Dsquared2

Dsquared2 - verão 2014Pra mim a semana de moda de Milão só começou de fato com esse desfile da Dsquared2. Porque assim, me diz como, COMO alguém pode não se apaixonar por uma coleção tão colorida, que vai buscar inspiração lá no cinema das décadas de 50 e 60 e suas musas bombshells (alô Marilyn Monroe!) pra construir um guarda-roupa inteiro de peças, que vão da moda praia, passam pelo look do dia a dia e desembocam em vestidos dignos de tapete vermelho? O desfile começa com uma série de estampas em roupas micro, que vem todas em formato de body revelando decotes, pernocas e muita sensualidade. Daí a gente chega nas roupas de passeio, que mesmo quando são em cores mais clarinhas, ganham toques coloridos com os chapéus, os óculos (eu quero!), os colares e pulseiras. Sempre prezando pelo visual lady like, com cinturinha marcada e partes de baixo mais volumosas. E pra encerrar com elegância e ar de diva, os irmãos Dean e Dan ainda fazem a gente suspirar por vestidos abaixo do joelho e um último longo total white. De uma feminilidade e ar travesso deliciosos.

Gucci

Gucci - verão 2014Esse desfile da Gucci foi interessante sob muitos aspectos. Pra começar que as roupas eram tão fluidas que pareciam deslizar na passarela e ganhar vida própria, o que é muito benéfico, já que a melhor maneira de mostrar uma peça de roupa é quando ela é a estrela da apresentação. De outro lado, no entanto, ficava uma pergunta no ar… Como essa roupa vai se comportar no corpo da mulher, que né, quer ter uma roupa diva, mas não quer ser ofuscada?

Pra resolver esse problema a Gucci sambou na cara da sociedade seguiu uma máxima muito conhecida no mundo da moda: a mulher é quem deve vestir a roupa, e não a roupa quem deve vestir a mulher. Ou seja, mesmo com roupas cheias de presença, a mulher Gucci não foi ofuscada pela peça porque se impôs na passarela, mostrando que a roupa só ajudou a realçar um brilho e poder que ela já tinha.

Essas peças que funcionavam como estrelas e ao mesmo tempo como suportes para mostrar o poder da mulher, vieram cheias de fendas, transparências, decotes em V mega profundos e um trabalho de estampas lindo que crescia ao longo da apresentação, criando um último bloco de vestidos super impactante. Em uma mistura da cinturinha baixa da década de 20 com o brilho e as silhuetas soltas da década de 70, o que se viu na passarela foi um pouco do reflexo da própria Frida Giannini, diretora criativa da marca: uma mulher contemporânea, que ama esse estilo esporte-chique e que acima de tudo é dona de si.

Prada

Prada - verão 2014 Como não amar a Prada? Como não amar uma marca que pega o tema “mais batido” dessa temporada, o esporte, e fala dele de uma maneira nada convencional? Afinal a moda das ruas não é só aquela vestida no corpo de homens e mulheres, mas também aquela dos muros, dos pensamentos, da violência, do dia a dia corrido. Miuccia pega todos esses elementos e fala sobre dois grandes assuntos, o feminismo e o o nosso tempo presente (das notícias nos telejornais aos grafites de rua) de uma maneira artsy, jogando tudo isso nesse universo esportivo, cheio de cores e mistura de materiais (tricô, paetês, cristais, peles, plástico…).

Toda essa inspiração tava literalmente estampada no cenário do desfile, onde apareciam as imagens de seis artistas – El Mac, Mesa, Gabriel Specter, Stinkfish (grafiteiros), Jeanne Detallante e Pierre Mornet (ilustradores) – baseada no tema “feminilidade, representatividade, poder e diversidade”. Um desfile moderno, político à sua maneira, e com um universo de referências tão grande por trás de si que fica difícil não achar a moda de Miuccia sempre muito mais pensante do que tátil ou visual.

Emporio Armani

Emporio Armani - verão 2014No caminho oposto das cores da Prada, a Emporio Armani veio toda apagadinha, tendo como grande mote da coleção o floral bem etéreo, bem iridescente (o nosso famoso furta-cor, sabem?). Tudo vinha nesse clima de claridade e leveza, tanto que as peças, quer fossem os vestidos, quer fossem as calças de cintura alta, davam sempre movimento a caminhada da modelo.  Os casacos seguiam a mesma ideia (a maioria, inclusive no tamanho, que chegava bem abaixo da cintura), e usando e abusando de cetim, meias-calças e sapatos que prendiam no tornozelo das modelos e por vezes lembravam sapatilhas de bailarina, a Emporio Armani veio assim, explorando um tema com mais graça e beleza do que o habitual.

Toque de interessância: alguns dos vestidos do começo do desfile, onde os recortes do busto lembravam pétalas, além da quantidade impressionante de peças (94 looks desfilados!) que mostraram uma pesquisa extensa e com muita versatilidade em cima do tema.

Dolce & Gabbana

Dolce & GabbanaEu gosto que Domenico Dolce e Stefano Gabbana fizeram dessa sua coleção feminina de verão 2014 meio que uma extensão da sua coleção masculina passada. A opulência barroca das peças aparece da primeira até a última modelo que cruza a passarela, e tudo, absolutamente tudo parece transpirar beleza e riqueza.

O mote da coleção de verão 2014 da Dolce & Gabbana mistura as influências gregas com as romanas, e em todos os detalhes das roupas a gente vai encontrando pequenas características do tempo e da cultura desses povos na antiguidade. As colunas estão lá estampadas nas camisas, o ouro vem traduzido em peças como essa segunda da imagem, onde o dourado toma conta de tudo, ou ainda de forma mais literal quando maximoedas vem adornando o cinto da modelo. Tem até algumas peças com apliques de amendoeiras (um tipo de flor muito comum na Sicília), que também aparecem incansavelmente no cabelo das modelos, criando um dos penteados mais lindos e inspiradores dessa temporada.

Giorgio Armani

Giorgio Armani - verão 2014

Acho que já deu pra perceber, pelo tanto de desfiles nessa linha que eu falei por aqui, que adoro quando as coleções vem embaladas por esse clima etéreo, uma coisa meio conto-de-fadas. O desfile do Giorgio Armani verão 2014 foi bem por esse caminho e mesmo tendo apresentado algumas peças mais sequinhas (achei os blazers do começo do desfile tão graciosos!), a maior parte das roupas brinca com essas proporções mais soltas, que deslizam e ganham movimento conforme é a caminhada da modelo.

A brincadeira de “Luzes e Sombras” que essa coleção se propôs a fazer vem expressa principalmente nos tons mais claros que permeiam toda a coleção, transitando por uma paleta que vai do lavanda, passa pelo rosa claro e desemboca no azul celeste. O que vai criando efeitos de luz lindos na passarela, principalmente nas peças mais esvoaçantes.

Cereja no topo do bolo: os delicados florais pintados à mão em algumas peças do desfile.

Créditos das fotos: FFW/ImaxTREE

Ps: Se clicar nas imagens, elas abrem maiores em uma janelinha aqui dentro do blog mesmo!

Bisous, bisous