Coleção Audrey Hepburn: Um Clarão nas Trevas

Um Clarão nas Trevas, filme de suspense (sim, de suspense!) estrelado pela Audrey em 1967, infelizmente ainda não está na minha coleção de DVD’s. No entanto, como eu tenho amigos muito fantásticos que gostam de cinema tanto quanto eu, consegui assistir ao filme na casa de um deles no último final de semana. E acreditem quando eu digo que a Audrey ser a protagonista de um filme do gênero tão pesado – tão diferente de Charada, que ainda que tenha suspense, é bastante levinho e divertido – é a menor das surpresas que ele nos reserva.

Wait Until Dark, nome original da história, foi dirigido por Terence Young (diretor de O Satânico Dr. No) e produzido por Mel Ferrer, marido da atriz na época e pai do seu primeiro filho, Sean. Audrey e Mel se separaram um ano após o filme ser lançado, e é curioso como existem alguns elementos do longa que parecem fazer jus a (suposta) vida real dos dois e aos motivos que levaram ao fim do casamento.

Mas calma, daqui a pouco eu explico melhor essa história. Primeiro as primeiras coisas.

Baseado em uma peça de teatro da Broadway, o filme conta a história de Susy e Sam (interpretados por Audrey Hepburn e Efrem Zimbalist Jr.), casal que se conheceu e casou há pouco tempo, logo após o acidente que deixou Susy cega.

No momento em que começamos a acompanhar a história, os dois já estão morando juntos e aprendendo a lidar com a nova condição da protagonista. E é aí que um terceiro elemento nada esperado entra em cena: uma boneca recheada de heroína que vai parar acidentalmente nas mãos de Sam. Atrás dessa boneca está um trio de criminosos (Alan Arkin, Richard Crenna e Jack Weston) responsáveis por criar uma emboscada para invadir o apartamento do casal em um momento em que apenas Susy está em casa.

O filme é um suspense de primeira, super bem construído, e o fato de Susy precisar se valer dos seus outros sentidos pra sobreviver aos criminosos o torna ainda mais interessante, cheio de pequenos desvios que não deixam a narrativa óbvia.

Além disso, depois de assistir a esse longa, é um tanto quanto chocante notar como aconteceu algo aí no meio do caminho do cinema que fez com que hoje em dia a gente necessite que os filmes tenham mil cenários, mil personagens, mil cenas assustadoras ou cheias de adrenalina pra tornar a história boa. Porque vejam bem, esse filme aqui se passa todo dentro de um apartamento, conta com apenas seis personagens e é muito bom. Verdadeiramente bom. Do tipo que se apoia única e exclusivamente no roteiro e na atuação dos seus atores para construir uma história de qualidade.

Outro ponto interessante do filme que me chamou muita atenção, foi a personalidade criada para o casal de atores principais. Logo de cara já fica evidente como Sam tenta ignorar o fato de que Susy é cega. Ele deseja tanto que ela leve uma vida totalmente independente, que passa a adotar medidas extremamente cruéis, negando qualquer tipo de ajuda e obrigando-a a fazer tudo sozinha.

É claro que o “tratamento de choque” faz sentido no filme, afinal o que fica subentendido é que é exatamente por causa dele que a protagonista aprendeu a desenvolver seus outros sentidos e agir contra os bandidos. Mas essa relação do casal é extremamente esquisita. É uma relação que incomoda, que machuca, especialmente porque deixa evidente que Suzy passa a fazer certas coisas não porque quer ou porque acha que isso fará bem a si mesma, mas para agradar ao marido, para mostrar que ela consegue levar a vida que ele quer pra ela.

Enquanto isso, na vida real de Audrey, as coisas também pareciam um pouco fora do lugar.

Até hoje muito se especula sobre a vida que ela e Mel levavam longe dos holofotes de Holywood, mas o que muitos amigos e profissionais que trabalharam com o casal comentavam é que Mel – que também foi ator e diretor – tinha uma paixão obsessiva pela imagem de Audrey no cinema. Ele enxergava no sucesso de sua mulher a realização dos próprios sonhos e constantemente a fazia colocar sua carreira à frente de tudo. À frente, inclusive, daquilo que sempre esteve em primeiro lugar para ela e que a atriz nunca fez questão de esconder que era sua grande paixão: a maternidade.

Audrey perseguiu durante muitos anos esse desejo, sofrendo cinco abortos espontâneos até conseguir dar à luz a Sean, seu primeiro filho. E mesmo depois de tê-lo, com os compromissos profissionais e a vida de estrela de Hollywood que levava, faltava tempo para a vida em família.

Assim, da mesma forma como Sam pressionava Susy sob um suposto motivo de que aquilo era o melhor para ela, na vida real, Mel fazia com que Audrey se dedicasse de corpo e alma ao cinema, tornando-a a grande estrela que ele queria que ela fosse. E assim como Susy se esforçava ao máximo para ser independente e agradar o marido, Audrey se tornava cada dia mais a estrela que Mel desejava.

Mas, ainda bem – pelo menos nesse caso – o cinema não é igual a vida real, e pouco depois de Um Clarão nas Trevas, Audrey decidiu que era hora de viver seu sonho.

Ela e Mel Ferrer se separaram em 1968 e a atriz resolveu dar um hiato na carreira para se dedicar exclusivamente a Sean. O casamento com o psiquiatra Andrea Dotti aconteceu pouco tempo depois e em 1970 os dois tiveram Luca, primeiro e único filho do casal.

Audrey no set de filmagens de Um Clarão nas Trevas

Audrey nos bastidores de Um Clarão nas Trevas

Vida pessoal à parte, Wai Until Dark foi muito importante para a carreira de Hepburn e para os filmes do gênero em Hollywood. Ela recebeu a sua quinta indicação ao Oscar por essa atuação e o filme teve um enorme sucesso de público, especialmente por um anúncio impresso feito pelos produtores que causou alvoroço antes mesmo da sua estreia.

“During the last eight minutes of this picture the theatre will be darkened to the legal limit, to heighten the terror of the breathtaking climax which takes place in nearly total darkness on the screen. If there are sections where smoking is permitted, those patrons are respectfully requested not to jar the effect by lighting up during this sequence. And of course, no one will be seated at this time”.

Eu disse que esse era um bom filme, não disse?

Bisous, bisous

Passeando por Gramado e Canela

Em junho eu entrei de férias e aproveitei a ocasião pra fazer aquilo que mais amo fazer na vida: viajar! Diego e eu tínhamos ficado na dúvida entre ir para o sul do país ou para Buenos Aires, mas depois de muito ponderar, achamos melhor deixar a capital da Argentina pras férias que vem e conhecer um pouquinho mais do nosso próprio pais.

A verdade é que nós dois somos muito curiosos sobre essa região do Brasil, e ainda que eu tenha família paterna espalhada por vários cantos do sul, eu só conheço de verdade Florianópolis. Sendo assim, tínhamos uma região inteira pra marcar no mapa, fechar os olhos, apontar o dedo e escolher qualquer lugar que desejássemos. 

Gramado acabou sendo nossa primeira opção. A cidadezinha fica no Rio Grande do Sul, mais especificamente na serra gaúcha, e é uma região bastante turística, especialmente nessa época do ano em que o frio começa a dar as caras. Tivemos aliás bastante sorte nesse quesito e durante o período em que ficamos lá pegamos a maior frente fria do ano da região! O resultado foi uma temperatura de 2 a 7 graus durante o dia e algo em torno do -2 durante à noite. Frio desses de congelar a alma.

Mas além da própria cidade de Gramado, nossa viagem acabou nos levando pra Canela também, uma cidade vizinha que fica a dez minutos dali. Diferente de Gramado que é bastante agitada e cheia de gente passeando pelas ruas, Canela é muito mais tranquila e leve. E ainda que eu tenha amado todos os passeios em Gramado (muitos, aliás, que infelizmente ficaram de fora do vídeo), Canela tem belezas naturais que emocionam. As folhas de outono, a brisa gostosa, os riachos, as cascatas, os cantinhos todos que fazer você acreditar que está em um filme.

Ficamos hospedados no Hotel Galo Vermelho, na Avenida das Hortênsias, e como a cidade é bem pequena levávamos dez minutos pra chegar de carro no centro.  Optamos, aliás, por alugar um veículo porque além da comodidade, fomos também em vinícolas, parques na estrada, trilhas e alguns outros programas onde chegar a pé era fora de questão. Mas se você também for viajar pra lá e decidir ficar só na cidade, pegar um hotel no centro é sucesso. Você consegue fazer tudo a pé tranquilamente, e ainda tem a vantagem de não perder um tempão achando vaga pra estacionar.

Bom, como eu contei foi a primeira vez que fui pra Gramado, mas antes de chegar lá eu já tinha me informado bem sobre alguns programas legais e ~obrigatórios~ de se fazer na cidade e alguns outros não tão famosos, mas incríveis também (obrigada a todas as meninas do Fashonismo que me ajudaram com sugestões e em especial a Nuta que com esse post me apresentou a Casa da Velha Bruxa, uma cafeteria maravilhosa da cidade).

Em Gramado fomos ao Museu da Moda, lugar idealizado pela estilista Milka Wolf que conta com um acervo muito bem feito e organizado. O Museu se debruça sobre a moda de várias décadas e o estilo de grandes estrelas de Hollywood, e apesar do preço salgado da visita, acho que é um lugar que quem gosta de moda vai amar incondicionalmente. Aliás, uma coisa bem legal de Gramado é que lá tem opções de passeios para amantes das coisas mais distintas possíveis.

Pra quem gosta de chocolate (quem não gosta?!), além dos maravilhosos chocolates quentes que têm em praticamente todos os estabelecimentos da cidade, há ainda muitas fábricas de chocolate com visitação aberta ao público. Nós fomos na da Prayer, que faz uma visita bem completa nas suas diferentes etapas de produção, e que tem chocolates que derretem na boca e não enjoam nunca.

Os amantes de uma boa comida, por sua vez, vão encontrar a felicidade nos rodízios de foundue, que são super comuns nos restaurantes de lá. As porções são enormes e acho que nunca comi tanto na minha vida haha. Já quem gosta de passeios bem tranquilos, vai amar o Lago Negro, que é cheio de pedalinhos, pessoas passeando sem pressa, uma luz natural que parece só existir lá e uma calmaria deliciosa.

Tem ainda o Mundo a Vapor, que como o próprio nome diz é um parque temático sobre máquinas à vapor, mas que me surpreendeu muito pela forma didática e leve com que relaciona o uso dessas máquinas ao avanço das fábricas, usinas e reservatórios. Saí de lá aprendendo muita coisa, de verdade.

E tem ainda a graciosa Fonte do Amor Eterno, a Rua Torta, que tem curvinhas muito charmosas, e a Rua Coberta, espaço onde rolou uma feirinha do livro muito tentadora enquanto eu estava lá.

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Mas Canela não fica nem um pouco atrás de tudo isso. Como eu disse, a cidade é leve, descomplicada e com uma beleza natural inacreditável.

Os lugares mais marcantes pra mim foram a Igreja de Pedra (essa mesma da foto aqui de cima) que à noite tem uma vista deslumbrante, o Castelinho Caracol, que é um casarão antigo de uma das primeiras famílias da cidade e que tem uma aura toda particular (e que eu confesso, foi meu lugar preferido da viagem toda) e o Parque do Caracol, que conta com a maior cascata que eu já vi na minha vida.

Eu com certeza devo ter esquecido de falar de vários lugares que visitamos, mas acho que as fotos e o vídeo daqui de baixo ajudam a passar um pouquinho do clima dessa viagem pra vocês. Espero que gostem.

Bisous, bisous e bom final de semana

Ouvindo sem parar: Plutão já foi planeta

“Você quer ir embora de você
Como se você não lhe fosse
Todos os destinos possíveis”
(Viagem Perdida)

Sejamos sinceros, eu não sou uma pessoa que assiste muita TV. A bem da verdade, nem TV eu tenho há uns bons quatro anos, fato que sempre causa um espanto gigantesco nas pessoas. Nada contra, de verdade, até tenho amigos que tem uma, mas a verdade é que a internet já consome tanto, mas tanto do meu dia, que no pouco tempo que fico fora dela, prefiro ler ou sair pra comer com os amigos e o namorado. Como disse um amigo essa semana “vamos trazer uma barraca e aceitar que a nossa vida é dentro da internet mesmo, não tem jeito.”

Mas o fato é que apesar de não assistir TV com tanta assiduidade, de vez em quando me dá vontade de assistir alguns programas e novelas que todo mundo anda comentando ou que eu simplesmente fiquei com vontade de rever (alô, Verdades Secretas e Laços de Família).  Assim, por esse motivo, decidi recentemente assinar a Globo Play, aquele serviço de assinatura da Globo que além de ter toda a programação atual da emissora, conta também com um pequeno arquivo de tudo que eles já transmitiram. Foi assim que eu consegui assistir “O Rebu”, por exemplo, uma minissérie maravilhosa que passou na Globo em 2014, e foi assim também que eu comecei a assistir o programa Superstar desse ano (aquela competição entre bandas que passa aos domingos na emissora, sabem?) e conheci a Plutão Já Foi Planeta.

“Meus gostos estranham os teus
Mas eu não estranho você
A diferença não faz diferença
Se você é você”
(Você não é mais planeta)

A banda é de Natal, Rio Grande do Norte, se define dentro do gênero indie rock/pop e possui cinco integrantes: Sapulha Campos (voz, guitarra, ukulele e escaleta), Gustavo Arruda (voz, guitarra e baixo), Vitória de Santi (baixo e synth), Khalil Oliveira (bateria) e Natália Noronha (voz, baixo e synth). O grupo é de uma leveza, de uma beleza e de uma gostosura de cantar e dançar assim sozinho pela casa, que só escutando mesmo pra entender. Pra mim foi amor à primeira vista, ou no caso, à primeira nota.

Na sua estreia no programa eles se apresentaram com a música “Viagem Perdida” e eu fiquei tão maravilhada com a canção, especialmente com a letra da música que é linda, que fui procurar mais sobre a banda. Foi assim que descobri que eles já tem um álbum lançado, o “Daqui Pra Lá”. São sete músicas deliciosas de ouvir e que pra mim parecem transitar ali numa mistura de Los Hermanos com Kid Abelha das antigas. As letras são indiscutivelmente incríveis, mas os arranjos das músicas são muitos originais e diferentes também do que estamos costumados a ouvir nas rádios.

Ainda que eu tenha amado todas as canções, as minhas preferidas são a já citada “Viagem Perdida”, a “Você Não é Mais Planeta” e a belíssima “Sonho de Palmer”.

“Me leve pra longe agora
O que nos espera lá fora
É mais do que a gente sonha
Mais do que a gente sabe”
(Me Leve)

A banda nasceu em 2013 e “Daqui pra Lá” foi gravado no ano seguinte. Na época, a Natália Noronha, vocalista do grupo, deu uma entrevista para o site Apartamento 702 contando sobre o processo de gravação do CD, sobre as composições das músicas e sobre essa vontade que eles tinham – e imagino que continuam a ter – de que as pessoas não apenas baixassem o álbum, mas que o escutassem de verdade, que prestassem atenção nas letras, que sentissem os acordes e aprendessem a cantar junto.

Eles tão com um álbum novo quase saindo do forno e já apresentaram três das novas músicas no programa: “Me Leve” , “Mesa 16” e “O Ficar e o Ir da Gente”. Todas lindas e ainda mais maduras do que as do primeiro disco. E acho que não sou só eu que acho isso, já que a Plutão se apresentou apenas com músicas próprias no Superstar (pra não dizer que foram só músicas autorais, em um dos programas eles cantaram Educação Sentimental II do Kid Abelha. Falei que tinha uma referência bem clara aí, não falei?) e fez todo mundo se apaixonar por eles, chegando entre as quatro bandas finalistas do programa.

A decisão da vencedora, aliás, sai nesse domingo e acho que não preciso nem falar que se você também gostou da banda, não custa nada dar um votinho pra eles durante a apresentação, já que ganhar o programa com certeza vai abrir muitas portas e ajudar demais na divulgação do trabalho do quinteto. E né, banda boa eu quero mais é que se espalhe pelo vento e conquiste o mundo todo.

“A cidade tá na mesma e eu volto pro mesmo abraço
Eu sei muito bem o traço da saudade”
(O Ficar e o Ir da Gente)

Nesse link tem todas as apresentações que eles já fizeram no programa, aqui fica o Instagram da banda e aqui a página no Facebook. E ah, pra quem quiser escutar loucamente o CD “Daqui pra Là”, tem tudinho no Spotify, bem aqui. De nada!

Bisous, bisous e até mais

Os cinco de abril

Todas as fotos desse post são do meu instagram @paulinhav.

It’s the time of the season when love runs high

Em abril, fiz uma sessão de fotos pra categoria de shootings aqui do blog que foi uma delícia de fotografar. A Ari, amiga mui querida que já clicou outros shootings aqui, fez novamente as fotos e eu continuo a ficar toda feliz com o resultado da sessão sempre que vejo o post em que elas saíram. Como conto no texto, o vestido é da Rosegal e por algum motivo que eu não sei explicar bem, Time of the Season do The Zombies foi não apenas a trilha sonora das fotos, mas também a trilha sonora do meu mês, me acompanhando por todo canto que eu ia.

“Depois do amor: um encontro com Marilyn Monroe”

Esse ano tem vindo umas peças de teatro muito legais aqui pra Bauru, tanto é que em fevereiro eu já havia assistido Mel Lisboa no musical “Rita Lee mora ao lado” (falei disso no Os cinco de fevereiro), e no mês seguinte foi a vez de assistir “Depois do amor: um encontro com Marilyn Monroe”.

A peça conta a história de quando Marilyn, interpretada por Danielle Winits, estava em meio as gravações do filme “Something’s got to give” e precisou da ajuda de uma costureira para ajustar suas roupas depois de emagrecer rapidamente. A profissional escolhida pra tal missão foi a jovem Margot Taylor (Maria Eduarda de Carvalho), antiga amiga de Marilyn que anos antes tinha visto seu noivo (o famoso jogadora de beisebol Joe DiMaggio) trocá-la pela atriz.

A história toda é real e o tal encontro de Margot e Marilyn (que se deu quando a atriz já havia se separado de DiMaggio) deu origem ao espetáculo, que retrata toda a conversa travada entre as duas sobre as suas histórias de vida, suas relação com o amor e a fama, e o que o destino, – anos depois das duas haverem se separado – reservou para cada uma. O espetáculo é um estudo de personagem muito bonito, especialmente quando lembramos que Marilyn morreu naquele mesmo ano.

Uma curiosidade, aliás, bastante triste acerca da peça é que ela foi a última dirigida por Marilia Pera, que faleceu no dia da sua pré-estreia.

De volta ao lugar de sempre com as minhas meninas de sempre

Depois de uma infinidade de meses que eu nem sei contabilizar, finalmente eu, Maitê e Gabi conseguimos nos reunir. Nós fomos em um barzinho de Leme chamado “O Tribunal”, um dos poucos lugares ‘pra sair’ da cidade que continuam abertos desde quando fui embora de lá. Na minha adolescência, eu ia muito ao Tribunal e ao Macaboo, uma casa de shows de Leme que também existe ainda (acabei de perceber que eu era uma adolescente muito visionária, já que os meus lugares preferidos da cidade na época são praticamente os únicos que conseguiram se manter).

Só sei que é muito louco voltar pra um lugar desses, com as amigas de sempre, e ver um monte de gente conhecida da minha adolescência, agora muito mais velha e diferente, mas ao mesmo tempo do mesmo jeito de antes. Os anos passaram, a gente cresceu, saiu da escola, fez faculdade, começou a trabalhar, a maioria mudou de cidade, e mesmo assim parece que as coisas não mudaram muito. Eu sei que esse tipo de pensamento nostálgico é meio depre feelings, mas sei lá, vire e mexe eu me pego pensando nessas coisas, vocês não?

Na festinha de comemoração dos 30 anos da Editora

Em abril a Editora completou 30 anos e teve festa pra comemorar a data. Pensar que eu trabalho em um lugar que tem mais tempo de existência do que a minha vida toda me deixa orgulhosa e maravilhada ao mesmo tempo. Manter uma empresa do tamanho dessa por tanto tempo não é pra qualquer um. Mas o que me deixa mais feliz mesmo é pensar que, além de trabalhar numa redação do jeitinho que eu sempre sonhei, uma das coisas mais importantes que a Editora me proporcionou foram as pessoas que eu conheci lá e que se tornaram mega importantes na minha vida.

Na foto, batida numa cabine da festa, estão a Bruna (que vocês já devem ter visto algumas outras vezes aqui no blog) e a Lirian, a pessoa mais solidária que eu já conheci nessa vida. As duas já trabalharam comigo (a Li ainda trabalha, na real) e fazem parte desse rol de pessoas incríveis que o trabalho me proporcionou conhecer.

Trechinho do desfile do Lino Villaventura no SPFW N41

Trechinho do desfile do Lino Villaventura no SPFW N41

No finalzinho do mês fui ao SPFW N41, o primeiro da nova fase do evento, que não será mais dividido entre verão e inverno. Assisti a quase todos os desfiles do último dia e fiz um post aqui no blog contando várias coisinhas desse dia e dos rumores e expectativas que estavam rolando pelos corredores.

Na foto aparece um pedacinho do desfile do Lino Villaventura, que fez uma apresentação super performática e diferente de tudo que já vi nesses anos de semana de moda de São Paulo. Quem ficou curioso e quiser ver mais fotos do desfile, é só clicar aqui.

POSTS DE ABRIL

Embalada pelo VEDA que muita gente estava fazendo no Youtube, dei início a algo meio parecido aqui no blog com post (quase) todos os dias. A experiência foi muito boa e me fez ver que com um pouquinho mais de foco e planejamento, eu consigo ser ainda mais produtiva por aqui.

FILMES DE ABRIL

  • Sobrenatural: A Origem | Leigh Whannell {2015}
  • Cloverfield | Matt Reeves {2008}
  • Joy | David O. Russell {2016}

LIVROS DE ABRIL

  • Razão e Sensibilidade | Jane Austen
  • Fangirl | Rainbow Rowell
  • A Seleção | Kiera Cass
  • A Elite | Kiera Cass

TEXTOS MEUS EM OUTROS LUGARES

No blog do Johnny Tattoo Studio, falei sobre o estilo boyish e sobre a história do São Paulo Fashion Week.

E o mês de abril de vocês, como foi?

Bisous, bisous

Do cinema ao tapete vermelho: um longo post sobre o Festival de Cannes

Um dos mais importantes prêmios da indústria cinematográfica, o Festival de Cannes existe oficialmente desde 1946, logo após o final da Segunda Guerra Mundial, quando foi criado para prestigiar e valorizar o cinema a nível internacional, e competir com o Festival de Veneza. O evento acabou tendo tanta projeção dentro da indústria que se tornou uma referência na área, e especialmente a partir dos anos 50 passou a receber também muita atenção da mídia devido as celebridades que por lá passavam, ganhando assim um certo status de premiação glamourosa.

Pode parecer meio estranho esse tipo de definição, eu sei, mas o fato é que além da premiação de Cannes ser completamente diferente da do Oscar, por exemplo, que é muito mais comercial e atende um padrão de filmes hollywoodianos, ela também conseguiu seu próprio tipo de tapete vermelho, que tem um je ne sais quoi muito particular e elegante. Arrisco dizer que entre os muitos fatos que contribuem para isso está o próprio ritmo e foco que o evento tem, sendo uma competição com espaço para filmes conceituais e de diversas nacionalidades, além, é claro, do próprio local escolhido para o festival: a Riviera Francesa, uma das regiões mais turísticas e ricas do mundo.

Foto: http://blog.clickandboat.com/

O evento nasceu sob o nome de Festival Internacional du Film, e foi só mesmo em 2002 que passou a se chamar Festival de Cannes. Desde sua primeira edição, ele só deixou de acontecer em 1948 e 1950 por problemas financeiros, e já em 1955 institui a Palma de Ouro como prêmio máximo do evento.

Vale dizer, no entanto, que nem todos os filmes que são transmitidos na mostra concorrem à premiação. Antes do festival começar são selecionados apenas alguns poucos longas para concorrerem ao grande prêmio. Eles são transmitidos no festival junto à vários outros filmes importantes para a indústria naquele ano (e que sempre fazem seu début em Cannes), e ao final da mostra, são premiados em categorias como melhor atriz, melhor diretor, melhor ator, e, claro, melhor filme. Esse último, aliás, por uma regra instituída pelo próprio festival, não pode ser premiado em nenhuma outra categoria, levando pra casa “apenas” a tão desejada Palma de Ouro.

Ao longo desses muitos anos de premiação, alguns acontecimentos marcaram a história do festival. Em 1968, por exemplo, a mostra acabou muito antes do esperado e sem entrega de prêmios, já que o local foi tomado por protestos em apoio ao movimento “Maio de 68”.

Pra quem não sabe, maio de 68 foi um dos períodos civis mais turbulentos da recente história da França, já que começou como um protesto dos estudantes em prol de algumas reformas no sistema educacional e terminou em uma greve gigante de trabalhadores. Unidos, estudantes e operariado pararam o país e fizeram com que muitas outras áreas aderissem ao movimento em seu favor.

Profissionais do cinema, – especialmente os amantes da Nouvelle Vague – mostraram apoio ao movimento, e o Festival de Cannes daquele ano viu nomes como Jean-Luc Godard, François Truffaut, Claude Lelouch, Roman Polanski e Alan Resnais boicotarem o evento.

Nesse ano, por motivos bastante diferentes, mas também importantes, a mostra novamente foi palco de algumas manifestações. Uma delas partiu de algumas atrizes – Julia Roberts, Kristen Stewart e Sasha Lane – que desfilaram descalças no tapete vermelho em protesto a um acontecimento do ano passado, quando algumas profissionais tiveram sua entrada proibida no festival por estarem sem salto (aproveitando o assunto “machismos no cinema”, falei sobre grandes diretoras e alguns preconceitos da profissão nesse post aqui)

Além disso, também nesse ano, uma manifestação política muito importante se deu em Cannes. A equipe do filme brasileiro Aquarius (que concorreu a Palma de Ouro) protestou contra o impeachment da presidenta Dilma, denunciando o golpe que vem sendo dado nos últimos dias no país. A notícia foi muito falada na mídia internacional, mas no Brasil acabou ganhando pouco ou quase nenhum destaque.

Uma das características mais marcantes do Festival de Cannes é o pôster que todo ano é lançado para divulgar a premiação. Desde 1946, várias ilustrações e fotos foram escolhidos para isso e aqui embaixo montei uma galeria com todas essas imagens, desde a primeira edição. Todos os pôsteres são maravilhosos, mas confesso que os de 72, 85, 2005, 2008, 2012 e 2013 são meus preferidos.

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Cannes costuma ter critérios muito específicos (e não muito comerciais) para sua premiação, o que quase sempre faz com que o filme ganhador da Palma de Ouro figure fora do circuito Hollywoodiano. Mas, vez em quando, alguns desses filmes mais conhecidos do grande público ganham destaque também na premiação. Foi o caso de Taxi Driver (1976), Apocalypse Now (1979), Pulp Fiction (1994), O Pianista (2002), A Árvore da Vida (2011) e Amour (2012).

Filmes brasileiros já tiveram também boas representações na premiação. “O Pagador de Promessas” (1962) de Anselmo Duarte é até hoje o único filme nacional a ter conquistado a Palma de Ouro, mas “Vidas Secas” (1963) de Nelson Pereira dos Santos já concorreu a premiação e “Eu Sei Que Vou Te Amar” (1986) de Arnaldo Jabor deu a Fernanda Montenegro, na época uma menina de 20 anos, o prêmio de melhor atriz do festival.

Fernanda Montenegro em cena do filme "Eu sei Que Vou Te Amar", pelo qual levou o prêmio de melhor atriz em Cannes

Fernanda Montenegro em cena do filme “Eu sei Que Vou Te Amar”, pelo qual levou o prêmio de melhor atriz em Cannes

Também na lista de filmes brasileiros em Cannes estão “Linha de Passe” (2008), de Walter Salles, vencedor do prêmio de melhor atriz para Sandra Corveloni, e o mais recente da lista, “Aquarius”(2016), de Kleber Mendonça Filho, que concorreu esse ano na disputa do festival.

Ainda que o evento não tenha nascido sob tal pretexto, Cannes ganhou ao longo dos anos um dos tapetes vermelhos mais estrelados e concorridos da história do cinema. Por lá já passaram os atores, músicos e diretores das fotos daqui de baixo, mas também muitos outros profissionais das mais diferentes áreas da indústria cinematográfica. Um festival que, definitivamente, tem muita história pra contar.

Lupita Nyong’o (2015)
 Lupita Nyong’o (2015)
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Fotos das galerias: www.festival-cannes.fr

Bisous, bisous e até a próxima