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Eu sei que faz um tempo que eu não falo das minhas leituras por aqui, mas acontece que essa época de final de ano me animou a ler bastante, e eu mergulhei em histórias tão legais e inteligentes que esqueci de todo o resto.

Com esse saldo de leituras totalmente maravilhoso nas mãos, eu não podia deixar de fazer um compilado aqui no blog falando um pouquinho sobre cada uma delas. Nada técnico, claro. Aliás, as minhas resenhas aqui (tô pensando seriamente em deixar de usar essa palavra) nunca seguem nenhuma regrinha não. Eu falo só sobre o que quero, o que me toca, me inspira e coisas que eu acho interessantes a respeito da obra.

Mas ó, se alguém quiser saber alguma informação sobre esses livros que eu não coloquei aqui no post, é só deixar nos comentários que eu vou ajudar no que souber. E se alguém aí quiser indicar mais leituras legais pra esse final de ano, tô super aberta a listinhas. (:

 

Todo mundo conhece a história de Peter Pan, o menino que não queria crescer, e da Terra do Nunca, lugar habitado por garotos perdidos, fadas e o temível Capitão Gancho.

Eu já assisti vários filmes com versões diferentes dessa história, mas sentia que faltava o principal: ler a obra original e entender o verdadeiro relato que deu origem a tudo isso. Por esse motivo que pirei quando ganhei essa edição maravilhosa da Zahar – ilustrada e comentada! – de Dia dos Namorados do Di. Todos os livros dessa coleção são de cair o queixo (inclusive os de bolso), e isso me deixou ainda mais empolgada, já que essa leitura é muito clássica e edições completas assim tendem a te fazer mergulhar ainda mais fundo na narrativa.

Dito e feito: J. M. Barrie se inspirou em pessoas, lugares e acontecimentos da sua vida para criar uma história de fantasia cheia de lições e ensinamentos importantes. Ninguém possui apenas uma faceta, ninguém é apenas bom ou apenas mau (coisa bastante recorrente em textos infantis) e foi só aqui no livro que eu percebi como alguns personagens, como os pais de Wendy e a próprio Sininho, são muito mais complexos e importantes pra narrativa do que parecem.

Vale ler especialmente nessa edição, que ambienta as condições e motivos que levaram à criação dessa história, e discute à fundo várias passagens maravilhosas do livro.

 

Um dos livros que li no ano passado foi “Bidu – Caminhos”, uma das HQ’s do selo Graphic MSP. Pra quem não conhece, esse é um projeto feito pelo Maurício de Souza em que ele cedeu seus personagens da Turma da Mônica para outros ilustradores brasileiros, deixando que eles criassem suas próprias releituras e histórias da turma da Rua do Limoeiro.

Bidu me conquistou tanto, mas tanto, que resolvi pedir emprestado para o Diego Dias (aka @pretobrasico no instagram) os outros livros da série. Comecei por “Laços” e fiquei muito surpresa com os traços do Vitor e da Lu Cafaggi. O trabalho da Lu eu conhecia um pouquinho por ter visto algumas ilustrações que ela fez pro livro da Bruna Vieira, o Quando Tudo Começou, mas do trabalho do Vitor eu realmente não conhecia nada. Foi uma surpresa muito boa ver o quanto eles deram vida aos personagens de uma maneira completamente original, sem interferência alguma dos quadrinhos do Maurício. Não é só no aspecto físico, mas também no tipo de história (que é fofa, mas muito adulta e sábia) que a gente vê o quanto isso fica evidente.

Nesse livro aqui, aliás, a trama gira em torno do desaparecimento do Floquinho e do plano que Cebolinha, Cascão, Mônica e Magali armam para achar o cachorrinho e trazê-lo de volta pra casa.

O livro não está entre as minhas leituras favoritas da série, mas é indiscutivelmente uma gracinha, e tô muito curiosa pra ver como isso vai ficar nas telonas, já que agora na Comic Con foi anunciado que ele vai virar filme em live-action!

 

Depois de Laços foi a vez de ler Lições, também dos irmãos Vitor e Lu Cafaggi. Os traços das duas histórias são os mesmos, mas ainda que eu tenha achado Laços uma graça, Lições apertou meu peito.

Acho que o maior mérito desse livro é conseguir mostrar de maneira simples e bonita como são nos momentos mais difíceis e inesperados que aprendemos as maiores lições da vida. Tanto é que nessa HQ nós vamos acompanhando os personagens em histórias diferentes (depois de um incidente em comum) e percebendo como cada um tem seu tempo e sua maneira de aprender sobre o que fez.

É muito apaixonante e me fez ficar pensando um bocado de tempo depois que virei a última página.

 

Eu tava muito curiosa pra ler Astronauta Magnetar porque esse livro foi a primeira HQ que a Graphic MSP fez, porque ele é o preferido de muita gente e porque ele tem uma história que foi super bem criticada. E a real é que depois de ler o livro, eu achei que faz mesmo sentido todo esses holofotes que ele ganhou dentro da coleção.

As outras HQ’s do selo têm histórias bem desenvolvidas e conflitos mais crescidos do que as histórias infantis da Turma da Tômica, isso é fato. Mas ao mesmo tempo todas elas mantém um certo clima “fofo”, inclusive nos traços, que traz sempre uma moral por trás de uma história bonitinha.

Astronauta Magnetar não tem uma história bonitinha. O livro não é sutil, não tem traços sutis e não tem nada de fofo. Isso faz com que a gente se depare com um outro tipo de narrativa, que é mais triste, mais pesada, mais crua.

Chama a atenção porque é uma forma muito diferente de dar vida a um dos personagens da série, e chama a atenção porque tem uma história bem soco na boca do estômago: o astronauta fica perdido, sozinho e vendo seus dias de suprimento e sanidade se esgotarem, depois que uma peça da sua nave quebra e ele não consegue voltar para a Terra.

É um livro bem denso e eu fiquei muito maravilhada em ver como o Danbilo Beyruth conseguiu ilustrar tudo à altura, com uma atenção impressionante para os detalhes do espaço.

 

ast.

Astronauta Singularidade segue a mesma fórmula do livro anterior do personagem, mas, ainda que eu tenha achado a história aqui bem interessante, ele não teve o pra mim o mesmo efeito de Autronauta Magnetar.

É difícil fazer comparações desse tipo, eu sei, mas acho que o primeiro livro mexeu tanto comigo que eu fui ler o segundo com as expectativas lá em cima e fiquei um pouco decepcionada com o que encontrei.

Ainda assim, vale muito a pena a leitura da obra, especialmente por causa das ilustrações incríveis que ela têm. Eu diria até que mesmo que não houvessem plots inteligentes e muito bem desenvolvidos em ambos os livros, ainda assim valeria a pena olhar página por página de cada um deles e admirar as suas imagens maravilhosas.

 

Essa biografia do Steve Jobs foi publicada em 2011 e desde então eu venho alimentando essa vontade de ler o livro. Acabou que demorou quatro anos, mas finalmente eu tomei coragem pra ler as mais de seiscentas páginas que compõem essa história.

Biografias por si só não são fáceis. Pelo menos pra mim, biografias sempre exigiram mais atenção, concentração e pausas entre alguns capítulos do que outros livros em geral. É como se elas sugassem ainda mais de mim e mostrassem que entrar na vida de outra pessoa, sendo ela quem quer que seja, nunca é fácil.

Então se em geral biografias não são fáceis de serem lidas (ainda que eu tenha tido muita sorte com leituras que quase sempre valeram muito a pena), fica até meio difícil classificar uma biografia que fale de Steve Jobs. Se no lado público ele foi uma das mentes mais brilhantes dos últimos tempos, tendo revolucionado a tecnologia, o cinema e a música com suas ideias e invenções, no lado privado ele foi uma das figuras mais complexas e intrigantes sobre as quais eu já li. Alguém que por alguns momentos se mostrava de uma humildade gigantesca, com suas crenças budistas, suas meditações, seu veganismo e sua vontade de transcender, e por outro, se mostrava um escroto, abandonando a própria filha, humilhando os funcionários e sendo o rei dos narcisistas.

Jobs é alguém que tem um cérebro que eu admiro, mas que tem um coração que eu desprezo, e ler a sua biografia nesse ano foi de uma intensidade que eu nem sei botar em palavras.

 

Não é segredo pra ninguém o quanto eu gosto de Legião Urbana, então foi meio que inevitável que assim que eu ficasse sabendo desse livro, já começasse a me dar coceirinha pra comprá-lo.

A leitura dele é um pouco cansativa porque o livro não é um diário como a gente tá acostumados, com pensamentos soltos do seu escritor. A escrita aqui é muito mais organizadinha, já que os textos fazem parte do programa de reabilitação dos alcoólicos anônimos (um dos vícios do qual Renato tentava se livrar), seguindo seus doze passos e resultando em um compilado de listas (faça uma lista com situações em que você se sentiu com medo, por exemplo), melhoras do seu dia e histórias pessoais e da banda.

É um livro que eu gostei porque sabia bem do que ele falava antes de começar a leitura, mas se você não é fã da Legião ou do cantor, acho melhor nem se arriscar nas suas páginas.

E vocês, o que andaram lendo nos últimos tempos?

Bisous, bisous