Uma das coisas que eu mais amo nessa vida é ler. E não é uma coisa da boca pra fora ou uma coisa que faço ‘quando sobra um tempinho’. Não, eu amo mesmo poder passar horas e mais horas lendo, aumentando minha biblioteca (da caixola e da vida real) com livros e mais livros. E entre as minhas últimas aquisições e leituras tá o livro “História da Moda no Brasil – das influências às autorreferências” de Luís André do Prado e João Braga.

Como eu precisava pesquisar mais sobre moda nacional para algo que estava escrevendo – e percebi como livros de moda nacional eram a) ou muito raros ou b) ou muito rasos – perguntei no twitter/facebook alguma indicação. A Márcia Mesquita do queridíssimo Bainha de Fita Crepe me indicou então essa leitura. E lá fui eu atrás do meu exemplar.

Não foi um livro lá muito fácil de ler, mas não porque tenha uma linguagem muito rebuscada ou algo assim, ao contrário, ele é bem fluido, com uma linguagem fácil e gostosa de acompanhar. O problema maior é que são 640 páginas em um tamanho não muito convencional de livro, aqueles de centro de mesa, sabe? Então a primeira dificuldade e acho que a mais perceptível é em como segurá-lo. Depois de um tempinho fica difícil achar uma posição confortável suficiente pra você não precisar levantar, dar uma espreguiçada e voltar só depois que os músculos relaxarem. Pra mim então que adora levar livro na bolsa em todo lugar que vai, foi bem triste, porque eu só conseguia ler em casa em algum lugar bem confortável – nem pensar ficar deitada na cama lendo, por exemplo. O tamanho dele (em quantidade de páginas, eu digo) nem chega a ser um empecilho, mas como é um livro essencialmente de pesquisa acaba ficando um pouco cansativo o tanto de nomes e datas que vão aparecendo.

Imagem: http://www.fontedesign.com.br/para-ler/historia-da-moda-brasil/

Imagem: http://www.fontedesign.com.br/para-ler/historia-da-moda-brasil/

Desse jeito que eu to falando até parece que não gostei do livro, mas gente, juro que não é nada disso! haha O livro é ótimo, o trabalho de pesquisa empreendido é incrível, mas acho que foi um erro meu mesmo de querer lê-lo como um livro convencional, tipo abrir na primeira página e seguir daí em diante. Então todas essas coisas aí de cima são, na verdade, ‘dicas’ de como lê-lo de maneira mais proveitosa do que propriamente uma crítica. Nada impede que você queira ler um capítulo todo só de uma vez, mas acho que é um livro pra ser descoberto aos poucos, com cuidado.

Ele foi feito pensando nisso, inclusive, tanto que cada capítulo corresponde a uma época específica, tipo dos anos 1961 aos anos 1975 (capítulo cinco), e isso permite com que você possa fazer uma busca mais selecionada de acordo com aquilo que você estiver procurando. Além disso, não precisa ficar com medo de ‘perder o fio da meada’ porque – exatamente por ser um livro de pesquisa – todos os nomes, datas, enfim, tudo é resgatado o tempo inteiro pelos autores, fazendo com que você não se sinta perdida por não saber quem é pessoa x ou y.

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Eu fiquei muito surpresa do quanto os autores foram precisos na sua pesquisa histórica. A história da moda brasileira é mesmo resgatada desde lá do seu comecinho, com a chegada dos portugueses no Brasil e o encontro com nossos indígenas, até meados de 2010, ano em que o livro foi lançado. Todos os momentos importantes da moda brasileira são lembrados, passando primeiro pela nossa moda copiada da França, depois por nomes da moda brasileira no famoso ‘Agulha de Ouro’ – onde a imagem profissional ficava de lado muitas vezes em prol da imagem pessoal, do ‘vamos causar’ – e chegando até as semanas de moda que realmente deram uma guinada sem precedentes na indústria brasileira de moda.

Pra mim, em especial, foi uma delícia entender um pouco mais sobre a importância do jeans no nosso país. Eu, que não sou muito fã de jeans e o evito sempre o máximo possível – um dia talvez eu fale disso aqui – achei interessante entender o porquê, e sim existe um porquê, o brasileiro é tão ligado ao jeans, tendo ele como nossa roupa básica pra qualquer ocasião. Nada me marcou tanto como o slogan usado pela US Top: ‘A liberdade é uma calça velha, azul e desbotada.” Essa frase é o resumo de tudo aquilo que as marcas de jeans representaram em seus primeiros tempos: a libertação daquela moda certinha que vinha de pai pra filho. Mais do que uma calça jeans, aquela ‘calça velha e desbotada’ era um símbolo de juventude, de contestação.

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“Histórias da moda no Brasil” pode ser encontrado na Saraiva por R$148,00 e é um livro importante pra se ter em uma biblioteca – não só daqueles que se interessam por moda, mas pra qualquer um que se interesse pela história de nosso país. Além de trazer as mudanças do setor têxtil e de vestuário brasileiro ao longo dos anos, o livro faz um paralelo com as transformações do próprios país – social, política e econômica – contextualizando com cada momento de nossa moda.

E como cereja no topo do bolo tem imagens lindíssimas, como as desse post que estão nas páginas do livro.

Pra informar e inspirar.