No último final de semana estive em São Paulo por causa da Bienal do Livro (em breve vai ter post & vídeo sobre!), mas como eu ia no evento só no sábado, fiquei com a sexta-feira livre pra fazer aquilo que mais amo quando vou pra lá: desbravar a cidade.

Acompanhado do namorado-melhor-amigo, Diego, visitei alguns lugares que tinha muita vontade de conhecer já fazia um tempão, e separei aqui embaixo os mais legais pra falar sobre a história e o que achei do lugar. Espero que vocês gostem e, se ainda não fizeram, se animem também a conhecer esses lugares!

E ah! Para ler o Desbravando São Paulo #1 e o Desbravando São Paulo #2 é só clicar nos links.

O prédio que hoje conhecemos como Galeria do Rock existe desde a década de 50, mas naquela época, o espaço funcionava de um jeito bem diferente, como uma grande galeria de alfaiates do centro de São Paulo. Foi só mesmo no final da década de 70, quando as tribos urbanas começaram a procurar um espaço dentro da cidade, que a galeria começou a receber atenção e as primeiras lojas do gênero.

Com a chegada dos anos 90, roqueiros, punks, skinheads, metaleiros, skatistas e muitas outras comunidades invadiram de vez a galeria, que recebeu um nome à altura para o que agora havia se transformado: um ponto de encontro, de briga, de comércio e de cultura para todas essas turmas.

Conversando com a Babi Carneiro sobre como foi “minha primeira vez na galeria do Rock”, ela contou que quando era criança/adolescente, o lugar era barra pesada mesmo, e que muitas vezes as pessoas evitavam ir para lá porque sabiam de alguma briga marcada entre punks x skinheads.

Hoje, apesar da cultura underground ainda sobreviver forte em todos os andares do prédio, – são lojas de CD’s, roupas, salões de beleza e estúdios de tatuagens – o lugar virou símbolo de São Paulo e um ponto turístico que acolhe gente de todos os tipos e idades.

– Endereço: Av. São João, 439 – República, São Paulo

“Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas”

Protagonista dos primeiros versos de Sampa, de Caetano Veloso, o cruzamento da avenida Ipiranga com a São João é, com certeza, um dos lugares de São Paulo que mais tem histórias pra contar.

Além da “deselegância discreta” das meninas que passam por lá e do centro da cidade com sua “dura poesia concreta”, a esquina ficou famosa por ser um dos maiores pontos de encontro da capital Paulista. Ali, em um barzinho chamado Bar Brahma, sambistas como Adoniran Barbosa e políticos como Fernando Henrique Cardoso paravam para tomar um chopp, jogar conversa fora e ver o movimento do centro de São Paulo.

O lugar ficou imortalizado na letra de Sampa e na história da MPB e, hoje, além de ser um delicioso restaurante/bar, é ainda o palco da música brasileira na capital. Diversos artistas da MPB se apresentam por lá à noite e, durante o dia, o lugar acolhe a todos que precisam de um momento de descanso em meio a correria do dia a dia.

Apaixonada como sou por essas histórias, fiz questão de almoçar no Bar Brahma nesse último final de semana em que estive em São Paulo. Além de amar o ambiente aconchegante e com música ao vivo, achei a comida uma delícia e com um preço super honesto! Vale muito a pena mesmo reservar um tempinho pra conhecer o lugar.

– Endereço: Avenida São João, 677 – Centro, São Paulo

Coloquei o bairro da Santa Ifigênia entre os programas do final de semana porque sabia que o Diego morria de vontade de pôr os pezinhos lá, já que a região é conhecida pelo seu comércio de eletrônicos. Diego é viciado em tecnologia, games e insira aqui todas as coisas do gênero, ou seja, esse lugar prometia ser um verdadeiro parque de diversões pro meu namorado.

Dito e feito.

A Santa Ifigênia tem dezenas de galerias e vende um pouquinho de tudo o que você puder imaginar. TV’s, celulares, videogames e muito mais. Tem que estar disposto a andar (muito!), pechinchar e aguentar multidões, mas se você tá buscando matar a saudade de algumas coisas mais clássicas – achamos um super Nintendo ainda na caixa! – lá é o lugar certo.

Não compramos nada, mas pra quem gosta e sempre acompanha o mercado de eletrônicos, lá é um lugar muito interessante de se analisar.

O Cine Belas Artes sempre foi um dos cinemas do circuito paulistano mais respeitados e amados, o que em grande parte tinha a ver com a valorização artística e cultural depositada na sua programação. Muitos filmes nacionais e estrangeiros que ficavam fora das bilheterias dos grandes cinemas da cidade, encontravam seu espaço aí, nas telas e salas do Belas Artes.

Há três anos, no entanto, o cinema fechou e, desde então, muita gente vem batalhando pra ele ser reaberto e ter de volta a sua programação. Mês passado isso foi possível e agora com o nome de “Caixa Belas Artes”, o cinema voltou à ativa.

Eu confesso que ainda não tive a chance de assistir um filminho aí, mas uni o útil ao agradável, ou nesse caso, a vontade de ver o novo Belas Artes com o meu desejo por macarons, e aproveitei pra fazer uma visitinha no café Amelie, que fica dentro do cinema.

O preço não é muito convidativo, mas os macarons tavam deliciosos (eu amo macarons, mas acho que são poucos os lugares que conseguem fazer eles incríveis) . E ai, preciso confessar que acabei escutando a conversa de duas senhoras que tomavam café lá, e fiquei toda enfofada com as recordações delas sobre como “o Belas Artes sempre tinha sido o ponto de encontro da turma”. Muito fofo, não? <3

E agora me contem vocês: quais lugares de São Paulo vocês recomendam pra um dia de “desbravando a cidade”? Tô doida pra anotar as sugestões e botar em prática numa próxima visita 😉

Bisous, bisous