RuPaul’s Drag Race, – ou minha descoberta televisiva de 2013 – é um programa que começou lá em 2009 e já caminha para sua sexta temporada. O formato dele é bem conhecido de todo mundo, aliás, se você já assistiu The America’s Next Top Model, vai achar que as semelhanças aqui são grandes. E até certo ponto elas são mesmo: o reality show funciona como uma competição onde, programa a programa, a competidora que for pior no desafio do dia sai eliminada. No final, apenas uma é a grande vencedora, levando para casa as premiações oferecidas e a grande nomeação da competição.

Até aí, nada de surpreendente.

O que muda tudo em RuPaul’s Drag Race é que no lugar das modelos longilíneas e que buscam seu lugar ao sol nas passarelas e editorias mundo a fora, entram drags fabulosas e divertidíssimas, que na sua maioria tem histórias de vidas sofridas por terem se assumido gays ainda muito cedo e enfrentado um mundo repleto de preconceito.

Eu quis falar sobre RuPaul’s Drag Race aqui por diversos motivos. Primeiro que assistindo o programa, que é hilário e por si só já valeria muito a pena acompanhar, você acaba aprendendo muito sobre algumas diferenças gigantescas sobre transgeneridade. O mundo das drags, em particular, apesar de ser levado com leveza e diversão durante o programa, é muito discutido e especulado.

Enquanto a gente acompanha o programa, a gente vai catando que drag é uma profissão, um personagem de fato. É até engraçado o quanto as competidoras deixam claro a todo momento que ninguém ali quer ser uma mulher. Como drag, na verdade, elas prestam uma homenagem às mulheres, a concepção de feminilidade e a grandes divas que elas admiram. Muitas fazem ou fizeram teatro, tem uma pegada cômica super aparente e encarnam mesmo uma nova pessoa quando maquiadas, em cima de um salto e com roupas femininas. Quando chegam em casa e se desmontam, voltam a ser o mesmo garoto de sempre.

Algumas competidoras chegaram a comentar diversas vezes durante o programa que quando se assumiram como gays o mundo ao seu redor pareceu desabar. As famílias não as aceitavam, na escola riam delas, o mundo parecia apontar um dedo na cara de cada uma. Como drags elas descobriram um lugar onde tudo era mais colorido e glamouroso. Foi tipo o que fez elas se encontrarem no mundo.

No dia a dia elas (e uso do feminino aqui é porque no programa elas assumem somente seu nome de drag, então a gente fica no hábito de tratar todo mundo como “ela”) são garotos tão normais como the boy next door. Como Nina Flowers, – que deve ser a competidora mais amada até hoje de todas as temporadas e é minhas musa eterna – que é um cara todo tatuado, que adora preto e que assume até uma pose meio bad boy, mas que quando vira drag se torna a personagem mais “loca” (quem acompanha o programa vai me entender) e mais incrível de todas as temporadas. Aqui vai uma fotinho com o antes da make e o depois dela pra vocês entenderem do que eu tô falando.

O próprio RuPaul, apresentador do programa, tem uma história muito incrível. Vou confessar que eu não o conhecia antes de assistir o reality, mas é notório – e senhor Google tá aí pra comprovar – que o RuPaul é um cara de muita história e muito sucesso nos EUA. Ele “apareceu” para o mundo na década de 90 e desde então conseguiu fazer uma carreira de sucesso como drag, cantora, atriz e modelo. Ela foi, inclusive, a primeira garota propaganda da linha Viva Glam da MAC!

E por falar em maquiagem, chegamos em outro ponto do RuPaul’s Drag Race que eu queria falar.

Se você tem qualquer dúvida que uma maquiagem pode transformar uma pessoa, então, por favor, assiste esse programa pra gente mudar logo essa sua opinião haha. É claro que como drags as participantes são muito mais do que maquiagem: existe um trabalho enorme de figurino, de interpretação, apresentação e até de “incrementos” (algumas usam enchimentos para poderem formar curvas nos vestidos, mas tem aquelas que nem precisam desses truquezinhos). Mas que a maquiagem é um dos principais “acessórios” de uma drag isso não há como negar. A transformação é assombrosa. E é bacana perceber que drag não precisa ser necessariamente sinônimo de maquiagem ultra mega forte. A Nina Flowers, por exemplo tem esse estilão pesado de tudo, mas a Tyra Sanchez, competidora da segunda temporada, e mesmo o RuPaul, vire e mexe aparecem com uma maquiagem mais discreta. A gente sabe que tem quilos de pó ali, mas é um visual menos forte, mais delicado.

O que eu mais adoro no programa é ver essas transformações das participantes bem ali diante dos nossos olhos. Desde as roupas que, em várias das provas, são elas mesmas que costuram, até a maquiagem, a imagem muito bem bolada, a voz e os trejeitos que mudam. E ainda que o programa tenha essa pegada meio kitsch, tudo é feito com uma leveza que surpreende. Não existem estereótipos, não existe essa ideia geral tão limitante entre gêneros.

Pra quem ficou curioso e com vontade de assistir o programa, tem até a 5ª temporada completa no Netflix, e lá nos EUA ele é transmitido pelo canal Logo. E ah, se alguém aqui já assistiu, conta nos comentários o que acha da competição :)

Ps: esse links espalhados pelo texto abrem uma janelinha com a foto sobre o assunto aqui no post mesmo. Pra fechar é só clicar fora da janela. Fácil, prático e sem aquela coisa chata de ser redirecionado pra outra página só pra ver uma imagem \o/

Bisosu, bisous