As mulheres do verão 2017 da Tory Burch

Na última quinta-feira a New Yok Fashion Week encerrou seus desfiles de verão 2017 com uma apresentação comentadíssima de Marc Jacobs, que fez uma coleção inspirada na cena clubber dos anos 90. A beleza e bom trabalho do desfile são incostentáveis, e nessa matéria aqui do FFW dá pra conferir quais foram os pontos-chaves dessa apresentação tão falada.

Só que nessa temporada americana, ainda que eu tenha ficado encantada com a apresentação de Marc Jacobs – e de Jason Wu, Rodarte e outros nomes dos quais sempre falo aqui no blog – o desfile que mais me chamou a atenção foi mesmo o da estilista Tory Burch, que criou uma coleção que começa inspirada no estilo de vida mais formal e corrido da costa leste dos EUA e, como se estivéssemos em uma viagem bem gostosa, desemboca no clima mais descolado e relax da costa oeste.

Ainda que a mudança de região seja feita de forma gradual nos looks apresentados, ficam bem evidentes as influências de que a estilsta se valeu pra traduzir o clima e o lifestyle desses lugares.

O estilo preppy dos colégios norte-americanos, por exemplo, aparece de um jeito bem sutil e bem belo no começo da coleção, com os casaquinhos de colégio, os sapatos com saltos baixos e os laçarotes. Eles aparecem como se fossem detalhes de uma roupa mais formal, mais elaborada, feita mesmo para uma mulher que tem uma vida profissional e social agitadas.

Além disso, ainda nessa primeira fase do desfile, – quando a história contada ainda transita por New York, Filadélfia e os outros estados da costa leste – afora as estampas e tecidos lindos, o que mais me chamou atenção foi a forma como todos esses elementos foram combinados na passarela. Mais até do que peças bem feitas, com ótimos cortes e caimentos, o acerto dessa coleção é a inteligência do styling, do jeito criativo de mostrar como é possível usar as roupas de diferentes maneiras.

Quando a costa oeste começa a surgir na passarela, parece até que uma brisa mais suave vem anunciando a sua chegada.

É bastante profissional e bonito o jeito como a elegância da primeira parte do desfile continua presente, mas agora em um clima mais boho, mais descontraído, mais leve. Saem as estampas navys e xadrezes, e entram os motivos geométricos.

Ainda que o colorido e a descontração sejam os dois grandes símbolos dessa nova mulher da coleção, o que ganhou mais minha atenção nessa parte foi a esperteza que alguns detalhes trouxeram para os looks, como os sapatos desenhados (que parecem ser de camurça) e os colares de pérolas enormes, que poderiam até parecer deslocados, mas que fazem sentido quando inseridos na proposta das peças.

Nessa “brincadeira” de mostrar em uma mesmo desfile dois estilos quase que opostos, indo de uma mulher mais formal para uma mulher mais relax, o que a estilista Tory Burch faz é unir o melhor de dois mundos, numa forma um tanto quanto estratégica de atingir não apenas diferentes tipos de mulheres, mas também de agradar a uma mesma mulher em momento diferentes do seu dia.

As estampas e as peças lindas continuam lá, mas além de contarem uma história que funciona de um jeito muito legal na passarela, elas abrem um leque bastante interessante para as vendas da marca. Não à toa, Tory Burch é uma verdadeira business woman, que foi além do mundo da moda e, desde 2013, vem expandindo seus negócios também para o mundo da beleza, com perfume, maquiagens, cosméticos e muito mais. A estilista, aliás, figurou na lista da Forbes desse ano como uma das 50 mulheres mais ricas e bem-sucedidas dos EUA.

Alguém, definitivamente, pra ficar – ainda mais – de olho.

26 músicas para os meus 26 anos

Esses dias, em uma conversa com o Diego, enveredamos por um assunto desses sem volta em qualquer papo que se preze: músicas que escutamos demais ao longo da vida e que nos marcaram de diferentes maneiras.

Foi assim que acabei apresentando “I started a joke” pra ele, um cover do Faith no More que me arrepia desde a primeira vez que eu o escutei, não só pela voz maravilhosa do vocalista, mas também pelo seu clipe, que tem um tom dramático que desde pequena já mexia comigo. E foi assim também que eu me lembrei de Vinte e poucos anos, e de Malandragem, e de Last Kiss… E de outras inúmeras músicas que foram importantes pra mim nesses meus 26 anos de vida.

Tenho que admitir que nem sempre elas tinham muito a ver com a fase que eu estava vivendo, afinal The Unforgiven II estreou na MTV quando eu tinha sete anos, e mesmo assim, sem entender toda a profundidade da letra, eu já achava aquilo incrível. Mas é fato que elas me marcaram. E marcaram tanto que achei que valiam um post.

Listei então 26 músicas, cada uma lançada em um ano da minha vida, (claro que com faixas adicionais porque foi impossível escolher só uma) que estariam no álbum de trilha sonora da minha história se por acaso ele existisse.

Juro que elas são legais e que vale a pena escutar cada uma. Depois me contem o que acharam (:

E mais: Vogue (Madonna), Pra ser Sincero (Engenheiros do Hawaií) e More than Words (Extreme).

E mais: Teatro dos Vampiros (Legião Urbana), Losing my Religion (R.E.M), November Rain (Gun’s Roses), Enter the Sandman (Metallica) e Alive (Pearl Jam).

E mais: Mentiras (Adriana Calcanhotto), Bizarre Love Triangle (Frente!), Se (Djavan), Tears in Heaven (Eric Clapton), Bed of Roses (Bon Jovi) e What’s Up (4 Non Blondies).

E mais: Cryin’ (Aerosmith), Creep (Radiohead) e Linger (The Cranberries).

E mais: Basket Case (Green Day), A Viagem (Roupa Nova) e Zombie (The Cranberries).

E mais: Wonderwall (Oasis), Piez Descalzos (Shakira), Fake Plastic Tree (Radiohead), Ironic (Alanis Morissette), Free as a Bird (The Beatles) e Don’t Speak (No Doubt).

E mais: Tão seu (Skank), I don’t want to wait (Paula Cole), Santeria (Sublime) e Lovefool (The Cardigans).

E mais: As long as you love me (Backstreet Boys), All around the world (Oasis), Os cegos do castelo (Titãs), Time of your life (Good Riddance) (Green Day) e Torn (Natalie Imbruglia).

E mais: I don’t want to miss a thing (Aerosmit), Ela disse Adeus (Paralamas do Sucesso), Iris (Goo Goo Dolls), Canção pra você viver mais (Pato Fu) e Resposta (Skank).

E mais: All Star (Smash Mouth), Learn to fly (Foo Fighters), Anna Julia (Los Hermanos), All the small things (Blink 182), She (Elvis Costello) e Miss you love (Silverchair).

E mais: Oops!…I did again (Britney Spears), Balada do Amor Inabalável (Skank), Natasha (Capital Inicial) e Regina Let’s Go (CPM22).

E mais: Survivor (Destiny’s Child)My sacrifice (Creed), Lady Marmalade (Christina Aguilera, Lil’ Kim, Mya and Pink), Segredos (Frejat), Wherever you will go (The Calling), A thousand miles (Vanessa Carlton) e Epitáfio (Titãs).

E mais: Sk8ter boi (Avril Lavigne), Misunderstood (Bon Jovi), Beautiful (Christina Aguilera), À sua Maneira (Capital Inicial), California (Phantom Planet) e Ragatanga (Rouge).

E mais: História de verão (Forfun), I miss you (Blink 182), Reptilia (The Strokes), Máscara (Pitty) e Formato Mínimo (Skank).

E mais: Take me out (Franz Ferdinand), Helena (My Chemical Romance), Somebody told me (The Killers), Boulevard of broken dreams (Green Day) e O Dia que não terminou (Detonautas Roque Clube).

E mais: Best of you (Foo Fighters), Um minuto para o fim do mundo (CPM22), Você sempre será (Marjorie Estiano), Na sua estante (Pitty) e Hey there Delilah (Plain White T’s).

E mais: Who knew (Pink), Chasing Cars (Snow Patrol), Fidelity (Regina Spektor), Young Folks (Peter Bjorn and John), 1997 (Hateen) e Open your eyes (Snow Patrol).

E mais: Umbrella (Rihanna) e Time to pretend (MGMT)

E mais: Mercy (Duffy), Sutilmente (Skank) e Tchubaruba (Mallu Magalhães)

E mais: Dog days are over (Florence and the Machine), Telephone (Lady Gaga feat Beyoncé) e Bad Romance (Lady Gaga).

E mais: Billionaire (Travie McCoy feat Bruno Mars) e Love the way you lie (Rihanna e Eminem).

E mais: Rolling in the deep (Adele), Someone like you (Adele), Price Tag (Jessie J), Born this way (Lady Gaga), Skinny Love (Bird) e The A team (Ed Sheeran).

E mais: I won’t give up (Jason Mraz) e We are young (Fun feat Janelle Monáe).

E mais: Do I wanna Know? (Artic Monkeys), Royals (Lorde), Mirrors (Justin Timberlake) e Get Luck (Daft Punk feat. Nile Rodgers & Pharrell).

E mais: Photograph (Ed Sheeran), Blank Space (Taylor Swift), Shake it off (Taylor Swift), Bad Blood (Taylor Swift feat. Kendrick Lamar), Bang Bang (Jessie J, Ariane Grande e Nicki Minaj) e Uptown Funk (Bruno Mars feat. Mark Ronson).

E mais: What do you mean (Justin Bieber), Love Yourself (Justin Bieber), Worth it (Fifth Harmony feat. Kid Ink), Can’t Feel my face (The Weeknd), Amei te ver (Tiago Iorc) e Drag me down (One Direction).

Bisous, bisous

Os cinco de julho

Todas as fotos desse post são do meu instagram @paulinhav 🌷

Eu já contei meio que por alto aqui no blog que até o final do ano quero mudar do apartamento em que tô. E isso por um monte de motivos, que vão desde ter mais espaço, até a questão da facilidade de locomoção pro trabalho e, claro, o bom e velho conforto.

Apesar de eu e o Di já termos visitado uma quantidade razoável de casas, ainda não achamos a ideal, aquela que a gente achou que valia a pena bater o martelo – o que obviamente não me impede de fazer alguns bons planos pra quando essa mudança acontecer. Contei sobre eles nesse post aqui, mas, de lá pra cá é engraçado como a ideia do cantinho de flores ganhou ainda mais força na minha lista de desejos.

Flores andam me fazendo mais bem do que de costume, nem que seja do jeito como elas aparecem na foto aqui de cima: em uma estampa de vestido que eu amo (e que daqui a pouco vai andar sozinho de tanto que eu uso) ou em uma rosa pink linda que ganhei como convite de um evento em que chamaram o blog.

Quero muito embelezar a casa nova com flores de tipos, cheiros e cores diferentes porque a sensação que eu tenho é que elas me abraçam assim que chego perto delas.

Em julho decidi ler o livro que a Shonda Rhimes lançou no ano passado, o The Year of Yes, e que chegou agora em 2016 no Brasil sob o título de “O ano em que disse sim”. O livro é uma espécie de biografia da Shonda onde ela conta sobre como foi seu ano de 2014, também conhecido como o ano em que decidiu dizer sim pra toda e qualquer oportunidade que pudesse surgir de interessante na sua vida pessoal e profissional.

De uma aparição no programa do Jimmy Kimmel até uma palestra na sua ex-universidade, ela decidiu topar o desafio de estar em todos esses eventos que sempre lhe soaram aterrorizantes, mas que agora serviam como uma forma de provar a si mesma que ela podia quebrar essa barreira.

Não é auto-ajuda (nada contra, claro, mas eu particularmente não sou uma pessoa que gosta de livros do gênero) e nem o tipo de livro cheio de autoelogios constantes. Mas é extraordinariamente bom. Bom de um jeito que me fez ficar mandando mensagens pras minhas amigas com pequenos trechos dele.

Sinto que especialmente quem é fã de Greys Anatomy vai amar a leitura (caso você não saiba, Shonda é a criadora da GA, Scandal e Private Practice, além de produtora executiva de How to get away with murder) e se apaixonar anda mais por essa mulher, que é um tipo um Midas da TV americana, transformando em ouro tudo que toca.

Dois amigos de Mogi vieram pra Bauru passar o final de semana e fazendo jus ao que todo mundo dessa foto aí gosta, fomos em um bar-gamer daqui, onde em cada mesa há um tipo de videogame diferente pras pessoas se divertirem. Mais do que uma simples reunião de amigos, esse fim de semana foi também a despedida do Pato, um desses amigos de Mogi, que agora em setembro tá se mudando pra Tóquio (!) sem previsão alguma de volta.

A mudança é gigante, claro, mas como ninguém quis dar um clima de adeus a esses dias, procuramos nos divertir do jeito que sempre fazemos: com muito jogos, o barzinho de que já falei, um cafezinho gostoso no meio da tarde, muita conversa jogada fora e uma mesa de bar.

Apesar da viagem pra Gramado ter sido em junho, algumas coisas de lá continuam muito presentes na minha vida. Uma delas é esse chocolate quente da Prawer que tem me acompanhado em muitos finais de semana, especialmente naqueles sábados preguiçosos quando o Diego acorda antes de mim e prepara duas boas xícaras dele pra gente tomar na cama, ainda debaixo das cobertas.

E ai, acordar assim é tão bom! É um jeito todo quentinho, acolhedor e gostoso de começar o dia, E eu sei que pode parecer bobo, mas isso faz uma diferença real na minha rotina, me dando muito mais disposição e força pra fazer as coisas.

Eu acho que já deu pra perceber que todas as minhas saidinhas com amigos quase sempre envolvem comida, né? A foto daqui de cima é só mais uma prova disso, já que eu, Ari, Bruna, Inaiá e Lucas fomos jogar conversa fora e comer um bocado em um lugar daqui de Bauru chamado Esquina do Pão de Queijo. O encontro foi uma delícia, especialmente porque se antes a gente se via quase todo dia, agora tá bem mais difícil reunir todo mundo em um mesmo lugar.O que me faz desejar ter em breve uma outra noite como essa.

 POSTS DE JULHO

Passeando por Gramado e Canela

Coleção Audrey Hepburn: Um Clarão nas Trevas

Os cinco de maio e junho

FILMES DE JULHO

  • O Homem de Palha | Robin Hardy {1973}
  • Conta Comigo {revisto} | Rob Reiner {1986}
  • Um Clarão nas Trevas | Terence Young {1967}
  • Sala Verde | Jeremy Saulnier {2015}

LIVROS DE JULHO

  • O Ano em Que Disse Sim | Shonda Rhimes
  • A Herdeira | Kiera Cass

TEXTOS MEUS EM OUTROS LUGARES

Cinco livros de história da moda para ler já!

As mulheres nas séries: cinco personagens cheias de estilo

Bisous, bisous

O Clube de Discussão de Gilmore Girls | primeira e segunda temporada

Eu sei que pode parecer que os anos 2000 estão logo ali na esquina, mas a verdade é que lá se vão dezesseis anos desde que Gilmore Girls estreou na Warner Bros – o que para o mundo do entretenimento, onde programas de TV nascem e morrem todos os dias, significa praticamente uma outra vida.

A série, no entanto, sempre teve uma linguagem tão direta (e a gente sabe que também bastante rápida) com o público, abordando temas que dezesseis anos depois são até talvez mais importantes e cativantes do que na época, que a Netflix logo percebeu que ainda não havia chegado a hora de apagar as luzes. Isso e é claro o novo público do programa, que descobriu a série quando ela foi colocada no próprio serviço de streaming dos EUA em 2014 e provou que o poder das meninas Gilmore estava mais forte do que nunca.

Assim, em 2016 foi anunciado não apenas que haveria uma nova temporada do seriado, mas ainda que ele teria um formato especial, com quatro episódios de 90 minutos cada chamados de “A Year in the Life”.

No aquecimento para essa que já é uma das minhas maiores expectativas do ano (especialmente por saber que Daniel e Amy Sherman-Palladino estão à frente do projeto), eu e a Amanda Araújo resolvemos reassistir as sete temporadas do programa. E mais: decidimos nos encontrar de tempos em tempos (a cada duas temporadas mais precisamente) pra discutir sobre como está sendo rever cada um dos episódios.

Assim nascia um projeto que nós carinhosamente chamamos de “O Clube de Discussão de Gilmore Girls”.

Antes de falar, no entanto, sobre nosso primeiro encontro (que aconteceu na semana passada e foi obviamente palco de conversas muito rápidas, comidas gostosas e uma boa xícara de café), preciso explicar uma coisinha.

Quando eu e a Amanda assistimos Gilmore Girls pela primeira vez, todo mundo frequentava locadoras de vídeo, era preciso esperar dar meia-noite para usar internet e ter um celular de flip era um verdadeiro sonho de consumo. Ou seja, éramos muito mais próximas da idade da Rory do que da Lorelai, e fomos muito (mas muito mesmo) influenciadas por ela durante a adolescência. O amor pelos livros, a convicção de se acreditar em algo e lutar por aquilo, a mania de fazer listas pra tudo, a vontade de fazer jornalismo… Estava tudo lá.

E ainda está e acho mesmo que sempre estará.

Só que hoje em dia, estando muito mais próximas da idade de Lorelai (ainda que eu particularmente ache que nunca vou conseguir me encaixar nesse mundo de adultos que habita aí fora), é impossível não aproveitar as experiências que esses anos trouxeram pra olhar a série de uma outra forma. Pra notar coisas que antes nunca havíamos reparado e para perceber como certos personagens são ainda mais maravilhosos do que lembrávamos.

Assim sendo, logo que sentamos pra conversar, já sabíamos que não íamos apenas relembrar Star Hollows.

Nós íamos redescobrir Stars Hollow. Por inteiro e ainda melhor

Primeiras temporadas têm sempre uma vantagem: são elas as responsáveis por nos apresentarem os personagens da história. E é esse primeiro contato que a gente tem com cada um deles que cria ou não a magia necessária pra série funcionar.

No caso de Gilmore Girls, praticamente todos os personagens apresentados entre a primeira e segunda temporada estiveram presentes ao longo de todo o seriado, mesmo que com idas e vindas. E de cara já dá pra notar que todos eles são muito únicos, desempenhando diferentes tipos de papeis dentro da sociedade de Stars Hollow e dentro da vida das garotas Gilmore.

Ainda que Kirk, Miss Patty, Luke e tantos outros continuem sendo queridos por nós, foi muito curioso como eu a Amanda criamos uma empatia logo de cara por dois personagens que não costumávamos gostar: Emily e Richard Gilmore.

Talvez seja de novo essa coisa da idade, mas eu fiquei verdadeiramente tocada ao rever a primeira temporada e enxergar nos pais de Lorelai algo muito além do que a própria protagonista enxergava. Eles são sim complicados, difíceis de lidar, apegados a um monte de valores para os quais eu não ligo a mínima, mas tentaram criar sua filha da forma como achavam mais correta, amando-a e educando-a da maneira como sabiam.

A sensação que fica é que por mais que eles tenham construído uma relação toda torta e confusa, no fundo, só queriam estar mais próximos dela, podendo vê-la crescer e amadurecer.

Outra pessoa que também chamou muito nossa atenção nesse começo de série foi a maravilhosa Melissa Mccarthy, que faz o papel da Sookie, melhor amiga da Lorelai.

É tão, tão legal assistir as primeiras temporadas e ver o começo da carreira da atriz!

Confesso que no primeiro episódio tive um pequeno choque quando vi ela sendo apresentada de uma maneira toda caricata e esquisita. Mas conforme a série vai se desenrolando fica bem visível como os roteiristas mudaram de ideia quanto a esse posicionamento.

A gente sabe o quão triste é esse tipo de estereótipo onde melhores amigas de protagonistas nunca podem chamar mais atenção ou serem tão fortes quanta a estrela principal da série. Sinto que se em Gilmore Girls os produtores pensaram em fazer a Sookie dessa forma, o deslize caiu por terra rápido, fazendo com que a personagem crescesse de uma maneira inteligente e bonita ao longo do programa. Um alívio imenso, eu diria.

Outra coisa que a gente não pôde deixar de falar durante o nosso encontro foi sobre um dos temas mais polêmicos das duas primeiras temporadas: a relação Dean & Rory.

Eu juro que tentei reassistir GG de cabeça aberta, procurando descobrir do zero cada personagem, sem me deixar levar pelo que achava deles antes. E sei que a Amanda também apostou nessa ideia. Mas no final, chegamos a mesma conclusão: a gente não torce pro Dean e pra Rory ficarem juntos.

Pra gente fica claro que eles deram certo numa fase muito específica da vida da Rory, mas que as coisas pararam por aí.

Eles queriam coisas completamente diferentes pra si, não só no que dizia respeito aos estudos, mas também na forma como encaravam um relacionamento e uma vida a dois. E não teve jeito, o episódio 11 da primeira temporada, o That Damn Donna Reed, surgiu no assunto, já que pra gente nada simboliza mais esse abismo entre eles do que esse episódio.

Mas olha, não nos entendam mal. O Dean é um garoto bacana de verdade. Ele apenas não é o garoto que a gente acha que saberia lidar com o futuro que a Rory desejava. E sabemos que mudar pra agradar o outro só tende a piorar as coisas, né?

Como último assunto, mas longe de ser menos importante, falamos de algo muito marcante pra mim nessas primeiras temporadas: a desconstrução de Lorelai.

A verdade é que eu sempre enxerguei a gerente da pousada Independence Inn de uma maneira totalmente inabalável, quase ideal. Ela sempre foi uma mãe incrível, a melhor amiga da filha e o tipo de pessoa que foi capaz de sair do zero e conquistar tudo que queria.

E ela realmente é assim.

Mas Lorelai não é perfeita, e foram vários os momentos em que senti que ela agia de maneira infantil nas situações, obrigando Rory a ter muito mais maturidade do que ela.

O que consegui enxergar foi que ela é sim incrível, bem-humorada, confiável e muito convicta das coisas que acredita, mas também tem seus momentos de irresponsabilidade, também pode ser egoísta em algumas situações e não medir as palavras quando está brava. Ela pode ser complexa, pode ser humana, pode ser muito mais real do que eu a via antes. E isso tudo, podem tem certeza, a torna uma mulher ainda melhor.

Mas não pensem que foi apenas a personalidade de cada um dos personagens o tema central da nossa conversa. O tópico mais importante de fato do nosso encontro já tinha surgido antes, quando a Amanda me mandou uma mensagem falando sobre como estava enxergando o feminismo muito presente na série. E ela tava certa, porque se existe algo muito forte em Gilmore Girls, esse algo é o empoderamento feminino.

Conscientemente ou não, Gilmore Girls é mais do que uma série com duas protagonistas mulheres. GG é uma série em que as personagens femininas dominam geral, mostrando sempre personalidades fortes e decisivas. Elas nunca estão em segundo plano e sempre comandam suas vidas, ainda que pra isso precisem enfrentar um monte de obstáculos pelo caminho.

Em algumas personagens esse lado é mais fácil de identificar, como a própria Lorelai que saiu de casa ainda adolescente, com um bebê no colo, e conseguiu conquistar uma vida confortável e amável pra ela e pra Rory. Na mesma situação está Paris, que é mais do que uma aluna dedicada, é também uma garota implacável, consciente do que quer pra si e do quanto precisa ser focada nos seus objetivos.

Mas além delas, também existem outras personagens e situações não tão explícitas em que o empoderamento e o feminismo dominam. É o caso da Gypsy, única mecânica da cidade e maior entendedora de carros do lugar. Já pararam pra pensar quão legal é essa personagem, que está provando que não existe isso de profissão “tradicionalmente” masculina ou de assuntos que só interessam a garotos?!

E tem novamente a Sookie, uma personagem gorda que nunca enxergou isso como um problema, contrariando (ainda bem) muitos estereótipos sobre o assunto. Além de ser uma mulher maravilhosa e extremamente bem resolvida, Sookie usa as roupas que quer e nunca é tratada de forma diferente por ser gorda. Isso nunca é uma questão para a personagem, que se mostra cada vez mais como uma mulher linda, inteligente e que vive um relacionamento feliz.

Além delas, há é claro muitas outras personagens que eu poderia citar nessa linha, assim como outras muitas situações em que o feminismo aparece ainda que de maneira discreta, quase como se nem os próprios roteiristas da série soubessem da importância do que estavam fazendo.

Mas, independente dessa consciência ou não, o importante mesmo é que essa visão está lá e sei que da mesma forma como Rory nos influenciou de maneira crucial na adolescência, isso também contribuiu pra tudo aquilo que acreditamos e lutamos hoje em dia.

Enfim, queria escrever muito mais sobre o nosso encontro nesse post (afinal foram mais de duas horas de conversa!), mas acho que o que fiz aqui já é um bom resumo dos principais tópicos.

Pra finalizar o longo texto e de quebra atender um pedido que fizeram lá no facebook, aqui vai uma listinha dos meus episódios preferidos dessas duas primeiras temporadas. Contem depois nos comentários quais são os de vocês!

Primeira temporada

Episódio 3. Kill me now – porque Rory descobre que seu avô é uma figura muito mais complexa e parecida com ela do que supunha.

Episódio 6. Rory’s Birthday Parties – porque a festa de aniversário de 16 anos da Rory é uma festa gostosa como festas de aniversário devem ser. E porque é bonito ver Emily conhecendo mais da vida da filha e da neta.

Episódio 13. Concert Interruptus – porque tem show do Bangles <3, o início da amizade entre Paris e Rory, e Lorelai sendo uma mãe maravilhosa em vários aspectos.

Episódio 19. Emily in Wonderland – porque Emily vai conhecer Stars Hollow e porque entendemos um pouco melhor dos seus sentimentos em relação a vida de Lorelai.

Episódio 21. Love, Daisies and Troubadours – porque temos 1000 margaridas. “Nem 1001, nem 999, mas 1000.”

Segunda temporada

Episódio 4. Road Trip to Harvard – porque Rory foge com Lorelai de seu casamento, as duas passam por uma road trip divertidíssima e vão parar em Harvard.

Episódio 5. Nick & Nora, Sid & Nancy – porque Jess chega na cidade <3

Episódio 10. The Bracebridge Dinner – porque esse é apenas o jantar mais louco e de todos os tempos.

Episódio 13. A-Tisket, A-Tasket – porque há piqueniques, Jess & Rory, Luke & Lorelai e Jackson & Sookie.

Episódio 19. Teach me Tonight – porque no fatídico acidente de carro com Jess, Rory começa a perceber que sente algo a mais pelo garoto.

Episódio 21. Lorelai’s Graduation Day – porque Lorelai se forma e Rory vai visitar Jess em New York.

 

Venham discutir essas primeiras temporadas de Gilmore Girls com a gente, porfa!

A caixa de comentários é de vocês :)

Bisous e um ótimo final de semana.

A segunda paixão de Amelia Earhart

Todo mundo já escutou falar sobre Amelia Earhart e sobre como ela foi uma figura importantíssima dentro da história da aviação. Mais do que uma grande pilota, ela detém alguns dos recordes mais importantes na área, o que se torna ainda mais incrível quando lembramos que ela fez tudo isso sendo uma mulher durante os anos 20 e 30.

No entanto, esse post não é para falar sobre essa Amelia Earhart dos livros. Ou, pelo menos, não para falar sobre esse lado dela.

Esse post é para falar sobre como descobri, enquanto lia algumas páginas do livro “100 anos de moda”, que Amelia tinha uma segunda paixão. E não estou me referindo ao feminismo – que também era um tópico muito importante em sua vida e que a fez até criar um clube para mulheres pilotas. Estou me referindo a paixão que essa mulher tinha pela moda e que a fez, inclusive, lançar sua própria marca de roupas.

A passagem que fala sobre Amelia nesse livro lindo, com Audrey estampada na capa, é bem pequena, mas foi o suficiente para me deixar com uma pulga atrás da orelha e com vontade de pesquisar mais sobre o assunto. Foi assim que descobri que Amelia Earhart já gostava de moda desde pequena.

Essa paixão foi levada também para a sua vida adulta e acabou sendo muito útil durante os trabalhos que fez antes de se tornar aviadora. Na época, o salário que ganhava era pouco para as suas despesas, o que fez com que Amelia decidisse ela mesma fazer suas próprias roupas. Isso a ajudou por um bom tempo e muito provavelmente foi a primeira faísca – ainda que nem ela soubesse disso – da sua capacidade de levar a moda como profissão e não apenas como hobbie.

Mas costurar suas próprias roupas se mostrou algo apenas temporário. Depois que entrou para o mundo da aviação, as roupas que Amelia passou a usar, – e pelas quais ficaria para sempre lembrada – são as roupas que usava em seus voos, e que normalmente eram trajes extremamente confortáveis e práticos, duas características essenciais para sua profissão.

Ainda que a maioria dos trajes fosse bastante masculino, com uma gama de cores quase reduzida ao preto, marrom e cinza, Amelia sempre fez questão de dar um toque mais leve e colorido à sua roupa com lenços – acessório que se tornaria uma de suas marcas registradas.


amelia

Com as mudanças na vida profissional e sua nova carreira como pilota, o prestígio e a popularidade da americana também começaram a crescer. Ela era muito admirada por todos os recordes que quebrava, se tornando uma inspiração para diversas mulheres que começaram a vê-la não apenas pelo lado profissional, mas também pelo lado pessoal. Nesse processo, suas roupas também acabaram ganhando bastante atenção, tornando alguns de seus itens (alô, jaqueta aviador!) até hoje muito populares na indústria da moda.

Foi então que em 1934, Amelia decidiu que era hora de provar mais uma vez o quanto mulheres podiam ir à luta e, de quebra, realizar um sonho. Ela criou a “Amelia Earhart Fashion Designs”, marca de roupas que teve a sua primeira coleção, a Active Living, lançada naquele mesmo ano.

Vendida em 50 lojas, incluindo a famosa loja de departamento Macy’s de New York, a coleção tinha uma proposta completamente diferente das roupas que Amelia usava como aviadora. Tecidos leves, vestidos, chapéus e suéteres estavam lá, assim como o maravilhoso slogan “para a mulher que vive ativamente”.

A aviadora mergulhou tão fundo nesse projeto, que ela mesma criou as peças protótipos da coleção em sua máquina de costura, fazendo questão de acompanhar todos as outras etapas de produção até as roupas chegarem às lojas. No entanto, ainda que os preços das peças fossem razoavelmente acessíveis, o terrível período econômico que os EUA atravessava acabou falando mais alto e a marca de Amelia Earhart não prosperou.

Em 1937, quatro anos depois dessa empreitada no mundo da moda, Amelia Earhart resolveu dar a volta ao mundo em seu avião e desapareceu no Oceano Pacífico já no trajeto final do percurso. Até hoje não se sabe ao certo o que realmente aconteceu, mas ela foi dada como morta em 1939, se transformando em uma lenda da aviação mundial.

Sei que existe um filme sobre a sua vida (que eu quero muito assistir) estrelado pela Hilary Swank e enquanto pesquisava para escrever esse post aqui, descobri que a aviadora também foi uma das inspirações para uma coleção da Hermés em 2009 (para quem quiser saber mais, tem as fotos do desfile nesse link aqui da Harper’s Bazaar).

Ainda assim, parece que faltam informações mais profundas sobre a sua vida, especialmente sobre suas outras empreitadas comerciais (que foram além das roupas) e sua veia feminista, que parecia ser muito forte e depositada em tudo que fazia. Uma pena, já que antes mesmo de ser a profissional brilhante que era, Amelia parecia ser uma mulher incrível.

Bisous, bisous