Eu admiro pessoas que conseguem escrever com leveza. Gente que consegue transformar um tema quase considerado bobo, como, sei lá, o brinquedo novo que comprou para o cachorro, em algo que a gente tem um prazer gigantesco de ler. E com a mesma maestria, de um jeito descomplicado que é de dar inveja, vai lá e fala também sobre a viagem que mudou a sua vida, sobre como é ter o emprego dos sonhos, sobre uma história de amor que já viveu, e sobre qualquer outro tema enorme e profundo, de um jeito descolado de quem tá contando um causo para um amigo no bar.

Ainda que eu não seja nenhuma especialista em técnicas de escrita, nesses muitos anos de ávida leitora e nesses outros tantos como jornalista, eu aprendi a ver e apreciar diferentes estilos de texto. Só que muito raramente, quando menos eu espero, alguém assim aparece. Alguém que escreve de um jeito que eu paro e penso: é isso. Essa pessoa conseguiu.

Vejam bem, eu amo escrever matérias. Pesquisar, selecionar informações, responder ao lead e desenvolver o texto de um jeito que informe, que envolva, que cutuque o leitor. E amo escrever ficção. Taí algo que talvez vocês não saibam sobre mim, mas eu sempre tive um apreço especial por textos em que eu podia criar a minha própria história. Tanto que foram por causa desses textos que eu decidi cursar a universidade que cursei. Mas o fato é que eu tenho esse amor escrachado, desbundado, sem o mínimo pudor por textos que tenham um pé ali entre a crônica e a carta, entre a conversa de portão e o bilhetinho deixado correndo na geladeira.

Textos que falem sobre a vida, ou sobre parte dela, sobre um dia, ou sobre morrer de amor. Textos de gente com o Caio Fernando Abreu (um dos meus escritores preferidos), que falam com a mesma intensidade e loucura sobre conviver com uma doença como o HIV ou sobre as previsões do horóscopo.

Textos como esse que li essa semana, do Leo Aversa. Tão corriqueiro, tão divertido e leve. Uma gostosura de ler.

Ou textos ainda como os que o Gian Lucca escrevia para o GWS. Sempre sobre umas paradas doidas que passavam pela cabeça dele e que eram maravilhosamente alucinantes de acompanhar.

Me encham de textos assim na vida, por favor. Me deixem ir ali mergulhar neles. De corpo, cabeça, alma e inspiração.

Bisous, bisous e até amanhã!