É claro que eu também adoro os filmes Esqueceram de Mim e O Estranho Mundo de Jack. Mas ainda que inevitavelmente eu os assista no Natal, já que alguns canais vão fazer questão de transmiti-los ou eu simplesmente fique embriagada pelo clima e queira ver algum filme com essa temática, os meus filmes preferidos dessa época são outros.

A real é que eu levo muito a sério o final de ano. Eu festejo, descanso e me divirto, mas passo de verdade por um processo de renovação. Eu me jogo de verdade nesse lance de repensar o ano que está acabando, de fazer planos e metas para o ano que está por vir e de sentar a bunda na cadeira e ter um momento só meu pra pensar e repensar na vida. E, nesse momento, eu preciso estar cercada de alguns filmes especiais que signifiquem coisas diferentes e importantes pra mim.

São filmes que me abraçam, que me fazem pensar em coisas, que me deixam mais madura, mais esperta, mais sentimental, mais feliz. E que pra mim combinam demais com essa época tão magica e deliciosa.

Não existe uma lista certinha, mas resolvi reunir cinco desses filmes aqui (os cinco que eu vi ou planejo ver até dia 31, agora nesse ano) e que representam tudo isso pra mim.

Coincidentemente alguns deles têm um pouquinho de Natal também: Quase Famosos começa com uma cena que se passa nessa época, e Edward Mãos de Tesoura e As Vantagens de Ser Invisível têm cenas que se passam na noite de Natal.

Fiquem a vontade pra contarem nos comentários quais são seus filmes preferidos dessa época e que, claro, não precisam ser sobre o Natal. Vou adorar ter sugestões para os próximos anos.

As Vantagens de Ser Invisível

“Nós aceitamos o amor que acreditamos merecer.”

Um dos poucos filmes que faz jus ao livro que lhe deu origem, As Vantagens de Ser Invisível tem o trio de atores mais fofos da história do cinema: Ezra Miller, que também arrasa em “Precisamos falar sobre o Kevin”, Emma Watson, que mostra mais uma vez que atriz maravilhosa que é, e Logan Lerman, que deu vida ao protagonista Charlie melhor do que ninguém.

Baseado no livro escrito por Stephen Chbosky (e que também é o diretor do filme), The perks of being a wallflower me fisgou desde a primeira vez que o vi. Não só pelas cenas e frases de efeito, mas por tratar com complexidade e profundidade problemas sérios, como deslocamento na escola, paixão, adolescência, amizade, bullyng e muito outros temas que eu não arrisco dizer aqui pra não dar spoiler caso você ainda não tenha assistido o filme.

Na história, Patrick acaba de começar o Ensino Médio, e o que prometia ser uma continuação dos anos de solidão do Ensino Fundamental se mostra diferente quando ele conhece um de seus novos professores, – que não apenas o incentiva nas leituras, como enxerga um potencial enorme no menino – e os irmãos Sam e Patrick, que o apresentam à uma turma de amigos e a uma nova visão sobre a escola, a adolescência e o amor.

Eu poderia enumerar muitos motivos pra você ver As Vantagens de Ser Invisível, mas vou focar em três principais: a identificação que você cria com os personagens em diferentes passagens da história, as referências literárias tão pertinentes e a trilha sonora maravilhosa, que vai de The Smiths a David Bowie.

Edward Mãos de Tesoura

” – O que aconteceu de errado com você?
– Estou inacabado.”

Esse filme é um clássico da Sessão da Tarde e uma amostra muito interessante de todo o lifestyle americano do final dos anos 80 e começo dos anos 90. O bairro que ele foi gravado, inclusive, já foi tema de um “links para toda hora” aqui no blog, e vale muito a pena dar uma olhadinha no post.

Edward Mãos de Tesoura conta a história de um inventor que resolveu criar a maior das invenções: um humano de carne e osso. Só que o inventor acabou morrendo antes de finalizar sua obra, e Edward, como o humano havia sido chamado, acabou ficando com tesouras no lugar das mãos.

Inacabado, Edward passou muitos anos sozinho, até que em um belo dia foi acolhido por uma mulher que o levou para morar na sua casa. Lá ele se torna a nova sensação do bairro e passa a descobrir um mundo completamente diferente, para melhor e pior, do que ele imaginava existir.

Acho Edward Scissorhands um dos melhores filmes do Tim Burton, assim como acho Edward um dos melhores papeis já interpretados por Johnny Depp. E não poderia classificá-lo de outra forma que não fosse “estranhamente encantador e estranhamente apaixonante”.

Tem que ver e se deixar ser abraçada pela sua história.

500 dias com ela

“Você deve saber de início que esta não é uma história de amor.”

Fazer uma comédia de amor que trate o tema com graça, leveza e, ao mesmo toda a profundidade que ele precisa, não é fácil. E isso tudo sem cair em clichês ou roteiros que nós já estamos cansados de ver por aí, é mais difícil ainda. Por isso que logo de início eu já gosto desse filme. Ele foge dos estereótipos de uma maneira inteligente, ainda que ele pareça ser um filme de amor como qualquer outro.

500 dias com ela conta a história de Tom Hansen (o maravilhoso Joseph Gordon-Levitt), um escritor de uma empresa de cartões que se apaixona perdidamente por uma das novas funcionárias do escritório, Summer Finn (a pouco bela Zooey Deschanel). De maneira não linear e muita profunda, nós vamos acompanhando o que aconteceu ao longo dos 500 dias em que eles estiveram juntos, e vamos entendendo também o que isso tudo ensinou para a vida de cada um deles.

Talvez um dos filmes mais inteligentes sobre relações amorosas que eu já assisti, e que não trata o espectador como bobo, 500 days of summer é um filme que mostra em lente de aumento os problemas e as delícias de se ter alguém que amamos na nossa vida. E que de maneira honesta retrata outro tipo de história de amor que existe, mas que os filmes do gênero quase nunca fazem questão de mostrar.

De Repente é Amor

“Se você não está disposto a parecer um idiota, então você não merece se apaixonar.”

Não quis colocar o trailer de A Lot Like Love aqui (eu amo a sonoridade desse título em inglês!) por um motivo muito simples: eu acho que ele não consegue mostrar nem 1% do quão maravilhoso ele é. Achei que fazia muito mais sentido colocar uma das minhas cenas preferidas, que mostra o quanto esse filme é original e encantador sem esforço, do que uma prévia mal feita da história. E ainda que ele não seja uma comédia romântica como 500 dias com ela que foge completamente dos estereótipos do gênero, De Repente é Amor consegue ser único e apaixonante do seu jeito.

A história aqui começa em um voo, quando as duas pessoas mais opostas da face da Terra se conhecem: Oliver, Ashton Kutcher, e Emily, Amanda Peet. Ele acabou de se formar na faculdade e tem um plano pronto para o resto da sua vida. Ela vive cada dia como se não houvesse amanhã e preza pela independência mais do que qualquer coisa.
Ainda que de uma maneira estranha, os dois descobrem que se dão muito bem juntos, mas ao final do dia, seguindo aquilo que cada um imagina para o seu destino, se despedem e partem para viverem suas respectivas vidas.

Ao longo dos próximos sete anos eles vão se encontrar esporadicamente, em fases completamente diferentes e em circunstâncias completamente malucas da vida, sendo muito mais importantes um para o outro do que poderiam imaginar.

É sim uma delícia de filme, é sim uma fase do Ashton Kutcher que eu gosto (antes, é claro, dele fazer Two and a Half Man), é sim um casal que a gente torce desesperadamente pra ficar junto e é sim um filme que eu tenho certeza que você vai amar.

Quase Famosos

“Meu bem, você é doce demais para o rock’n’roll.”

Fica difícil falar qualquer coisa sobre Quase Famoso porque eu já fiz um post gigantesco sobre ele no blog, porque ele é meu filme preferido da vida (e eu fico muito ansiosa com isso, querendo que vocês entendam tudo que ele representa pra mim) e porque ele tem também minha música preferida de todos os tempos, Tiny Dancer.

O fato é que Almost Famous é um filme mágico do começo ao fim. História biográfica do seu diretor, Cameron Crowe, o longa conta a história de William, garoto nerd e saco de pancadas do colégio, que vê seu sonho de vida virar realidade: ele é contratado para fazer um freela para a Rolling Stones, onde deve acompanhar a turnê da banda Stillwater (na vida real, a banda em questão era ninguém menos do que o Led Zeppelin) e fazer uma matéria sobre a vida do grupo na estrada.

Com um gravador à tiracolo, muita coragem e sem ter noção alguma do que estava à sua espera, William embarca numa jornada maluca, que o desilude um pouco dos seus ídolos, que o aproxima mais da vida real, que o ensina a ver as qualidades e defeitos de cada um e aprender a lidar com isso, e que muda a sua vida e um pouquinho da nossa também.

É uma história pra se emocionar mesmo, assim como um prato cheio pra quem ama rock, com músicas maravilhosas que vão desde a já citada Tiny Dancer do Elton John, até a própria Fever Dog do Stillwater.

Podem ver, ouvir e se apaixonar sem reservas.

Bisous, bisous