e suas roupas – de maneira muito mais detalhista.

As peças eram quase sempre vestidos esvoaçantes, cheios de camadas e em tons de rosa claro, que se repetiam também nos cristais e nos robes distribuídos para a imprensa durante a apresentação. Tudo muito místico e sensorial, mas ao mesmo tempo, bastante longe da ideia que eu acredito que seja a de empoderamento feminino. Não que o rosa ou a delicadeza das peças não possam significar isso, mas essas já são imagens tão batidas sobre as mulheres, que fiquei um pouco decepcionada com tudo o que a coleção poderia ter sido e não foi.

São Paulo Fashion Week N44 | Dia 2

Desde quando comecei a acompanhar desfiles, sempre me senti impactada pelas coleções da Osklen e pela filosofia da marca em relação aos materiais de sua produção, coisa bastante rara de se ver nas grandes marcas daqui ou lá de fora. Só que nessa coleção, em especial, a grife de Oskar Mitzvah conseguiu elevar isso a uma potência ainda maior, fazendo uma apresentação extremamente viva, de bom gosto, com roupas até mais comerciais do que de costume e com uma história linda por trás de si.

Pegando como referência as obras de Tarsila do Amaral, a Osklen mostrou na passarela 42 looks que parecem eles próprios uma representação do processo artístico da modernista. Começando com roupas em preto e branco que remetiam a esboços feitos de lápis e nanquim (e que muitas vezes apareciam eles próprios estampados nas peças), e indo até suas pinturas mais famosas, como o Abaporu, a marca fez uma homenagem linda e muito bem pensada da artista.

Algumas peças como vestidos e conjuntinhos (explorando bastante o uso da seda e do linho), traziam os quadros inteiros estampados, criando um visual extremamente poderoso e que não deixava de lado o DNA da marca.

São Paulo Fashion Week N44 | Dia 2

Assim como nos últimos anos as roupas da academia têm invadido as ruas, ainda que com uma nova roupagem e proposta, vem se tornado cada vez mais recorrente ver peças do beachwear sendo usadas no dia a dia. Prova disso são os maiôs que vem sendo usados cada vez mais como bodys, as saídas de praia que têm ficado cada vez mais chics e sendo estendidas para eventos sociais, e até as cangas, que tem aparecido no lugar das saias. Elementos que estavam todos no desfile da Vix, marca de moda praia que desfilou pela segunda vez no SPFW.

Só que além das mudanças pelas quais o beachwear parece passar, a coleção da Vix tem ainda seu maior espaço para a moda praia “tradicional”, ainda que o seu tradicional seja muitas vezes pontuado por partes de baixo de cintura alta e maxi chapéus que roubam a cena. Tudo com uma inspiração de “Trópicos”, tema da coleção que se faz bastante presente nas cores e estampas desfiladas.

São Paulo Fashion Week N44 | Dia 2

Ainda que Fabiana Milazzo tenha estreado no SPFW na edição passada com uma coleção muito bem falada, essa segunda apresentação da estilista mostrou um trabalho ainda mais focado nos detalhes e no uso inteligente dos materiais. O caimento das peças, os volumes e os bordados parecem sair do lugar comum, fazendo com que a gente não desgrude dos olhos de cada novo look que cruza a passarela.

A coleção é toda de moda festa e teve como inspiração o mundo dos sonhos, que foi levado para as roupas através das estampas oníricas e da leveza das peças. Além do impacto que os vestidos me causarem, gostei especialmente de alguns looks que trocaram as sandálias de salto alto por mules bordados, deixando ainda mais fresca a apresentação.

São Paulo Fashion Week N44 | Dia 2

No final do ano passado, lembro de ter assistido ao desfile do João Pimenta lá na Bienal e ter dito que ele havia conseguido se superar daquela vez. O problema é que isso parece ser uma constante, já que a cada nova edição, ficamos com essa sensação de que a marca João Pimenta está ainda mais forte, ainda mais bonita, ainda mais comercial e ainda mais conceitual, tudo ao mesmo tempo.

Com foco na moda masculina e sempre trabalhando para um público fiel, que preza por sua veia artística, João Pimenta tem uma liberdade (e ousadia) para trabalhar que é bonita de se ver. Como nessa coleção, onde ele fala sobre céu, inferno e um meio-termo entre esses dois (uma espécie de purgatório, talvez?), e não tem medo de misturar referências fetichistas com peças fluidas e lisas, e um trabalho primoroso de bordado.

Destaque especial para as amarrações que aparecem de diferentes formas nas peças e para as estampas de chamas dos últimos looks, que criam efeitos incríveis.

São Paulo Fashion Week N44 | Dia 2

Com uma cartela de cores bem marcante e que dita o tom da coleção, a Lilly Sarti, marca comandada pelas irmãs Lilly e Renata Sarti, fez uma apresentação que aposta em looks bastante usáveis nas ruas, e que prometem despertar o desejo das mulheres urbanas que buscam referências de moda que sejam práticas e funcionem no dia a dia.

Os conjuntos mais estruturados (com partes de baixo feitas com de couro de cabra) se contrapõem aos macacões despojados e aos vestidos esvoaçantes, que apesar da fluidez, nunca perdem de vista o formato do corpo feminino. Prático, belo e bem feito.

São Paulo Fashion Week N44 | Dia 2

Sem medo de fazer um caldeirão de cores, estampas, materiais, tecidos e técnicas, a Triya, famosa marca de beachwear, desfilou na segunda-feira uma coleção cheia de vida, de diferentes estilos e com grandes destaques ao longo de sua apresentação, mas que quando vista toda junta, não pareça criar uma unidade entre si.

Tendo como inspiração o poema de Oswald de Andrade, “Erro de Português”, que fala sobre a chegada dos portugueses ao Brasil em 1500, a marca se propôs a desvendar a riqueza da natureza brasileira, das vestimentas dos índios e até dos bichos que por aqui habitavam, vista toda do ponto de vista dos colonizadores. Assim, além das estampas que parecem passear por rios e florestas, as peças ganham técnicas bastante artesanais, seja em maiôs, saídas de praia, biquínis hot pants e até calça. Uma mistura bonita, mas que teria ganhado um pouco mais de brilho se tivesse focado em apenas algumas das inspirações e deixado a coleção mais coesa.

 

Fotos: Zé Takahashi da Agência FOTOSITE para o FFW

Beijos e até já, já com o dia 3!