Assim como fiz em quase todas as últimas edições do SPFW, na semana retrasada dei um pulinho no último dia do evento – que é sempre numa sexta-feira, o que me permite conciliar com mais facilidade a ausência no trabalho e também emendar o fim de semana em São Paulo – e fui rever alguns amigos queridos, conferir o clima dos corredores e, é claro, assistir alguns desfiles da temporada de moda paulistana.

E, sim, nessa edição, tava mais animada do que de costume pra ir ao SPFW. Primeiro porque o evento voltou pra Bienal do Ibirapuera (as últimas edições foram todas no Parque Villa-Lobo), um lugar que eu, particularmente, considero a verdadeira casa do SPFW e que parece acolher muito mais a galera. E em segundo, porque exatamente no dia que eu ia pra Bienal, ia rolar a estreia de uma nova marca no line-up, a Ratier, e a possibilidade de acompanhar esse primeiro momento de uma grife tão jovem (a Ratier foi lançada em 2014!) me deixou muito ansiosa.

Foto de um dos corredores da temporada, onde vários looks e imagens que marcaram esses 20 anos de evento estavam expostos. Repararam na imagem ali em cima do desfile A Costura do Invisível do Jum Nakao? É um dos meus preferidos da vida <3

Há que se dizer logo de início que ainda que o SPFW tenha voltado pra Bienal, muita coisa mudou na edição desse ano em relação a todas as outras edições que aconteceram por lá. Os motivos podem ser muitos, mas eu acredito que, além do fato da semana de moda de São Paulo estar comemorando 20 anos, e consequentemente a edição querer fazer diferente dessa vez, o espaço da Bienal foi pensado de uma maneira muito mais minimalista pra ser “menos gastadeira”. Isso porque os corredores foram muito mais reduzidos do que nas outras edições, o que não apenas concentrou as pessoas quase todas em um mesmo andar, como diminui muito o espaço para ser decorado (a crise chega pra todo mundo, né?).

Assim, enquanto o público em geral ficava pelo segundo andar da Bienal, aproveitando os food trucks, os lounges e as exposições dos 20 anos, o terceiro andar se dividia entre a sala de imprensa e uma grande sala de desfile, que abrigou três apresentações ao longo da semana: Animale, Ellus e Reinaldo Lourenço.

O clima dos corredores tava muito relax, e pelo que conversei com alguns amigos que trabalharam a semana toda por lá, essa edição foi muito mais tranquila do que as últimas. Não teve Gisele (o que já faz uma diferença absurda), não tiveram tantos famosos e, ao que parece, dessa vez a temporada tava mais lotada de profissionais do que público em geral.

Pedacinho do desfile da Ratier, meu preferido do dia.

Essa edição tiveram várias ações super legais acontecendo junto com os desfiles: o lançamento do novo guaraná da Schweppes, que manteve geladeiras abastecidas com o produto totalmente de graça pro pessoal que transitava pelos corredores (obrigada de coração!); o espaço da TNT com tatuadores trabalhando full time – uma amiga me disse que na quarta, todos os horários até a sexta-feira já estavam agendados!; a Magnum distribuindo picolés de graça (outro obrigado de coração!) e vários outras ações que envolviam postagem de fotos no Instagram e que tinham filas gigantescas o dia todo. Assim, o dia todo mesmo.

E um detalhe meio bobinho, mas que achei muito bonito nessa temporada: as salas de desfiles recereberem nomes, como Copan, Casa das Canoas e Espaço Niemeyer.

Wagner Kallieno e seu inverno 2016

Wagner Kallieno e seu inverno 2016

Nas exposições desse ano, além de uma parede incrível de chapéus, casquetes e fascinators projetada pelo designer e stylist Davi Ramos e que a gente já dava de cara logo que chegava na Bienal, foram também exibidos vários looks importantes da história do SPFW (inclusive os que estiveram aqui no FFW Fashion Tour!), além de imagens de vários momentos marcantes do evento e um telão giga onde desfiles memoráveis ficavam passando a todo momento.

Primeiro desfile da Colcci sem Gisele

E, claro, tiveram os desfiles também.

Sexta-feira o line-up do SPFW tava bem extenso, com duas marcas fazendo suas apresentações de manhã em desfiles externos, Giuliana Romanno e Patricia Viera, e mais quatro marcas fazendo suas apresentações à tarde, na Bienal: Wagner Kallieno, Ratier, Colcci e Amapô.

Como eu fui um pouco depois do almoço pra Bienal e assisti todos os desfiles que por lá rolaram, deu pra fazer um balanço bem pessoal das coisas que vi e que mexeram comigo nas apresentações.

Pra começar que foi um prazer abrir o dia com um desfile do Wagner Kallieno. Acho ele um designer que merece demais ser prestigiado, porque além de ser dono de uma moda super autoral, que vai atrás de materiais nacionais que são de uma qualidade gigante e que podem produzir uma moda universal, ele conseguiu mostrar que o que não falta é gente talentosa fora do tão visado eixo Rio-São Paulo-Belo Horizonte.

Depois veio a estreia maravilhosa da Ratier, meu desfile preferido do dia. Eu quero muito fazer um post só sobre a marca, porque fiquei completamente fissurada na proposta deles, mas vale dizer que a Ratier é do Renato Ratier, dono da D-Edge. O trabalho dele é muito focado no urbano e tem uma postura bastante underground (e que inclusive me lembrou Alexandre em começo da carreira) e uma amiga me contou que o conceito por trás da loja, do site e de tudo o que elas fazem e que orbitam em torno da marca, é altamente inspirador <3

O lado trevoso da Amapô

Teve também a Colcci, que fez seu primeiro desfile depois da saída da Gisele (acho que agora é pra valer mesmo haha), mas ainda assim, a apresentação tava completamente lotada, o que faz bastante sentido quando a gente lembra que a marca é uma das mais comerciais do evento.

E pra encerrar essa 40ª edição com um bom drama, veio a Amapô, com um casting e uma coleção super trevosos e performáticos. Tem o vídeo do desfile aqui pra quem quiser ver. Foi mara, foi bem feito, foi corajoso e muito a cara da Pitty e da Carô, designers da marca.

A única coisa chata foi o que aconteceu antes do desfile, quando depois de esperar muito tempo pra entrar na sala, o telão que deveria subir pra dar o start na apresentação, simplesmente travou. Só que é aquilo, né, gente, aparelhos dão problema, falhas acontecem e atrasos são chatos, mas infelizmente existem. Tenho certeza que as estilistas também tavam super chateadas com a situação, então nada justifica as vaias terríveis que rolaram, nada justifica a gritaria das pessoas atrás de mim de que isso era falta de respeito, nada justifica as grosserias que eu vi.  Era pra ter acabado de um jeito lindo, mas faltou educação e bom senso de uma grande parte da galera que foi ver o desfile.

E vocês, acompanharam essa edição? O que acharam? Contem aí nos comentários!

Bisou, bisous