Ouvindo sem parar: Plutão já foi planeta

“Você quer ir embora de você
Como se você não lhe fosse
Todos os destinos possíveis”
(Viagem Perdida)

Sejamos sinceros, eu não sou uma pessoa que assiste muita TV. A bem da verdade, nem TV eu tenho há uns bons quatro anos, fato que sempre causa um espanto gigantesco nas pessoas. Nada contra, de verdade, até tenho amigos que tem uma, mas a verdade é que a internet já consome tanto, mas tanto do meu dia, que no pouco tempo que fico fora dela, prefiro ler ou sair pra comer com os amigos e o namorado. Como disse um amigo essa semana “vamos trazer uma barraca e aceitar que a nossa vida é dentro da internet mesmo, não tem jeito.”

Mas o fato é que apesar de não assistir TV com tanta assiduidade, de vez em quando me dá vontade de assistir alguns programas e novelas que todo mundo anda comentando ou que eu simplesmente fiquei com vontade de rever (alô, Verdades Secretas e Laços de Família).  Assim, por esse motivo, decidi recentemente assinar a Globo Play, aquele serviço de assinatura da Globo que além de ter toda a programação atual da emissora, conta também com um pequeno arquivo de tudo que eles já transmitiram. Foi assim que eu consegui assistir “O Rebu”, por exemplo, uma minissérie maravilhosa que passou na Globo em 2014, e foi assim também que eu comecei a assistir o programa Superstar desse ano (aquela competição entre bandas que passa aos domingos na emissora, sabem?) e conheci a Plutão Já Foi Planeta.

“Meus gostos estranham os teus
Mas eu não estranho você
A diferença não faz diferença
Se você é você”
(Você não é mais planeta)

A banda é de Natal, Rio Grande do Norte, se define dentro do gênero indie rock/pop e possui cinco integrantes: Sapulha Campos (voz, guitarra, ukulele e escaleta), Gustavo Arruda (voz, guitarra e baixo), Vitória de Santi (baixo e synth), Khalil Oliveira (bateria) e Natália Noronha (voz, baixo e synth). O grupo é de uma leveza, de uma beleza e de uma gostosura de cantar e dançar assim sozinho pela casa, que só escutando mesmo pra entender. Pra mim foi amor à primeira vista, ou no caso, à primeira nota.

Na sua estreia no programa eles se apresentaram com a música “Viagem Perdida” e eu fiquei tão maravilhada com a canção, especialmente com a letra da música que é linda, que fui procurar mais sobre a banda. Foi assim que descobri que eles já tem um álbum lançado, o “Daqui Pra Lá”. São sete músicas deliciosas de ouvir e que pra mim parecem transitar ali numa mistura de Los Hermanos com Kid Abelha das antigas. As letras são indiscutivelmente incríveis, mas os arranjos das músicas são muitos originais e diferentes também do que estamos costumados a ouvir nas rádios.

Ainda que eu tenha amado todas as canções, as minhas preferidas são a já citada “Viagem Perdida”, a “Você Não é Mais Planeta” e a belíssima “Sonho de Palmer”.

“Me leve pra longe agora
O que nos espera lá fora
É mais do que a gente sonha
Mais do que a gente sabe”
(Me Leve)

A banda nasceu em 2013 e “Daqui pra Lá” foi gravado no ano seguinte. Na época, a Natália Noronha, vocalista do grupo, deu uma entrevista para o site Apartamento 702 contando sobre o processo de gravação do CD, sobre as composições das músicas e sobre essa vontade que eles tinham – e imagino que continuam a ter – de que as pessoas não apenas baixassem o álbum, mas que o escutassem de verdade, que prestassem atenção nas letras, que sentissem os acordes e aprendessem a cantar junto.

Eles tão com um álbum novo quase saindo do forno e já apresentaram três das novas músicas no programa: “Me Leve” , “Mesa 16” e “O Ficar e o Ir da Gente”. Todas lindas e ainda mais maduras do que as do primeiro disco. E acho que não sou só eu que acho isso, já que a Plutão se apresentou apenas com músicas próprias no Superstar (pra não dizer que foram só músicas autorais, em um dos programas eles cantaram Educação Sentimental II do Kid Abelha. Falei que tinha uma referência bem clara aí, não falei?) e fez todo mundo se apaixonar por eles, chegando entre as quatro bandas finalistas do programa.

A decisão da vencedora, aliás, sai nesse domingo e acho que não preciso nem falar que se você também gostou da banda, não custa nada dar um votinho pra eles durante a apresentação, já que ganhar o programa com certeza vai abrir muitas portas e ajudar demais na divulgação do trabalho do quinteto. E né, banda boa eu quero mais é que se espalhe pelo vento e conquiste o mundo todo.

“A cidade tá na mesma e eu volto pro mesmo abraço
Eu sei muito bem o traço da saudade”
(O Ficar e o Ir da Gente)

Nesse link tem todas as apresentações que eles já fizeram no programa, aqui fica o Instagram da banda e aqui a página no Facebook. E ah, pra quem quiser escutar loucamente o CD “Daqui pra Là”, tem tudinho no Spotify, bem aqui. De nada!

Bisous, bisous e até mais

Os cinco de abril

Todas as fotos desse post são do meu instagram @paulinhav.

It’s the time of the season when love runs high

Em abril, fiz uma sessão de fotos pra categoria de shootings aqui do blog que foi uma delícia de fotografar. A Ari, amiga mui querida que já clicou outros shootings aqui, fez novamente as fotos e eu continuo a ficar toda feliz com o resultado da sessão sempre que vejo o post em que elas saíram. Como conto no texto, o vestido é da Rosegal e por algum motivo que eu não sei explicar bem, Time of the Season do The Zombies foi não apenas a trilha sonora das fotos, mas também a trilha sonora do meu mês, me acompanhando por todo canto que eu ia.

“Depois do amor: um encontro com Marilyn Monroe”

Esse ano tem vindo umas peças de teatro muito legais aqui pra Bauru, tanto é que em fevereiro eu já havia assistido Mel Lisboa no musical “Rita Lee mora ao lado” (falei disso no Os cinco de fevereiro), e no mês seguinte foi a vez de assistir “Depois do amor: um encontro com Marilyn Monroe”.

A peça conta a história de quando Marilyn, interpretada por Danielle Winits, estava em meio as gravações do filme “Something’s got to give” e precisou da ajuda de uma costureira para ajustar suas roupas depois de emagrecer rapidamente. A profissional escolhida pra tal missão foi a jovem Margot Taylor (Maria Eduarda de Carvalho), antiga amiga de Marilyn que anos antes tinha visto seu noivo (o famoso jogadora de beisebol Joe DiMaggio) trocá-la pela atriz.

A história toda é real e o tal encontro de Margot e Marilyn (que se deu quando a atriz já havia se separado de DiMaggio) deu origem ao espetáculo, que retrata toda a conversa travada entre as duas sobre as suas histórias de vida, suas relação com o amor e a fama, e o que o destino, – anos depois das duas haverem se separado – reservou para cada uma. O espetáculo é um estudo de personagem muito bonito, especialmente quando lembramos que Marilyn morreu naquele mesmo ano.

Uma curiosidade, aliás, bastante triste acerca da peça é que ela foi a última dirigida por Marilia Pera, que faleceu no dia da sua pré-estreia.

De volta ao lugar de sempre com as minhas meninas de sempre

Depois de uma infinidade de meses que eu nem sei contabilizar, finalmente eu, Maitê e Gabi conseguimos nos reunir. Nós fomos em um barzinho de Leme chamado “O Tribunal”, um dos poucos lugares ‘pra sair’ da cidade que continuam abertos desde quando fui embora de lá. Na minha adolescência, eu ia muito ao Tribunal e ao Macaboo, uma casa de shows de Leme que também existe ainda (acabei de perceber que eu era uma adolescente muito visionária, já que os meus lugares preferidos da cidade na época são praticamente os únicos que conseguiram se manter).

Só sei que é muito louco voltar pra um lugar desses, com as amigas de sempre, e ver um monte de gente conhecida da minha adolescência, agora muito mais velha e diferente, mas ao mesmo tempo do mesmo jeito de antes. Os anos passaram, a gente cresceu, saiu da escola, fez faculdade, começou a trabalhar, a maioria mudou de cidade, e mesmo assim parece que as coisas não mudaram muito. Eu sei que esse tipo de pensamento nostálgico é meio depre feelings, mas sei lá, vire e mexe eu me pego pensando nessas coisas, vocês não?

Na festinha de comemoração dos 30 anos da Editora

Em abril a Editora completou 30 anos e teve festa pra comemorar a data. Pensar que eu trabalho em um lugar que tem mais tempo de existência do que a minha vida toda me deixa orgulhosa e maravilhada ao mesmo tempo. Manter uma empresa do tamanho dessa por tanto tempo não é pra qualquer um. Mas o que me deixa mais feliz mesmo é pensar que, além de trabalhar numa redação do jeitinho que eu sempre sonhei, uma das coisas mais importantes que a Editora me proporcionou foram as pessoas que eu conheci lá e que se tornaram mega importantes na minha vida.

Na foto, batida numa cabine da festa, estão a Bruna (que vocês já devem ter visto algumas outras vezes aqui no blog) e a Lirian, a pessoa mais solidária que eu já conheci nessa vida. As duas já trabalharam comigo (a Li ainda trabalha, na real) e fazem parte desse rol de pessoas incríveis que o trabalho me proporcionou conhecer.

Trechinho do desfile do Lino Villaventura no SPFW N41

Trechinho do desfile do Lino Villaventura no SPFW N41

No finalzinho do mês fui ao SPFW N41, o primeiro da nova fase do evento, que não será mais dividido entre verão e inverno. Assisti a quase todos os desfiles do último dia e fiz um post aqui no blog contando várias coisinhas desse dia e dos rumores e expectativas que estavam rolando pelos corredores.

Na foto aparece um pedacinho do desfile do Lino Villaventura, que fez uma apresentação super performática e diferente de tudo que já vi nesses anos de semana de moda de São Paulo. Quem ficou curioso e quiser ver mais fotos do desfile, é só clicar aqui.

POSTS DE ABRIL

Embalada pelo VEDA que muita gente estava fazendo no Youtube, dei início a algo meio parecido aqui no blog com post (quase) todos os dias. A experiência foi muito boa e me fez ver que com um pouquinho mais de foco e planejamento, eu consigo ser ainda mais produtiva por aqui.

FILMES DE ABRIL

  • Sobrenatural: A Origem | Leigh Whannell {2015}
  • Cloverfield | Matt Reeves {2008}
  • Joy | David O. Russell {2016}

LIVROS DE ABRIL

  • Razão e Sensibilidade | Jane Austen
  • Fangirl | Rainbow Rowell
  • A Seleção | Kiera Cass
  • A Elite | Kiera Cass

TEXTOS MEUS EM OUTROS LUGARES

No blog do Johnny Tattoo Studio, falei sobre o estilo boyish e sobre a história do São Paulo Fashion Week.

E o mês de abril de vocês, como foi?

Bisous, bisous

Do cinema ao tapete vermelho: um longo post sobre o Festival de Cannes

Um dos mais importantes prêmios da indústria cinematográfica, o Festival de Cannes existe oficialmente desde 1946, logo após o final da Segunda Guerra Mundial, quando foi criado para prestigiar e valorizar o cinema a nível internacional, e competir com o Festival de Veneza. O evento acabou tendo tanta projeção dentro da indústria que se tornou uma referência na área, e especialmente a partir dos anos 50 passou a receber também muita atenção da mídia devido as celebridades que por lá passavam, ganhando assim um certo status de premiação glamourosa.

Pode parecer meio estranho esse tipo de definição, eu sei, mas o fato é que além da premiação de Cannes ser completamente diferente da do Oscar, por exemplo, que é muito mais comercial e atende um padrão de filmes hollywoodianos, ela também conseguiu seu próprio tipo de tapete vermelho, que tem um je ne sais quoi muito particular e elegante. Arrisco dizer que entre os muitos fatos que contribuem para isso está o próprio ritmo e foco que o evento tem, sendo uma competição com espaço para filmes conceituais e de diversas nacionalidades, além, é claro, do próprio local escolhido para o festival: a Riviera Francesa, uma das regiões mais turísticas e ricas do mundo.

Foto: http://blog.clickandboat.com/

O evento nasceu sob o nome de Festival Internacional du Film, e foi só mesmo em 2002 que passou a se chamar Festival de Cannes. Desde sua primeira edição, ele só deixou de acontecer em 1948 e 1950 por problemas financeiros, e já em 1955 institui a Palma de Ouro como prêmio máximo do evento.

Vale dizer, no entanto, que nem todos os filmes que são transmitidos na mostra concorrem à premiação. Antes do festival começar são selecionados apenas alguns poucos longas para concorrerem ao grande prêmio. Eles são transmitidos no festival junto à vários outros filmes importantes para a indústria naquele ano (e que sempre fazem seu début em Cannes), e ao final da mostra, são premiados em categorias como melhor atriz, melhor diretor, melhor ator, e, claro, melhor filme. Esse último, aliás, por uma regra instituída pelo próprio festival, não pode ser premiado em nenhuma outra categoria, levando pra casa “apenas” a tão desejada Palma de Ouro.

Ao longo desses muitos anos de premiação, alguns acontecimentos marcaram a história do festival. Em 1968, por exemplo, a mostra acabou muito antes do esperado e sem entrega de prêmios, já que o local foi tomado por protestos em apoio ao movimento “Maio de 68”.

Pra quem não sabe, maio de 68 foi um dos períodos civis mais turbulentos da recente história da França, já que começou como um protesto dos estudantes em prol de algumas reformas no sistema educacional e terminou em uma greve gigante de trabalhadores. Unidos, estudantes e operariado pararam o país e fizeram com que muitas outras áreas aderissem ao movimento em seu favor.

Profissionais do cinema, – especialmente os amantes da Nouvelle Vague – mostraram apoio ao movimento, e o Festival de Cannes daquele ano viu nomes como Jean-Luc Godard, François Truffaut, Claude Lelouch, Roman Polanski e Alan Resnais boicotarem o evento.

Nesse ano, por motivos bastante diferentes, mas também importantes, a mostra novamente foi palco de algumas manifestações. Uma delas partiu de algumas atrizes – Julia Roberts, Kristen Stewart e Sasha Lane – que desfilaram descalças no tapete vermelho em protesto a um acontecimento do ano passado, quando algumas profissionais tiveram sua entrada proibida no festival por estarem sem salto (aproveitando o assunto “machismos no cinema”, falei sobre grandes diretoras e alguns preconceitos da profissão nesse post aqui)

Além disso, também nesse ano, uma manifestação política muito importante se deu em Cannes. A equipe do filme brasileiro Aquarius (que concorreu a Palma de Ouro) protestou contra o impeachment da presidenta Dilma, denunciando o golpe que vem sendo dado nos últimos dias no país. A notícia foi muito falada na mídia internacional, mas no Brasil acabou ganhando pouco ou quase nenhum destaque.

Uma das características mais marcantes do Festival de Cannes é o pôster que todo ano é lançado para divulgar a premiação. Desde 1946, várias ilustrações e fotos foram escolhidos para isso e aqui embaixo montei uma galeria com todas essas imagens, desde a primeira edição. Todos os pôsteres são maravilhosos, mas confesso que os de 72, 85, 2005, 2008, 2012 e 2013 são meus preferidos.

« 1 de 3 »

Cannes costuma ter critérios muito específicos (e não muito comerciais) para sua premiação, o que quase sempre faz com que o filme ganhador da Palma de Ouro figure fora do circuito Hollywoodiano. Mas, vez em quando, alguns desses filmes mais conhecidos do grande público ganham destaque também na premiação. Foi o caso de Taxi Driver (1976), Apocalypse Now (1979), Pulp Fiction (1994), O Pianista (2002), A Árvore da Vida (2011) e Amour (2012).

Filmes brasileiros já tiveram também boas representações na premiação. “O Pagador de Promessas” (1962) de Anselmo Duarte é até hoje o único filme nacional a ter conquistado a Palma de Ouro, mas “Vidas Secas” (1963) de Nelson Pereira dos Santos já concorreu a premiação e “Eu Sei Que Vou Te Amar” (1986) de Arnaldo Jabor deu a Fernanda Montenegro, na época uma menina de 20 anos, o prêmio de melhor atriz do festival.

Fernanda Montenegro em cena do filme "Eu sei Que Vou Te Amar", pelo qual levou o prêmio de melhor atriz em Cannes

Fernanda Montenegro em cena do filme “Eu sei Que Vou Te Amar”, pelo qual levou o prêmio de melhor atriz em Cannes

Também na lista de filmes brasileiros em Cannes estão “Linha de Passe” (2008), de Walter Salles, vencedor do prêmio de melhor atriz para Sandra Corveloni, e o mais recente da lista, “Aquarius”(2016), de Kleber Mendonça Filho, que concorreu esse ano na disputa do festival.

Ainda que o evento não tenha nascido sob tal pretexto, Cannes ganhou ao longo dos anos um dos tapetes vermelhos mais estrelados e concorridos da história do cinema. Por lá já passaram os atores, músicos e diretores das fotos daqui de baixo, mas também muitos outros profissionais das mais diferentes áreas da indústria cinematográfica. Um festival que, definitivamente, tem muita história pra contar.

Lupita Nyong’o (2015)
 Lupita Nyong’o (2015)
« 1 de 12 »

Fotos das galerias: www.festival-cannes.fr

Bisous, bisous e até a próxima

Desbravando São Paulo #5

Como já é de praxe aqui no blog, fiz uma listinha de alguns lugares bem interessantes que visitei na minha última passagem por São Paulo. Fica de recomendação pra quem já é da cidade ou pra quem estiver de passagem pela capital paulista (:

Crédito foto: facebook.com/restaurantepracasaolourenco/

Fui fazer a cobertura de um evento que aconteceu lá no restaurante Praça São Lourenço e fiquei completamente embasbacada com o lugar. Pra começar que o restaurante é enorme, e além do salão central e do segundo andar que tem uma graça de vista, eles possuem uma área enorme, totalmente arborizada. As mesinhas ficam espalhadas pelo “jardim” que conta até com um mini lago (!)

Pelo que entendi o restaurante é bastante focado em eventos, mas nada que impeça alguém de ir almoçar com os amigos lá em um domingo qualquer. Os preços são salgados, é verdade, mas os pratos que provei foram muito bem servidos e gostosos. Me perdoem a falha de memória de não saber dizer certinho quais eles eram, mas não sei também se o menu que tínhamos foi preparado apenas para o evento ou se também faz parte do cardápio do restaurante. De qualquer forma, já deu pra perceber que tudo lá é feito com muita qualidade e atenção.

Restaurante Praça São Lourenço
Endereço: R. Casa do Ator, 608 – Vila Olimpia, São Paulo

No dia seguinte, eu, Babi e Lucas fomos ao Sesc Ipiranga conferir a “Fora de Moda – Uma exposição em Construção”, mostra que além de contar com instalações de diversos artistas como Fause Haten, Karla Girotto, e Junior Guarnieri e Simone Pokropp (fundadores da Casa Juici), tem uma série de performances, teatros e intervenções que estarão acontecendo ao longo de todo o seu período de exibição.

Na mostra, por exemplo, é possível visitar “A Fábrica do Dr. F”, um espaço de criação do estilista Fause Haten onde estão expostas as peças da sua última coleção. No dia que fomos, aliás, Fause estava lá fazendo uma apresentação, a primeira de uma série chamada “Lili Marlene – Um Risco”. Como ele mesmo contou, a performance não se trata propriamente de um teatro, mas mais da construção de um personagem – ou, no caso, de vários personagens – junto com o público.

E se não bastasse tudo isso, uma das coisas mais incríveis da exposição são as várias oficinais de moda que vem acontecendo desde abril no SESC. Aprender a costurar ou mesmo a fazer tricô e crochê estão na programação, além de oficinas como “Estilistas por um Dia” e “Ressurreição das Roupas”. Se você gosta de moda ou arte, vale mesmo a pena dar uma olhadinha no site do SESC pra conferir a programação.

Fora de Moda – Uma Exposição em Construção (SESC Ipiranga)
Endereço: R. Bom Pastor, 822 – Ipiranga, São Paulo
Site: https://goo.gl/sjhwha

Crédito foto: facebook.com/urbecafe

Antes de irmos ao SESC, no entanto, resolvemos parar pra comer, já que eram quatro horas da tarde e não havíamos almoçado ainda.

Fomos no Urbe Café Bar, um cantinho ali da Augusta que tem um ambiente super cool e descontraído. e que segundo meus amigos “é onde o pessoal leva o paquera no primeiro date” (fica aí de dica para os amigos solteiros). Além de funcionar como café, o lugar tem vários pratos gostosos, bem servidos e de ótimo custo x benefício. Eu e Bá optamos por pratos com massa, enquanto o Lucas pediu um creme de abóbora.

Como dá pra ver na foto aqui de cima, o lugar tem dois andares com mesinhas e cadeiras super aconchegantes. No sábado, no horário que fomos, a parte de baixo tava completamente lotada e quase que nem no segundo andar conseguimos achar lugar pra sentar, mas imagino que durante a semana o movimento não deve ser tão grande e dá pra ir com calma tomar um café ou mesmo pedir uma refeição.

Urbe Café Bar
Endereço: R. Antônio Carlos, 404 – Consolação, São Paulo
Facebook: https://goo.gl/j9H5Li

BÔNUS: Caixa Belas Artes

Sei que já falei sobre o Caixa Belas Artes no Desbravando São Paulo #3, mas como contei naquele post, eu só tinha visitado o café que fica na parte de baixo do cinema. Dessa vez fui lá pra ver o filme “Nice – O Coração da Loucura”, um longa espetacular dirigido pelo Roberto Berliner e estrelado pela Glória Pires.

Baseado em parte da história da Nise da Silveira, quando a médica foi trabalhar na clínica psiquiátrica Engenho de Dentro, o filme é emocionante e traz um pouco do reconhecimento que Nise merece não só na área médica, mas também na área artística do nosso país. Pra quem não conhece muito sobre ela (como era meu caso antes do filme), recomendo fortemente esse texto aqui da Babi pra Capitolina.

Caixa Belas Artes
Endereço:  R. da Consolação, 2423 – Consolação, São Paulo
Site: http://goo.gl/HYJ2eT

Bisous, bisous e até mais

Um giro no último dia do SPFW N41

Na última sexta-feira, dia 29 de abril, fiquei bastante feliz por São Paulo ter amanhecido gelada. Eu tinha ido pra lá na quinta para cobrir um evento pela editora, e acabei estendendo a viagem e aproveitando para ficar na cidade durante a sexta e o final de semana também.

Um dos motivos pra isso é que no dia 29 ia rolar o último dia de SPFW, e vocês bem sabem que sempre que possível, eu gosto de acompanhar de perto essa semana de moda.

Os corredores

Exposição “How Do I Feel Today”, da modelo e artista plástica Nathalie Edenburg, que criou diferentes tipos de intervenções artísticas em uma mesma foto sua

Quem costuma ir a semana de moda de Sâo Paulo sabe que é de praxe ver a produção e a imprensa correndo como uns loucos no entra e sai de cada desfile, mas outra coisa comum a todas as edições são as ações super diferentes e legais que rolam pelos corredores.

Nessa temporada, por exemplo, além de um espaço da TNT onde você podia customizar uma camiseta da Cotton Projec, havia ainda uma máquina da Coca-Cola pra você personalizar sua bebida escrevendo seu nome na garrafinha, e um carrinho da Magnum que além do tradicional sorvete mara deles, ainda oferecia uma versão do picolé derretido como um cappuccino (!!).

Ainda nessa parte de ações, tinham os já ‘tradicionais’ food trucks e um espaço lindo da Natura onde rolaram palestras e pocket shows durante toda a semana de moda, com gente como Jout Jout, Liniker e Elza Soares. (Pausa nesse momento pra chorar um pouquinho ao lembrar que teve show do Liniker em Bauru e eu não fui.)

E é claro, tiveram as exposições também, que em toda temporada estão espalhadas pelos corredores, mas que infelizmente nem sempre são muito lembradas pelas pessoas que passam pelo evento.

Nessa edição, além da exposição da modelo Nathalie Edenburg (mostrada na primeira foto desse post), havia também uma área dedicada a joias dos finalistas e vencedores do AuDITIONS Brasil, o maior concurso de joias de ouro do país. E, junto a tudo isso – e pra mim, a mais emblemática exposição dessa edição – havia também uma sessão de fotos chamada “Apolônias do Bem” que mostrava mulheres que foram vítimas de violência doméstica e que receberam tratamento odontológico gratuito da ONG  Turma do Bem.

As fotos mostravam algo como um “antes e depois” da mudança, e era chocante a diferença de expressão que cada uma dessas mulheres carregava. Se as fotos do antes mostravam seriedade, tristeza e quase um tom sombrio, as que vinham depois eram recheadas de risos, brincadeiras e caretas. Uma mudança assustadora, mas muito representativa também da transformação que a vida dessas mulheres teve.

O FFWSHOP como sempre cheio de itens de arte que me fazem suspirar

E como não podia deixar de ser, a lojinha do FFW, a FFWSHOP, também estava lá nessa edição, ainda mais repleta de coisas lindas do que de costume. Eram livros, objetos de decoração, plantinhas, camisetas e uma infinidade de objetos de arte encantadores.

Dessa vez, eu fiquei tentada mais do que o normal em trazer um item pra casa, já que entre os livros do estande havia um com todas as ilustrações originais do filme Inside Out da Pixar. Mas, como sempre, fiquei barrada no preço (que não era dos mais convidativos) e acabei deixando quieto. Uma pena, na real.

Os desfiles

Assisti a todos os desfiles que rolaram na sexta-feira, com exceção do da Ellus (momento que eu aproveitei pra pegar um táxi em paz, sem correria e disputa, e ir pra casa descansar hehe) e achei que esse último dia teve um balanço mais do que excelente de apresentações.

Lino Villaventura

Lino, que costuma ser sempre performático em seus desfiles, se superou dessa vez. O que aconteceu foi que as modelos entravam, paravam em um local montado com holofotes e posavam em sofás ou carrinhos (que eram trocados de tempos em tempos) para o fotógrafo Miro. No ato as fotos apareciam no telão, e só depois de muitas poses – lindas e dramáticas – as modelos levantavam, cruzavam a passarela e saíam de cena.

Pra mim a ideia de transformar seu desfile em uma sessão de fotos feita assim, na frente de todos os telespectadores e sem cortes, foi genial. Em roupas dramáticas, com muito volume e bordados, tudo era puro conceito, puro drama, pura arte. A beleza ajudava ainda mais nesse resultado, com cabelos super elaborados e presos em hastes no alto da cabeça. Tudo bem drama queen mesmo, apostando em um resultado que vai ser visto só daqui algum tempo, em uma exposição que será feita com as fotos do desfile.

Mas, se existe uma ressalva que pode ser feita quando a essa apresentação, é a de que ainda que Lino quisesse fazer suspense sobre o resultado do ensaio, ficou uma situação meio esquisita para os fotógrafos que estavam no PIT registrar tudo aquilo, já que as modelos posavam de lado, e não de frente para eles. E, se por outro lado, a ideia era dirigir todo o foco para o público que assistia a apresentação, nem a gente conseguiu enxergar bem o que se passou, já que os enormes spots de luz tapavam boa parte da visão.

Nesse ponto, a estrutura da sessão de fotos poderia ter sido diferente (a apresentação, aliás, ia ser externa, mas dias antes do evento começar, voltou para o line-up da Bienal), o que teria deixado o espetáculo ainda mais bonito.

Wagner Kallieno

Já no desfile do Wagner Kallieno, os anos 80 apareceram em peso e o que vimos na passarela foi uma profusão de blazers (daqueles que pareciam ter enchimento nos ombros e o deixavam ainda maior) e peças sortidas, como calças, saias e vestidos que adotaram com força o lamê pra si. O desfile inteiro, aliás, foi uma brincadeira de juntar o armário feminino com o armário masculino, numa tentativa (bem sutil) de pincelar o tão controverso e discutido estilo unissex.

Li depois no Chic que essa coleção tomou como inspiração a personagem Alex do filme Flashdance, o que justifica bastante a escolha dos tecidos e especialmente os primeiros looks que cruzaram a passarela. Além disso, outra coisa bastante marcante na apresentação foram as peças oversized, que parecem mesmo ser a grande aposta de várias marcas pra essa temporada.

GIG Couture

Minha primeira impressão do desfile da GIG Couture foi a de que estava rolando uma invasão de babados e plissados na passarela. Foi só depois, olhando com mais atenção, que percebi como esse volume que as duas formas faziam nas roupas é que eram os responsáveis por misturar as cores da coleção. Eram nos plissados que as cores se intercalavam ou criavam diferentes efeitos, e nos babados que elas se misturavam ou criavam blocos de cores.

Esse jogo de cores, formas e luz resultou em um trabalho bastante autoral e bonito. Desses que deixa a gente curiosos pra acompanhar os próximos passos da marca.

Ratier

O desfile da Ratier era o que eu mais tava ansiosa pra assistir, já que vi a estreia deles na temporada passada e amei loucamente a proposta da marca. Ainda assim conseguiu me surpreender com a qualidade (e quantidade!) de peças que eles apresentaram, e só confirmei a minha teoria de que a Ratier ainda vai voar muito longe.

Vale dizer que essa é uma das poucas grifes que eu piro na proposta e acho lindo a vibe minimalista rock, mesmo sem ser o estilo de roupa que eu uso no meu dia a dia. Sabe marca que independente de gosto pessoal, ganha espaço e respeito no nosso coração? Pois é.

Nessa edição, a proposta deles de ser clean, minimal e com poucos pontos de luz continuou, mas com um up aparente nas peças que ganharam um pouco mais de sofisticação. Lindo de verdade.

Cotton Project

É sempre uma delícia assistir a estreia de uma marca no evento e a Cotton Project fez muito bonito nessa sua primeira apresentação. A marca que é do diretor criativo Rafael Varandas e do estilista Acácio Mendes (vocês lembram que ele participou do reality show “Projeto Fashion” do SBT?!) já havia desfilado na Casa de Criadores temporada passada e, pra essa edição, mudou um pouco de ares e caiu de cabeça na Bienal.

Eu confesso que conhecia pouco do trabalho da dupla, mas achei interessante essa proposta que eles possuem bastante comercial e direcionada a um público específico, bem easy e descolado. A vibe do desfile todo foi bem colorida e cheia de peças fáceis de usar, combinar e brincar no look. Gostoso de ver.

Algumas considerações

Foi apenas um dia de evento, mas já deu pra sentir que havia um clima mais animado nos corredores do que nas últimas temporadas. Ainda que várias marcas como Colcci, Animale e Amapô tenham pulado essa edição, fiquei com a sensação de que o público em geral gostou muito dessa não generalização de estações e achou que fez mais sentido essa “liberdade” que foi dada as marcas.

Já a imprensa, por outro lado, me pareceu meio perdida nessa edição. É como se nesse momento onde tantas mudanças estão acontecendo, muitos veículos e jornalistas não soubessem muito bem onde havia um terreno seguro para se colocar os pés. Senti falta, port exemplo, de coberturas mais detalhadas da semana de moda e percebi que até alguns portais deixaram de fazer vídeos e críticas nessa temporada.

Enfim, o jeito agora é esperar e ver como as próximas edições irão se desdobrar dentro e fora da Bienal.

E mais...

Pra quem, assim como eu, também fica lendo, vendo e digerindo tudo que rolou no SPFW mesmo mais de uma semana depois, fica aqui a indicação de alguns links que achei bem interessantes sobre o assunto.

Esse texto do Costanza Who que mostra quem são, o que de fato fazem e qual a rotina de um fotógrafo de PIT em uma semana de moda.

A matéria do FFW que faz um resumão de vários acontecimentos importantes dessa temporada.

O artigo que Paulo Borges escreveu para o BoF (Business of Fashion) sobre as mudanças dessa e das próxima edições, e onde o criador do SPFW fala um pouco sobre a indústria de moda no país, porque essas mudanças foram tão necessárias e o que se espera com essas alterações no calendário.

– E essa propaganda da Natura que passava antes de todos os desfiles e que me deixou emocionada da cabeça aos pés todas as vezes.

E vocês, o que acharam dessa edição? Gostaram das mudanças?

Bisous, bisous e até mais!