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Fause Haten

Imagino que para um estilista deva ser um sonho dourado reunir em seu desfile um casting das modelos mais incríveis de todos os tempos. O que seria uma tarefa difícil pra qualquer um, foi contornada com muito sucesso por Fause Haten: se o estilista não podia trazer as modelos de carne e osso, podia trazê-las então como… Bonecas! E assim, com muita criatividade e beleza, o estilista transformou seu top casting de modelos (Gisele Bundchen, Naomi Campbell, Shirley Mallmann, Linda Evangelista e outras tantas) em bonequinhas de biscuit. Na FAAP, local onde realizou seu desfile, as mini modelos foram as estrelas principais, além da bonequinha Maria Rita que cantou “Brincadeira de Roda.”
No final, as verdadeiras peças – agora em tamanho real e expostas em manequins – foram mostradas, revelando uma coleção que é a cara de Fause Haten: total drama queen. Vestidos de festa, tules, camadas, volumes e mais volumes; tudo aquilo que o estilista ama. E daí que toda essa intensidade de Fause Haten funciona ora bem e ora mal, isso tanto em suas coleções quanto em seus desfiles que sempre tem alguma coisinha fora do convencional. E, dessa vez, Fause me conquistou.

Fernanda YamamotoFernanda Yamamoto abraçou a ideia de uma coleção conceitual que quer contar uma história, que quer passar sensações e inspirações mil através da roupa. Partindo do tema das donas de casa americanas da década de 50, Fernanda usa toda sua técnica japonista – que em outras coleções ela já mostrou total desenvoltura – pra brincar com essa imagem, seja nos aventais, seja nos materiais utilizados, seja até nas perucas. E como eu gostei de ver tanta desconstrução – mesmo para quem não gostou do desfile, seria muita besteira falar que Fernanda foi literal em suas criações – que ela fez! Ver um ar lúdico ganhar a passarela e ver uma história ser contada ali, em mínimos detalhes como as dobraduras tão bem trabalhadas e os bordados pequeninos e minuciosos, é de uma riqueza enorme.

João Pimenta

Céus, como é difícil falar dessa coleção do João Pimenta! Pra começar que falar de moda masculina já não me soa fácil. Aliás, taí um universo que eu queria estudar bastante em 2013. Só que, além disso, como nós estamos acostumados a ver João Pimenta sendo sempre tão conceitual, fica difícil digerir uma coleção tão usável, que possa abraçar um novo público consumidor e que tenha poucos tons, porém fortes e bonitos. E sim, eu achei uma coleção bem bela, bem limpa, e que apesar do usável, ainda dá pra ver lá no fundo muita daquela vontade de João Pimenta de fazer uma roupa que vá além da ideia de vestimenta, e que vista o seu tal homem muito mais com ideias. Parece um pouco utópico, eu sei, mas é exatamente desse jeitinho que me soam suas coleções. Outro ponto que eu achei interessante no desfile é algo que não tava li na passarela: o fato de Alexandre Herchcovitch ter pulado essa edição e João, propositalmente ou não, ter feito um desfile que poderia muito bem agradar ao público de Alexandre. Resta agora esperar os próximos capítulos pra ver que rumos irão tomar a moda de João Pimenta.

Água de coco

Como eu já disse aqui, moda praia é um tema meio estranho pra mim, mas acho que é meio natural de toda brasileira (mesmo aquelas que não moram em cidades praianas) conhecerem ainda que minimamente sobre a moda praia do nosso país, tão rica e tão bem falada lá fora. E nessa coleção da Água de Coco, meu medo inicial – o de pegar um tema tão batido, principalmente em coleções de moda praia, pra nortear o desfile – acabou indo por terra. Isso porque, apesar da flora e fauna brasileira serem sempre temas exploradas nesse universo, a Água de Coco desenvolveu essa ideia em inspirações de cinco blocos diferentes: o paisagismo de Roberto Burle Marx, o artesanato dos irmãos Campana, as frutas tropicais, as aves brasileiras e as pedras preciosas. Dividindo a ideia inicial em grandes blocos, a marca fez bonito e não se perdeu. Ao contrário desenvolveu estampas maravilhosas, fosse pra hora da piscina/mar propriamente dita ou pra hora da saída. A segunda foto daqui da imagem mostra uma peça linda com inspiração de cestaria (uma alusão ao trabalho dos irmãos Campana), e como dá gosto ver uma marca se arriscando em materiais ricos, porém tão pouco utilizados.

Neon

Tenho cá pra mim que os consumidores da Neon devem ter delirado com essa coleção, porque nessa comemoração de 10 anos da marca, tudo aquilo que a Neon sabe fazer de melhor está lá, mostrando seu DNA tão lindamente. E tenho certeza que até aqueles que não são muito fãs de estampas (oi!), têm respeito e admiração imensos por essa marca. Por que? Esse verão 2014 pode servir como resposta. Primeiro porque eles mostram que não têm medo de apostar em uma estampa, por exemplo, pra nortear boa parte da coleção. E que imagem bonita essa da primeira foto! Repetida várias vezes no desfile, ela vinha brincando com as cores tão, mas tão fortes que a Neon trouxe. E por falar em cores, fiquei encantada deles terem explorado o pink sempre em duplas: pink com amarelo, pink com roxo e pink com laranja. Esse último, uma das minhas combinações preferidas ever. No fim, dá aquela sensação gostosa de que a Neon consegue ser sempre alegre e identificável sem pra isso parecer repetitiva ou boring. Clap clap clap.

triton

Como é bom ver uma marca tão comercial quanto a Triton provando que é possível sim aliar os desejos da juventude das ruas com a riqueza de materiais, o bom corte, as boas ideias. Partindo do verão californiano e de uma onda meio hippie, a Triton vai mostrando um bonito trabalho de tie dye (na verdade uma técnica digital que imita o tie dye, mas que na passarela cria o mesmo efeito), trançados, materiais plastificados (as bermudas dos meninos davam um efeito lindo!), estamparia e até alfaiataria muito bem feita, que na ala masculina brincava o tempo inteiro com a roupa mais informal, chegando muitas vezes a confundir o espectador entre o que era “sério” e o que era “descontraído”. Os acessórios são um capítulo à parte: a bolsa em formato de triângulos (que foi explorado também nas estampas, de uma forma toda mística) e a sandália que de frente parecia uma mule tradicional, mas que quando vista por trás era toda repaginada, deram ainda mais beleza a coleção.

Créditos das fotos: FFW | ©Ag. Fotosite