Que fique claro que os textos abaixo não são críticas de moda. Se eu fosse fazer isso teria que reservar no mínimo um texto pra cada desfile, teria que ter uma pesquisa muito, mas muito profunda mesmo sobre a coleção apresentada e até de tudo aquilo que a marca já fez até hoje. E né, cada degrau de uma vez. Pra fazer crítica de moda, o buraco é muito mais embaixo. Pra ler grandes textos desse tipo, eu recomendo Suzy Menkes ou, em um exemplo mais próximo de nós, a Vivian Whiteman.

Mas voltando ao post: os textos abaixo são algumas pequenas observações sobre cada desfile, sobre aquilo que mais me saltou aos olhos. É legal olhar o tema da coleção e perceber como ele foi trabalhado, tentar enxergar o que deu certo, o que não deu. Perceber como foi o efeito final dos tipos de materiais usados e até o que a gente acha que vai fácil, fácil pras ruas depois. Ou, pelo menos, aquilo que eu usaria fácil, fácil haha.
Enfim, esses textos são totalmente despretensiosos, e é claro também que eu ia amar se mais gente palpitasse aqui o que achou de cada desfile.

Animale

A Animale teve como ponto de partida para a sua coleção a ilha de Bali, na Indonésia. Foi ela que serviu de inspiração para as estampas usadas ao longo de todo o desfile: folhagens e flores, principalmente, mas também xadrezes e listras, que nas muitas vezes em que apareceram em azul, me fizeram associá-los ao movimento do mar. Vi muita gente reclamando do tanto de dessimetria que a marca trouxa para a passarela. Eu, no entanto, gosto bastante dessa dessimetria da Animale, porque mesmo bem pontuada, bem forte, ela vinha acompanhada de tecidos leves, fluidos – cetim, seda e jérsei apareceram muito na coleção – e acabava que o efeito final não me soava preso, nem confuso. A modelo Karlie Kloss – nº2 do mundo no ranking da Models.com – desfilou pra marca, assim como as queridinhas Ana Beatriz Barros, Laís Ribeiro e minha musa master Carol Trentini.

Cori

Pra quem viu o desfile da Cori na sequência do da Animale deve ter sido meio que um choque porque tudo aquilo de dessimetria que a primeira marca propunha, vinha agora invertida na Cori. Eu só consegui ficar um pouco mais relaxada na metade pra frente do desfile, porque até então a exatidão das peças, aquele branco sem fim, os cortes tão retos, tudo tão certinho tava me dando uma sensação de aprisionamento. Aos poucos, veio entrando mais fluidez na passarela, mais simetria sim, mas nada que me deixasse com aquela sensação de sufoco. Eu fiquei bem impressionada, em especial, com os materiais usados pela marca. Porque poxa, é verão, você espera tudo muito leve, daí vem a Cori e trabalha só com materiais pesados, difíceis de serem adaptados para a estação. E, mais uma vez, do meio em diante do desfile, foram várias as peças que mostraram uma alfaiataria que resolveu muito bem esse problema, que era pesada sim, mas que você conseguia enxergá-la completamente no verão.

Tufi Duek

Eduardo Pombal foi buscar inspiração na obra do artista Pablo Picasso pra contar a história que mostrou na passarela da Tufi Duek. Muita alfaiataria, muito minimalismo, muita exatidão. Não, essa não me aprisiona, mas também não me faz sonhar… Eduardo Pombal, no entanto, é tão bom naquilo que faz que mesmo uma coleção tão exata vai mostrando uma evolução gostosa na passarela, tanto no uso de cores – amei a variação entre preto e branco, rosa e azul – como nos recortes das peças. E o desfile ainda ganha assimetria e volume com saias que tem apenas um lado plissado – que depois eu fui descobrir ser um kilt amarrado na cintura.

Cavalera

Ai, que difícil que é falar da Cavalera! A marca apresentou não apenas um desfile, mas uma apresentação de dançarinos – todo alunos do coreógrafo Nelson Triunfo – que ao som de clássicos do soul music dos anos 70, cantados por Toni Tornado ali, ao vivo mesmo na boca de cena, fizeram todo mundo que assistia ao desfile nem pensar na possibilidade de ficar parado. Tentando não me influenciar pela apresentação, pela dança, pelo ritmo tão gostoso que foi esse desfile, vou tentar focar só na roupa haha. A marca fez jus ao seu tema e logo na primeira peça deixou muito claro que essa coleção ia ser um mar de cores. Aliás, essa coleção é um ar de muitas coisas. Cores, estampas, grafismos, recortes… Mesmo pra quem, como eu, não tá acostumado com essa mistura tão grande de estamparia, fica difícil não olhar com muito agrado pra esse trabalho lindo do Marcelo Sommer. Comercial até o dedinho do pé e sem medo nenhum de assumir isso, a Cavalera traz vida pra suas peças sem medo de ser feliz.

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